sábado, 25 de novembro de 2017

[3248] A prova de que Georgios Karantonis (Jorge Grego) era MESMO ship chandler aqui está (ver post 3246)

Aqui está a prova. Mais um exemplar do fascinante universo dos sobrescritos timbrados que nos ajudam a perceber quem era quem, quando a memória da vida das cidades tende a desvanecer-se. Praia de Bote vai arquivando, arquivando, aquivando e neste momento já possui umas boas dezenas de exemplares que de algum modo organizam essa memória, não só relativamente ao Mindelo e a São Vicente como a outras ilhas cabo-verdianas. Infelizmente, apenas em imagens digitais mas estamos certos de que não há outro arquivo assim relativo a Cabo Verde. Muitos desses exemplares têm aqui sido vistos; outros, a seu tempo surgirão no blogue. Para finalizar, repare-se que Karantonis não abdicou da sua origem e se intitulava "comerciante grego de bordo". Um belo documento, em memória deste estrangeiro que foi adoptado pelo Mindelo e já agora uma lembrança da sua irmã Katy que bem conheci e que privou com a minha família, não esquecendo os manos Gonçalves, etc., etc., etc. Finalmente, o "R" entre o nome e o apelido é elemento misterioso do conjunto, mas Praia de Bote também não pode saber tudo, não é verdade?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

[3247] Presidente Jorge Carlos Fonseca "honoris causa" pela Universidade de Lisboa (Faculdade de Direito)

Ou de como quando um grande Presidente encontra outro grande Presidente e ambos falam português só pode dar boa coisa.

Ver AQUI e AQUI
No segundo AQUI, boas fotos da cerimónia. Eis uma delas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

[3246] Um intervalo em plena propaganda de homenagens a Teixeira de Sousa e a "Chiquinho", de Baltasar Lopes

Ele viera da Grécia e chamava-se exactamente Georgios Karantonis, de nome aportuguesado no Mindelo para Jorge Grego. Posto isto, é conhecida a sua família (de boa memória, aliás) e ramificação mindelense, o que não interessa agora para o caso. Por outro lado, o Jorge Grego era comerciante, mais concretamente shipchandler (ou como também se escreve, ship chandler, comerciante de produtos para navios). Que pretende então o Praia de Bote com esta conversa toda?

Ponto assente: o Jorge Grego era ship chandler. Mas quem consegue provar que ele o era? Quem o consegue, para além do diz-que-diz? Quem tiver essa possibilidade, que nos informe que nós mostraremos aqui o que nos enviarem (material escrito, fotografia, etc.) para provar que o Jorge Grego era MESMO ship chandler. Até amanhã, pelas 22h00.

Então? Já lá vai uma data de tempo e não há nenhum mindelense que saiba responder? Ninguém consegue uma prova? 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

[3245] A homenagem de Oeiras ao médico e escritor Henrique Teixeira de Sousa no próximo domingo, 26 de Novembro

Ver também post 3243, com mais informação sobre a homenagem

Com Adriano Miranda Lima, em 2005, em Algés
Praia de Bote repescou um filme de memória de Henrique Teixeira de Sousa que aqui deixa aos seus visitantes (acesso ao link mais abaixo), bem como uma foto deste com um dos maiores colaboradores e comentadores do blogue - como nós, seu grande admirador.

Colocamos ainda duas capas de opúsculos que pertenceram ao regente agrícola cabo-verdiano Fausto Vasconcelos Barbosa (também nascido  do Fogo, em 1937, e falecido em Linda-a-Velha, Portugal, em 1992) e que agora estão na nossa biblioteca. O segundo, "Alimentação e saúde nas ilhas de Cabo Verde", comporta o texto de uma palestra proferida no Liceu Gil Eanes, em 7 de Abril de 1957.

Ou seja, nem só de romances vive a obra deste cabo-verdiano ilustre que foi Teixeira de Sousa.

Ver FILME AQUI


[3244] Dezembro, Almada, Portugal: comemoração do 70.º aniversário da publicação do romance "Chiquinho", de Baltasar Lopes

No Fórum Municipal Romeu Correia (Praça da Liberdade, Almada), Sala Pablo Neruda, 2-16.Dezembro.2017

Comemoração dos 70 anos da publicação do aclamado romance Chiquinho, de Baltasar Lopes, com uma visita a dezenas de trabalhos de autores ligados à revista "Claridade" (nove números, entre 1936 e 1960) e até um encontro com a obra que trouxe à literatura cabo-verdiana nova maneira de sentir e de ver o mundo, O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, de Germano Almeida, a mais internacional de todas. Supostamente pela primeira vez em exposição, 11 edições diferentes de Chiquinho, incluindo a brasileira e a catalã.

Chiquinho foi publicado por Edições Claridade, em Outubro de 1947, na Tipografia Cardoso, Calçada do Forte (a Santa Apolónia), 10 - 1.º, Lisboa, numa tiragem de 2000 exemplares. Em bom estado de conservação, um deles pode hoje atingir o preço de 200 euros.

A "Comemoração dos 70 Anos do Chiquinho de Baltasar Lopes" é uma organização de três portugueses amigos de Cabo Verde, os professores Joaquim Saial e Dina Dourado e o poeta Fernando Fitas, em colaboração com a Câmara Municipal de Almada e a Embaixada de Cabo Verde em Lisboa.

