sábado, 20 de Setembro de 2014

[1090] Novo romance de Germano Almeida, divertida homenagem ao Monte Cara, à cidade do Mindelo e sobretudo ao seu povo (ver também post anterior)


“Mas quem diabo é este fulano? Somos amigos antigos, apressa-se Pepe a dizer-lhe, companheiros de passeios matinais da Laginha à Enacol, ando a instrui-lo sobre S. Vicente, ele quer ser escritor, vai escrever um livro sobre nós. Nós quem, estranha Guida. Nós todos de S. Vicente…” Nós todos de S. Vicente, ou melhor, da cidade do Mindelo, em Cabo Verde, cidade que é o verdadeiro herói deste novo romance de Germano Almeida. Dezenas de personagens – homens e mulheres, novos e velhos – de que se destacam o velho Pepe, filho do João Serralheiro, Júlia, que poderia ser sua filha e foi o grande amor da sua vida, Guida, cujo marido se perde na emigração, enfim a D. Aurora, a professora Ângela, o Trampinha e uma multidão de outros personagens, cada um com a sua história, todos aqui reunidos num extraordinário romance que é também um retrato de todos nós, sob o olhar complacente e divertido do Monte Cara, lá no alto, em frente à cidade.

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

[1089] Obra de Silvestre Pinheiro de Faria, em livro e CD, apresentada na Praia, no Mindelo e em Lisboa (post actualizado - ver texto biográfico no final)





In "Brava News"

Cidade de New Bedford, 12 Set (Bravanews) – Livro e Cd, intitulado “Lembrando Silvestre Pinheiro de Faria” será apresentado em varios locais diferentes durante os meses de Setembro e Outubro.

Silvestre Pinheiro de Faria nasceu a 31 de Dezembro de 1924 na Furna, Ilha Brava, e com 8 anos de idade foi para São Vicente para prosseguir os estudos. Tinha 3 irmãos: Maria do Espírito Santo Faria, professora de Francês no Liceu Gil Eanes, Vicente Pinheiro de Faria e Amiro Pinheiro de Faria, engenheiro electrotécnico.

Casou em 1950 por procuração com Maria da Luz Martins de Faria e teve 7 filhos: Luiza, Maria Adalgisa, Luis António, João Vicente, Luis José, Silvestre e Manuel António. E 17 netos.

Começou a trabalhar como escriturário no Banco Nacional Ultramarino com 21 anos de idade, sendo transferido para a Guiné em Junho de 1953 e, após quatro anos, retornou a Cabo Verde, sempre no BNU, onde despendeu 33 anos da sua vida, muitos dos quais na gerência.

Seguiu em 1975 para Lisboa, onde viveu até 25 de Novembro de 1978, altura em que emigrou para os EUA, após ter conseguido a sua reforma. Fixou residência em Brockton e trabalhou para a "Datel Systems" de 1978 a 1988, até à sua reforma aos 62 anos de idade.

Mudou-se para Valrico, Florida, onde faleceu a 27 de Fevereiro de 1993. Os primeiros versos, recentemente encontrados pela família, datam dos seus 17 anos. As composições mais conhecidas são "Luz Brando de bo Olhar", "Marlene Lebâ'n co Bó", "Despedida" e "Valsa Matilde".

Conhecido e amado pelos bravenses, a vida de Silvestre de Faria vai ser eternizada num livro e CD do filho Tó Faria, que se encontra a preparar a apresentação nos seguintes locais e datas:

September Friday 26 5.30 pm - Consulado de Cabo Verde em Quincy Mass. 
September Saturday 27 6:30 pm - Ideal Club, Bridgewater 
September Sunday 28 6:30 pm - CVPC - East Providence
October Thursday 2 6:30 pm - Apresentação na Brava
October Saturday 4 6:30 pm - Apresentação na Praia 
October Sunday 5 6:30 pm - Apresentação no Mindelo
October Saturday 11 6:30 pm - Lisboa 
October Sunday 12 6:30pm - Lisboa

As apresentações serão acompanhadas de música ao vivo com Vuca Pinheiro e Gardénia Benros.

