sexta-feira, 17 de abril de 2015

Tal como já aqui foi escrito, Praia de Bote está em pausa até dia 26 à noite. Retomaremos a actividade a 27, com a continuação do diálogo que Adriano Miranda Lima está a divulgar, travado entre dois já célebres amigos seus.



Ver AQUI, AQUI e AQUI



quinta-feira, 16 de abril de 2015

[1479] 40 anos do "Terra Nova"

O Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos Fonseca, presidiu, na tarde de 14 de Abril, à abertura da conferência dos 40 anos do Jornal "Terra Nova". O acto teve lugar na Sala de Conferências da Biblioteca Nacional, Praia, ilha de Santiago.

Estas fotos foram enviadas para o Pd'B pela Presidência da República de Cabo Verde, à qual agradecemos a amabilidade do acto. No número especial do 40.º aniversário, que se vê nas primeiras imagens, colaboraram Joaquim Saial, Adriano Miranda Lima e Ondina Ferreira (tudo gente do Pd'B), entre outros.





Cardeal D. Arlindo Furtado, PR de Cabo Verde e Frei Gilson Frede
Cardeal D. Arlindo Furtado, PR de Cabo Verde e Frei Gilson Frede
PR de Cabo Verde e cardeal D. Arlindo Furtado
Frei António Fidalgo, primeiro director do "Terra Nova", e PR de Cabo Verde
Frei Gilson Frede, actual director do "Terra Nova" e PR de Cabo Verde

sábado, 11 de abril de 2015

[1478] 200.000, MESMO!!!


[1477] Domingo, 26 de Abril (logo a seguir ao "25"), saem em Lisboa as "Crónicas Desaforadas" de João Branco


João Branco
"(...) Devíamos transformar as dificuldades de viver numa pequena aldeia - todos os habitantes de Cabo Verde juntos não chegam para compor  uma cidade de tamanho médio num qualquer país sul-americano - em vantagens nossas. Aqui não há lugar para o anonimato, todos se conhecem, todos já tivemos algum tipo de relacionamento com praticamente todas as pessoas com quem nos cruzamos durante um dia normal.

Andamos na rua e somos cumprimentados de forma afável pelo condutor de camião que faz a recolha do lixo, pelo funcionário da CV Telecom que vem verificar uma avaria da Internet, pela senhora da mercearia Mendes & Mendes, pelo homem que vende os jornais numa cadeira de rodas na Rua de Lisboa, pelo gerente do Café Portugal, pelo polícia de trânsito  que está ali na esquina da Praça Nova, pelo engraxador da Pracinha da Igreja, pelo amigo que temos como salva-vidas na praia da Lajinha, que também toca violão e é ator nos tempos livres, por algum anónimo que nos para na rua e nos pergunta se no próximo fim-de-semana há alguma peça de teatro na cidade. (...)"

Cartaz do Praia de Bote
Cartaz oficial da editora Rosa de Porcelana
JOÃO BRANCO

Nasceu em Paris em 1968.
Vive em Cabo Verde desde 1991, na cidade do Mindelo.

Doutorando em Artes, Comunicação e Cultura, pela Universidade do Algarve.
Mestre em Artes Cénicas, especialidade Encenação, com a classificação de Muito Bom. 
Licenciado em Gestão do Património e Organizações Culturais, com a classificação de Muito Bom.

Inicia as suas atividades cénicas em 1984 com o encenador João Paulo Seara Cardoso. Em 1987 dá as suas primeiras aulas de Iniciação Teatral no Liceu Camões, a convite da Associação de Estudantes. Em 1990 encena o seu primeiro espetáculo Quem me Dera Ser Onda do escritor angolano Mário Rui, na Escola Sec. D. Maria II, em Lisboa.

Inicia em 1993 no Mindelo, o I Curso de Iniciação Teatral a convite do Centro Cultural Português (CCP), que já com catorze edições. Por eles passaram já centenas de pessoas. Funda em 1993, o Grupo de Teatro do CCP do Mindelo (GTCCPM), onde é encenador e director artístico. Neste grupo de teatro já encenou e produziu 50 espetáculos teatrais, com textos de autores cabo-verdianos, como Arménio Vieira, Germano Almeida, Caplan Neves e Mário Lúcio Sousa, ou da dramaturgia universal como Camus, Oscar Wilde, Garcia Lorca, Willian Shakespeare, Victor Hugo, Moliére, Beckett, Muller, Alfonso Castelao, entre outros.

Comemorou, em 2014, a sua 50ª encenação, com “Tempêstad”, adaptação crioula da peça origina de Shakespeare. 

É convidado, em 1994, a assumir o cargo de Responsável por todas as Atividades Artísticas do Instituto Camões – Centro Cultural Português / Pólo do Mindelo. Em 2014, assume a direção do mesmo centro cultural.

Funda em 1995 o Festival Internacional de Teatro do Mindelo - Mindelact, do qual é diretor artístico até hoje. Um festival considerado hoje o mais importante evento de teatro africano. Foi, entre 1996 e 2013, Presidente da Direção da Associação Mindelact.

É autor da mais importante obra editada sobre o teatro cabo-verdiano, “Nação Teatro – História do Teatro em Cabo Verde”, editado em 2004, pela Biblioteca Nacional de Cabo Verde. Uma obra que foi premiada pela Associação Cabo-verdiana de Escritores e considerada um marco na literatura de investigação em Cabo Verde. Faz parte, desde 2013, da Academia de Letras de Cabo Verde. Editou, pela Rosa de Porcelana, o livro "Crónicas Desaforadas", em 2015.

