sábado, 28 de março de 2015

[1470] Praia de Bote abranda...

Mais uma vez com tarefas apresentativas pela frente, Praia de Bote abranda. Até 26 de Abril surgiremos apenas uma vez por outra, enquanto apreciamos umas "Crónicas [realmente] Desaforadas" que estão aqui em cima da nossa secretária e escrevemos sobre elas...

Chegada logo depois do aviso acima colocado, ainda deixamos aos leitores do Pd'B a VII parte do diálogo (e agora, em VI e VII partes também "pluriálogo") entre os já famosos amigos que discutem urbana e civilizadamente as questões da lingua cabo-verdiana.


VII Parte 
(Ver I AQUI, II AQUI, III AQUI, IV AQUI, V AQUI e VI AQUI)

(Este diálogo tem decorrido entre duas personagens fictícias, mas volta e meia podem “convidar” para a mesa quem possa contribuir para o enriquecimento do debate, como foi agora o caso)

Adriano Miranda Lima
Elísio:  ̶ Filinto, continuando a nossa conversa, talvez possamos hoje debruçar-nos sobre aquilo que consensualmente se considera a riqueza do crioulo na sua diversidade ao nível  de cambiantes expressivos e mesmo lexicais, para não falar no âmbito da fonética.

Filinto:  ̶ E que é precisamente a razão para um sem número de interrogações que grande parte dos observadores tem levantado sobre a dificuldade, se não mesmo a impossibilidade, de padronizar a curto prazo o crioulo,  visando escrita  e, ulteriormente, a oralidade.

Elísio:  ̶  Temo que isso exija um trabalho ciclópico, ainda por cima com a amarga sensação de que poderá estar votado ao insucesso. Por acaso, estive recentemente a ler um livro de “estórias” da autoria de João Lopes Filho, natural de S. Nicolau, cuja temática mergulha no imaginário rural da sua ilha. Isto só para dizer que encontrei no livro termos que eu não conhecia, ou de que não me lembrava sequer ter ouvido casualmente, por serem típicos ou mais correntes na ilha. Por exemplo: curcutir (bisbilhotar); furisco (boçal); ninclitar (poupar); plenguice (tolice); num rufo (rapidamente); etc.

Filinto:  ̶  Eu também não conheço esses termos, que são tão típicos de S. Nicolau como outros há também típicos em cada uma das ilhas do arquipélago, se bem que  em cada grupo de ilhas haja, digamos assim, um tronco linguístico comum definidor de um certo grau de homogeneidade dialectal. O mesmo é dizer que entre os falares de S. Vicente, S. Antão, S. Nicolau e Sal, e mesmo Boavista, existe uma similitude de linguagem vocabular e expressividade que distingue o seu crioulo do das ilhas do Sotavento, embora cada ilha tenha, é certo, as suas particularidades lexicais.

Mas, olha, rapaz, tive uma ideia. E se convidássemos para o nosso diálogo o Dr. Baltasar Lopes da Silva e aqueles que participaram naquela mesa-redonda no já longínquo ano de 1956 sobre a “Seroantropologia das Ilhas de Cabo Verde” (1)? Claro que nem todos terão a palavra porque o que mais nos interessa aqui é a questão da língua e a este respeito quem dominou o debate foi o nosso saudoso mestre.

Elísio:  ̶ Estás a mangar comigo ou quê? Tens capacidade mediúnica ou queres brincar ao senhor Henrique Baptista do Racionalismo Cristão?

Filinto:  ̶  Ah-ah-ah. Não me faças rir. Não, Elísio, vais ver que é fácil, é só trazer alguns deles à nossa mesa recuperando o depoimento vertido naquele debate realizado há 59 anos. Para começar, ouçamos o Dr. Aníbal Lopes da Silva, presidente da mesa-redonda, que introduziu a discussão sobre o crioulo.

"Aníbal Lopes da Silva":  ̶  “A língua crioula é um idioma de poupança e de adaptação regional. Com riqueza fonética e a plasticidade de um verdadeiro idioma, ou é apenas um “falar útil”, bom como instrumento de comunicação, mas incapaz para outras realizações intelectuais?” Eis o problema agora em discussão.

"Baltasar Lopes":  ̶  “Bom. Originariamente, o núcleo primitivo da formação do crioulo devia ter um carácter exclusivamente profissional, portanto, revestia um carácter de falar útil. Modernamente não. O crioulo oferece hoje principalmente aquilo que Deschanel chamava formação, isto é, não estagnou. Apresenta uma capacidade de enriquecimento em vários domínios, em todos os domínios em que uma língua se pode enriquecer. Por exemplo, um dos aspectos: o fonético. Foi Maurice Ramon quem apontou que muita gente supõe que uma língua se enriquece pela sua sintaxe, pelo vocabulário, quando, pelo contrário, a maior tendência de aristocratização de uma língua é a fonética; e então nisto Cabo Verde é uma terra ideal para um dialetólogo e para um romanista. Como todas as línguas, temos na nossa um fundo fonético tradicional, fundo que depois é reconstruído. É claro que hoje – e não é só hoje, a situação vem de há muito tempo – há um contacto bastante assíduo com a cultura europeia veiculada, ou por europeus ou – e isto é mais importante – por indivíduos naturais das ilhas, indivíduos ilustrados ou pelo menos alfabetizados. De modo que se nota a influência constante da língua mãe”.

