quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[1410] O imaginário popular mindelense na narrativa de Zizim Figueira, em novo texto de Adriano Miranda Lima

Adriano Miranda Lima
Adriano Miranda Lima oferece-nos hoje uma exclusiva memória de Zizim Figueira, quanto a nós o "rei" da escrita em crioulo das últimas décadas. E rei porque o seu crioulo mindelense era impecável e as suas crónicas um prazer de leitura, pela graça, memória e verosimilhança que transportavam. Zizim foi de facto o mais interessante nome que passou pelas páginas do extinto Liberal, tendo deixado um vazio em Cabo Verde que ainda ninguém conseguiu ocupar. Um obrigado ao Adriano pelo texto que traz de volta até nós o espírito do estimado (e estimável) cronista da Praia de Bote e da Rua de Praia.

O Zizim Figueira escreveu uma série de crónicas (“storias”) recortadas no imaginário popular da sua ilha-natal, S. Vicente, baseadas em factos e figuras reais, mas a que emprestava doses variáveis de adorno ficcional, sem, no entanto, ferir a verosimilhança. Muitas são as figuras populares da ilha de S. Vicente que utilizou como protagonistas das comédias e dramas das suas representações literárias em crioulo de S. Vicente. Diga-se que as suas crónicas tiveram o mérito de nos alargar o olhar sobre as singularidades e as idiossincrasias do nosso meio mais genuinamente popular, sempre com um sentido implícito de honrar a gente humilde e sofrida e colocá-la num alto patamar de afecto. 

Tendo relido recentemente algumas das suas “storias”, reparei que a Caela, “carregadera” de cais,  é uma figura típica e quase omnipresente nas suas narrativas. Mesmo quando ela não é parte do núcleo, vive nos seus arrabaldes, é presença insinuada ou pressentida, o mesmo é dizer, a alma mater de outras tantas figuras populares do imaginário mindelense onde o autor colheu os seus mosaicos plenos de humor e humanidade, e muitas vezes temperados com picardia. 

Zizim Figueira
Não me recordo da Caela, pelo menos da pessoa concreta que se dava por tal nome, mas tenho na retina o cortejo dessas anónimas “carregaderas” de cais que serpenteavam as ruas de Mindelo com os sacos de milho à cabeça a caminho dos armazéns. Ao recordá-las hoje, imaginando-as  sob o sol inclemente, rostos perlados de suor, lábios cerrados e olhar centrado na distância da caminhada, pergunto se o heroísmo não convive paredes-meias com a nossa rotina sem darmos conta disso. Ganhar a vida com honestidade tem um preço exorbitante para alguns seres humanos. 

A Caela é descrita como uma mulher de estatura imponente, de costas rijas e braços de ferro, talhada mesmo para “carregadera” de cais, profissão que foi outrora de muitas mulheres do povo na nossa terra. Mãe de muitos filhos, porventura de mais de um progenitor, ela fazia inteiro jus a esta expressão que entre nós tem um significado inigualável - "Mãe de Fidje". Designação que significa mãe inteiramente assumida, mãe ignorada por um companheiro do acaso, mãe sofrida no silêncio do seu brio, mãe que não regateia sacrifício para criar a sua prole. Mãe que é também pai, dupla e simultânea condição parental que exige coragem, desvelo e sacrifício irrenunciável no dia-a-dia das lides da vida. Pois, era Caela, ela e mais ninguém, que assegurava o pão diário dos seus filhos, e era ela quem exercia, sem delongas ou preterição, a autoridade paterna, quando necessário com mão firme, porque pobreza não significa vileza, pobreza é destino mas não desatino. Assim devia ela pensar.

Carregadeiras saindo da antiga Alfândega
A vulgarização do transporte automóvel extinguiu o cenário das “carregaderas” nas nossas ruas, abolindo essa mão-de-obra barata, escandalosamente barata, esse trabalho insano que era, no entanto, ganha-pão assegurado para muitos lares da pobreza. Era esse o reino da Caela, onde ela se impunha como uma força da natureza, onde se ouvia a voz tonitruante e ridente do seu desafio ou do seu encorajamento, ou a palavra de solidariedade para as companheiras mais débeis da mesma labuta.