Autor da componente cabo-verdiana, do livro “O teatro dos Sete Povos Lusófonos”, editado pelo Centro Cultural de S. Paulo (Brasil). Coordena, em 2003, a edição do livro “10 Anos de Teatro”, referente ao historial do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo. Edição de 2003. Funda em 1997, a revista de Teatro "Mindelact - Teatro em Revista", da qual é principal responsável editorial.

Escreveu crónicas para os jornais “A Nação”, “Horizonte”, “O Cidadão”, e tem textos seus publicados no jornal “A Semana” e “Expresso”, de Portugal. Publica o texto sobre teatro em Cabo Verde no número especial da revista “Kultura”, comemorativa dos 25 anos da Independência de Cabo Verde.

Recebe, o Prémio de Mérito Teatral, em 2010 e o Prémio de Teatro de Mérito Lusófono, atribuído pela Fundação Luso Brasileira para o Desenvolvimento da Língua Portuguesa, no Recife, em 1996. Recebe em 1999, o Prémio Micadinaia de Cultura, atribuído pela Academia de Estudos Comparados de S. Vicente.

É condecorado em 2010, pela Presidência da República de Cabo Verde, com a Primeira Classe da Medalha do Vulcão, pelo contributo que vem dando à Cultura Cabo-verdiana, em geral, e à Arte Cénica, em particular, da qual é por muitos considerado o maior expoente das ilhas de Cabo Verde.

Pertence, desde Dezembro de 2014, à Academia Cabo-verdiana de Letras.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

[1475] Continua a interminável mas assaz proveitosa discussão entre os dois amigos sobre a língua cabo-verdiana

VIII Parte

(Ver I AQUI, II AQUI, III AQUI, IV AQUI, V AQUI, VI AQUI e VII AQUI)

Adriano Miranda Lima
Filinto:  ̶  Cada vez mais vou ficando com a vaga impressão de que esta nossa conversa tende a não terminar tão depressa,  porque o fio da meada tanto pode ir-se desenrolando como enrolando  de novo, conforme os conceitos se clarificam ou se adensam com novas incógnitas, dúvidas e perplexidades.

Elísio:  ̶  Se tu o dizes, amigo… Olha, eu por mim estou disponível e enquanto não te saturares da minha presença.  E, como a conversar é que a gente se entende, conforme diz o povo, é bem possível que não venhamos a desamparar a loja tão depressa.

Filinto:  ̶  Bem, enquanto o dono deste “Café” aturar a nossa presença,  mas como o Djack tem uma paciência de santo…

Bem, continuemos, então. Na nossa última conversa, não houve tempo para explicitar a opinião do Dr. Baltasar de que o crioulo de Santiago é o mais capaz de viabilizar uma solução de  escrita. Diz que é “por causa do vocalismo”, entendendo ele que “no crioulo  de S. Vicente há encontros violentos, bruscos de consoantes…” (1). O que, deduz-se, não acontece com o de Santiago.

Elísio:  ̶  Bem, agora ou alinhamos com o “advogado do diabo”, ahahahah, ou tentamos clarificar a afirmação, contextualizando-a ou identificando-lhe alguma insuficiência de conteúdo, o que, convenhamos, soará como  heresia,  sendo quem é o Dr. Baltasar.  Ainda por cima quando nenhum de nós é linguista ou filólogo. Antes de mais, note-se que o Manuel Veiga, reagindo ao artigo “Grinhassim Não”, de Dulce Lush Ferreira Lima, publicado no Expresso das Ilhas em 13 de Junho de 2013, não perdeu a preciosa oportunidade de citar o Dr. Baltasar Lopes e afirmou (2): “….. É certo que no colóquio de 1979 vozes autorizadas do Norte do arquipélago defenderam a primazia do badio como variante de base no processo de padronização do crioulo. E isto, talvez, influenciados por Baltasar Lopes da Silva que, no Prefácio  à "Aventura Crioula", de Manuel Lopes, escreve: ‘... o falar do grupo de Sotavento é, a meu ver, o mais adequado ... para o tratamento literário.  Mais abaixo continua, citando Baltasar Lopes: ‘... me parece que o crioulo padrão para o uso literário se há-de fixar, partindo da base fonética do falar de Sotavento’.” Concluiu Manuel Veiga: “Porém, essa proposta de Baltasar Lopes, apesar de relevante,  nunca chegou  a ser ratificada oficialmente e, hoje, eu próprio, por uma questão de respeito pela diversidade cultural, defendo que a unificação linguística deve ter em conta todas as variantes, com um eixo Sul, à volta de Santiago, um eixo Norte, à volta de S. Vicente, e um eixo Norte/Sul à volta dessas duas variedades, em estreita cooperação com as particularidades pertinentes, enriquecedoras e representativas de todas as variantes.”