Elísio:  ̶  Desculpe interrompê-lo, Dr. Baltasar, como se exerce ou como se compreende  esta influência?

"Baltasar Lopes":  ̶  Bem, “isto compreende-se porque o crioulo está numa situação diferente da que estiveram o português, ou qualquer língua românica com o latim. Quando certas línguas se formaram, o latim já não era uma realidade viva, ao passo que nós notamos um dialecto, um idioma, que evolui sob os olhos da língua matriz, sob uma influência constante de tal língua matriz. Há este tal princípio de aristocratização que se nota por toda a parte.”

Continuando a minha exposição… “Uma palavra de fundo tradicional é transformada imediatamente na boca do povo por influência das pessoas ilustradas e assume uma fisionomia fonética muito mais fácil do que o português. Para isso contribuíram vários factores que não posso referir aqui (alotropismo, formas divergentes). É rara a palavra que não assuma aqui duas fisionomias fonéticas: a fisionomia tradicional e uma fisionomia muito próxima do português. É claro que a tradicional caracteriza-se principalmente por dois fenómenos fundamentais, um deles decorrente do outro: o primeiro é a atenuação das vogais átonas, donde o encontro violento de consoantes; é então o mecanismo de assimilação que tem na ilha de Santo Antão o seu paraíso. O foneticista que vá à ilha de Santo Antão, e que se interesse pelos fenómenos de assimilação, encontrará lá elementos com abundância, vitalidade na fonética, vitalidade no léxico. Muita gente também supõe que o crioulo tem um léxico na sua maioria de origem africana. Enganam-se. Eu suponho poder falar particularmente sobre isso porque me dei a um trabalho de Topsius que parece, ao fim e ao cabo, que vai ser publicado: e nesse trabalho entro no léxico. A certa altura dei-me ao trabalho de verificar a percentagem de termos que eu tinha a certeza de não serem de origem portuguesa. Percentagem mínima: 3 %, se tanto. E no conjunto do léxico é a mesma coisa. É claro que quem não conheça o crioulo desnorteia-se perante as formas fonéticas.”

Filinto:  ̶ Depreende-se, Dr. Baltasar, que o nosso crioulo, embora com algumas diferenças morfológicas e fonéticas entre as ilhas, ou talvez por isso mesmo, é uma língua viva e em evolução…

"Baltasar Lopes":  ̶  “É uma língua viva, viva e com grandes possibilidades. Porque está adquirindo cada dia novos recursos expressionais. É claro, há que atender ao seguinte: o crioulo trabalha sobre um sistema irremediavelmente estabelecido: o sistema morfológico. Creio que o primeiro que estabeleceu este ponto de vista foi Tarracher e mais tarde Menier, que disseram: o que serve para definir uma língua e a sua filiação noutra é a estrutura morfológica, mais do que a fonética e mais do que o léxico e mais do que a sintaxe. Reduzir o sistema morfológico do português é uma fatalidade que acompanha todas as línguas quando evoluem em domínios novos: começam sistematicamente a simplificar o seu sistema morfológico, que depois compensam com processos periplásticos. E o crioulo apresenta esta coisa curiosa: a sua vitalidade dá-lhe a possibilidade de responder positivamente a um problema posto em 1936 pelo Osório de Oliveira e por mim: “será o crioulo uma língua?”. É claro, não é uma língua de civilização, é uma língua regional, com todas as características, todas as possibilidades.”

"Almerindo Lessa":   ̶ Dr. Baltasar, eu já conhecia algumas das crónicas radiofónicas em que contestou um ou outro pormenor da crítica de Gilberto Freire a propósito do crioulo e tinha lido na Claridade o seu magnífico trabalho sobre “ Uma experiência românica dos trópicos”. Mas eu queria provocá-lo, porque o meu juízo  também fora provocado por uma opinião inserta num estudo acerca dos termos médicos do crioulo cabo-verdiano: “a terminologia dos filhos de Cabo Verde mostra-se mais pobre do que o léxico similar plebeu das ilhas adjacentes”.”

"Baltasar Lopes":  ̶  “Isso é que não é verdade. Pode dizer que isso não é verdade. O vocabulário básico do crioulo não é menos rico do que o falar básico de qualquer outro individuo da metrópole. Pelo contrário. E a explicação talvez resida no maior contacto que houve antigamente entre o clérigo e o iletrado. Talvez por razões eclesiásticas. O teor de vida das ilhas era um pouco diferente, se bem que ainda hoje exista esse contacto. Qualquer de nós é bilingue. Eu falo o crioulo de S. Nicolau como qualquer rústico.

