quarta-feira, 1 de abril de 2020

[4572] "Carvalho", o salvador...

"Carvalho" está atracado ao cais acostável do Porto Grande, a carregar todo o COVID 19 existente em Cabo Verde (de nacionais e de estrangeiros) para ser lançado para o fundo do Mar de Canal, onde ficará ad aeternum... fogóde!

domingo, 29 de março de 2020

[4571] Hora de fazê manha: prenda moda êss li, ca é pa tude gente

Le livre nada tem a ver avec Cabo Verde, excepto pela origem de quem o ofereceu. Já está na estante cabo-verdiana há 12 anos e tem sido visto quando calha. Stóra de gastronomie et vins vinda de um vice-cônsul connaisseur, é claro que está protegida pour toujours... Ainda por cima com um elogio desses.

[4570] Uma repetição (desejável), em Pd'B: Horace Silver "The cape verdean blues"

[4569] Em tempo de "navio fundeado", Banda da Armada (Portugal) prossegue ensaios



Trata-se da "Marcha dos Marinheiros", cuja história encontrará AQUI

[4568] Leituras marítimas, em tempo de reclusão (1)

Sendo o Praia de Bote um blogue de certo modo naval, é leitura que se recomenda esta do conto "A desventura final do capitão Valdemar do Alentejo", de Luis Sepúlveda (Edições ASA, Col. Vozes do Mundo, Porto, 2001).

Chama-se "Histórias do Mar" ("Cuentos del mar", no original castelhano) o livrinho, um dos 27 (!) que aqui há na biblioteca caseira com autoria ou participação do chileno. Neste caso, associado a outros autores de língua latina, todos com trabalhos tentadores pelo seu sabor a sal...

Bela história a de Sepúlveda, passada num bote com três homens, um dos quais o moribundo pirata português Valdemar do Alentejo, de peito varado por seta índia que lhe tirará a vida no final da peça. Relida esta com gosto, vamos às restantes...



[4567] Presidente da República de Cabo Verde declara Estado de Emergência

sábado, 28 de março de 2020

[4566] Viagem à vela, Canárias - Cabo Verde (episódio 4/4)

[4565] Viagem à vela, Canárias - Cabo Verde (episódio 3/4)

[4564] Viagem à vela, Canárias - Cabo Verde (episódio 2/4)

[4563] Viagem à vela, Canárias - Cabo Verde (episódio 1/4)

[4562] Boa farinha e bom pão, em São Vicente, em 1933

 

[4561] 28.3.2020, dia 10 do cerco, dia da ilha de Santa Luzia. Excerto do conto de Joaquim Saial "A trágica biografia de Fernando Desamparado da Luz Spinelli"

(...) Plóna sempre tivera um sonho: visitar a ilha de Santa Luzia. Parecia-lhe impossível que o local não fosse habitado, excepto por pequenos bicharocos e algumas aves. Leituras de "A Ilha do Tesouro", de Stevenson, que tivera por hábito fazer a Alice à noite, antes de esta adormecer, e a similitude do topónimo da ilha com o seu apelido, haviam aumentado nela a forte vontade de vasculhar aquele pedaço de terra ao qual só de quando em quando aportava raro pescador que por ali ficava pouco tempo. E contra toda a lógica e conselhos do médico que lhe seguia a gravidez, convenceu Vittorio a levá-la lá no oitavo mês de gestação. 

Ilha desabitada de Santa Luzia - Foto RTC
O marido tinha então mais meia dúzia de botes e um gasolina, o "Badejo", utilizado nas deslocações em que a necessidade de segurança e rapidez eram mais prementes e quando era preciso levar peixe fresco aos barcos que escalavam o Porto Grande. Foi nele que o casal rumou à ilha deserta, cedo, numa manhã de domingo. A época era de ventanias mas naquele dia o mar estava relativamente calmo. Sob a mão firme do homem, o "Badejo" depressa galgou as zonas norte e nordeste da ilha, desde a entrada da baía até ao Calhau. Também não demorou muito o restante caminho, até que a ilha vizinha se apresentou nítida perante os solitários navegantes. Com receio de que o gasolina encalhasse, Vittorio fundeou-o a distância prudente da praia. Meteu-se em seguida, juntamente com Plóna e o farnel do almoço, no pequeno bote que fora a reboque e entretanto desamarrou. Nas últimas milhas passadas a bordo, a mulher começara a lamentar-se de dores no ventre, facto que o rebentamento das ondas contra o barquito acentuou. Com custo e a ajuda do marido, atingiu a praia nas melhores condições que as circunstâncias permitiram e instalou-se numa duna. O vestido estava molhado mas não apenas de água do mar. Havia algo mais. Era a hora do parto que se aproximava.

Vittorio ficou em pânico. A ideia irreflectida da mulher de ir a Santa Luzia, apenas por exasperante curiosidade, se não beneficiara do seu apoio, também não tinha tido pela parte que lhe cabia oposição frontal, visto que não a queria magoar naquela fase em que todos os carinhos eram necessários. Mas agora arrependia-se amargamente de lhe ter concedido a viagem. Sem saber muito bem o que fazer, voltou ao gasolina para buscar fio e uma garrafa de grogue de cana que sempre por ali andava e servia para lhe aquecer o corpo nos dias de maior frialdade. Encostada à falda da duna, Plóna espremia-se num frenesi de dores intercaladas com pequenos períodos de calma. Entrementes, o marido, amparando-a com os braços, ia-lhe limpando o suor que lhe escorria pela testa. Ainda pensou em voltar a São Vicente, para pedir ajuda, mas o olhar suplicante que a mulher lhe lançou e o seu pedido «Não me deixes, Vittorio, que eu morro.», fizeram-no abandonar a ideia. O dia passou-se nisto até que, já com a Lua a despontar no céu, nasceu a criança: um rapaz. Vittorio enxarcou o fio e a navalha que nunca o abandonava com grogue, atou o cordão umbilical em dois locais separados por poucos centímetros e procedeu ao corte. Finda a precária cirurgia, lavou o menino conforme pôde, com a água que foi tirando da garrafa que tinha trazido no farnel. Voltou segunda vez a bordo do "Badejo", à procura de um cobertor, mas quando ia a transpor a amurada, uma onda maior virou o bote e arremessou-o de encontro ao casco forrado de cobre do gasolina. Na praia, impotente, Plóna viu desaparecer o seu homem no vórtice líquido que o arrastou para o fundo.