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

[1088] Comandante Sousa Machado, um artista com passado "cabo-verdiano"

O Praia de Bote já tinha falado em tempos do comandante Raul de Sousa Machado, acerca de obra sua: uma medalha com a efígie do general Ramalho Eanes, comemorativa de uma viagem deste a Cabo Verde, enquanto Presidente da República (ver AQUI). Nos dois posts anteriores, vimo-lo a ser entrevistado por Jorge Barbosa, em trabalho ilustrado com desenhos seus, inclusive um auto-retrato. 
Hoje, mostramos aqui um filme da homenagem que a Marinha de Guerra lhe fez em 2011 (ver AQUI), por ocasião do 40.º aniversário da "Revista da Armada" em que longamente participou com desenho, pintura, caricatura e desenho humorístico. 

Igualmente o Pd'B divulga uma valiosa fotografia repescada do blogue de Jorge Sousa Brito, ao qual agradecemos com a devida vénia. A foto encontrou o oficial da Armada num jantar em que se homenageava o deputado por Cabo Verde em Lisboa, Bento Levy. Eis a identificação das gradas figuras, também extraída do blogue de JSB: Jorge Barbosa, Guilherme Chantre ("Chantrim"), Bento Levy, Dr. José Duarte Fonseca, Dr. Santa-Rita Vieira, o comandante Sousa Machado (o jovem ao fundo, do lado direito), nhô Balta, Dr. Júlio Monteiro, Manuel Serra e nhô Roque. Ou seja, a nata da intelectualidade cabo-verdiana da época. E o capitão dos portos, o comandante Sousa Machado, entre eles, o que não admira, pela sua aura de artista "encartado", valor que utilizou com sucesso até ao final dos seus dias.



quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

[1087] O poeta Jorge Barbosa, aqui como entrevistador, um refeito mas ainda pachorrento veleiro (motorizado) e um oficial da Armada, em 1953, na publicação "Cabo Verde" (ver post anterior)

Texto em página inteira e em recorte, para facilidade de leitura. Uma entrevista conduzida pelo poeta, coisa rara, de que não conhecemos outro exemplo... o que não quer dizer que não exista. Em próximo post, voltaremos a falar do comandante Sousa Machado, homem culto e artista dotado que conviveu com a nata da intelectualidade são-vicentina, enquanto capitão dos portos local.






[1086] O poeta Jorge Barbosa e o veleiro "Senhor das Areias"... juntos, a que propósito?



segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

[1085] Fotos & Fotos, Lda., com Djô Martins, Foto Melo, o franciú M. Beaumont e mais alguém à mistura... (ver post anterior) Hoje, fala-se do dito "alguém"

Pois é verdade, a foto anterior foi feita pelo pai do dono do Pd'B, o antigo patrão-mor Narciso, da Capitania dos Portos de São Vicente, no dia 10 de Junho de 1965, quase há meio século. Nem mais!... O assunto é o desfile habitual comemorativo da data, que começava junto ao Palácio do Governo e terminava algures na Praça Nova. A formação abria com a charanga do Exército. Seguiam-se um destacamento do navio de guerra que ali estivesse estacionado (no caso, o contratorpedeiro "Lima", com o código de amura D333), tropas do quartel e o pessoal da Mocidade Portuguesa. Diga-se que o Djack seguia lá atrás e por isso não ficou em nenhuma destas fotos. No final, a Mocidade destroçava e cada um seguia para seu lado. Por seu turno, a força naval regressava ao navio no cais acostável e o pessoal do Exército subia rua da escola acima, destroçando no quartel.