Filinto:  ̶  Elísio, vamos começar por analisar comparativamente os tais casos de “encontro violento de consoantes” versus o que será supostamente o seu contrário. Reparemos nestes exemplos, em que aparece a versão santiaguense seguida da mindelense:

Alfabétu  ̶  alfabet;  kabuverdianu  ̶  cabverdióne; kasamentu  ̶  csament; independentu  ̶  indpendent.
Ora, quanto a colisão de consoantes, é indiscutível que o Dr. Baltasar tem razão no que diz. Repara que esse encontro violento resulta da elisão de vogais, como é particularmente nítido no caso de “csament”. E este fenómeno tem uma relação directa com a diferença de acentuação entre as duas variedades do crioulo, sendo que as palavras santiaguenses são genericamente paroxítonas (acentuação na penúltima sílaba) enquanto as mindelenses/barlavenses  são oxítonas (acentuação na última sílaba). Esta é uma diferença fundamental na fonologia das duas variedades do crioulo. Pergunto agora que factores o terão determinado na formação original de cada uma.

Elísio:  ̶  Posso dar um palpite, sem saber se este aspecto já foi ou não objecto de investigação? A meu ver, a morfologia/fonologia típica do vocábulo santiaguense remonta ao primeiro encontro linguístico entre  o português e as línguas africanas de origem, assim se explicando o predomínio da influência dos fonemas “u” e “i” no falar santiaguense. Dir-se-á que esta circunstância cristalizou para sempre o crioulo de Santiago. Quanto ao crioulo do Barlavento, e em particular o de S. Vicente, creio que a atonização de vogais, que é a causa do encontro brusco de consoantes, se deve a uma possível influência de línguas estrangeiras, nomeadamente o inglês. Basta ver que na língua inglesa é de um modo geral inaudível o som dos grafemas terminais das palavras. 

Numa tentativa de compreender a posição de Baltasar Lopes, tomemos de novo o exemplo da palavra santiaguense “kazamentu”. Quando se pronuncia  “kazamentu”, a palavra se expõe em toda a sua inteireza vocabular e só se distingue do “casamento”, português, na entoação fonética e na peculiar acentuação da vogal final. Portanto, um estrangeiro com conhecimentos rudimentares de português apreenderá mais facilmente a correspondente palavra portuguesa em “kasamentu” do que em “csament”. Não achas?

Filinto:  ̶  Penso que sim, Elísio, mas esta diferença  justifica por si só que se considere  o crioulo santiaguense mais apto para a escrita do que o do Barlavento? Será, com efeito, por uma maior proximidade à grafia portuguesa?

Elísio:  ̶  A meu ver, não. Mas, se for assim, o curioso é que há uma contradição na intencionalidade, e implicitamente na argumentação, dos que preferem a padronização e oficialização do crioulo a uma aposta firme num maior aprofundamento do ensino e uso da língua portuguesa em Cabo Verde. 

Filinto:  ̶  Explica-te.

Elísio:  ̶  A contradição advém da circunstância de 97% do léxico do crioulo ter origem na língua portuguesa. É o próprio Baltasar Lopes que o sublinha. Daí eu pensar que, perante a flagrante identidade léxica entre as duas línguas, uma opção diferente, e porventura viável e justificável, seria uma aposta decisiva no português, como eixo fundamental do futuro linguístico do país, ao invés da tentativa de o substituir por  um crioulo que nos é querido mas cuja real capacidade de afirmação como língua literária, de ensino  e de Estado só não suscita dúvidas aos defensores do  projecto que temos estado a discutir.

Está mais que evidente que essa opção tem subjacente uma motivação política: tornar o crioulo um importante vector da identidade cultural do país. E é para credibilizar essa opção aos olhos de quem se interrogue sobre o seu real fundamento, que se adoptou uma escrita sob a égide de um alfabeto concebido para iludir o mais possível a semelhança morfológica entre as duas línguas e contrariar a lógica gramatical que preside à língua portuguesa. Porém, como 97% do léxico do crioulo têm origem na língua portuguesa, estamos perante uma situação deveras insólita e que nos dá razão para dizer que o gato está escondido com o rabo de fora. Bem disse o Professor José Fortes Lopes que “a temática da língua tem sido instrumentalizada desde há 40 anos por questões de ordem e agenda política.”(3)

Filinto:  ̶  Mas convém lembrar que os princípios por que se rege esse alfabeto, o ALUPEC, aprovados na 1ª Conferência Internacional de Fonologia realizada em Praga em 1930,  não se aplicavam a países que já tinham uma língua oficial, como é o nosso caso. Referiam-se, sim, a situações em que se parte de um ponto zero linguístico para se criar uma escrita. Ora, em Cabo Verde, o convívio entre dois alfabetos diferentes e com finalidades distintas vai provocar uma autêntica balbúrdia linguística, como já dissemos.  

Elísio:  ̶  Então, meu caro, temos de concluir que a perspectiva do nosso saudoso mestre, Baltasar Lopes, sobre a questão da língua literária  tem de ser contextualizada e  lembrados os seus pressupostos.

Filinto:  ̶  Ah, o mais importante pressuposto é o que subjaz a estas palavras do nosso saudoso Mestre que já analisámos no diálogo anterior: “Era preciso que houvesse já uma literatura, um passado literário escrito, para nós podermos escolher o crioulo padrão, e ele não existe. Se se continuar a escrever o crioulo como se escreve (ou como não se escreve) actualmente, isto é um problema para ser resolvido pelos nossos netos. Têm de passar duas gerações para este assunto ficar limado e nessa altura ver-se claro. Por enquanto, o que se diga é prematuro. Não confundamos a visibilidade da língua escrita com a da língua oral.”