2.Dezembro (15h00)
   Inauguração de exposição bibliográfica de 40 livros de autores "claridosos" 
   (ficará patente até dia 16, data de encerramento da comemoração)
   Momento musical, com executantes cabo-verdianos
   Palestras
Prof. Alberto Carvalho - O escritor Baltasar Lopes e Chiquinho
Prof. Glória de Brito - O escritor Teixeira de Sousa

16.Dezembro (16h00)
   Palestras
Prof. João Lopes Filho - Aspectos da poesia de Jorge Barbosa
Prof. Joaquim Saial - O conto O Galo Cantou na Baía, do escritor Manuel Lopes, seguido de Arte nas capas de livros cabo-verdianos clássicos
Prof. Dina Dourado - O humor, em O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, de Germano Almeida

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

[3243] Domingo, 26 de Novembro de 2017. Homenagem ao médico e escritor Henrique Teixeira de Sousa, na casa onde viveu, em Oeiras

Prédio onde Teixeira de Sousa viveu, em Oeiras
No âmbito da comemoração do 150.º aniversário de nascimento do poeta e jornalista Eugénio Tavares, a Associação Caboverdiana de Lisboa e a Câmara Municipal de Oeiras homenageiam Henrique Teixeira de Sousa, autor de "Ilhéu de Contenda" e de muitas outras obras literárias, com a aposição de uma placa na casa onde este residiu nas últimas décadas de vida e um colóquio sobre a sua obra. 

Como é costume nestes momentos de cabo-verdianidade, Praia de Bote, estará presente e fará a reportagem fotográfica que se impõe, à justíssima homenagem ao médico, autarca e escritor de tão valiosa obra. "Claridoso", ainda por cima...


domingo, 19 de novembro de 2017

[3242] Dezembro, Almada, Portugal: comemoração do 70.º aniversário da publicação do romance "Chiquinho", de Baltasar Lopes

No Fórum Municipal Romeu Correia (Praça da Liberdade, Almada), Sala Pablo Neruda, 2-16.Dezembro.2017

Comemoração dos 70 anos da publicação do aclamado romance Chiquinho, de Baltasar Lopes, com uma visita a dezenas de trabalhos de autores ligados à revista "Claridade" (nove números, entre 1936 e 1960) e até um encontro com a obra que trouxe à literatura cabo-verdiana nova maneira de sentir e de ver o mundo, O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, de Germano Almeida, a mais internacional de todas. Supostamente pela primeira vez em exposição, 11 edições diferentes de Chiquinho, incluindo a brasileira e a catalã.

Chiquinho foi publicado por Edições Claridade, em Outubro de 1947, na Tipografia Cardoso, Calçada do Forte (a Santa Apolónia), 10 - 1.º, Lisboa, numa tiragem de 2000 exemplares. Em bom estado de conservação, um deles pode hoje atingir o preço de 200 euros.

A "Comemoração dos 70 Anos do Chiquinho de Baltasar Lopes" é uma organização de três portugueses amigos de Cabo Verde, os professores Joaquim Saial e Dina Dourado e o poeta Fernando Fitas, em colaboração com a Câmara Municipal de Almada e a Embaixada de Cabo Verde em Lisboa.

2.Dezembro (15h00)
   Inauguração de exposição bibliográfica de 40 livros de autores "claridosos" 
   (ficará patente até dia 16, data de encerramento da comemoração)
   Momento musical, com executantes cabo-verdianos
   Palestras
Prof. Alberto Carvalho - O escritor Baltasar Lopes e Chiquinho
Prof. Glória de Brito - O escritor Teixeira de Sousa

16.Dezembro (16h00)
   Palestras
Prof. João Lopes Filho - Aspectos da poesia de Jorge Barbosa
Prof. Joaquim Saial - O conto O Galo Cantou na Baía, do escritor Manuel Lopes, seguido de Arte nas capas de livros cabo-verdianos clássicos
Prof. Dina Dourado - O humor, em O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, de Germano Almeida

sábado, 18 de novembro de 2017

[3241] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 9 (ver oito posts anteriores)

Com este post, Praia de Bote conclui a divulgação das nove capas e índices da revista "Claridade" (Mindelo, São Vicente de Cabo Verde - 1936-1960). Fica assim aberto ao público o presente acervo, facilitador para quem estuda estes assuntos e que, ao que supomos, não existe noutro local da internet. 

N.º 9, Dezembro.1960
Propriedade do Grupo "Claridade"; Director: João Lopes; Editor: Joaquim Tolentino (com a habilitação legal) - Administração em S. Vicente de Cabo Verde; Composto e Impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda. - S. Vicente, Rua Brites de Almeida, n.º 12 [sem indicação de preço, agora com 84 páginas, o maior número de sempre]

Textos e colaborações:

- Capa: Carregadeiras, linóleo, de Abílio Duarte [Neste derradeiro número de "Claridade", pela primeira vez surgem ilustrações: esta e uma outra, de Rogério Leitão, na página 70]
- Páginas 2 a 5: História do Tempo Antigo, de António Aurélio Gonçalves
- Páginas 5 a 10: Beira do Cais, de Virgínio Melo [trata-se de  Teobaldo Virgínio, que editará este conto em livro do mesmo nome, juntamente com "Ondê Menina, Ondê Vaidade" e "Colóquios de Aldeia" num livrinho da Colecção Imbondeiro, Publicações Imbondeiro, Sá da Bandeira, Angola, em Março de 1963. Curiosamente, é o último livro que entrou na nossa biblioteca cabo-verdiana, há três dias, apenas]
- Páginas 10 a 12: Titina, de Virgílio Pires
- Páginas 12 a 15: Noite, de Viirgílio Pires
- Páginas 15 a 23: Cantigas de Ana Procópio, de Félix Monteiro 
- Página 24: Girasol [poema], de Corsino Fortes
- Página 25: Vendeta [poema], de Corsino Fortes
- Página 26: Pecado Original [poema], de Corsino Fortes
- Página 27: Meio-Dia [poema], de Corsino Fortes
- Página 28: Paixão [poema], de Corsino Fortes
- Páginas 29 e 30: Noite de S. Silvestre [poema], de Corsino Fortes
- Páginas 31 a 33: Roteiro da Rua de Lisboa. Poema n.º 4. Nocturno, de Jorge Barbosa
- Página 34: In Memoriam de Belarmino de Nhô Talef [poema], de Ovídio Martins
- Página 35: Desesperança [poema], de Ovídio Martins
- Páginas 36 e 37: Historieta [poema], de Francisco Mascarenhas
- Páginas 37 e 38: Desencontro [poema], de Virgínio Melo [Teobaldo Virgínio, como vimos]
- Páginas 38 e 39: Vinte e Quatro Horas [poema], de Virgínio Melo
- Página 39: Roteiro [poema], de Virgínio Melo
- Página 40: Agora e Eu [poema], de Virgínio Melo
- Página 41: Testamento Para o Dia Claro [poema], de Arnaldo França
- Página 42: Soneto [poema], de Arnaldo França
- Páginas 43 a 50: A Família de Aniceto Brasão, de Henrique Teixeira de Sousa
- Páginas 51 a 57: O Resgate, de Francisco Lopes
- Páginas 58 a 60: Pedacinho, de Baltasar Lopes
- Páginas 60 a 63: Egídio e Job, de Baltasar Lopes
- Páginas 64 a 69: A Originalidade Humana de Cabo Verde, de Pedro de Sousa Lobo
- Página 70: Linóleo de Rogério Leitão [mulher a pilar o milho]
- Páginas 71 e 72: Cutchidêra lá di Fora [poema em crioulo], de Jorge Pedro
- Páginas 72 a 74: Nha Tabaquêro [poema em crioulo], de Jorge Pedro
- Páginas 75 e 76: Texto português dos dois poemas de Jorge Pedro
- Página 77: Fonte de nha Sodade [poema em crioulo], de Sérgio Frusoni
- Páginas 77 e 78: Tempo Feliz [poema em crioulo], de Sérgio Frusoni
- Páginas 79 e 80: Texto português dos dois poemas de Sérgio Frusoni
- Páginas 81e 82: Texto anónimo de antecipação sobre este colóquio inserido no programa do V Centenário do Descobrimento de Cabo Verde
- Página 83: Registo. Tal como fizemos para o número anterior de "Claridade", divulgamos este texto anónimo na íntegra:

A actividade literária cabo-verdiana "soluçou" (como se diz saborosamente na linguagem da gente marítima das Ilhas) com a publicação de alguns livros. Ultimamente, a antologia de ficção, o romance de Manuel Lopes Os Flagelados do Vento Leste e o volume de poemas de Nuno Miranda Cais de Ver Partir. Ao que parece, a coisa está agora com cariz de dar obra viável. Diga-se de passagem: nem todos podem compreender os heroísmos que se escondem debaixo de cada página que publicamos. Se já na própria Metrópole isto é assim, que admira que nestas ilhas esparsas, e esparsas não espiritualmente mas pelas suas delongas de comunicação e pelas suas indigências de fontes e estimulações de cultura viva, sejamos tão pouco férteis. Saudems nos dois livros indicados acima mais uma prova da nossa vitalidade, da nossa resistência moral. Devemos ser gente feita de "casco americano".
Cada um à sua maneira lá vai dando a sua contribuição. A de Manuel Lopes e de Nuno Miranda é de grande valia.

- Página 84: Túnica [poema],de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lops]

NOTAS do Pd'B: 
Tal como no número anterior no término da capa, a indicação (não periódica) desapareceu [nos n.ºs 1 e 2 também não existia].
Também como no número 7, neste, a frase VISADO PELA CENSURA em letras minúsculas [quando dizemos minúsculas queremos dizer muito pequenas, quase ilegíveis], ao contrário do que era habitual.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

[3240] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 8 (ver sete posts anteriores)

N.º 8, Maio.1958
Propriedade do Grupo "Claridade"; Director: João Lopes; Editor: Joaquim Tolentino (também com a habilitação legal, sucede a Nuno Miranda) - Administração em S. Vicente de Cabo Verde; Composto e Impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda. - S. Vicente, Rua Brites de Almeida, n.º 12 [e já não na Rua de Santo António] [sem indicação de preço, agora com 76 páginas, o maior número até aqui]

Textos e colaborações:

- Capa: Saudade do Rio de Janeiro, de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Páginas 2 a 8: Sobrados, Lojas & Funcos, Contribuição para o Estudo da Evolução Social da Ilha do Fogo, de Henrique Teixeira de Sousa
- Páginas 9 a 22: Bandeiras da Ilha do Fogo. O senhor e o Escravo Divertem-se, de Félix Monteiro
- Páginas 23 a 25: Crianças [poema dedicado a Arnaldo França], de Jorge Barbosa
- Página 26: Palavra Profundamente [poema], de Jorge Barbosa
- Páginas 27 e 28: Paz [poema], de Arnaldo França
- Páginas 28 e 29: Não me Aprisionem os Gestos [poema], de Ovídio Martins
- Página 29: Ignoto Deo [poema], de Ovídio Martins
- Página 30: Porquê? [poema], de Ovídio Martins
- Páginas 30 e 31: Herança [poema], de Aguinaldo Brito Fnseca
- Página 31: Estiagem [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Página 32: Presença do Amigo Morto. Encontraram-no morto, dependurado de uma trave, na Matiota [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Página 32: Impermeabilidade [poema], de Terêncio Anahory
- Página 33: Viagem e Depois da Chuva [poemas], de Terêncio Anahory
- Páginas 34 a 39: Romanceiro de S. Tomé [conjunto de oito poemas dedicado a Nicolau], de Osvaldo Alcântara
- Páginas 40 a 54: Noite de Vento, de António Auréllio Gonçalves
- Páginas 55 a 59: A Herança, de Virgílio Avelino Pires
- Páginas 60 a 65: Balanguinho, de Baltasar Lopes
- Página 66: Apontamento [texto anónimo sobre os poemas seguintes, de Jorge Pedro (filho de Jorge Barbosa) e Onésimo Silveira, em crioulo]
- Página 67: Djom Pó-di-Pilom [poema], de Jorge Pedro
- Páginas 68 e 69: Mudjer di Hoji [poema], de Jorge Pedro
- Página 70: Saga [poema], de Onésimo Silveira
- Páginas 71 a 73: Tradução literal das duas poesias de Jorge Pedro
- Páginas 74 e 75: Texto anónimo e sem título, com considerações sobre folclore e sua recolha
- Página 76: Texto anónimo e sem título que, pelo seu interesse, reproduzimos na íntegra:

Depois de uma longa interrupção, reaparece CLARIDADE. Quem conheça o nosso meio não estranhará que uma revista desta natureza não tenha a periodicidade e a regularidade de publicação que todos nós do grupo que a fundou desejaríamos. Quartel de poucos oficiais, e esses poucos espalhados pelos quatro cantos do mundo, com as limitações impostas pela pequenez do meio e pelas necessidades do ganho do pão de cada dia, não é com pequeno esforço que temos conseguido organizar e publicar os oito números já editados. Mas agora contamos com elementos novos, saídos do liceu, que se vêm juntar à turma da primeira hora: o ficcionista Virgílio Pires, o Terêncio Anahory, o Jorge Pedro, o Ovídio Martins, o Onésimo Silveira, o Gabriel Mariano, de quem, infelizmente não podemos inserir a colaboração neste número. De entre os pioneiros, há um ausente por razões especiais: Manuel Lopes, que há alguns anos publicou um ensaio interessante sobre o problema da cultura nos meios pequenos. É nosso propósito e nossa espeança amiudar a publicação de CLARIDADE.

NOTAS do Pd'B: 
No término da capa, a indicação (não periódica) desapareceu [nos n.ºs 1 e 2 também não existia].
Neste número, a frase VISADO PELA CENSURA surge de novo, mas em letras minúsculas [quando dizemos minúsculas queremos dizer muito pequenas, quase ilegíveis], ao contrário do que era habitual.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

[3239] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 7 (ver seis posts anteriores)

N.º 7, Dezembro.1949
Propriedade do Grupo "Claridade"; Director: João Lopes; Editor: Nuno Miranda (com a habilitação legal) - Administração em S. Vicente de Cabo Verde; Composto e Impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda. - S. Vicente, Rua de Santo António [sem indicação de preço, agora com 52 páginas, o maior número até aqui]

Textos e colaborações:

- Capa: Vozes, de Manuel Lopes [poema do seu recente livro Poemas de Quem Ficou]
- Páginas 2 a 16: As Férias do Eduardinho, de Manuel Lopes
- Página 17: Era Necessário que Todos Vissem e Brancaflor [poemas - o segundo continua na página 18], de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Página 18: continuação de Brancaflor e Nasceu um Poema [de Osvaldo Alcântara]
- Páginas 19 a 26: Tabanca [continuação de Claridade n.º 6], de Félix Monteiro
- Página 27: Momento [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca [continua na página seguinte]
- Página 28: continuação de Momento e Poeta do Povo [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Página 29: Perdida [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Páginas 30 a 32: Dois Contos Populares da Ilha de Santo Antão (A Doutrina e O Cavaleiro e o Pão Quente e mais algumas indicações sobre estes dis contos e sobre Lúcio-e-Fé, publicado no n.º 4 de Claridade), de Baltasar Lopes
- Página 32: Dinhêro d'ês Mundo [poma em crioulo], de Gabriel Mariano
- Página 33: Caco-Leco [poema em crioulo], de Mário Macedo Barbosa
- Páginas 34 a 39: Quatro finações e um Batuque da Ilha de S. Tiago [em crioulo, recolha de Baltasar Lopes e tradução de crioulo para português]
- Página 40: Voz Íntima [poema], de Jorge Barbosa
- Página 41: Serenata [poema], de Jorge Barbosa [continua na página 42]
- Página 42: continução de Serenata e Luar [poema], de Jorge Barbosa
- Páginas 43 a 51: O Folclore Poético da Ilha de Santiago, de Baltasr Lopes
- Página 52: Professor Artur Ramos [nota anónima sobre a morte do médico brasileiro Artur Ramos, investigador de folclore, etnografia e antropologia] e Poemas de Quem Ficou [nota anónima sobre a publicação recente deste livro de Manuel Lopes]

NOTAS do Pd'B: 
No término da capa, a indicação (não periódica).
Neste número não surge a repelente frase VISADO PELA CENSURA.


terça-feira, 14 de novembro de 2017

[3238] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 6 (ver cinco posts anteriores)

N.º 6, Julho.1948
Propriedade do Grupo "Claridade"; Director: João Lopes; Editor: Nuno Miranda (com a habilitação legal) - Administração em S. Vicente de Cabo Verde; Composto e Impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda. - S. Vicente, Rua de Santo António [sem indicação de preço, agora com 42 páginas]

Textos e colaborações:

- Capa: Poema do Rapaz Torpedeado, de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Páginas 2 a 8: Dona Mana, de Baltasar Lopes
- Páginas 8 e 9: Dia [poema], de Jorge Barbosa
- Páginas 9 e 10: Emigrante [poema], de Jorge Barbosa
- Paginas 10 e 11: Banquete [poema], de Jorge Barbosa
- Páginas 11 e 12: Sensibilidade [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Páginas 12 e 13: Esperança [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Páginas 14 a 18: Tabanca, de Félix Monteiro
- Páginas 18 a 21: Quatro Poemas do Ciclo da Vizinha (Canção da Minha Rua, Aqui d'El-Rei, Tónico da Ronda Infantil e A Serenata), de Osvaldo Alcântara
- Paginas 22 a 34: Recaída [em continuação do n.º 5 de Claridade], de António Aurélio Gonçalves
- Página 35: Galo Bedjo, Bida'l Pobre e Casamento [pomas em crioulo], de Gabriel Mariano
- Página 36: Finaçom [batuques da ilha de Santiago]
- Páginas 36 e 37: Tradução dos poemas das pp. 35 e 36 de crioulo para português e algumas explicações sobre os mesmos, por B. L. [Baltasar Lopes]
- Páginas 38 e 39: Mala Grande, de Manuel Serra
- Páginas 39 e 40: Arquivos da Escravidão [sem indicação de autoria, talvez B. L. ou M. L., embora seja quase certo que ela é conhecida... mas não por nós]
- Página 41: História Bíblica dos Homens [poema], de Aguinaldo Fonseca
- Página 42: Abandono [poema], de Pedro Corsino de Azevedo

NOTAS do Pd'B: 
No término da capa, a indicação (não periódica).
No término da página 44, lê-se a frase VISADO PELA CENSURA.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

[3237] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 5 (ver quatro posts anteriores)

N.º 5, Setembro.1947
Propriedade do Grupo "Claridade"; Director: João Lopes; Editor: Nuno Miranda (com a habilitação legal) - Administração em S. Vicente de Cabo Verde; Composto e Impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda. - S. Vicente, Rua de Santo António [sem indicação de preço, agora com 44 páginas, o mais extenso até aí, e "mudado" para a característica Rua de Matijim...]