As crónicas do nosso conterrâneo invocam frequentemente cenas passadas com a popular Caela. Tanto falam da sua luta estrénua pela vida como de situações humorísticas em que ela se viu envolvida. Como não ficar estupefacto com a facilidade com que ela arrumou com 3 magalas que um belo dia quiseram meter-se com ela lá para os lados da Praça Estrela? Como não morrer de riso com a "fusca" de deitar por terra que ela apanhou num dia em que lhe confiaram uma aguardente-de-cana de estalo, por mero engano na escolha, para embriagar umas dezenas de perus que se destinavam a abate para reabastecimento de navios estrangeiros? Ou com aquela cena ocorrida entre ela e o boi bravo acabado de descarregar e se soltou sobre o cais? “M’ta preferi morrê fogod que na tchiv dês boi”, disse ela. Atirou-se ao mar mas foi logo recolhida.

Há um episódio que o Zizim me reportou em conversa pessoal mas que, tanto quanto penso, não chegou a ser objecto de qualquer crónica. Um belo dia, um conhecido futebolista bateu num filho da Caela e a nossa mulher travou-se de razões com o agressor, porque ela era mesmo pai assumido em toda a largura da sua autoridade, e desaforo não levava ela para a casa. Conversa vai, conversa vem com o sujeito que lhe bateu no filho, a Caela não espera por mais nada:  ̶  Ah sim, não te retractas? Levanta o punho e desfere-lhe um soco tal que o nosso homem cai redondo. Contou o Zizim que foi preciso borrifar-lhe água fria no rosto para que desse acordo de si.

É evidente que as “carregaderas” de cais não foram exclusivas de S. Vicente, do mesmo modo que o exemplo sublime das "mães de fidje" cabo-verdianas pertence a todas a ilhas e é intemporal. Porque infelizmente o planeamento familiar ainda não logrou produzir na  sociedade cabo-verdiana todos os efeitos que seriam desejáveis. 

Recordar a Caela é um tributo que se presta à coragem indómita da mulher do povo cabo-verdiana. Ou o coração  não fosse a melhor bitola para avaliar aqueles que da vida colheram mais infortúnio que ventura. 

Justiça ao Zizim Figueira porque a ele se deve a reprodução em crioulo desse imaginário popular da nossa ilha, que tem tanto de sedutor e encantatório como de burlesco e irreverente. 

Tomar, 25 de Fevereiro de 2015

Adriano Miranda Lima


Praia de Bote junta ao texto de Adriano um de Zizim em que este fala de Caela


Contrabone

Moda Dona Saida (assiriana) tava custumá dzê na sê criol rastode: – Tude nês vida ê moda um jogue de “laranjas’casca”. E dvera  na sê filusufia e manera já d’oiá cosa de vida, pa tude bidjinha quel era derriba de sês 97 (noventa e sete) one d’idade, ela tinha razon.

Quê nês vida, pa tude banda ondê q’home passá sempre el dexa sê marca, mariode ô drete, c’tude sê inteligença dês que munde ê munde já naquel tempe quel era presa de tigre de dente de sabre e otes predador “d’era de pliocene”(fin de terciare principe de quaternare)etc.,Tê dia quel cabá pa impô e vrá predador  chef de cadeia alimentar de nôs planeta Terra.

Tude isse, ta bem na linha de conta daquel tempe antigue em que pove de Soncente na sê “struggle for live” (luta pa vida) de tude dia, deboxe daquel parcença calme e tranquile de nôs Baía de Porte Grande de Mindelo c’sê Monte Cara e sês pôr de Sol sem igual ta invadi nôs mar datardinha, de sês bnite escama de prata.

Ma sê Praia de Bote (Patrimone de nôs terra Soncente), c’sê “Muralha Forte” c’dôs entrada, fête de pedra ma cemente, coberte de cripi que tava protegê areia de sê praia.

Lugar ondê que tude mnine, mesme naquel balbúria de gente, tava bai dá quel primer tchluff pa prendê nadá, na mei de tude quês bote pintode, numerode lá rastode ta esperá muvimente de sei pa lorgue, pa negoce, pa pesca ô pa rocega c’ pescador ma fazedor de corda, lá sentode ta cmodá rêde, ta fazê corda, ma sempre c’oie vive na melon, na mantcha de pexe que entraba na quel área, pa podia betá rede, ô na mnine de gente ta nadá, pas ca fogaba na mar.

Tude isse, hoje em dia desaparcide (prova – fotografia d’amigue Jack de Captania, aliás Joaquim Saial), c’um tristeza bem grande pa tude quem que ta lembrá, sobretude daquel antigue e bnite “Murallha” que já li na fotogarfia gente t’óiá cma el ca’stá, um Murallha daquel, parte dum patriomone c’sês monzada de storia ma “souvenirs” pa contá.

