sexta-feira, 21 de julho de 2017

[3073] Manuel Ferreira e o "Senhor das Areias"

Um vez por outra, temos falado aqui desse imponente e molengão veleiro chamado "Senhor das Areias", conhecido de todos nós, os que por aparecemos e conversamos no Pd'B. Como amanhã é dia de homenagem a Manuel Ferreira nas Caldas da Rainha, respescámos de "Hora di Bai" um saboroso e elucidativo excerto que fala do dito, a abrir o capítulo 27:


"Aí vai, de novo, o Senhor das Areias.

Reparado, pintadinho, aí vai ele, pesado, tosco, ronceiro mas seguro. Dono de si, dominando com o mesma à-vontade e a mesma tranquilidade as mansas ou revoltas águas do oceano.

Era feio, era antigo, era desajeitado, Construído, no entanto, para suportar o embate de tempestades e a dura aventura de, regularmente, estabelecer o elo social e económico entre as populações solitárias daquelas dez ilhas que nele viam um amigo, um companheiro de esperança. Era inestético, trangalhadanças, ronceiro, mas funcional."

[3072] Chove na cidade da Praia

São 18h44 em Portugal e chove na cidade da Praia, soube agora mesmo o Praia de Bote. Parabéns à capital de Cabo Verde. Esperemos que o ouro pluvial chegue a outras ilhas do País. Porque quando chove a chuva deve ser para todos...

[3071] Coisas do Eduardo...


O Eduardo o pensou, o Eduardo o escreveu ao seu amigo Barata, em postal enviado para a Rua de Sapadores, no bairro da Graça, Lisboa. O Eduardinho não foi muito simpático com a nossa cidade, mas temos de o perdoar, pois estava en passant e sabia lá ele o que era o espírito do Mindelo, ainda e sempre mais bonito que as suas casas e a falta de arvoredo da cidade... Se ele soubesse, ai se ele soubesse, decerto não tinha falado assim da terra do Porto Grande ao amigo Barata... E tudo se passou a 28 de Abril de 1924. Cinquenta anos depois... Entretanto, que terá dito dias depois, ao Barata, sobre Dakar? (colocamos o excerto de postal em duas posições, para os nossos leitores não ficarem com um torcicolo ao lerem a parte cruzada,)


[3070] Mindelense, Travadinha e Tuta Melo entre os condecorados pelo Presidente da República

Ver AQUI

[3069] Leiria e Caldas da Rainha (Portugal): Manuel Ferreira aí está, em (merecidas) comemorações

Ver AQUI

[3068] Estranhas questões de marketing

Ser-se belo é muito complicado. Pode até acontecer que alguém não repare que o belo é belo. Enfim, é esquisito chamar-se a atenção para o belo, como se não se visse que o belo... é belo. Assim, soprem as trombetas, desfraldem-se as bandeiras, marchem as tropas da estética porque o belo até pode ser... bela!!!

[3067] Tartaruga caretta-caretta cabo-verdiana ainda mais protegida

Ver AQUI

sexta-feira, 14 de julho de 2017

[3066] Ver os anteriores dois posts

Mais uma capa, mais uns erros imperdoáveis de falta de cuidado de quem a concretizou. Trata-se de "Corveta" de Djosinha e os dois posts anteriores são duas das peças deste disco. Mas a capa, ou antes a contracapa, é só desgraças: aquele "Coração Volgar", aquele "voçê" e sobretudo aquele "Jaubim" mereciam pancada, ai mereciam, mereciam. Quanto ao resto, bastam as presenças do Djosinha e do Morgadinho para a gente perdoar tamanhos dislates ortográficos... E o ex-dono do disco, o J. M. Paris será o nosso amigo Manuel Paris? (ver debaixo da palavra CORVETA, na capa e na contracapa).