Textos e colaborações:

- Capa (de 1 a 10): Uma Experiência Românica nos Trópicos, de Baltasar Lopes [continuação do n.º 4]
- Página 11: Pura Saudade da Poesia, de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Página 12: Deslumbramento e Ignoto Deo [poemas], de Osvaldo Alcântara
- Página 13: Rapsódia da Ponta-da-Praia, de Osvaldo Alcântara
- Página 14: Não era para Mim [poema], de Jorge Barbosa
- Página 15: Conquista e Liberdade [poemas], de Pedro Corsino Azevedo
- Página 16: Luz e Renascença [poemas], de Pedro Corsino Azevedo
- Página 17: Metamorfose [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Página 18: Oportunidade Perdida [poema], de Aguinaldo Brito Fonseca
- Página 19 a 31: Recaída I, António Aurélio Gonçalves [com indicação continua]
- Página 31: Noctívago [poema], de Nuno Miranda
- Página 32: Poema para tu Decorares, de Tomás Martins
- Página 33: A Conquista da Poesia [poema], de Arnaldo França
- Páginas 34 a 41: Interpretações. "Clarissa" e a arte de Erico Veríssimo (Das notas para um estudo sobre a obra do romancista), de António Aurélio Gonçalves [capítulo II, continuação do número anterior e com indicação de continua]
- Páginas 42 a 44: A Estrutura Social da Ilha do Fogo em 1940, de Henrique Teixeira de Sousa
- Página 44: Nocturno [poema], de Nuno Miranda

NOTAS do Pd'B: 
No término da capa, a indicação (não periódica).
No término da página 44, lê-se a frase VISADO PELA CENSURA.


domingo, 12 de novembro de 2017

[3236] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 4 (ver três posts anteriores)

N.º 4, Janeiro.1947 (dez anos depois do n.º 3)
Propriedade do Grupo "Claridade"; Director: João Lopes; Editor: Nuno Miranda (com a habilitação legal) - Administração em S. Vicente de Cabo Verde; Composto e Impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda. - S. Vicente, Avenida Governador Guedes Vaz [sem indicação de preço e agora com 40 páginas]

Textos e colaborações:

- Capa: Música [poema], de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Páginas 2 a 11: O Jamaica Zarpou (com indicação "Do romance Terra Viva"), de Manuel Lopes
- Página 12: Terra-Longe [poema], de Pedro Corsino Azevedo
- Página 13: Poeta foi para a Terra-Longe [texto em honra do falecido Pedro Corsino], assinado por B. L. [Baltasar Lopes]
- Página 14: Consummatum, de Manuel Lopes
- Páginas 15 a 22: Um Experiência Românica nos Trópicos, de Baltasar Lopes
- Página 23: Há um Homem Estranho na Multidão [poema], de Osvaldo Alcântara
- Página 24: Faminto [poema], de Osvaldo Alcântara e Poema de Amor, de Arnaldo França
- Página 25: Carta para Manuel Bandeira [poema], de Jorge Barbosa
- Páginas 26 a 36: Interpretações. "Clarissa" e a arte de Erico Veríssimo (Das notas para um estudo sobre a obra do romancista), de António Aurélio Gonçalves [com indicação de continua]
- Página 37: Poema para tu Decorares, dedicado a Hortênsia, de Tomaz Martins
- Página 38: Escritório [poema], de Nuno Miranda
- Página 39: Simplicidade [poema], de Jorge Barbosa
- Página 40: Lúcio - e - Fé (conto popular da ilha de Santo Antão, recolhido por Baltasar Lopes)

NOTAS do Pd'B: 
No término da capa, a indicação (não periódica).
No término da página 44, lê-se a frase VISADO PELA CENSURA.


sábado, 11 de novembro de 2017

[3235] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 3 (ver dois posts anteriores)

N.º 3, Março.1937
Propriedade do Grupo "Claridade". Director: João Lopes. Administração em São Vicente, Cabo Verde. Composto e impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda., São Vicente, Rua Infante D. Henrique. Preço: 2$00. 10 páginas.

Textos e colaborações:

- Capa: Poema de quem ficou, de Manuel Lopes
- Páginas 2, 3 e 7: Infância, excerto do romance "Chiquinho", de Baltazar Lopes
- Página 4: O Sentido Heróico do Mar, de Artur Augusto
- Página 5: Poema, de Jorge Barbosa
- Página 6: Apontamento, de João Lopes
- Página 8: poema Nocturno, de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Páginas 9 e 10: Tomadas de Vista, de Manuel Lopes

NOTAS do Pd'B: 

Manuel Lopes deixou de ser director da revista, substituído até ao n.º 9 (e derradeiro da publicação) por João Lopes

No final da página 10 há um caixa de texto, onde se diz: 
Periódicos recebidos: HUMANIDADE (quinzenário de defesa e propaganda do Ultramar Português), Lisboa, n.ºs 12-20; PORTUCALE (revista Ilustrada de Cultura Literária e Científica), Porto, n.ºs 49-50;  MUNDO PORTUGUÊS (revista de Cultura e Propaganda de Arte e Literatura Coloniais), Lisboa, n.ºs 30-37; COMÉRCIO DA BEIRA (semanário noticioso e literário), Beira, n.ºs 13/146 - 341/164.