Além disso, aparecem termos cultos na boca do povo. Há bastante tempo, fui a S. Nicolau. Desembarquei no Tarrafal e foi meu companheiro de viagem um rapaz chamado Cesário, lá do Cabeçalinho. A certa altura, chegámos a um ponto chamado “os galegos”. O lugar é um bocado escuro, um bocado soterrado, e sabe qual o é o nome que ele deu àquele ermo: “ neste clipse”, neste eclipse. Está a ver a imaginação topológica, a riqueza, a fertilidade de transposição metafórica. Além disso, ainda lá se emprega o termo no sentido de situação difícil. Disseram-me também que em Santo Antão, para designar uma situação difícil, em que o individuo está com burro de Buridan, se diz” cis e caris”; entre Cila e Caríbdis!

O vocabulário é talvez, pelo contrário, a nossa maior riqueza. Para linguagem coloquial, para a linguagem de todos os dias, o crioulo tem tudo.”

Elísio:  ̶  Dr. Baltasar, por nada deste mundo perderia a oportunidade de o ouvir dissertar sobre o nosso crioulo, e creio que o meu amigo Filinto pensa exactamente o mesmo. Das suas palavras depreende-se que  o crioulo tem potencialidades morfológicas e lexicais para continuar a evoluir e tornar-se uma verdadeira língua. Mas também disse que a sua evolução será sempre sob a influência da língua portuguesa, da qual colhe quase todo o seu léxico. E muito oportunamente deixou claro que apenas 3% do seu léxico, “se tanto”, são de outra origem. Ficou claro também nas suas palavras que a fonética é um dos factores de enriquecimento do crioulo, mais do que a morfologia e a sintaxe, e para isso citou Maurice Ramom. E quando põe a tónica na fonética, então é iniludível que as variedades dialectais são, no  conjunto das nossas ilhas, um campo fértil e onde concorrem influências as mais diversas para a evolução da nossa língua materna, em vez de, pelo contrário, serem encaradas como algo a descartar na pressa e precipitação de padronizar e oficializar o crioulo.

Filinto:  ̶ Já agora, Dr. Baltasar, se me permite, e como estamos num debate em que o espaço e o tempo se cruzam e se unificam no plano do confronto e da clarificação dos conceitos, gostaria de o ouvir sobre a entrevista que deu ao “Jornal Ilustrado”, português, na sua edição de 12 de Maio de 1988. Assim, uma pergunta, colocando-me na pele de quem então o entrevistou:  ̶  “Em Cabo Verde volta a agitar-se a bandeira do crioulo como instrumento de criação literária. Como linguista e filólogo, o que tem a dizer?”

"Baltasar Lopes":  ̶  “Bem, há demagogia e ignorância. Esta temática do crioulo é bastante complicada e não é para qualquer. É evidente que o crioulo como língua natural, falado naturalmente, existe por si. Existe por si inapelavelmente. Agora, como língua literária está dependente de dois pressupostos. Primeiro, em Cabo Verde não há um crioulo, há crioulos. Qual será o crioulo que há-de assumir este papel de língua literária no caso de poder vir a sê-lo?”

Elísio:  ̶  “O de Santiago? O de S. Vicente?”

"Baltasar Lopes":  ̶  “Era preciso que houvesse já uma literatura, um passado literário escrito, para nós podermos escolher o crioulo padrão, e ele não existe. Se se continuar a escrever o crioulo como se escreve (ou como não se escreve) actualmente, isto é um problema para ser resolvido pelos nossos netos. Têm de passar duas gerações para este assunto ficar limado e nessa altura ver-se claro. Por enquanto, o que se diga é prematuro. Não confundamos a visibilidade da língua escrita com a da língua oral. O uso oral do português data do século V ou VI, e no entanto foi preciso esperar até ao século VIII para se encontrar umas palavras do latim bárbaro em que se revê o português, disfarçado. Agora, o português propriamente dito só no século XIII. Vê? A distância é de cinco, seis séculos. E ainda há o problema da dignidade literária, que nos remete para Camões e, na peugada, Vieira e Bernardes.”

Filinto:  ̶  Elísio, passaram-se 27 anos desde esta entrevista dada pelo Dr. Baltasar. Entretanto, a situação evoluiu e hoje o governo apressa-se a implementar a padronização e a elevar o crioulo ao estatuto de língua oficial e de ensino, e implicitamente literária, com toda a suas implicações de ordem editorial. O Dr. Baltasar estimou o mínimo de duas gerações para o crioulo ser uma ferramenta linguística devidamente limada e esmerilada para realizar os fins que dele se espera. Penso que aquela  estimativa foi algo optimista, mas enfim…

Elísio:  ̶  E mal sabia o Dr. Baltasar que o que está por detrás desta problemática não é apenas a dignidade literária do crioulo, mas sobretudo a intenção de arrear o português da nossa realidade linguística.

Filinto:  ̶  Bem, para isso talvez sejam necessárias umas dez gerações, se olharmos para o historial da evolução e consolidação do português e outras línguas europeias. Fiquemos hoje por aqui. Quem sabe se de outra dimensão do tempo poderá vir o Dr. Baltasar Lopes iluminar o espírito dos cabo-verdianos.