[3065] Morgadinho interpreta "Resposta Di Segredo Cu Mar"

[3064] Djosinha canta "Bangalô de Chocolate" com som "brasileiro"

[3063] Postal raro, do Terreiro de Ribeira Grande de Santo Antão

É postal raro, de facto, pois nas nossas persistentes e já antigas pesquisas de postais ilustrados relativos a Cabo Verde é a primeira vez que damos com ele. E o sítio é nosso conhecido, o Terreiro de Ribeira Grande de Santo Antão (ver AQUI), que também fotografámos, embora não nesta perspectiva. O artista do postalinho deixa-nos ver os degraus do adro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário mas não a dita. Para compensar, aqui fica uma foto nossa da mesma, do ano de 1999.

Quanto à legenda, surge um estranho "gans" que certamente é "dans", mas o nosso vice-cônsul em Tours dirá de sua justiça falante gaulesa. E a que neste postal do princípio do século XX ainda é "villa" claro que que já é cidade há uns anitos...



[3062] Descendentes de cabo-verdianos no Brasil e Argentina visitam as suas origens

[3061] Escola n.º 1 de Porto Mosquito (município de Ribeira Grande de Santiago) recebe obras de reabilitação

Com a presença do Embaixador dos Estados Unidos da América em Cabo Verde, Sr. Donald Hilfin, a Associação Cabo-Verdiana Alumni, celebra amanhã, sábado, 15 de Julho, o aniversário de nascimento do líder sul-africano Nelson Mandela (que se comemora no dia 18), com a cerimónia de restauro da Escola n.º 1 de Porto Mosquito – as obras incluíram trabalhos de limpeza, pintura (incluindo um mural), reabilitação das casas de banho para os alunos e entrega de livros e materiais didáticos para a biblioteca da Escola. A actividade resultante de um desafio feito pela Embaixada dos Estados Unidos (que, por essa razão é o seu principal patrocinador) aos bolseiros do Programa Mandela Washington Fellowship  teve a participação de cerca de 60 voluntários e o apoio da população de Porto Mosquito e da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, além de, entre outros, da Unitel T+, Boavista, CIMPOR, CAVIBEL e Pão Quente Cabo Verde, resultante.

Fotos de Porto Mosquito e do local, antes e durante os trabalhos de reabilitação, ainda sem as limpezas finais.








terça-feira, 11 de julho de 2017

[3060] Para quem puder ir... e estar! Sessões sobre o escritor Manuel Ferreira nas Caldas da Rainha, dia 22 deste mês... que prometem!

Ver também AQUI



[3059] 1939 - A segunda viagem do Presidente Óscar Carmona a África

A reportagem sobre a visita de Óscar Carmona ao Mindelo e à Praia, começa cerca dos 3 minutos. A parte dedicada ao Mindelo é incipiente, curtíssima; a que relata a passagem do PR pela Praia é mais desenvolvida. Pergunta-se (hum!!!), a quem souber: quem é o sport que canta a morna "Barca Sagres", naquela almoçarada? (não se esqueça de ampliar a imagem) Ouça também a versão de Bana AQUI e a dos Apolos AQUI

[3058] Novo livro congrega textos recentes do grupo (na diáspora) de relexão para a descentralização de Cabo Verde

 NA ENCRUZILHADA DA REGIONALIZAÇÃO, RUMO À DESCENTRALIZAÇÃO


Este é o título de uma nova obra do Movimento de Regionalização de Cabo Verde − Grupo de Reflexão da Diáspora.

O livro será apresentado durante o Verão de 2017 em Cabo Verde, a começar por Mindelo (S. Vicente), antes do final do corrente mês de Julho. Se possível, será apresentado nas demais ilhas do arquipélago, e até ao fim do ano em várias comunidades da Diáspora. A ideia é debater com os cidadãos as nossas teses e projectos sobre e para Cabo Verde (Regionalização/ Descentralização/ Autonomias), tendo em vista as melhores soluções para fazer face à situação em que se encontra o nosso país, nomeadamente do ponto de vista da organização político-administrativa e mesmo socioeconómico.

A conjuntura é favorável a este debate, pois será na sequência do poderoso movimento cívico Sokol 2017, nascido em S. Vicente, e que apanhou toda a gente de surpresa, incluindo os regionalistas. O interesse deste movimento é que vem recolocar na agenda pública um conjunto de questões e reivindicações já tratado neste e no anterior livro.