E mesmo no término da página 10, a frase VISADO PELA CENSURA.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

[3234] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 2 (ver post anterior)

N.º 2, Agosto.1936
Propriedade do Grupo "Claridade". Director: Manuel Lopes. Administração em São Vicente, Cabo Verde. Composto e impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda., São Vicente, Rua Infante D. Henrique. Preço: 2$00. 10 páginas.

Textos e colaborações:

- Capa: Venus [sic], morna de Xavier da Cruz [B. Léza]
- Páginas 2, 3 e 9: Um galo que cantou na Baía [sic], excerto de conto inédito de Manuel Lopes
- Página 4: Palavras sôbre [sic] Cabo Verde para serem lidas no Brasil, de Osório de Oliveira
- Páginas 5 e 10: Notas para  estudo da linguagem das ilhas, de Baltazar Lopes
- Página 6: Poemas - Vertigem, de Jorge Barbosa e Presença (continua na pág. 7), de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Página 7: continuação do poema Presença, de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes] e Mamãi [sic], do mesmo autor
- Páginas 8, 9 e 10: O Lobo e o Chibinho (conto popular de S. Nicolau), de Manuel Lopes

NOTAS do Pd'B: 
No final da página 4 há duas caixas de texto: 
Na da esquerda, diz-se: No próximo número publicaremos O SENTIDO HERÓICO DO MAR, ensaio de Artur Augusto.
Na da direita: Recebemos: LITORAL - poemas de João Cabral do Nascimento + CANÇÕES E OUTROS POEMAS - primeiro volume - de António Pedro. Oportunamente faremos referêncis críticas + PRESENÇA (folha de arte e crítica), números de Julho + PENSAMENTO (revista de cultura), números 73 e 74 + O MUNDO PORTUGUÊS (revista de cultura e de propaganda de arte e literatura coloniais), número 20 + HUMANIDADE (quinzenário de defesa e propaganda do ultramar português), números 10 e 11.

No final da página 9 pode ler-se, em maiúsculas: VISADO PELA CENSURA.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

[3233] "Claridade", a mítica revista de Artes e Letras nascida em São Vicente de Cabo Verde em Março de 1936, agora em capas e índices no Pd'B: n.º 1

N.º 1, Março.1936
Propriedade do Grupo "Claridade". Director: Manuel Lopes. Administração em São Vicente, Cabo Verde. Composto e impresso na Sociedade de Tipografia e Publicidade, Lda., São Vicente, Rua Infante D. Henrique. Preço: 2$00. 10 páginas.

Textos e colaborações:

- Capa: Lantuna & 2 motivos de "finaçom" (batuques da ilha de Santiago)
- Páginas 2, 3 e 7: Bibia, excerto do romance inédito "Chiquinho" de Baltazar [sic] Lopes
- Páginas 4 e 7: poema Écran (dedicado a Osório de Oliveira), de Manuel Lopes
- Páginas 5 e 6: Tomada de vista, de Manuel Lopes
- Página 6: 2 poemas [é este o título], de Pedro Corsino Azevedo
- Página 8: poema Almanjarra, de Osvaldo Alcântara [Baltasar Lopes]
- Página 9: Apontamento, de João Lopes
Na página 9 anuncia-se a publicação por Claridade de "Arquipélago", poemas de Jorge Barbosa, e em "próxima edição" "Partir", poemas de Manuel Lopes
- Página 10: Poema [é este o título], de Jorge Barbosa

NOTA do Pd'B: Aparentemente, este número não passou pela censura. Pelo menos, não apresenta essa indicação escrita, como acontecerá logo com o seguinte, de Agosto do mesmo ano. De qualquer modo, só em Novembro de 1936 entra em vigor o Regulamento dos Serviços de Censura.  No entanto, é de lembrar o decreto-lei 22469, de 11 de Abril de 1933 que reforçara a censura prévia.

domingo, 5 de novembro de 2017

[3232] Significado da mostra bibliográfica a ver entre 2 e 16 de Dezembro no Fórum Municipal Romeu Correia em Almada, Portugal (ver posts anteriores)

As obras presentes nesta exposição constituem sinal da notável produção literária da geração de escritores que colaboraram na revista "Claridade", editada na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde (9 números, 1936-1966). 

Primeiros excertos do romance "Chiquinho" de Baltasar Lopes, este ano em 70.º aniversário, foram precisamente publicados nos volumes 1 e 3 da mesma, cerca de uma década antes de o livro ser dado à estampa, em Lisboa. Manuel Lopes, António Aurélio Gonçalves, Jorge Barbosa, Henrique Teixeira de Sousa, João Lopes, Nuno de Miranda, Aguinaldo Fonseca, Jorge Pedro, Onésimo Silveira e Corsino Fortes são alguns dos nomes mais representativos publicados pela revista. Manuel Ferreira surge pelo convívio que teve com os "claridosos" e pela sua ficção de temática próxima.

Por limitações de espaço expositivo, houve que fazer uma selecção de apenas sete autores e 40 livros (e, de vários deles, suas subsequentes edições) que, pela primeira vez em Almada, oferecem uma ideia bastante clara da literatura cabo-verdiana que entronca, em nomes e ideia, na celebrada revista das ilhas verdianas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

[3229] Nos próximos tempos...

[3228] Intervenção do jornalista, radialista, poeta e escritor, amigo de Cabo Verde e sobretudo de Ribeira Grande de Santiago, Nuno Rebocho, na hora da despedida

Texto proferido por Nuno Rebocho a 28 de Outubro, no VII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa na Praia, à beira da partida definitiva de Cabo Verde (e da Cidade Velha), país a que deu notável contributo, felizmente já a ser reconhecido. Excepção (mais que justa) à regra de não publicarmos textos de quem não comenta com regularidade os posts do Pd'B.