Elísio:  ̶  Tal como o fez em vida, amigo.

(1) Esta mesa-redonda foi sobre o tema "Seroantropologia das ilhas de Cabo Verde", tendo ocorrido em 1956 e dado origem a um documento com esse nome, do âmbito da "Junta de Investigações do Ultramar", organizado por Almerindo Lessa e Jacques Ruffié.

Tomar, 28 de Março de 2015
Adriano Miranda Lima

[1469] "Voz da América" fala da escritora são-vicentina Vera Duarte, no dia da mulher cabo-verdiana

Ver AQUI

sexta-feira, 27 de março de 2015

[1468] Resultados do concurso n.º 34 do Pd'B

"O quê? Ês ca ta reconchê Rubera? Cusa triste!..." 
Concorrentes amedrontraram-se e desistiram. Havendo rasteira, só podia ser que as imagens eram todas de São Vicente e da Ribeira de Julião. Até Zézinha Semedo Pina, residente no local e acabada de chegar da cabeleireira, se admira com as reservas dos concorrentes. Enfim, como houve três que se aproximaram (Adriano, José e Zeca), todos terão como prémio de consolação 1/2 ponto, o que não é a primeira vez que sucede.






Mio ramo de acácia, para o Adriano, o José e o Zeca Soares

[1467] Então, quando saem as respostas dos nossos concorrentes ao concurso 34 do Pd'B? Ver post 1463. Prazo termina daqui a menos de 3 horas


[1466] Africa Star

Com gravata ou sem ela (ver post anterior), aqui deixamos uma peça de diazá destes seis rapazes do "Africa Star" grupo da região de Lisboa e que na capital portuguesa se formou ou pelo menos se fixou (não sabemos exactamente).

video


[1465] Invejas, invejas...

Praia de Bote criou a "Gravata de Honra" para textos de grande originalidade e engenho e logo a seguir alguém cheio de inveja pagou aos rapazes deste conjunto para fazerem uma música cujo destino tão simplesmente é desdenhar o prémio... Invejas, invejas, dizemos nós. Ó Deus, tonte gente desaforóde... E os África Star foram na conversa...



quarta-feira, 25 de março de 2015

[1464] Presidente da República de Cabo Verde em Portugal

A Embaixada da República de Cabo Verde em Lisboa apresenta os seus melhores cumprimentos e tem a honra de vos convidar a estarem presentes nos eventos abaixo mencionados, que contarão com a presença de S.E. o Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos Fonseca,  e que se realizarão por ocasião da sua visita à comunidade cabo-verdiana residente em Portugal.


30 de Março, segunda-feira  

Coimbra
10h30 - Encontro com os estudantes cabo-verdianos
Local: Auditório da Reitoria da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Porto
15h30 - Conferência sobre o tema Cabo Verde: Constitucionalismo, Independência e Democracia
Local: Faculdade de Direito da Universidade do Porto

19h00 - Encontro/confraternização com a comunidade cabo-verdiana
Local: Universidade Portucalense

31 de Março, terça-feira

Lisboa
17h00 - Conversa Aberta com o Presidente da República de Cabo Verde
Local: Universidade Lusófona - Auditório Agostinho da Silva

Certos de que poderemos contar com a vossa presença, reiteramos os nossos cumprimentos,

Marta Andrade
Gabinete da Embaixadora

[1463] Concurso 34 do Praia de Bote

Simples e directo. Concurso aberto até depois de amanhã, pelas 10h00 da manhã (sexta-feira), hora de Lisboa. Em jogo, um ramo de acácia.

Imagem 1 - Indicar ilha e local
Imagem 2 - Indicar ilha e local
Imagem 3 - Indicar ilha e local
Imagem 4 - Indicar ilha e local
Imagem 5 - Indicar ilha e local

Imagem 1
Imagem 2
Imagem 3
Imagem 4
Imagem 5

[1462] O cais do cais, o monte do monte, a baía da baía...


[1461] Electricidade no Mindelo promete melhorias


[1460] Excelentes notícias nos chegam de Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha

Fundação Calouste Gulbenkian financia trabalhos de requalificação do Forte de Santo António

Alunos cabo-verdianos na Escola ALSUD - (Cooperativa de Ensino e Formação Profissional do Alengarve), de Mértola (Portugal), financiados pela Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo das Parcerias para o Desenvolvimento de Língua e Cultura Portuguesas, vão proceder a trabalhos de requalificação do Forte de Santo António, Cidade Velha.

O Forte de Santo António é um dos baluartes da cintura de defesa da Fortaleza Real de São Filipe e pretende-se requalificá-lo de modo que o seu acesso seja facultado a turistas e visitantes. Recorde-se que decorrem escavações, da responsabilidade de arqueólogos da Universidade de Cambridge (Grã-Bretanha) e técnicos nacionais, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Mercê dos protocolos havidos entre a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago e a Escola ALSUD, está em Mértola, com o apoio da Curadoria de Cidade Velha, um grupo de alunos cabo-verdianos com vista à sua formação, sendo os seus futuros trabalhos na área da recuperação e valorização de património de grande importância para a preservação dos monumentos históricos existentes na Capital Cabo-verdiana da Cultura 2015.

A Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago tem apoiado a requalificação e reabilitação do valioso Património Histórico nela existente e que sustenta a Cultura e Turismo cultural que, também em sua consequência, se tem desenvolvido.

[1459] Jornal "Terra Nova" publica número especial de 40.º aniversário, a sair em breve


Sairá até 10 de Abril, o número especial de aniversário com o qual o "Terra Nova" comemora 40 anos ininterruptos de publicação.

Artigos de: 

Adriano Miranda Lima - Totói "Mãozinha", velha glória do Mindelense
Frei Fidalgo de Barros - Entrevista
Joaquim Saial - Relembrando o médico e escritor Henrique Teixeira de Sousa, longo colaborador do "Terra Nova"
Jorge Carlos Fonseca (Presidente da República de Cabo Verde) - "Terra Nova", um arauto do tempo novo
Ondina Ferreira - "Terra Nova" e o seu contributo à cultura cabo-verdiana
...e outros

terça-feira, 24 de março de 2015

[1458] Depois da "Gravata de Honra do Pd'B", o "Boné de Honra do Pd'B", este para Zeca Soares

Após a "Gravata de Honra" (ver AQUI), atribuída a Adriano Miranda Lima (que não mais a tirou e inclusive dorme e toma banho com ela ao pescoço) pelo seu original trabalho sobre a língua cabo-verdiana, é a vez de o Praia de Bote atribuir o "Boné de Honra" a Zeca Soares, pelo seu contributo para a melhor compreensão de alguns posts e envio de materiais fotográficos sobre o Mindelo e São Vicente que muito têm beneficiado o blogue. Fotógrafo precisa para além de máquina também de boné e por isso optámos por este adereço para premiar fotógrafos que connosco colaborem. É portanto este o primeiro atribuído e com muito gosto da nossa parte.

[1457] Ainda o post 1452 sobre a rua então desconhecida... e agora reconhecida

Ver post 1452 AQUI, com mais comentários

O Pd'B agradece mais uma vez a sempre oportuna entrada do Zeca Soares, com material de primeira qualidade. Ter um fotógrafo de serviço no Mindelo, é outra loiça. Diz o nosso amigo, acerca das suas duas fotos:

Aqui está a rua «D'Canal Gelod» actualizada. Atrás do fotógrafo existia o prolongamento da mesma, com largura reduzida para menos de metade em forma dum canal que iria dar ao mar junto à praia (talvez a origem desse nome) e que separava um dos quintalões "Armazéns de carvão" na época, e a Alfândega, actual Centro Cultural do Mindelo. Não consegui localizar a placa com a sua identificação, talvez um travessa.



Alguns comentários do post 1452, para o leitor desprevenido perceber de que se trata:

O Prédio de dois pisos à esquerda é a actual Casa Miranda; no primeiro candeeiro à direita é a Luso-Africana, hoje "Clumbim"; o monte ao fundo é "Forca" ou Alto Solarina e nesse monte um pouco à direita fica a moradia do escritor Germano Almeida; esta rua é paralela à Rua de Lisboa no lado direito, e perpendicular á dos Correios e Telégrafo. Se a memória não me falha era conhecida por Canal Gelod. As imagens parecem ser do início do século passado
Zeca Soares

TEM RAZÃO O AMIGO MARCOS...RECORDO,  AGORA COM NITIDEZ,  POIS É O TAL CANAL GELOG, TRANSVERSAL DA RUA DE SENADOR, ONDE MOREI ALGUNS ANOS. SALVO ERRO, ESTA ZONA FOI SUBSTITUIDA POR UM QUARTEIRÃO DE APARTAMENTOS MANDADOS CONSTRUIR PELO ENG. SMITH, QUANDO GERENTE DA CASA CARVALHO.... PENSO EU DE QUE!
Braça com memória,
Zito Azevedo

Exatamente Zito, a Casa Alexandre de Carvalho ainda esta lá no cruzamento com da ex Rua Senador Vera-Cruz lado esquerdo da foto rés-do-chão dum destes quarteirões de apartamentos, construídos pela empresa do engenheiro Graciano nos finais da década de 60/70 do século passado.
Se o Djack permitir enviarei uma foto desta rua actualizada
Zeca Soares

[1456] Embaixada de Cabo Verde em Lisboa informa





segunda-feira, 23 de março de 2015

[1455] Tertúlia com João Branco é já esta quarta-feira na Biblioteca Municipal de Santa Catarina, Santiago (veja post anterior, sobre a questão da língua cabo-verdiana)

Regressam as “Tertúlias na Biblioteca”, desta feita em segunda edição, encabeçada pelo actor, dramaturgo e escritor João Branco. “Teatro: pelo sonho caminhamos” é o tema da tertúlia com o fundador do Mindelact e Director do Centro Cultural do Mindelo. Como aconteceu da primeira vez, a moderação está a cargo de Henrique Varela.