Recorde-se que o Grupo de Reflexão da Diáspora publicou em 2013 a sua primeira obra sobre esta problemática, intitulada “Cabo Verde: Os Caminhos da Regionalização”. Este novo livro dá continuidade à reflexão sobre a temática e aprofunda melhor os conceitos, tendo em conta a evolução de uma opinião pública finalmente desperta para a realidade e que foi particularmente expressiva na manifestação de 5 de Julho.

A agenda, locais e datas, dos lançamentos, em Cabo Verde e na diáspora, serão oportunamente divulgados. De qualquer modo, o ponto de partida será Mindelo.

Data: 27 de Julho, às 18 horas
Local: Universidade do Mindelo 
Seguido de debate/discussão alargado ao público

Para pagamento dos custos de impressão do livro, são praticados os seguintes preços:

Preço (Cabo Verde): 1500$00

Preço (Portugal): 20 euros

Preço (resto do mundo): 25 euros (pelos portes de correio)

Os interessados que residem no "resto do mundo" enviam para o meu e-mail (de José Fortes Lopes) o respectivo endereço postal. 

Por motivos óbvios, Praia de Bote não divulga aqui o endereço electrónico de JFL, coisa que ele poderá fazer, nos comentários, se assim o desejar.

[3057] Praia de Bote, mais uma vez, em cima do acontecimento: discurso de Jorge Santos, hoje, na Assembleia Parlamentar da Francofonia, Luxemburgo

BREVE ALOCUÇÃO DO PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA NACIONAL, JORGE SANTOS, NA SESSÃO PLENÁRIA DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA FRANCOFONIA

Luxemburgo, 11 de Julho de 2017

Senhor Presidente da Câmara dos Deputados do Luxemburgo, Mars de Bartolomeo
Senhora Secretária Geral da Francofonia, Michaëlle Jean
Senhor Presidente da Assembleia Geral da Francofonia, Aubin Minaku
Senhores Presidentes dos Parlamentos Nacionais
Caros colegas parlamentares
Caros jovens parlamentares
Caros participantes desta Assembleia
Minhas senhoras e meus senhores

Constitui motivo de orgulho para mim e para a Assembleia Nacional de Cabo Verde que aqui tenho a honra em representar, participar nesta 43ª Sessão da Assembleia Parlamentar da Francofonia, que coincide justamente com os 50 anos da criação da APF no Grão Ducado do Luxemburgo.

Confesso-vos, que nos sentimos em casa. Luxemburgo tem sido casa de milhares de cabo-verdianos, há já varias décadas, têm tido uma adequada integração nesta comunidade, com impactos positivos na contribuição que têm dado no processo de desenvolvimento do nosso país. 

Somos um país diaspórico. Temos cerca de 550 mil habitantes a residir em nove das dez ilhas do nosso arquipélago, mas temos ainda, aproximadamente o dobro a residir em várias paragens do mundo, como Estados Unidos da América, Brasil, Argentina, Senegal, Costa do Marfim, Angola ou São Tomé e Príncipe e no continente europeu temos significativas e importantes comunidades aqui no Luxemburgo, Alemanha, Suécia, Noruega, Reino Unido, Suíça, Holanda, França, Bélgica, Itália, Espanha e Portugal.

Fomos e continuamos a ser um país aberto ao mundo. Temos mais de 500 anos de história, feita de sacrifícios e esperanças. Hoje, malgrado as naturais vicissitudes de um país insular e de parcos recursos naturais, somos uma referência em África e no mundo a nível da boa governação e do desenvolvimento humano.

Somos um Estado soberano de Direito Democrático desde 1991, com uma Constituição moderna, com estabilidade social e política, alternância de poder, poder local próximo das populações, indicadores apreciáveis de educação e saúde, comprometido com a equidade e igualdade de género e com a segurança e paz mundiais. 