Ora bem, que produções literárias tem havido em crioulo a uma escala editorial que permita extrapolações de ordem científica?  Estou a lembrar-me de “Odju d’Agu”, precisamente da autoria do voluntarista Manuel Veiga, do “Vangêle Contód de Nos Móda”, de Sérgio Frusoni. Tirando isso, haverá poemas em crioulo e algumas crónicas, como as do Zizim Figueira, e o curioso é não haver um predomínio do crioulo de Santiago no pouco que se conhece. Pode-se então falar de uma efectiva produção literária em crioulo? Nem por sombras! O que existe não tem qualquer significado literário.

Elísio:  ̶  Então temos que reconhecer que a tese do advogado do diabo não beliscou a nossa visão pessoal do problema. E que não cometemos qualquer heresia contra o nosso querido Dr. Baltasar Lopes, assegurado que está que o seu entendimento se baseava num importante pressuposto que está longe de verificar-se para que o crioulo de Santiago se eleja de direito próprio como língua-padrão. Ignorar  a observância dessa condição basilar é descontextualizar o pensamento de Baltasar Lopes. E é como colocar a carroça à frente dos bois.

Filinto:  ̶  O que é um facto é que as duas línguas, o português e o crioulo, sempre conviveram paredes-meias no universo literário cabo-verdiano. Desde sempre até aos dias de hoje, a nossa literatura foi veiculada em português, sem que isso signifique, no entanto, menosprezo pelo idioma materno.  É que apesar de o crioulo ser a expressão natural das vivências da nossa existência insular, esbarra-se com dificuldades para transcender a realidade empírica e tornar-se um veículo credível de uma produção literária de ampla aceitação e difusão. De facto, parece difícil que o crioulo deixe o seu escopo marcadamente popular e consiga estimular o mercado editorial. Não é por acaso que os nossos escritores sempre preferiram e continuam a preferir escrever em português, e sem que o expressionismo do seu universo crioulo perca autenticidade. Não há dúvida que a língua portuguesa consegue a plasticidade necessária para se moldar às exigências da expressão das nossas peculiaridades identitárias, idiossincráticas e psicológicas. Quem lê um “Chiquinho”, de Baltasar Lopes, um “Chuva Braba”, de Manuel Lopes, um “Cais de ver partir”, de Nuno de Miranda, um “Testamento  do Sr. Nepomuceno da Silva Araújo”,  de Germano de Almeida, entre muitas outras obras, percebe que a língua portuguesa se adapta perfeitamente ao tratamento dos contextos sociais cabo-verdianos, sem perda da tonalidade crioula na descrição das vivências sociais, dos comportamentos individuais, ou na criação dos diálogos e interacções humanas.

Elísio:  ̶  Isto porque os nossos escritores têm a consciência assumida de que se não for a língua portuguesa a mediatizar a sua produção literária,  jamais conseguirão transpor as fronteiras do nosso modestíssimo e insignificante mercado literário. Pensam e escrevem para o universo cabo-verdiano, mas têm os olhos no imenso mercado que é a CPLP. Escrever para poucas centenas de milhares de pessoas não é o mesmo que escrever para 270 milhões.  Além disso,  as obras que alcançam sucesso no universo lusófono encontram, em muitos casos, possibilidades de tradução editorial para outras línguas estrangeiras  de grande difusão. Estás a ver nosso crioulo a mediatizar esta última performance?

Filinto:  ̶  Claro que não, mas respondo-te com uma outra pergunta, Elísio. Se a realidade é esta, por que é que os nossos escritores ainda não tomaram um posição séria sobre esta questão? Como conseguem demitir-se  das suas responsabilidades quando  uma seta venenosa está apontada ao coração da sua actividade?

Bem, terminamos por hoje, mas este aspecto particular do tema terá de ser retomado.

(1) Entrevista ao Jornal Ilustrado (Portugal), na sua edição de 12 de Maio de 1988.
(2) Artigo de Manuel Veiga, de 12 Julho de 2013,  “Grinhassim, Não” ou a Energia do Yes We Can”  publicado no jornal Expresso das Ilhas.
(3) Artigo de José Lopes, de Março de 2015, “Desmistificando as questões da Oficialização do Crioulo e do Bilinguismo”, publicado no jornal Notícias do Norte.

Tomar, 3 de Abril de 2015
Adriano Miranda Lima

[1474] Que faz o Real Madrid que o Mindelense não consiga fazer também?

Real Madrid arrasa o Granada com 9-1, com a ajuda de Cristiano Ronaldo. Mas Mindelense faz precisamente o mesmo ao Ribeira Bote. Portanto, que faz o Real Madrid que o Mindelense não faça do mesmo modo? Com o clube da Praia de Bote campeão de São Vicente pela segunda vez consecutiva, resta-nos dar um viva aos vermelhos do leão. Viva Mindelenseeeeee!!!
Ver AQUI

quinta-feira, 2 de abril de 2015

[1472] "Crónicas Desaforadas", novo livro do encenador teatral João Branco, vai ser apresentado em Lisboa por Joaquim Saial (clique nas imagens, para as ver melhor)

Livraria Ler Devagar - Ver AQUI

João Branco
"(...) Recordando aqueles tempos,  parece-me claro o quanto o nosso Mindelo se transformou e não foi para melhor. Os cinemas fecharam, a Praça Nova deixou de ser aquele lugar aprazível no qual dava tanto gosto passear, conversar, namorar, ver os amigos. Sair à noite pressupõe cuidado, com o medo dos assaltos, cada vez mais violentos, sempre presente. O alcatrão não é tudo e eu senti saudades da calçada nas ruas da morada.  