“Teatro: pelo sonho caminhamos” acontece às 15h00 desta quarta-feira, 25 de Março, numa altura em que está patente a 3ª Edição do Festival de Teatro de Santa Catarina. A organização deste ciclo de tertúlias é da responsabilidade do Pelouro da Educação e Formação.

Logo a seguir à conversa – e também no espaço da Biblioteca Municipal -, vai ser apresentado ao público de Assomada o mais recente livro de João Branco, “Crónicas Desaforadas”, uma colectânea de crónicas do autor com um olhar irreverente e apaixonado sobre o quotidiano, num registo onde o “politicamente correcto” não ocupa lugar. A apresentação da obra (por convite de João Branco) está a cargo do jornalista António Alte Pinho.


domingo, 22 de março de 2015

[1454] Continua o diálogo sobre a língua cabo-verdiana, em 6.º encontro dos dois amigos

VI Parte
 (ver partes I AQUI, II AQUI, III AQUI, IV AQUI e V AQUI)
(Este diálogo tem decorrido entre duas personagens fictícias, mas desta feita surge um convidado figurado)

Adriano Miranda Lima
Filinto:  ̶  Amigo, tivemos de interromper por uns dias o nosso diálogo por causa da arreliadora gripe que me deixou de pantanas por uns dias. Mas já aqui estou e pronto para outra. 

Em que ponto da nossa conversa nos quedámos  da última vez?  Ah, já me lembro, a questão do projecto do bilinguismo no ensino, não foi?

Elísio:  ̶  Isso mesmo, meu caro. Mas, desde  já, fique claro que, leigos que ambos somos no assunto, não temos qualquer veleidade de querer sentenciar verdades axiomáticas em áreas como a pedagogia e a linguística. Queremos apenas situar-nos na perspectiva do cidadão comum que lê, se informa, discute  e se interpela sobre os problemas candentes do país. O que já não é pouco.

Penso que não chegámos a esgotar o tema do ensino, aliás não é previsível o momento em que se possa pôr um ponto final nesta discussão, pois as dúvidas sucedem-se em cascata e há todo um encadeado de questões para as quais não é possível vislumbrar respostas objectivas e conclusivas no horizonte temporal mais próximo. Pelo menos, é a impressão que tenho. Para começar, pensei em convidar(1)  para a nossa mesa o jornalista David Leite, para que ele nos fale sobre alguns aspectos aflorados no seu artigo intitulado “ALUPEC, um alfabeto nos ku nos. E os nossos emigrantes?”  publicado  em 19 Setembro 2009, no jornal A Semana.

Assim sendo, eis uma primeira pergunta. David, qual a sua opinião sobre o ALUPEC e a real capacidade desse alfabeto para a padronização da escrita do crioulo e com isso tornar-se, alegadamente, mais fácil o ensino/aprendizagem do português e outras línguas, tal como  se propõe o governo? 

“David Leite”:  ̶  Bem, antes de mais, lembre-se que  “…. o ALUPEC  surgiu na decorrência directa do que ficou conhecido por “alfabeto do chapéu”. Aprovado, a título experimental, em Dezembro de 1988, o ALUPEC exprime um compromisso entre o modelo etimológico (pela sua legitimidade histórica) e o fonológico (mais económico, sistemático e funcional) ao reintegrar os dígrafos (dj, lh, nh, tx). O ALUPEC fundamenta-se numa ortografia fidedigna e inalterada do verbo: para cada fonema um único sinal gráfico. Contrariamente ao modelo etimológico, em que a pronúncia deriva (e varia) de uma ortografia muitas vezes híbrida, no ALUPEC a pronúncia determina, de certo modo, a escrita.”

Prosseguindo, “…. numa análise puramente técnica, o carácter funcional, utilitário e didáctico de um alfabeto fonológico como o ALUPEC simplificaria a ortografia da nossa língua. A bem dizer, pouco difere do alfabeto etimológico português, não tendo incorporado mais particularismos gráficos do que as demais línguas neo-latinas. A grande diferença reside na grafia de vocábulos como: “pur izemplu” em vez de “por exemplo”; “jerason” em vez de geração”; “prizidenti” em vez de “presidente”; “desendenti” em vez de “descendente”. Quem diz diferença diz dificuldade, não por ser a nova grafia mais complexa mas porque não estamos a ela habituados.”

Filinto:  ̶ Tendo sido criado, como pensam os seus críticos, mais para responder às exigências fonológicas do falar da ilha de Santiago, poderá, todavia, o ALUPEC adaptar-se à escrita das variedades das restantes ilhas, designadamente as do Barlavento?

“David Leite”:  ̶  Vamos lá ver. “Note-se que (em relação aos exemplos que anteriormente citei) “prizidenti” e “desendenti” pertencem à variedade da ilha de Santiago. Nas ilhas de Barlavento escrever-se-ia (em ALUPEC) “prezident”.  Quanto a “descendente”, não faço ideia, sendo o C o grande ausente do alfabetu kabuverdianu! Também não sei o que é feito do ditongo “ão” quando tivermos que dizer “em vão, sirurgião”... Em S. Vicente como noutras ilhas, o “ão” subsiste (mesmo em ALUPEC) em vocábulos como pão, calsão, vulkão, cumilão, confuzão, selesão, kartão, leitão, senão... e em nomes próprios como Adão, João, Conceição.”