Quando o meu amigo Tober me meteu na encrenca de falar neste Encontro promovido pela UCCLA, fiquei sem jeito. Pior ainda quando me pediu para lhe propor um tema. Apesar do meu passado de radialista, não gosto de me dirigir a um público. Sempre disso me acanhei desde que, há mais de 50 anos, Manuel da Fonseca me colocou na enrascada de perorar no Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira. Decididamente, fiquei lixado e lixado fico em situações como estas. Ao público que me assiste, peço desculpa pelas minhas atuais dificuldades de me expressar.

Não me considerando propriamente um escritor – mas mais um escrevente, ou se o quiserem, um escriba – senti-me a vestir uma farda que não é minha. Atendendo, porém, que nesta sala estão pessoas que fazem o favor de ser minhas amigas, transformei as tripas em coração e atrevi-me à faladura, de imediato me lembrando da pergunta que qualquer aprendiz de jornalista usa fazer quando, em períodos de estágio, interpela um profissional da escrita: por favor, diga-me lá o que o trouxe a esta função? Porque e quando começou a escrever?

Digamos que esta é uma questão que a mim mesmo bastamente me ponho. Porque escrevo? Por modos de quê, usando daquela expressão de bom português que evoluiu para o crioulo – pamodi? Porque sinto necessidade de relatar a outros o de que sou testemunha, o que sinto, o que penso, o que interpreto? Ou seja: porque sinto necessidade de comunicar a outrem situações que comigo se passam? Este facto relaciona de perto a função de repórter ao mister de escritor. Com efeito, não será por acaso que muitos dos nomes da escrita começaram precisamente por se dedicar à função jornalística: entre muitos outros, citar-vos-ia os exemplos de John Kerouac ou de Ernest Hemingway, para não vos referir o dos meus amigos cabo-verdianos Arménio Vieira, Danny Spínola ou Daniel Medina.

A propósito, lembrarei acesa discussão que, na cidade da Praia, tive certa noite com dois insignes cultores das letras (cujos nomes, por respeito, não apontarei) sobre a obra da Germano de Almeida. Contestavam eles que Germano fosse “escritor”, designando-o antes por “contador de histórias”, ao que eu contrapunha – “mas o que é um escritor senão um contador de histórias?”. De histórias que ele soube, ouviu ou imaginou? Que no sigilo do seu escritório de advogado, no Mindelo, Germano de Almeida escutou? Claro que Germano de Almeida, ao rotular-se a si mesmo de “contador de histórias”, legitima que alguns se recusem a considerá-lo escritor – o que, efetivamente é – e prefiram dar-lhe designações que, com outras palavras, quererão dizer o mesmo.

No meu caso pessoal, em que apenas sou autor de um romance publicado, “A Segunda Vida de Djon de Nha Bia”, pesou o que pude ver numa deslocação à ilha de Santo Antão - cruzado com a visão nessa viagem de possíveis protagonistas da história que os acontecimentos de Cabo Verde (e os incidentes do novo acordo ortográfico) me sugeriam, bem como com as oportunidades que resultavam de, na ocasião, estar por responsável da redação de um jornal editado na Praia e nele precisar de ocupar espaço disponível. Tudo isso esteve na origem de que tal romance fosse desbobinado.

Dir-se-á que há romances ou livros sem história narrada. E excelentes textos – abundam por aí os nouveaux romans em que a narrativa é desprezada. E mesmo recordarei aqui a excelente obra de Jorge Carlos Fonseca recentemente editada (“O Albergue Espanhol”) na qual o enredo é pretexto mais que secundário: um poema que quis ser romance e acabou por ser prosa poética. Estes casos, porém, não subvertem que a função de escrever decorra da necessidade de transmitir a outrem quanto o escritor recolhe do mundo que o rodeia.

Na crónica, a necessidade que impende sobre quem escreve fica, no entanto, mais óbvia. Estão neste Encontro nomes que se vêm distinguindo neste género de escrita e que sobre ela poderão falar melhor do que quem, como eu, apenas tenha dois livros de crónicas publicados. Quanto à poesia, se o que se vê é em parte determinante (e a minha poesia tem muito de visual), sobrepesa a transmissão dos sentimentos, das emoções que se querem transmitir a outros.

Como quer que seja, o ato de escrever, a função de escrever, surge como um ato de comunicação, burilado por quanto se recebe dos mestres que cada um encontrou na sua formação (no meu caso, foram excelentes mestres – os nomes falam por si: Cansado Gonçalves, Cardigos dos Reis, Mário Dionísio, Vergílio Ferreira ou Bénard da Costa, entre outros) - e do que os amigos e companheiros de estrada que o acaso nos proporcionou, ou trabalhado pelo que nos passa pelas mãos e é recolhido nos escaparates, nas bibliotecas, ou que as oportunidades nos oferecem.

A interrogação que, tantas vezes, ponho a mim próprio – porque ocupo parte dos meus dias no exercício da escrita? – começa a ser de alguma forma respondida. Acrescento: a circunstância de ter sido um profissional da informação (nos jornais e na radiodifusão) me empurrou para que não me circunscrevesse à obrigação profissional de preencher laudas e laudas destinadas a leitores e/ou ouvintes. A outra escrita foi complementar dessa atividade, procurou ultrapassar a curta vida da notícia e ganhar expressão na literatura. Animador cultural e literato foram, assim, tentativas para procurar sobreviver ao efémero da comunicação das notícias.

Neste desejo de me projetar para lá do limitado espaço da Informação, já começo a encontrar outra resposta às interrogações que normalmente se colocam a quem escreve, independentemente da qualidade do seu escrito: afinal, para que se escreve? Qual o objetivo? Pa kuzé?, se pergunta em bom crioulo. Em termos simples: o ato de escrever representa uma tentativa para superar a brevidade do escritor. Dizemo-lo sem recorrer às habituais citações que costumam enfeitar as intervenções e que, no dizer de um amigo meu com quem muito me aconselho e repeti ao falecido meu amigo Eduardo do Prado Coelho, por norma traduzem que muito se lê e pouco é o que sobre o que se lê se matuta. Dispensarei esse recurso até porque, mesmo que o quisesse, nas atuais condições, me é impossível a ele me socorrer.