Hoje, sempre que passo na Praça Nova, sinto uma energia ruim de que algo mau nos pode acontecer a qualquer instante, a que não será alheio o facto de a praça ser uma montra e um resultado dos problemas sociais na ilha (...)"
João Branco

"(...) As Crónicas de Branco deixam, ainda, testemunho de um tempo, de um lugar e de gentes, em uma espécie de inventário dos sucessos culturais que se deram continuamente nos últimos 20 anos, no Mindelo e arredores, envolvendo o autor, figuras mindelenses - de Cesária e Germano Almeida - ancorados nos corredores de saudade - boates e bares, aeroportos e aeronaves, Rua d'Lisboa, Monte Cara e Porto Grande (...)"
Jorge Carlos Fonseca - PR de Cabo Verde

"(...) A crónica mais afastada no tempo, de Janeiro de 2008, fala-nos de dragões em garagens, coisa em que não podemos crer, como também não nos escritores que não escrevem, actores que não actuam, pintores que não pintam e músicos que não tocam mas que se acham escritores, actores, pintores e músicos – e o propagandeiam, para além do razoável, em bazofaria cultivada como produto nacional, como refere o cronista – em Cabo Verde, como afinal em Lisboa e em muitos outras geografias.

Logo a seguir passa ele para o seu manifesto teatral, coisa que um home de teatre (e estou a falar em crioulo e não em francês) deve ter. Para ele próprio se domesticar, para não fugir de si próprio e daquilo que pensa que a sua arte deve ser. E para não se acomodar, pior coisa que pode acontecer ao que lida com o intelecto. Correr riscos, lançar-se na aventura, calculada embora, é o dever do trabalhador cultural, com a ajuda das palavras-chave que o neste caso encenador captura para o seu manifesto e a que nele jura obediência: criatividade, coerência, concepção, estudo, exigência, experimentação, humildade, trabalho e… partilha – esta. Corolário de todas as outras e objecto delas, digo eu. (...)"
Joaquim Saial

quarta-feira, 1 de abril de 2015

[1471] Um grande dia para a selecção de Cabo Verde

2-0, num Cabo Verde-Portugal, vitória sabe para os Tubarões Azuis. Parabéns do Pd'B à rapaziada das ilhas (que mereceu ganhar), e viva os 50.000 euros que vão reverter para os foguenses maltratados pelo seu vulcão. Finalmente, um viva Portugal e um viva Cabo Verde. Ver AQUI


sábado, 28 de março de 2015

[1470] Praia de Bote abranda...

Mais uma vez com tarefas apresentativas pela frente, Praia de Bote abranda. Até 26 de Abril surgiremos apenas uma vez por outra, enquanto apreciamos umas "Crónicas [realmente] Desaforadas" que estão aqui em cima da nossa secretária e escrevemos sobre elas...

Chegada logo depois do aviso acima colocado, ainda deixamos aos leitores do Pd'B a VII parte do diálogo (e agora, em VI e VII partes também "pluriálogo") entre os já famosos amigos que discutem urbana e civilizadamente as questões da lingua cabo-verdiana.


VII Parte 
(Ver I AQUI, II AQUI, III AQUI, IV AQUI, V AQUI e VI AQUI)

(Este diálogo tem decorrido entre duas personagens fictícias, mas volta e meia podem “convidar” para a mesa quem possa contribuir para o enriquecimento do debate, como foi agora o caso)

Adriano Miranda Lima
Elísio:  ̶ Filinto, continuando a nossa conversa, talvez possamos hoje debruçar-nos sobre aquilo que consensualmente se considera a riqueza do crioulo na sua diversidade ao nível  de cambiantes expressivos e mesmo lexicais, para não falar no âmbito da fonética.

Filinto:  ̶ E que é precisamente a razão para um sem número de interrogações que grande parte dos observadores tem levantado sobre a dificuldade, se não mesmo a impossibilidade, de padronizar a curto prazo o crioulo,  visando escrita  e, ulteriormente, a oralidade.

Elísio:  ̶  Temo que isso exija um trabalho ciclópico, ainda por cima com a amarga sensação de que poderá estar votado ao insucesso. Por acaso, estive recentemente a ler um livro de “estórias” da autoria de João Lopes Filho, natural de S. Nicolau, cuja temática mergulha no imaginário rural da sua ilha. Isto só para dizer que encontrei no livro termos que eu não conhecia, ou de que não me lembrava sequer ter ouvido casualmente, por serem típicos ou mais correntes na ilha. Por exemplo: curcutir (bisbilhotar); furisco (boçal); ninclitar (poupar); plenguice (tolice); num rufo (rapidamente); etc.

Filinto:  ̶  Eu também não conheço esses termos, que são tão típicos de S. Nicolau como outros há também típicos em cada uma das ilhas do arquipélago, se bem que  em cada grupo de ilhas haja, digamos assim, um tronco linguístico comum definidor de um certo grau de homogeneidade dialectal. O mesmo é dizer que entre os falares de S. Vicente, S. Antão, S. Nicolau e Sal, e mesmo Boavista, existe uma similitude de linguagem vocabular e expressividade que distingue o seu crioulo do das ilhas do Sotavento, embora cada ilha tenha, é certo, as suas particularidades lexicais.