Elísio:  ̶ Depreende-se então que o ALUPEC não é aquela resposta tão linearmente híbrida ou dúctil como defendem os seus mentores, assim como não é pacífica a sua aceitação no Barlavento…

“David Leite”:  ̶ Ah, pois, “face à confusão que engendra, ao fraco entusiasmo ou clara aversão que suscita nas outras ilhas, particularmente nas de Barlavento, pode dizer-se  ̶  no sentido idiomático e “geográfico” do termo  ̶ que o ALUPEC é um alfabeto... “sem norte”. Mas também, convenhamos : não é fácil pôr no papel o crioulo de S. Antão ou S. Vicente. Numa perspectiva de padronização da língua cabo-verdiana, a variante de Santiago seria a mais adequada como substrato de referência. Mais inteligível, pronúncia mais nítida, palavras mais “inteiras”, o crioulo de Santiago presta-se, mais do que qualquer outro, à escrita... além de ser falado por quase metade da população. Porém, qualquer opção por uma variante regional (com a respectiva grafia) em detrimento das outras seria uma atitude hegemónica e liberticida.”

Filinto:  ̶  Disse “falado por quase metade da população do país”. Mas julgo que a demografia não deverá ser o único factor preponderante nesta matéria, se tivermos presente que as variedades dialectais são apenas a ponta do iceberg de diferentes sensibilidades socioculturais. Mudar a linguagem não mexe necessariamente com o substrato cultural onde ela mergulha, pelo que o efeito pode ser tão superficial como o da brisa que faz ondular a erva do campo sem no entanto abalar as suas raízes. Pressinto que tudo o que seja interferir com essa realidade  poderá ser contraproducente. Seria como obrigar Maomé a rezar o terço, não é verdade? Passe o exagero dessa figura sacrílega…

“David Leite”:  ̶ “No entanto, vozes e penas em Santiago não têm resistido a essa tentação hegemónica. Não por ser essa ilha o berço e o bastião do ALUPEC/alfabetu kabuverdianu, até porque os alupecianos estão no seu direito e em boa hora tomam posição. O que incomoda é essa ortodoxia pouco permeável a opiniões contrárias. Opiniões de resto raramente expressas, como raras são as pessoas de outras ilhas que até agora ousaram aventurar-se pelos meandros do ALUPEC. Como não reflectir neste vaticínio de um acérrimo defensor do ALUPEC segundo o qual seremos recordados pelas gerações vindouras como “un kambada di palhasus (...) pabia nu sa ta uza lingua strangeru pa nu komunika nos ku nos”.

Elísio:  ̶  Vê-se de onde vem o insulto. Os defensores do ALUPEC e da padronização do crioulo não aceitam o contraditório, e todos os que se lhes opõem são alvos dos mais diversos apodos soezes, inclusivamente tratados como “apologistas do colonialismo” e “inimigos do povo cabo-verdiano”, e sabe-se lá que mais impropérios. Eu até penso que a pessoa que oficiosamente tem dado a cara em defesa deste projecto, insultando quem dele discorda, está a prestar um mau serviço aos seus autores. Tantos anticorpos tem ele criado, que admira como a “Comissão Nacional para as Línguas” ainda não lhe disse para meter a viola no saco.

Filinto:  ̶  Pois é, tens razão. Estou convencido de que tivesse sido outra a atitude oficial perante esta questão linguística, não se teriam criado tantas clivagens e tantos anticorpos na sociedade cabo-verdiana. Não deve haver um único cabo-verdiano que se oponha a uma acção dignificadora do crioulo e de tudo o que a “língua materna” significa para as nossas vivências sociais e o nosso imaginário artístico. O que o cabo-verdiano comum não percebe e muito menos aceita é este assunto ser encarado como um tratado de teologia ou uma profissão de fé. Não pode servir para alguns investirem na sua futura ressurreição, neste ou noutro mundo.

Elísio:  ̶  Sim, Filinto, porque tudo o que raia o radicalismo ideológico pode  exaltar os fiéis e os prosélitos, mas dificilmente semeia a concórdia e a harmonia na comunidade. 

“David Leite”:  ̶  Sim, “salvo o devido respeito por opinião contrária, estimo que o ALUPEC reflecte uma atitude isolacionista, um “nos ku nos” em flagrante contradição com a abertura propugnada pelo nosso País, sendo esta uma necessidade vital mais do que uma simples opção político-diplomática dos tempos hodiernos. Os nossos filhos clamam por professores competentes, por um ensino pragmático que os habilite a melhor aprender o português, o inglês, o francês, o espanhol, o italiano... Em qualquer dessas línguas, “cultura” escreve-se com C e não com K!”