Quê log que d’note tava tchegá, ta tinha marinher ma guarda d’Alfândega, espaiode pa tude banda ta goitá tude quel pove negociante e sês tentiva de passá quel contrabone, quê  lá na Praia de Bote ê que tava morrê pexe. Certe que tinha quês negoce moda madera que tava bem de borde e despache era baratim.

Ma tinha otes cosa, moda drops, chuclate “Cadburys” ma cigorre qu’era proibide mesme sel beba de borde, mode concurrença ma comerciante de terra. Assim um vez passode, tinha um que tava compra quês carton tude dum vez e tava fecá ta vendês na gente e malta de sês relaçon ma também pa intermédie de vendedores ambulante, mode quês caxa ô carton que ca tinha quel “sele”de despache d’Alfandega, ma que nem por isse tava dexá de ser, um denhirim quente na mon.

Ma, ‘m ca querê dzê, cma storia de contrabone seja binde de mei de Baía de Porte Grande de Mindelo, ô de grogue de SanAnton, ô d’otes lugar na época, era cosa fácil e tava passá sempre sem problema. O contrare, tive tcheu que foi panhode e que bai pa lama, gente cum conchê que foi vitma de denuncia, ma hoje ‘m prometê de ca mentá nome de gente, nalguns ação que tita bem passá lissim nês texte.

Soncente, tinha três área de negociante de Baía, área de drogaria de Djandjan, c’Pidrim Bettancourt, Lelona, Alvaro, Cucha etc., área de Praia de Bote c’Oscar de Nha Bia d’Antone Gêgê, Joaquim Silva (Quim Chavinha), Faia Santos, Anacleto Évora  de  Casa Lopes e Madeira, Josê Figueira (Ti Djô Figuera), João Damata Costa (Damatinha) pa Casa Figueira & Cª, área de rua de Moeda ma rua de Morguine, c’ Jack Cunqueli Côque, Antunin Cunote, Manuel de Joana, Jon ma Jack Estudante, Jon Doia, Djô de Jon do Chique e mutes otes más que tava incthi tude ês área de negoce.

Um dês stora de contrabone que marcaba nôs Ilha de Soncente ma SanAnton, foi quel daquel guarda d’Alfandega imprudente (nada corrupte) por isse cunchide pum gaje mau dmunde que prendeba um contrabone de grogue, el sô,lá pa praia de Jon D’Ebra,binde de SanAnton. Dzide cma quês contrabandista propol um data de cosa ma dnher, el de pistola na mon, sempre ta dzê cma não. E era um carregamente mute importante de grogue velha que tava valê um fortuna.

Cma el ca queria sabê e cma quês home sinti pirdide, dzide cma ês dexal descuidá ês dal um salha na pistola, tê quel tchegá de feri um c’tire na broce. Enton, ês  pol na tchon despil calça ês plal ove (testicles) c’pedra e dexal morte lá na praia de Jon d’Ebra. Ês bem pa morada, ês fazê sês contacte ês vendê tude quel grogue one time, depôs ês cambá sês terra SanAnton e, tê hoje nem fume nem mandode se foi descoberte quem foi.

Um note, tude quel romantisme de Praia de Bote foi quebrode, pa quel furquilha de cumpade, um rapazin d’oite one d’idade de nome Adeline, fidje de Franguinha remador, c’sê pontaria sem igual qu’era pagode pa quebrá tude vez quel lampada perte de Captania.

E, dês vez, cosa bem passá foi lá na sê Muralha, c’tude bem organizode: –  Três bote na lorgue carregode ta esperá orda, otes gente ta goitá guarda ma marinher d’Alfandega bai jantá pa podia dá quel “free”, quês amdjer de força (Frente de Libertaçon de Praia de Bote) e expediente pa rapte, escuide na ponta dêde, quês home dentre de praia rolode calça c’pê dentre de mar, tude linhode de stand-by.

Orda foi dode, Rosa de Conhe c’sê pescoce de força, nem boi de Dja D’ Moie, foi primer que pô na cabeça, quel primer caxa de cigorre Malbore, siguide de Mari Binisse, Armanda de Vivi, Caela, Antonha de Bill e más uns dôs ô três otes cumpanher de confiança, deboxe dum silencie, ondê que quaz bô tava uvi sês coraçon ta trabaiá c’força e, num esfregar d’oie tude quês vinte cinque caxa de cigorre foi passode e mitide na lugar segure, c’tude ta parcê normal.