Mas, olha, rapaz, tive uma ideia. E se convidássemos para o nosso diálogo o Dr. Baltasar Lopes da Silva e aqueles que participaram naquela mesa-redonda no já longínquo ano de 1956 sobre a “Seroantropologia das Ilhas de Cabo Verde” (1)? Claro que nem todos terão a palavra porque o que mais nos interessa aqui é a questão da língua e a este respeito quem dominou o debate foi o nosso saudoso mestre.

Elísio:  ̶ Estás a mangar comigo ou quê? Tens capacidade mediúnica ou queres brincar ao senhor Henrique Baptista do Racionalismo Cristão?

Filinto:  ̶  Ah-ah-ah. Não me faças rir. Não, Elísio, vais ver que é fácil, é só trazer alguns deles à nossa mesa recuperando o depoimento vertido naquele debate realizado há 59 anos. Para começar, ouçamos o Dr. Aníbal Lopes da Silva, presidente da mesa-redonda, que introduziu a discussão sobre o crioulo.

"Aníbal Lopes da Silva":  ̶  “A língua crioula é um idioma de poupança e de adaptação regional. Com riqueza fonética e a plasticidade de um verdadeiro idioma, ou é apenas um “falar útil”, bom como instrumento de comunicação, mas incapaz para outras realizações intelectuais?” Eis o problema agora em discussão.

"Baltasar Lopes":  ̶  “Bom. Originariamente, o núcleo primitivo da formação do crioulo devia ter um carácter exclusivamente profissional, portanto, revestia um carácter de falar útil. Modernamente não. O crioulo oferece hoje principalmente aquilo que Deschanel chamava formação, isto é, não estagnou. Apresenta uma capacidade de enriquecimento em vários domínios, em todos os domínios em que uma língua se pode enriquecer. Por exemplo, um dos aspectos: o fonético. Foi Maurice Ramon quem apontou que muita gente supõe que uma língua se enriquece pela sua sintaxe, pelo vocabulário, quando, pelo contrário, a maior tendência de aristocratização de uma língua é a fonética; e então nisto Cabo Verde é uma terra ideal para um dialetólogo e para um romanista. Como todas as línguas, temos na nossa um fundo fonético tradicional, fundo que depois é reconstruído. É claro que hoje – e não é só hoje, a situação vem de há muito tempo – há um contacto bastante assíduo com a cultura europeia veiculada, ou por europeus ou – e isto é mais importante – por indivíduos naturais das ilhas, indivíduos ilustrados ou pelo menos alfabetizados. De modo que se nota a influência constante da língua mãe”.

Elísio:  ̶  Desculpe interrompê-lo, Dr. Baltasar, como se exerce ou como se compreende  esta influência?

"Baltasar Lopes":  ̶  Bem, “isto compreende-se porque o crioulo está numa situação diferente da que estiveram o português, ou qualquer língua românica com o latim. Quando certas línguas se formaram, o latim já não era uma realidade viva, ao passo que nós notamos um dialecto, um idioma, que evolui sob os olhos da língua matriz, sob uma influência constante de tal língua matriz. Há este tal princípio de aristocratização que se nota por toda a parte.”

Continuando a minha exposição… “Uma palavra de fundo tradicional é transformada imediatamente na boca do povo por influência das pessoas ilustradas e assume uma fisionomia fonética muito mais fácil do que o português. Para isso contribuíram vários factores que não posso referir aqui (alotropismo, formas divergentes). É rara a palavra que não assuma aqui duas fisionomias fonéticas: a fisionomia tradicional e uma fisionomia muito próxima do português. É claro que a tradicional caracteriza-se principalmente por dois fenómenos fundamentais, um deles decorrente do outro: o primeiro é a atenuação das vogais átonas, donde o encontro violento de consoantes; é então o mecanismo de assimilação que tem na ilha de Santo Antão o seu paraíso. O foneticista que vá à ilha de Santo Antão, e que se interesse pelos fenómenos de assimilação, encontrará lá elementos com abundância, vitalidade na fonética, vitalidade no léxico. Muita gente também supõe que o crioulo tem um léxico na sua maioria de origem africana. Enganam-se. Eu suponho poder falar particularmente sobre isso porque me dei a um trabalho de Topsius que parece, ao fim e ao cabo, que vai ser publicado: e nesse trabalho entro no léxico. A certa altura dei-me ao trabalho de verificar a percentagem de termos que eu tinha a certeza de não serem de origem portuguesa. Percentagem mínima: 3 %, se tanto. E no conjunto do léxico é a mesma coisa. É claro que quem não conheça o crioulo desnorteia-se perante as formas fonéticas.”

Filinto:  ̶ Depreende-se, Dr. Baltasar, que o nosso crioulo, embora com algumas diferenças morfológicas e fonéticas entre as ilhas, ou talvez por isso mesmo, é uma língua viva e em evolução…

"Baltasar Lopes":  ̶  “É uma língua viva, viva e com grandes possibilidades. Porque está adquirindo cada dia novos recursos expressionais. É claro, há que atender ao seguinte: o crioulo trabalha sobre um sistema irremediavelmente estabelecido: o sistema morfológico. Creio que o primeiro que estabeleceu este ponto de vista foi Tarracher e mais tarde Menier, que disseram: o que serve para definir uma língua e a sua filiação noutra é a estrutura morfológica, mais do que a fonética e mais do que o léxico e mais do que a sintaxe. Reduzir o sistema morfológico do português é uma fatalidade que acompanha todas as línguas quando evoluem em domínios novos: começam sistematicamente a simplificar o seu sistema morfológico, que depois compensam com processos periplásticos. E o crioulo apresenta esta coisa curiosa: a sua vitalidade dá-lhe a possibilidade de responder positivamente a um problema posto em 1936 pelo Osório de Oliveira e por mim: “será o crioulo uma língua?”. É claro, não é uma língua de civilização, é uma língua regional, com todas as características, todas as possibilidades.”