Não obstante, séculos de dominação e de desesperança, lutámos sempre para a preservação da nossa identidade cultural, atitude evidenciada por várias gerações de cabo-verdianos, que fizeram sempre questão de afirmar a cabo-verdianidade.

Somos um povo que resultou do cruzamento e confluência de várias culturas, que hoje enforma o nosso mosaico identitário. Mais do que qualquer outra coisa somos acima de tudo cabo-verdianos. 

Falamos a nossa língua materna, o crioulo, veículo de comunicação da maioria da população, convivendo naturalmente com a língua oficial, o português. Foi através das mornas escritas por ilustres escritores e poetas crioulos, que a nossa diva Cesária Évora encantou os franceses e milhares de apreciadores em todo o mundo e sobretudo junto de países francófonos.

Mas, o que estará aqui a fazer um país lusófono? 

Cabo Verde tem orgulho do seu passado. Um passado de abertura às civilizações, ao diálogo e interculturalidade. Temos relações históricas indestrutíveis com países que fazem parte do espaço da Francofonia, seja na Europa como em África, onde fazemos parte da organização política regional, a CEDEAO, com forte presença de países francófonos e, onde Cabo Verde reafirma crescentemente a sua vontade de integração política, económica, social e cultural.

Desde muito cedo, a Língua Francesa, fez parte do currículo escolar das nossas crianças e adolescentes, que sempre mostraram interesse, abertura e sensibilidade para com a língua e cultura francesas.

O espaço da Francofonia, pelas suas caraterísticas especiais, cujos membros estão espalhados por todos os continentes, tem todas as condições históricas e geoestratégicas, para se afirmar cada vez mais como um espaço de diálogo e convivência intercultural, de promoção da solidariedade, da tolerância, do respeito e da integração das minorias e de promoção da paz mundial.

Após vários anos de alguma ausência nas sessões da Assembleia Parlamentar da Francofonia, reafirmamos a nossa firme vontade em relançar a nossa participação, com sentido de pertença e de responsabilidade, perante os ingentes desafios, que temos que enfrentar em comum. Aliás, muitos dos problemas que hoje enfrentamos à escala global, derivam da ausência dos valores civilizacionais como a tolerância, o diálogo intercultural e a solidariedade.

Participámos, muito recentemente, no Reino dos Marrocos na 25ª Assembleia Regional da Francofonia, donde saiu a feliz decisão da realização da 26ª APF-África, em Cabo Verde, onde teremos o imenso prazer em receber as delegações dos nossos países irmãos francófonos. Irmãos pela história, irmãos pela cultura e irmãos pelos desígnios comuns.

Muito obrigado pela vossa atenção.






Com o Grão-Duque

sábado, 8 de julho de 2017

[3056] Ah ah ah ah ah! É preciso ser ignorante!... Sim, em Cabo Verde é só zagaias e flechas por todo o lado, fora elefantes e rinocerontes, cubatas e imbondeiros...


Estamos algures nos anos 10 do século XX e há um marmanjo (cujo nome conhecemos) que dá esta linda resposta a jornalista de um periódico lisboeta. Claro que levou dias depois valorosa reprimenda de um cabo-verdiano daqueles que comentavam sem medo o que lhes cheirava a pupu... (longo comentário que temos e de autoria também nossa conhecida). Hoje, embora com uma ou outra excepção, já não há comentadores com esta categoria. Veja-se o post em que há dias divulgámos a partitura de uma morna esquecida, documento raro, até porque ensina como ela podia ser dançada e verifique-se quantos comentários ele teve. Não estamos a falar de visitantes, obviamente, no caso, centenas... Mas olhem, olhem, fujam, vem um leão a descer a Rua de Lisboa... Ah! Desculpem, é só um adepto do Mindelense...

Ver AQUI

Assim, guardamos a sabedoria para nós, bem guardadinha, que nos fará falta tê-la, noutra ocasião mais "rentável"... E deixemos de novo aqui a Cize (em cartaz que em tempos realizámos), a maior embaixadora de sempre, da morna e das ilhas verdianas.