A foto surge no acervo da colecção Jorge Martins, depois de ter ido pelo correio para sua casa, onde ele a digitalizou (já foi há um ctchada de tempe e nessa altura o Pd'B não tinha scanner), tendo depois regressado à base da mesma maneira. O Jorge até suavizou a mancha de humidade que na foto dele ficou com uma tonalidade cinzenta e na original está bem amarelada. O que é mais divertido é a dita foto estar a voar agora em todas as direcções, chegando a casa de mil e um cabo-verdianos, fazendo honra ao "pai fotógrafo", ainda hoje muito estimado entre os sobreviventes desses tempos de diazá. 

Praia de Bote publica mais duas, uma do porta-estandarte (infelizmente muito tremida) e outra da força do "Lima" que participou no desfile (se bem nos lembramos, esta também passou a fazer parte do acervo da colecção do Djô). Curiosa é a representação do muro e portão da "quintalona" onde pouco depois se erigiu o hotel Porto Grande, zona raramente vista em imagens da época. Interessante também é na foto da charanga o marinheiro à direita, com a parte superior da farda em azul escuro e calça branca, conjunto envergado pelas ordenanças dos navios ou instalações em terra e pelos militares em dias de festa ou em paradas, pela beleza do contraste mas que no ultramar era pouco utilizado devido às altas temperaturas locais: é que o fardamento azul era de inverno e em África dava um calor dos diabos...

Quanto à legenda da foto da charanga, é da mão da mãe do proprietário do Pd'B que assim fixou a data para sempre (as das restantes são idênticas).

Tudo explicadinho, como gostamos e convém, e sem concurso, pois o Pd'B só realiza concursos em que haja possibilidade mínima de os concorrentes chegarem a bom porto - coisa que aqui era quase impossível. Quem chegaria ao facto de a foto ser do pai do Pd'B? Só o próprio, pois claro!...



NRP Lima, D333



quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

[1084] Fotos & Fotos, Lda., com Djô Martins, Foto Melo, o franciú M. Beaumont e mais alguém à mistura...

Não deixam mesmo o "Praia de Bote" gozar o seu defeso em sossego...

Pd'B recebeu através de mão amiga mais de 100 fotos do "Acervo fotográfico de Jorge Melo Martins" - e não "espólio", já que o Djô Martins está vivo e bem vivo, safaaaaa... longe o agoiro do "espólio".

Sempre avesso a reproduzir imagens cuja origem exacta não se saiba (coisa de historiador), Pd'B ficou no entanto desta vez maravilhado com o conjunto, embora já conhecesse significativo número dos ditos exemplares. Estamos de facto perante precioso tesouro pacientemente organizado pelo fotógrafo do mesmo nome e também nosso amigo - e que espera acondicionamento e sobretudo alojamento e exposição permanente no Mindelo.

Posto isto, encontramos ali reproduções de notas (que não entram bem na categoria de espólio fotográfico mas sim de reprodução numismática ou documentação numismática ou o que se queira), fotos do francês M. Beaumont (fotógrafo que andou por Cabo Verde), muitas da Foto Melo e pelo menos uma de origem nossa conhecida (a única cuja autoria podemos afiançar com certeza absoluta, pois conhecemos quem a "clicou") que aqui se reproduz - Quem dá palpites sobre o nome ou actividade do autor? É difícil, dizemos desde já, muito difícil, descobrir quem deu o empurrão ao dedo que assegurou para a posteridade esta charanga cabo-verdiana e posterior marinhagem. Mas pode ser que alguém acerte...


quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

[1083] Em época de defeso, o Pd'B também entra nele (post actualizado)

O Príncipe de Gales, em fotografia de 1927
Sabe-se (e vê-se) que a época não é propícia ao bicho blogue. Está tudo a tomar posse, tudo na rentrée, tudo noutra. 