Filinto:  ̶  Creio que já ficou claro que o cerne do problema residirá na aprendizagem simultânea e dual do crioulo e do português, uma aposta que se quer pôr em prática no mais curto prazo, sem dar tempo ao tempo, isto é, sem se debruçar atentamente, e com a melhor metodologia científica, sobre os resultados das poucas experiências que parece terem decorrido ou estão a decorrer. Com efeito, parece que em duas escolas básicas de Santiago se iniciou no ano passado uma experiência-piloto com esse objectivo, baseada em algo similar ocorrido numa escola portuguesa frequentada por um grande número de alunos de origem cabo-verdiana. A intenção é generalizar esse projecto às escolas do ensino básico, na crença de que é a solução correcta para a valorização da “língua materna” e a via conducente à aprendizagem mais eficaz do português e outras línguas.

Elísio:  ̶  Mas não antevejo esse projecto com pernas para andar se a pressa e a precipitação impedirem uma ponderada e correcta validação das suas etapas. É que se afigura deveras problemático confrontar simultaneamente os jovens alunos com dois alfabetos distintos  para a  aprendizagem, respectivamente, das duas línguas co-oficiais, isto enquanto o português se mantiver como língua creditada no país. Se com o ALUPEC será mais fácil à criança assimilar que o grafemas “Z” e “S” produzem sempre o mesmo som, logo com vantagens na simplificação da escrita do crioulo, é de perguntar como será quando tiverem de utilizar o alfabeto latino e seguirem outra regra para escreverem em língua portuguesa. A confusão será enorme, tanto mais que a maior parte do vocabulário crioulo provém da língua portuguesa, daí ser irrecusável que haverá dificuldade em distinguir entre o que está verdadeiramente de um e do outro da linha que separa as duas línguas. Como já foi dito, gerar-se-á uma mini Torre de Babel entre o crioulo e o português. 

Mas o que diz o David em relação à diáspora, onde a generalidade da nossa gente fala o crioulo, mas sem que se preveja viável ensinar aí o crioulo mediante o ALUPEC?

“David Leite”:  ̶  Olhe, só posso responder com outras perguntas. De facto, “quem se lembrou dos nossos emigrantes, aqueles que levaram o crioulo e a morna para a terra-longe ? Em que escola irão os nossos emigrantes e os seus filhos (a estudar na Itália, em França, na Holanda, na América ou no Senegal) aprender o ALUPEC?…” Veja-se que “…os nossos emigrantes levam com eles o crioulo da sua terra, que aprenderam em casa. Lá fora tiveram que aprender o holandês, inglês, francês ou italiano para poderem integrar-se no país que os acolhe. Essa aprendizagem é-lhes facilitada pelo facto de o alfabeto português, que levaram da escola, ser o mesmo nos demais países lusófonos, assim como na Holanda, Estados Unidos, França, Itália e outros países que acolhem a nossa emigração. Imaginem as sérias dificuldades que não terá na escola uma criança ainda nas primeiras letras, que só domine o ALUPEC, cujos pais decidam ir viver para o Senegal ou a Itália! E não falemos naquelas que voltam da emigração para virem residir na sua terra... Mas se virmos bem, não são apenas os emigrantes que ficarão do outro lado dessa ponte que nos liga à nossa diáspora e que um punhado de fanáticos isolacionistas quer deitar abaixo. Os defensores mais ferrenhos do ALUPEC vêem como “estrangeiros” todos aqueles cabo-verdianos que recusam pensar como eles. Sendo o português, do ponto de vista dos alupecianos, uma “língua estrangeira”, é “estrangeiro” todo aquele que ousa falar essa língua…”

Filinto:  ̶ Bem, amigos, sugiro-vos que fiquemos hoje por aqui. Continuaremos esta conversa noutro dia a combinar, estando desde já convidado o David Leite, caso nos volte a honrar com a sua presença.

(1) O jornalista e funcionário diplomático David Leite é, figurativamente, um convidado especial neste debate, com base no seu artigo intitulado “ALUPEC, um alfabeto nos ku nos. E os nossos emigrantes?”, publicado  em 19 Setembro 2009, no jornal A Semana, assim como numa intervenção por si produzida sobre o assunto no espaço dos Comentários alusivos ao artigo.

Tomar, 22 de Março de 2015
Adriano Miranda Lima

sábado, 21 de março de 2015

[1453] Marca de água

Dado que todas as imagens que doravante surgirem no Pd'B terão marca de água do próprio blogue ou alusivas a autores de fotos que nos foram disponibilizadas por estes, informamos os nossos amigos e comentadores habituais que teremos todo o prazer em lhes enviarmos imagens originais (sem marca de água) quando tal nos solicitarem.

sexta-feira, 20 de março de 2015

[1452] Que rua é esta?

Não se trata de concurso, trata-se mesmo de desconhecimento. Temos as nossas suspeitas, relativamente ao local, mas não as divulgamos, para não influenciarmos os experts urbanísticos frequentadores do Pd'B que deverão dizer de sua justiça. Se não disserem, actuaremos em conformidade... e neste mesmo post.


[1451] Palácio de Governo, Palácio do Povo, entretanto Tribunal e Centro Cultural, em breve. A casa, já foi asim...


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...