"Almerindo Lessa":   ̶ Dr. Baltasar, eu já conhecia algumas das crónicas radiofónicas em que contestou um ou outro pormenor da crítica de Gilberto Freire a propósito do crioulo e tinha lido na Claridade o seu magnífico trabalho sobre “ Uma experiência românica dos trópicos”. Mas eu queria provocá-lo, porque o meu juízo  também fora provocado por uma opinião inserta num estudo acerca dos termos médicos do crioulo cabo-verdiano: “a terminologia dos filhos de Cabo Verde mostra-se mais pobre do que o léxico similar plebeu das ilhas adjacentes”.”

"Baltasar Lopes":  ̶  “Isso é que não é verdade. Pode dizer que isso não é verdade. O vocabulário básico do crioulo não é menos rico do que o falar básico de qualquer outro individuo da metrópole. Pelo contrário. E a explicação talvez resida no maior contacto que houve antigamente entre o clérigo e o iletrado. Talvez por razões eclesiásticas. O teor de vida das ilhas era um pouco diferente, se bem que ainda hoje exista esse contacto. Qualquer de nós é bilingue. Eu falo o crioulo de S. Nicolau como qualquer rústico.

Além disso, aparecem termos cultos na boca do povo. Há bastante tempo, fui a S. Nicolau. Desembarquei no Tarrafal e foi meu companheiro de viagem um rapaz chamado Cesário, lá do Cabeçalinho. A certa altura, chegámos a um ponto chamado “os galegos”. O lugar é um bocado escuro, um bocado soterrado, e sabe qual o é o nome que ele deu àquele ermo: “ neste clipse”, neste eclipse. Está a ver a imaginação topológica, a riqueza, a fertilidade de transposição metafórica. Além disso, ainda lá se emprega o termo no sentido de situação difícil. Disseram-me também que em Santo Antão, para designar uma situação difícil, em que o individuo está com burro de Buridan, se diz” cis e caris”; entre Cila e Caríbdis!

O vocabulário é talvez, pelo contrário, a nossa maior riqueza. Para linguagem coloquial, para a linguagem de todos os dias, o crioulo tem tudo.”

Elísio:  ̶  Dr. Baltasar, por nada deste mundo perderia a oportunidade de o ouvir dissertar sobre o nosso crioulo, e creio que o meu amigo Filinto pensa exactamente o mesmo. Das suas palavras depreende-se que  o crioulo tem potencialidades morfológicas e lexicais para continuar a evoluir e tornar-se uma verdadeira língua. Mas também disse que a sua evolução será sempre sob a influência da língua portuguesa, da qual colhe quase todo o seu léxico. E muito oportunamente deixou claro que apenas 3% do seu léxico, “se tanto”, são de outra origem. Ficou claro também nas suas palavras que a fonética é um dos factores de enriquecimento do crioulo, mais do que a morfologia e a sintaxe, e para isso citou Maurice Ramom. E quando põe a tónica na fonética, então é iniludível que as variedades dialectais são, no  conjunto das nossas ilhas, um campo fértil e onde concorrem influências as mais diversas para a evolução da nossa língua materna, em vez de, pelo contrário, serem encaradas como algo a descartar na pressa e precipitação de padronizar e oficializar o crioulo.

Filinto:  ̶ Já agora, Dr. Baltasar, se me permite, e como estamos num debate em que o espaço e o tempo se cruzam e se unificam no plano do confronto e da clarificação dos conceitos, gostaria de o ouvir sobre a entrevista que deu ao “Jornal Ilustrado”, português, na sua edição de 12 de Maio de 1988. Assim, uma pergunta, colocando-me na pele de quem então o entrevistou:  ̶  “Em Cabo Verde volta a agitar-se a bandeira do crioulo como instrumento de criação literária. Como linguista e filólogo, o que tem a dizer?”

"Baltasar Lopes":  ̶  “Bem, há demagogia e ignorância. Esta temática do crioulo é bastante complicada e não é para qualquer. É evidente que o crioulo como língua natural, falado naturalmente, existe por si. Existe por si inapelavelmente. Agora, como língua literária está dependente de dois pressupostos. Primeiro, em Cabo Verde não há um crioulo, há crioulos. Qual será o crioulo que há-de assumir este papel de língua literária no caso de poder vir a sê-lo?”

Elísio:  ̶  “O de Santiago? O de S. Vicente?”