"Praia de Bote" segue o exemplo, pois está a contas com uma série de tarefas que têm prazos a cumprir e coloca aqui por agora apenas esta foto de um rapaz conhecido que conheceu um sítio muito nosso conhecido, embora em fulminante velocidade de cruzeiro. Deve ter sido um sucesso, um must total, um frémito completo, sobretudo feminino, louro e sardento. Entre uma compota e um scone, um copo de whisky e um de gin, ao rapaz só lhe deve ter faltado ter sido levado em ombros. Mas de certeza que ouviu muitos "Hurray England!!!"


Temos dito. 


Quem quiser, que adivinhe o resto.



Foto de data desconhecida
"Praia de Bote" está mesmo em defeso mas como tem pena dos pobres infelizes que querem saber o que isto é, desvenda o caso. Trata-se do Príncipe de Gales, futuro e breve Rei Eduardo VIII (Valdemar teve olho) que passou por São Vicente cerca de Outubro de 1925 a bordo do "HMS Repulse", cruzador lançado à água em 1916 e afundado pela aviação japonesa na costa da Malásia, em 41. Acontece que, enquanto o gigante dos mares se abastecia de combustível o nosso Eddy resolveu ir dar umas tacadas no green mais brown do mundo, o de São Vicente. Se terá tido bons resultados, não sabemos, mas que tchom d'Soncent foi pisado por sapatos de golfe em que iam pés de sangue azul, isso é um facto... Não demorou, o rapaz. Foi só tempo para fazer uns quantos buracos e eventualmente uns whiskies na Rua do Telégrafo ou na de Lisboa e ala que ele aí vai, de novo em viagem. Quanto ao jornal, é australiano e deu gralha no nome do fino desporto... "gof".



O "Repulse"


terça-feira, 9 de Setembro de 2014

[1082] Algures em Outubro, em dia a determinar, num 8.º andar lisboeta, São Vicente será tema

Entretanto, tem um post mesmo abaixo deste, o 1081, para comentar...


[1081] A apreensão dos barcos alemães em São Vicente, vista por um jornal australiano

"Ascanius", um dos primeiros navios australianos de transporte de tropas, 1914
Trata-se do jornal australiano "The Richmond River Herald and Northern Districts Advertiser", de 23 de Janeiro de 1917. A bordo de um transporte de tropas, um tal "Muggins de Coraki" (eventualmente militar natural desta localidade australiana) faz longo relato sobre a ilha, vista por si a partir do navio e de contactos com naturais que subiram a bordo para os trabalhos de reabastecimento carvoeiro. A dado passo, lá vem a referência à recente apreensão dos navios germânicos, integrados num conjunto de 20, de diversas nacionalidades, fundeados no Porto Grande. Na penúltima linha, a palavra "Hun" refere-se aos "hunos", os alemães. De resto, os nossos leitores são hábeis no inglês e não precisam de tradução. Para os mais fiéis e participativos, como habitualmente nestes casos, seguirá em breve o delicioso texto integral.


[1080] Praia de Bote vai ter acesso ao espólio fotográfico cabo-verdiano do comandante Guilherme Conceição e Silva

GCS, ainda jovem oficial
Constituído sobretudo por fotografias de veleiros fundeados no Porto Grande feitas a partir da água (em botes a remos ou à vela, pertencentes ao navio-escola "Sagres"), será totalmente digitalizado pelo Praia de Bote e algumas dessas fotos serão aqui divulgadas oportunamente.

Vistas de modo fugaz num dos encontros que tivemos com o comandante (no caso, na Brasileira do Chiado), verificámos na altura o interesse das fotos, pequeno tesouro que saberemos estimar e divulgar aqui e em livro, honrando a memória desse oficial da Armada que foi grande amigo de Cabo Verde e do seu povo.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

[1079] Um dos oito navios apresados em São Vicente, em 1916: o "Bürgermeister Hachmann" / "Ilha do Fogo"

Como prometido, continuamos hoje a contar (embora sumariamente, que os dados são mínimos) a sorte de alguns dos oito navios alemães apresados por Portugal em São Vicente, em 1916, para isso recorrendo a documentação, encontrada aqui e ali.