Enton, tive um denuncia daquel movimente na Alfandega, pa um home que nem sê nome se ta merecê ser metode li nês storia, quê naquel dia, el tava ta ba desgraçá um data de pai de fidje (soce daquel negoce), em que uns tê tinha doze fidje senon más. Ma, ês home, voz de pove voz de Deus, vida punil de tal manera quel morrê  na miséria la pa USA.

Ma, boca  d’Onje caí de cêu e Raul ma Raulin marinher d’Alfandega, dzê Amen! Quê ês uvi tude quel relate daquel denuncia fête pa quel bandide delator. Enton, la ês actuá não cma autoridade, ma sim pa sentimente de pai de fidje quês era e dode aquel bom tratamente quês tinha ma quaz tude quês moce negociante daquês área.

Ês rancá, sem exigi nada em troca, ba ter dês, ba dzês cma dentre de um hora, Alfandega tava ta bai fazês vistoria na sês casa, pamode denuncia daquês vinte cinque caxa de cigorre passode de contrabone na véspra d’note lá na Muralha de Praia de Bote.

Certe que foi panic geral, depôs duns segunde de reflexon, tude quês caxa de cigorre Malbore que tava na alçapon daquel casa, foi passode c’ajuda de Rosa de Conhe ma sê equipe d’amdjer vassalada, sem preveni pa quintal de casa de vezin, ês tude espantode, ma moce bai ta dzês cma: – depôs ‘m ta explica bsote, quê grinhassim, nôs ê uns data de pai de fidje que ta c’corda na pescoce.Vezim, nice dmunde dexá cosa bai sem problema e assim c’sês help, um data de vida foi salvode dum grande desgraça más que certe.

Quê, um hora depôs, tchegá na lugar, Director cumpanhode  de sês guarda ma marinher d’Alfândega e um oficial de diligência de Tribunal. Revista na lugar, foi passode bem passode na pente fine, ma nada ês ca incontrá naquel casa pa tistemunha e ês sei ta bai c’mon baziu e, tcheu pai de fidje salvode de bai pa cadeia na Vôvô perte de Compe de Jogue e dum miséria más que certe pamode quel delator.

Depôs, quel stock de cigorre sei na lorgue,  foi vindide c’lucre pa tude banda de tchon de Soncente e Ilhas devagarim, c’raçon duple pa tude quem trabaiá naquel operaçon, moda era custume, panela na lume pa tude mnine cmê na sês fome e ta bai pa escola ba prendê alê.

Ês li ê más um treche de vida de tude dia de nôs terra Soncente dum vez, ondê  que solidariedade humana e morabeza, apesar de tude quel pobreza, tava dominá na mei d’home que tava besti calça e era capaz d’assumi tude sês responsablidade sem pedi ninguem nada em troca, quê “Coraçon” ê que tava falá em vez d’inveja ô ganância de dnher.

Zizim Figuera  ( José Figueira,Júnior )



[1409] Resíduos em Cabo Verde

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[1408] Hoje estamos uns mãos largas... prendas pa tude munde

E agora para todos os amigos do Pd'B, por igual (ou quase)... Para os que vivem na diápora, uma camisolinha a condizer. Para aos que residem nas ilhas, umas havaianas crioulas, para irem à Lajinha ou à Baía (se em São Vicente) ou à Gamboa ou à Quebra Canela (se em Santiago).



[1407] Apesar de vencedor de mais um ramo de acácia, o Zito também apanha algo

Pronto, o nosso amigo estava a morder-se de inveja por apenas apanhar o desejado ramo. Por isso, aqui vai um saquinho, para guardar os 10 ramos já obtidos. Em inglês, claro, língua da Western Telegraph...


[1406] Campeonato de São Vicente com Mindelense na frente

[1405] E para os outros dois artistas...

Bem, já sei que a partir de agora vou ter reivindicação do José e da Ondina, a dizerem que também merecem uma prendinha, tal como o Val e o Adri, que também são gente e que mais isto e que mais aquilo e por aí fora. Como eu não estou para os aturar, aqui fica uma lembrança para cada um e por favor bsôt largáme da mommmmmmmm!!! Imagino as invejas que vai haver na Praia e em Aveiro...