"Baltasar Lopes":  ̶  “Era preciso que houvesse já uma literatura, um passado literário escrito, para nós podermos escolher o crioulo padrão, e ele não existe. Se se continuar a escrever o crioulo como se escreve (ou como não se escreve) actualmente, isto é um problema para ser resolvido pelos nossos netos. Têm de passar duas gerações para este assunto ficar limado e nessa altura ver-se claro. Por enquanto, o que se diga é prematuro. Não confundamos a visibilidade da língua escrita com a da língua oral. O uso oral do português data do século V ou VI, e no entanto foi preciso esperar até ao século VIII para se encontrar umas palavras do latim bárbaro em que se revê o português, disfarçado. Agora, o português propriamente dito só no século XIII. Vê? A distância é de cinco, seis séculos. E ainda há o problema da dignidade literária, que nos remete para Camões e, na peugada, Vieira e Bernardes.”

Filinto:  ̶  Elísio, passaram-se 27 anos desde esta entrevista dada pelo Dr. Baltasar. Entretanto, a situação evoluiu e hoje o governo apressa-se a implementar a padronização e a elevar o crioulo ao estatuto de língua oficial e de ensino, e implicitamente literária, com toda a suas implicações de ordem editorial. O Dr. Baltasar estimou o mínimo de duas gerações para o crioulo ser uma ferramenta linguística devidamente limada e esmerilada para realizar os fins que dele se espera. Penso que aquela  estimativa foi algo optimista, mas enfim…

Elísio:  ̶  E mal sabia o Dr. Baltasar que o que está por detrás desta problemática não é apenas a dignidade literária do crioulo, mas sobretudo a intenção de arrear o português da nossa realidade linguística.

Filinto:  ̶  Bem, para isso talvez sejam necessárias umas dez gerações, se olharmos para o historial da evolução e consolidação do português e outras línguas europeias. Fiquemos hoje por aqui. Quem sabe se de outra dimensão do tempo poderá vir o Dr. Baltasar Lopes iluminar o espírito dos cabo-verdianos.

Elísio:  ̶  Tal como o fez em vida, amigo.

(1) Esta mesa-redonda foi sobre o tema "Seroantropologia das ilhas de Cabo Verde", tendo ocorrido em 1956 e dado origem a um documento com esse nome, do âmbito da "Junta de Investigações do Ultramar", organizado por Almerindo Lessa e Jacques Ruffié.

Tomar, 28 de Março de 2015
Adriano Miranda Lima

[1469] "Voz da América" fala da escritora são-vicentina Vera Duarte, no dia da mulher cabo-verdiana

Ver AQUI

sexta-feira, 27 de março de 2015

[1468] Resultados do concurso n.º 34 do Pd'B

"O quê? Ês ca ta reconchê Rubera? Cusa triste!..." 
Concorrentes amedrontraram-se e desistiram. Havendo rasteira, só podia ser que as imagens eram todas de São Vicente e da Ribeira de Julião. Até Zézinha Semedo Pina, residente no local e acabada de chegar da cabeleireira, se admira com as reservas dos concorrentes. Enfim, como houve três que se aproximaram (Adriano, José e Zeca), todos terão como prémio de consolação 1/2 ponto, o que não é a primeira vez que sucede.






Mio ramo de acácia, para o Adriano, o José e o Zeca Soares

[1467] Então, quando saem as respostas dos nossos concorrentes ao concurso 34 do Pd'B? Ver post 1463. Prazo termina daqui a menos de 3 horas


[1466] Africa Star

Com gravata ou sem ela (ver post anterior), aqui deixamos uma peça de diazá destes seis rapazes do "Africa Star" grupo da região de Lisboa e que na capital portuguesa se formou ou pelo menos se fixou (não sabemos exactamente).

video


[1465] Invejas, invejas...

Praia de Bote criou a "Gravata de Honra" para textos de grande originalidade e engenho e logo a seguir alguém cheio de inveja pagou aos rapazes deste conjunto para fazerem uma música cujo destino tão simplesmente é desdenhar o prémio... Invejas, invejas, dizemos nós. Ó Deus, tonte gente desaforóde... E os África Star foram na conversa...



quarta-feira, 25 de março de 2015

[1464] Presidente da República de Cabo Verde em Portugal

A Embaixada da República de Cabo Verde em Lisboa apresenta os seus melhores cumprimentos e tem a honra de vos convidar a estarem presentes nos eventos abaixo mencionados, que contarão com a presença de S.E. o Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos Fonseca,  e que se realizarão por ocasião da sua visita à comunidade cabo-verdiana residente em Portugal.


30 de Março, segunda-feira  

Coimbra
10h30 - Encontro com os estudantes cabo-verdianos
Local: Auditório da Reitoria da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Porto
15h30 - Conferência sobre o tema Cabo Verde: Constitucionalismo, Independência e Democracia
Local: Faculdade de Direito da Universidade do Porto

19h00 - Encontro/confraternização com a comunidade cabo-verdiana
Local: Universidade Portucalense

31 de Março, terça-feira

Lisboa
17h00 - Conversa Aberta com o Presidente da República de Cabo Verde
Local: Universidade Lusófona - Auditório Agostinho da Silva

Certos de que poderemos contar com a vossa presença, reiteramos os nossos cumprimentos,

Marta Andrade
Gabinete da Embaixadora

[1463] Concurso 34 do Praia de Bote

Simples e directo. Concurso aberto até depois de amanhã, pelas 10h00 da manhã (sexta-feira), hora de Lisboa. Em jogo, um ramo de acácia.

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Imagem 5 - Indicar ilha e local

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[1462] O cais do cais, o monte do monte, a baía da baía...


[1461] Electricidade no Mindelo promete melhorias


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