Cabe-nos desta feita falar do "Bürgermeister Hachmann" / "Ilha do Fogo". Tratava-se de um cargueiro construído em 1901, nos estaleiros de Craig, Taylor & Co., Ltd., de Stocton-On-Tees, Grã-Bretanha e motor/es (?) também britânicos, de Richardson, Westgarth & Co., de Middlesborough. Pesava 4315 toneladas.

Quando foi apreendido em São Vicente era pertença de Siemers G. J. & Co., de Hamburgo. Passou então para a posse dos Transportes Marítimos do Estado.

O seu fim soaria em 1916. Navegando de Clyde (não conseguimos saber qual das várias cidades com este nome é a correcta) com uma carga de carvão para Savona (Ligúria, Itália), afundou-se após colisão com o "Amelia Campisi", futuro "Jarl", perto de San Sebastián, Espanha .

Como "Ilha do Fogo", 1916, em local desconhecido - Foto WSite

[1078] Notícia de última hora!!! Atum voador chega finalmente (e inteiro) a Queluz!!!

Depois de ter estado todo um fim-de-semana a namorar uma atuna (?) no Tejo (local onde nunca tinham sido vistos bichos desse tipo), o célebre atum voador (e cabo-verdiano, embalado em São Nicolau) oferecido pelo Esquina do Tempo e intermediado pelo Praia de Bote chegou finalmente a Queluz, seu destino final. Ali, fazem-se grandiosos preparativos para um ataque em forma, estando já aprovisionados pimentos de duas cores (verde e vermelho) e arrozinho carolino a condizer, à espera da hora D, a chamada hora do dente. Arrozcatum promete reportagem condigna cujo momento/monumento cimeiro será a latinha vazia. Rematamos com um VIVA A ULTRAMARINAAAAAAAAAAAA!!!

domingo, 7 de Setembro de 2014

[1077] É a guerra, é a guerra!!!

A guerra começou para Portugal muito antes da data mais falada, porque oficial, de meados da mesma. Ou seja, desde 1914 havia em Angola uma força expedicionária de 1600 homens e em Moçambique outra de pouco mais de 1500, ambas posteriormente ampliadas. Para o nosso caso não interessa falar delas e das suas lutas contra os alemães, com muita mortandade, em parte substancial por doença.

Chegado Fevereiro de 1916, a aliada Grã Bretanha solicita a Portugal que se apodere de todos os navios germânicos fundeados ou atracados nos nossos portos e Portugal executa o pedido à risca, apresando 36 em Lisboa (35 alemães e um austro-húngaro) e outros tantos nas colónias, sendo que foram 8 os que viram a sua bandeira ser arreada em São Vicente de Cabo Verde e substituída pela nacional... Na açoriana Horta foram dois, um deles a futura "Sagres" (hoje dita "velha", como ainda é chamada entre os marinheiros da Armada), onde o pai do proprietário deste blogue navegou por longos 14 anos e o filho muito saltitou por entre cabos, velas, malaguetas e mastros em dias de serviço do progenitor. Bem se recorda ele que numa festa de Natal, com a barca atracada ao cais do Poço do Bispo (Lisboa), ganhou uma bela pistola de "prata" muito superior à do Billy the Kid...

Ora em duas penadas, que isto de blogues não quer longos lençóis escritos, eis-nos na nossa ilha, calmamente sentados num botequim da Praia de Bote, grogue na mão, a darmos conta da azáfama desse dia, no vai-vem de marinheiros da Capitania (ainda a velha, anterior à da Torre de Belém, em pequeno prédio da Rua de Praia) e os de alguma canhoneira em comissão no Porto Grande e das mil e uma conversas sobre o estranho e nunca visto assunto.