Para a Ondina

Para o José

[1404] Mais uma prenda, não há outro remédio, esta para o templário

O nosso templário, tendo sabido na hora que o concurso 33 estava aberto desde os primeiros minutos do dia (ou da noite passada), resolveu ir para vale de lençóis, deixando para hoje o desvendar da cifra igrejal. Quando acordou, já o Zito tinha rematado o concurso e conquistado o seu 10.º ramo de acácia. Bem feito, para o templário não dormir na forma. E agora, feito invejoso, está a insultar o avental que o Pd'B ofereceu ao friorento do vice-cônsul que está a morrer congelado no frigorífico de Tours. Pronto, OK, o Pd'B tem coração de açúcar e oferece-lhe um par de botões-de-punho para ele ir todo catita quando for convidado para o próximo juramento de bandeira do regimento caldense. Ou seja, dessa vez será ele a deixar a oficialidade a roer-se de inveja... Não é para todos!


[1403] Directement pour Mr. Valdêmarrr

Para o Val aquecer no frio intenso que se faz sentir em Tours, nada melhor que preparar na sua acolhedora cozinha um altíssimo e suculento steak avec champignons et frites. Bem acompanhado de um Chateau de Fosse-Seche, claro. Para ajudar, aqui vai um apetrecho essencial... Com um avental destes e o gorro que ganhou como prémio de consolação, não se pode queixar mais.


[1402] Prémio de consolação do 33.º concurso do Pd'B

Para o José, para o Val, para o Adri e para a Ondina, habituais fregueses dos concursos do Pd'B, segue um prémio de consolação. O Pd'B não quer que eles chorem por não terem chegado a tempo, sobretudo os três últimos. O José, pelo menos tentou e ainda acertou alguma coisa. Podem levantá-lo na nossa delegação na Rua de Coco, ali mesmo ao lado da antiga casa d'Pudjim. Basta dirigirem-se ao 2.º andar e pedirem o respectivo exemplar a nha Bia, mãe do Djosa e nossa dactilógrafa. Foi ela quem tricotou os patrióticos barretes nas pausas do trabalho, muito úteis em dia de jogo de Tubarões Azuis ou noutras ocasiões do género. Se nha Bia estiver a dar chá de belgata ao Djosa para curar alguma ressaca deste, esperem um bocadinho que ela logo os atende.




[1401] Concurso despachado em três tempos e BEM vencido por Zito Azevedo. Mais um ramo para ele, 10 agora

O Zito não esteve com meias medidas e arrasou, tendo dado pelas duas rasteiras que eram termos colocado duas imagens recentes da Igreja de Nossa Senhora da Luz (São Vicente) e por outro lado termos mostrado os fogaréus que ali estiveram pelo menos até 1920, data mais antiga onde conseguimos chegar para esse efeito. Ou seja, a igreja de Nossa Senhora da Luz estava representada três vezes. 

Vejamos as duas imagens. Na primeira, um postal carimbado de Janeiro de 1920, temos os ditos fogaréus (ou vasos) com verdura, eventualmente cactos ou outras plantas resistentes que não imaginamos como eram regados. Contudo, posteriormente a esta data, a igreja ganhou no mesmo local dois campanários de forma inusitada, pois os olhais dos sinos são de desenho neo-árabe, com arcos em ferradura ou ultrapassados e rematados por cúpula bolbosa. De quem terá partido a ideia não o sabemos, sobretudo nesta época tardia em que esse estilo aplicado na Praça de Touros do Campo Pequeno (1892, arq. Dias da Silva), em Lisboa (e em diversos outros edifícios), já tinha passado à história.

Um braça de parabéns ao Zito que assim se aproxima paulatinamente do papa-concursos Adriano Lima que se foi deitar em vez de ter atacado logo à meia-noite quando colocámos o concurso no ar. Gente ca ta podê durmi num hora dess, rapaz... ahahahahah


Foto Joaquim Saial

[1400] Quarta-feira, é dia de concurso no Praia de Bote. Eis o 33!

Trata-se de cimento religioso, dissemos nós no aviso deste concurso. E é-o, de facto. De cimento, pedra, cal e tinta de água... São pormenores de igrejas de São Vicente, Santo Antão e Santiago. Fogaréus e campanários numerados e a nomear pelos concorrentes, com indicação da igreja a que pertencem, pela ordem que aqui vai, como aconteceu com as ferragens de varandas em concurso anterior. Que ganhe o melhor e como sempre vale tudo, menos tirar olhos. Pd'B só dá algumas pistas, em modo negativo: nenhuma das igrejas é da Ribeira Grande de Santo Antão nem do Porto Novo nem da metade Norte da ilha de Santiago. Quanto ao resto, desenrasquem-se e olhem que há duas rasteiras. O concurso termina pelas 22h00 de dia 26 (hora de Lisboa).