[3055] A medalha póstuma recentemente atribuída pela Presidência da República de Cabo Verde ao empresário César Marques da Silva

Não fazemos nenhuma indicação suplementar - que reservamos para familiares seus, se assim o desejarem. Agradecemos ao "efectivo praiabotista" Valdemar Pereira o envio das imagens.



sexta-feira, 7 de julho de 2017

[3054] Comemorações dos 70 anos da 1.ª edição de "Chiquinho" de Baltasar Lopes, em Almada



Confirmadas as datas das comemorações em Almada (Portugal) dos 70 anos do lançamento da 1.ª edição em livro de "Chiquinho", de Baltasar Lopes, talvez a obra mais conhecida de toda a literatura cabo-verdiana. 

É sabido que os primeiros excertos conhecidos do romance saíram em Março de 1936, na revista "Claridade" n.º 1 (duas páginas e meia, sob o título "Bibia, excerto do romance inédito 'Chiquinho'") e depois no n.º 3, de Março de 1937 (três páginas, intituladas "Infância"), mas o livro só foi publicado em Outubro de 1947, em Lisboa.

Pretendendo comemorar a data em Portugal, mais precisamente em Almada, terra de acolhimento de muitos cabo-verdianos, o administrador deste blogue, juntamente com o poeta e jornalista Fernando Fitas e a professora Dina Dourado propuseram em altura oportuna esta actividade à Câmara Municipal de Almada que desde logo a abraçou, o mesmo tendo acontecido com a Embaixada de Cabo Verde em Lisboa. Lembremos que já assim tinha acontecido com as bem sucedidas comemorações relacionadas com Jorge Barbosa, em Junho de 2013 e aqui relatadas.

Estamos portanto em condições de informar que as comemorações se desenrolarão entre 2 e 16 de Dezembro próximo, em Almada, em princípio no Forum Cultural Romeu Correia. Em ambos os dias haverá palestras relacionadas com Baltasar Lopes e a "Claridade", bem como uma exposição de 40 livros "claridosos" que decorrerá durante as duas semanas. Pormenores serão fornecidos, logo que possível.

[3053] Homenagem a Manuel Ferreira nas Caldas da Rainha: convite aceite

Praia de Bote tem todo o gosto em aceitar o convite para estar presente nesta merecidíssima homenagem ao escritor de "Hora di Bai" e lá estará, dia 22, no Museu de José Malhoa (Caldas da Rainha), para a inevitável reportagem.

Ex.mo Senhor
Professor Joaquim Saial

Venho por este meio convidar V. Exa. a participar no acto comemorativo do centenário do escritor Manuel Ferreira, que terá lugar nesta cidade, no Museu José Malhoa, no próximo dia 22 de Julho, às 15 horas.

Manuel Ferreira
Esta cerimónia constará da abertura de uma exposição intitulada Manuel Ferreira: Capitão de Longo Curso, seguida de uma mesa-redonda designada Manuel Ferreira, quem és?, com a presença dos professores Fátima Mendonça (Universidade Eduardo Mondlane, Maputo), Ana Paula Tavares (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras de Lisboa) e Mário Tavares (Instituto Politécnico de Leiria). Este programa tem como comissário o Professor João B. Serra, docente do Instituto Politécnico de Leiria, antigo Chefe da Casa Civil do Presidente da República Jorge Sampaio.

Manuel Ferreira, que nasceu em 18 de Julho de 1917 no concelho de Leiria, residiu nas Caldas da Rainha entre 1954 e 1958, tendo nesta cidade desenvolvido intensa actividade no domínio cultural.
Foi, como será do vosso conhecimento, um escritor e investigador que, em muitos aspectos, foi pioneiro no estudo e divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa.

O seu contacto com a identidade cultural das antigas colónias portuguesas teve início durante a Segunda Guerra, quando integrou o exército expedicionário destacado para Cabo Verde. Estacionado em S. Vicente, ali veio a casar com a jovem estudante Orlanda Amarílis, futura professora e escritora.