Perguntou-nos há dias um novo colaborador cabo-verdiano residente em Roma (que por gosto e funções se interessa pela história do seu país) quais eram os nomes desses navios. Pd'B, que os desconhecia, pôs-se em acção e daí a pouco já os tinha na sua posse. São eles o motivo principal desta conversa e aqui vão os ditos:

"Beta" - passou a chamar-se "Maio"
"Burgermeister Hachmann" - "Ilha do Fogo"
"Dora Horn" - "São Nicolau" 
"Heimburg" - "Santo Antão"
"Santa Barbara" - "Santiago"
"Theodor Willie" - "Boavista" ou "Boa Vista"
"Togo" - "Brava"
"Wurzburg" - "São Vicente"

Santa Luzia, a ilha desabitada, e o Sal, não couberam... que é o que dá apresar 8 navios e querer dar-lhes nomes de 10 ilhas...

Logótipo da Norddeutscher Lloyd
O "Wurzburg", o da nossa ilha, que pertencera à companhia Norddeutscher Lloyd, de Bremen, acabaria por ser comprado em 1926, pelo Governo português e renomeado como "Luanda". Foi desmantelado em 1938. 

Outros do barcos apresados em São Vicente tiveram pior sorte, como veremos. 

A história detalhada do "Wurzburg" / São Vicente" / "Luanda" pode ver-se no blogue "A Ler Navios", AQUI

"Wurzburg" / "São Vicente" / "Luanda" - Foto do blogue "A Ler Navios"

NOTA: Estas parcas palavras e imagens deram um trabalhão terrível e Pd'B desacelera, mantendo a promessa feita de continuar em guerra e no Porto Grande - aliás, seu sítio de eleição.

[1076] Guerra no mar de Cabo Verde, nomeadamente no de São Vicente. Relativamente pouca, mas emocionante

Como anunciado, o Praia de Bote divulgará alguns dados em dois ou três posts sobre eventos da Grande Guerra, cujo início agora comemora 100 anos, passados mais ou menos à vista do Monte Cara. Em 1916, 17 e 18 tiveram lugar os ditos, com canhoneiras e submarinos à mistura e não se portaram mal os marinheiros portugueses que aqui vemos preparando um torpedo destinado aos boches, c'tcheu de morabeza...


[1075] Duas fotografias, enviadas pelo nosso colaborador Valdemar Pereira, feitas durante os dias que passou recentemente em Roterdão, Holanda

A primeira é uma imagem da Pracinha d'Quêbrod (em Heemraadsplein). Era ali que se encontravam os cabo-verdianos chegados à cidade, em procura de melhor vida. "Quêbrod" (felizmente ali escrito em língua de gente e não em alupek) quer dizer teso, liso, sem dinheiro, coisa que de facto eles não tinham. E parece que ainda é sítio de encontros e divertimento cabo-verdianos, como podemos ver AQUI e AQUI nestes filmes que supomos se referem à passagem do ano de 2012 para 2013 (no segundo, também angolanos, em confraternização lusófona sabe). 

Quanto à senhora na imagem, o Valdemar deve ter algo a dizer. 

Juntamos ainda uma planta do local, para se ver que não se trata de nenhum antro de periferia. Honra aos holandeses locais, por isso. E AQUI fica também um historial mais desenvolvido feito há tempos no blogue irmão "Esquina do Tempo", pelo Luiz Silva.


A segunda fotografia é de uma senhora de Santo Antão, residente em São Vicente, mas de "férias prolongadas" em Roterdão. Quando o Valdemar lhe perguntou que tabaco usava no canhote, ela retorquiu que era "monftchóde" importado da terra...

Ainda há tradições que são o que eram
Mulher fumando cachimbo (canhote), c. meados do séc. XX
Fumando canhote, em São Vicente



[1074] Entrevista do Presidente Jorge Carlos Fonseca ao "Diário de Notícias" (Portugal)

Ver excerto AQUI

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