REPETIMOS:

Nenhuma das igrejas é da Ribeira Grande de Santo Antão (também conhecida como Povoação) nem do Porto Novo (antigo Porto dos Carvoeiros) nem da metade Norte da ilha de Santiago. E as duas rasteiras nada têm a ver com estas duas cidades.

REAJUDAMOS:

Em Santo Antão, uma igreja é-o MESMO.

1
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3
4
5
Em jogo, um ramo de acácia


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[1399] Lavaderas d'Mindel, c'sês selha e surradêra


Agora mesmo, veja-se quem está a observar o Praia de Bote... Cabo Verde, à frente! Mas apenas com mudos. Se estes 9 falassem (isto é, escrevessem, comentassem), era bem mais divertido...


[1398] Para Miss Boden...em Lisboa, em Boas Festas de 1906

Uma imagem rara da zona da velha Alfândega, um desejo de Boas Festas para Miss Boden, residente em Lisboa. Quem enviou o postalinho directamente do Mindelo? Who knows? A memória do emissor (ou emissora) deste envio está perdida, mas que o postal seguiu, seguiu. E a prova aqui está... comprada no Union Bazar... 
Ver outros postais de Miss Boden, AQUI



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

[1397] Concurso do Praia de Bote, prestes a ter início, na nova versão de quartas-feiras


A partir de depois de amanhã, todas as quartas-feiras haverá concursos no Pd'B. Recomenda-se a reza de pelo menos uma Avé-Maria, um Pai Nosso e um Credo, pois o próximo concurso terá lugar em três ilhas de Cabo Verde e tratará de "cimento" religioso.


[1396] 100.º post de Fevereiro. Para comemorar, prendas para os nossos amigos

Para os homens, um par de botões de punho, em aparato nacional de bandeira das estrelinhas, esmalte incrustado em base de prata da mina do Monte Verde, São Vicente; para as senhoras, um fio para o pescoço, vagaroso, tartarugal, em ouro da mina recentemente descoberta em Santa Luzia. E voltem sempre que todos (e todas) são bem-vindos. 100 braças, do Pd'B e do Djack. Agora, digam lá: quem é amigo, quem é?





[1395] Bau e Voginha, ou a grande música cabo-verdiana a quatro mãos

[1394] De Lisboa ao Brasil, com passagem pela Rua de Lisboa, numa hora di bai de gente da antiga metrópole

Era um casal que em Novembro de 1947 ia de Portugal (o mais certo foi ter partido de Lisboa) para o Brasil, à procura de melhores condições de vida (mais uma suposição nossa). Pararam no Mindelo, compraram o postalinho na Casa do Leão e o homem (marido, decerto) enviou-o para a mãe, nas Caldas da Rainha. Iam para uma "nova vida", ele e a Artemisa. Assim se vê que não era só em Cabo Verde que havia uma hora di bai, nesses tempos do velho império colonial português - e dificílimos, do pós-guerra.





[1393] Quando falta um "a", falta tudo

Viva o "viva" e viva a "Liberdade". Mas também teria sido bom ter-se dado um viva ao "a" que lá não está... Ou seja, "Viva a Liberdade!" (do grande e inimitável Paulino Vieira). De resto, eis os rapazes da banda "Voz de Cabo Verde" em cima da carrinha do Blá, talvez a caminho da Matiota, sabe-se lá!...



[1392] Visualizações do Pd'B do últimos três dias


700 a 21, 652 a 22 e hoje, ao aproximar-se o final da manhã, já vamos em 427, como se pode ver em ambas as imagens. Os números do fim-de-semana não são muito estranhos, dado que é costume serem alturas de maior afluência. O que é estranho é este 427, ainda o dia vai a meio. Veremos como ele acaba.

Aqui está, após a meia noite: 641 visualizações - menos 11 que no dia anterior, mas mesmo assim nada mau.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

[1391] Pd'B descobre contratempo musical

Eis o que se pode chamar "um contratempo musical". Pertenceu a alguém que em dada altura, por qualquer contratempo, vendeu o Banal disco e ele, rolando pelos oceanos do destino, acabou por encalhar na Praia de Bote. Aqui está o dito, agora, para quem tiver gira-discos para o ouvir...




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