Ou seja, resumindo: quem escreve fá-lo para se projetar, isto é, usando de um linguajar simplista, para fazer figura. O escriba que sou aqui o reconhece e confessa.

Recordo os anos de 60 e 70, quando inchava o peito se os meus textos apareciam publicados nalgum jornal ou revista. Metia a publicação debaixo do braço e pavoneava-me com ela. Exibia-me. O texto publicado aparentemente me dava outra dimensão daquela que, depois, percebi que realmente eu tinha. A meu modo, imitava o que, mais tarde, justamente condenei: que, com o seu exibicionismo, alguns se fizessem “cabides ambulantes”. Enfim, destas águas quase todos bebem um pouco. Estou certo: não fui, não sou exceção.

A consciência do valor do texto elaborado, da mensagem transmitida, justifica que se dê dimensão ao que se escreve, que se encaminhe para o público aquilo que se produz. Ao fim e ao cabo, a comunicação deverá chegar a destinatários. Quem escreve, fá-lo para os outros. Pelo menos, é o que tantas vezes se afirma. Será verdade? Tenho dúvidas!

Com este círculo quase perfeito, vender-se-ia - a quem me escutasse com atenção - uma excelente fábula. Se correspondesse à verdade, se tivesse fundamento, ficaria bem na fotografia. Melhor dito – ficaríamos todos bem numa fotografia de família. Contudo, todos o sabemos, tal não corresponde à verdade.

Infelizmente (ou felizmente), o escritor é um bicho solitário e fortemente individualista. No ato e no momento de escrever, está por norma ensimesmado. Difere por certo a forma como o faz. Mas regra é esta – por norma, o escritor fica isolado consigo mesmo. Escreve, debatendo-se com o seu pensamento. É um combate feroz, violento, por vezes mesmo doloroso. E em conflito com seus confrades, procurando a afirmação da sua individualidade. Escreve para si – é isso. O universo dos outros é algo que se desenha depois, quando passa à fase da edição e a tiragem começa a preocupá-lo. 

Por regra, o escritor é um narcisista. A ideia de que são os outros que diretamente o motivam (sabemo-lo) não passa de uma balela. Por mim falo, apesar de, como vos disse, não me considerar escritor. 

Recusando a fórmula sugerida pelas conveniências e usando a sinceridade máxima, verifico que as perguntas, as três perguntas fundamentais que me trouxeram aqui, continuam a requerer respostas. Porquê? Para quê? Por quem? Nunca encontrei respostas satisfatórias. Provavelmente, precisaria de outros 70 anos de vida para achar respostas às três perguntas aparentemente simples. Aparentemente simples. 

Em conclusão: não tenho respostas a propor-vos. Sei que escrever é difícil. Usando a palavra que me salta da boca: escrever é mesmo lixado.

[3227] O que o oceano que banha Cabo Verde esconde...

Ver AQUI
Assunto já muito tratado no Praia de Bote: assinala-se centenário do torpedeamento de dois navios brasileiros no Porto Grande por um submarino alemão







domingo, 29 de outubro de 2017

[3226] Resultado do 1.º concurso da 2.ª série do Pd'B que terminou sem vencedor (post 3223)

O Concurso: Ver AQUI

A resposta ao concurso era relativamente fácil, pela palavra inicial que se podia ver e pelo grande espaço anterior ao "Ld.ª" (que inevitavelmente levaria mais que uma palavra). Pois era a EMPRESA DE CONSERVAS ULTRA, Ld.ª, da Boavista. A empresa tinha fábricas em Sal-Rei (Boavista) e no Tarrafal (Santiago) e era associada da Atlântida da Praia (Santiago). Teve sede na Rua da Madalena, 119 - 1.º, Lisboa, como se pode ver no envelope, mas também na Travessa do Almada, 20 - 2.º Dt.º. Terminou ingloriamente em anos recentes mas para além de ter ficado na memória das gentes de Cabo Verde repousa nos livros de Germano Almeida "Estórias Contadas" (texto "Uma Forma de Identidade Africana") e "A Ilha Fantástica" (pelo menos nestes dois, que nos lembremos). Reproduzimos um documento de 1955 (Génova, Itália), exemplificativo da dinâmica internacional desta fábrica conserveira. Mais uma vez, um agradecimento ao infatigável Adriano Lima pela participação. Ao contrário dele, havia 4.187.635 pessoas que sabiam a resposta mas não participaram...

[3225] O Presidente Jorge Carlos Fonseca o diz e Praia de Bote concorda e apoia

Ver AQUI

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

[3224] Bana e coladeiras... enquanto os concorrentes tentam descobrir o nome da empresa do concurso do post anterior

[3223] 1.ª edição da 2.ª série de concursos do Pd'B

Pergunta única: qual a empresa (dissolvida em 2013) que utilizava estes envelopes? Tinha sede na Rua da Madalena, 119, em Lisboa (prédio que vemos abaixo), e mais qualquer coisa no Tarrafal e na Praia. Mas não só... E por aqui nos ficamos. Concurso aberto até às 22h00 de domingo 29.

[3222] A chegada de Corsino Fortes, primeiro embaixador de Cabo Verde, a Lisboa. Era também a primeira embaixada do País no mundo (com som)

Oiça aqui as palavras de um homem sábio
Ver AQUI

[3221] O último 10 de Junho da época colonial no Mindelo

Raras imagens em filme do professor e escritor António Aurélio Gonçalves (Nhô Roque) e de muitas de outras figuras de então da ilha de São Vicente. NOTAS: O filme demora um pouco a surgir. Seja paciente; no final, há uma reportagem sobre um aviário que já não tem nada a ver com ele.
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