Manuel Ferreira, que fora incorporado pela primeira vez em 1933, com dezasseis anos, veio a ter uma extensa carreira militar, de soldado ao posto de capitão, no decurso da qual, prestou serviço também na Índia e em Angola.

Tem uma obra de ficcionista, inspirado pelo movimento neo-realista, na qual o lugar de destaque vai para os livros de temática cabo-verdiana (Morna, 1948, Hora di Bai, 1962, Voz de Prisão, 1971). Em 1967, publicou A Aventura Crioula, um longo ensaio sobre a história da cultura cabo-verdiana. 

Em 1974, foi convidado para leccionar a cadeira de “Literatura Africana de Expressão Portuguesa” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, iniciando então uma intensa carreira académica, ao longo da qual formou e orientou estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, investigou e fez conferências pela Europa, África, Brasil e Estados Unidos.

Do seu trabalho de investigação resultaram trabalhos como Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, 1977; 50 Poetas Africanos, 1989, No Reino de Caliban, 3 vols. 1972, 1976, 1986; uma revista, África, com catorze números editados entre 1978 e 1986.

Na expectativa de poder contar com a honrosa presença de V. Exa. no dia 22 de Julho, nas actividades referidas, subscrevo-me com os melhores cumprimentos,

Fernando Tinta Ferreira
Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha

[3052] "Claridade", nhô Balta, os sempre "corajosos heróis d'pli squina" e a censura

Ele, Baltasar Lopes, o diz em depoimento à edição fac-similada de "Claridade" de Março de 1986, por altura das comemorações do 50.º aniversário da saída do primeiro número da mítica revista de arte e letras de Cabo Verde:

 "(...) O curioso é que alguns censuraram Claridade, acusando-a de, durante a sua vigência, no regime colonial, não ter assumido uma atitude mais concretamente combativa, mais polemicamente expressa, no sentido da independência política do nosso arquipélago. (...) Que vistam a pele do lobo os opositores de Claridade, que imediatamente se veriam in mente a caminho, pelo menos, do presídio do Tarrafal... (...)

Praia de Bote mostra aqui os sinais evidentes de como era "fácil" publicar esta revista que hoje é um marco dos mais importantes da cabo-verdianidade e da sua cultura.

N.º 1 - Por algum motivo, o n.º 1, de Março de 1936, não apresenta sinal de ter passado pela censura. Por quase coincidência, a 14 de Maio desse mesmo ano regulava-se a fundação de jornais (também de revistas?) em Portugal.

N.º 2 - A negra e famosa frase vem no final da penúltima página (este número da revista teve 10), sob um trabalho de Manuel Lopes.


N.º 3 - A frase, de grafia idêntica, vem no final da última página, a 10, novamente sob texto de Manuel Lopes.


N.º 4 - A frase passou a estar enquadrada por linhas paralelas, duas em cima e outras tantas em baixo. Vem mais uma vez no final na última página, desta feita a 40, sob trabalho de recolha de conto popular, feita por Baltasar Lopes.


N.º 5 - Este número tem 44 páginas e a indicação vem, como antes, no final da última página, agora sob poema de Nuno de Miranda, separada deste por uma linha.


N.º 6 - Número com 42 páginas. Na última, a frase, sob poema de Pedro Corsino Azevedo. O tipo de letra deixou de ser bold, como sempre fora antes, mas o tamanho é maior. Há enquadramento de linhas, uma em cima e outra em baixo, tudo separado por uma terceira em relação ao nome de Nuno de Miranda.


N.º 7 - Não há sinal da passagem deste número da revista pelo crivo da censura. Isto, apesar de por exemplo em poema de Aguinaldo Brito Fonseca se ler: "O povo gritou de fome (...) O povo caiu na lama (...) O povo martirizado, etc."

N.º 8 - 76 páginas. A frase, que surge na última, é desta vez de tamanho mínimo, mal se dando por ela.


N.º 9  - 84 páginas, o número com mais páginas de sempre. A situação e dimensão da frase são idênticas às da do número anterior, aqui sob poema de Baltasar Lopes/Osvaldo Alcântara.