No dia seguinte, cansada de esperar pelo pai que prometera pouca demora, Alice pediu a um dos pescadores da casa para o irem procurar. Quando Umbelino Gomes e três companheiros chegaram a Santa Luzia, ainda ouviram de uma Plóna moribunda o relato do que se passara. Embrulhada numa toalha de mesa, no nicho feito pelos seus braços, repousava a criança, tanto quanto se sabia, primeiro ser humano nascido da ilha – que ela ali mesmo baptizou com o estranho mas compreensível nome de Fernando Desamparado da Luz Spinelli, pela múltipla razão de o saber estar prestes a ficar sem ambos os pais, ter vindo ao mundo em final de tarde naquele desterro de Santa Luzia  e por ela ter o apelido de Luz. Logo a seguir, a mulher deu um último suspiro. A hemorragia que durante toda a noite a fora esvaziando de sangue, só lhe tinha permitido esperar pelo socorro que sabia que viria com o nascer do Sol. 

Os homens recolheram o corpo de Vittorio, que dera à praia e jazia com o tronco fora de água e as mãos fincadas na areia, como que num esforço para além da morte de acudir a Polónia e ao filho. Meteram-no e ao da mulher no gasolina, tapados com o cobertor e um oleado e, deixando a recato o bote em que tinham ido, empreenderam a viagem de retorno, na companhia da única testemunha daquela desgraça que enlutou o Mindelo. (...)

sexta-feira, 27 de março de 2020

[4560] Comunidade chinesa em Assomada ajuda cabo-verdianos necessitados. Texto e imagem enviados pelo jornalista António Alte Pinho ao Pd'B

A comunidade chinesa residente em Assomada faz este sábado, 28, entrega à Câmara Municipal de uma doação de bens essenciais para famílias necessitadas de Santa Catarina.

O ato de entrega acontece pelas 10h30 à entrada dos Paços do Concelho, contando com a presença do Presidente Beto Alves e de integrantes da sua equipa.

A solidariedade da comunidade chinesa vem em muito boa hora, já que a Câmara Municipal decidiu mobilizar recursos e reforçar apoios e políticas sociais activas para enfrentar os efeitos da pandemia provocada pelo Covid-19 (coronavírus).


[4559] Ilhas há muitas (10): Tubarões, "Porton de nos ilha"

[4558] Ilhas há muitas (9): Chico Buarque, "A ilha"

[4557] Ilhas há muitas (8): Rui Veloso, "A ilha"

[4556] Ilhas há muitas (7): Fausto, "A ilha"

[4555] Ilhas há muitas (6): Tim e Companheiros de Aventura, "A ilha"

[4554] Ilhas há muitas (5): Leon Russell, "Back to the island"

[4553] Ilhas há muitas (4): King Crimson, "Islands"

[4552] Ilhas há muitas (3): Ringo Starr, "Island in the sun"

[4551] Ilhas há muitas (2): David Gilmour, "On a island"

[4550] Ilhas há muitas (1): Dolores Keane, "The island"

[4549] Bob Dylan - "Murder Most Foul"

Saída hoje, a primeira canção (diríamos, uma longa declamação) de sua autoria em oito anos, com referências aos Beatles e a John Kennedy entre outras a figuras conhecidas. Dylan é visita sempre desejada, na outra vida do Pd'B. E por isso um longo poema a ele dedicado ficou em "Poemas para a hora de ponta" - que, por questão editorial, não podemos reproduzir. Sejas bem-vindo Bob e continua, enquanto te aguentares.

[4548] Viagem Canárias-Cabo Verde à vela, para muito breve, no Pd'B


[4547] 27.3.2020, dia 9 do cerco, dia da ilha de São Vicente

São Vicente, última ilha verdiana por ordem alfabética (deixámos a desabitada Santa Luzia para remate amanhã), merece dois postais. Um com preconceito, outro com conformação (ou até satisfação). 

No primeiro, supostamente de início de século XX, o remetente (assinatura ilegível) começa por dizer que se trata de vista geral do Porto Grande, para logo a seguir emendar, referindo que é imagem da cidade do Mindelo. Mas remata com um "Que tal lhe parece esta terra de negros onde estou desterrado?" Pobre homem que, talvez por estar há pouco tempo na cidade, ainda não tinha percebido onde de facto tinha caído. E sublinha o "negros", ainda por cima. Queremos acreditar que um mês ou dois depois não escreveria tal coisa.


O segundo postal é mais optimista, de uma Amélia para sua irmã Luísa, em Lisboa, escrito a 8 de Novembro de 1941. É possível (pela data) que se trate de esposa de militar expedicionário, eventualmente oficial do Exército - já que sargentos e praças não teriam posses para levar e aguentar encargos familiares na ilha. Mas, como é óbvio, isto é apenas um palpite. Diz Amélia, acerca da Praça Nova: "Este jardim é onde passamos as noites que são muito agradáveis." e depois, talvez sobre uma filha "A Guida continua óptima, graças a Deus". Por fim, a melhor parte: "Isto não é tão mau como diziam, ou então eu sou boa de contentar. Continuo satisfeita por ter vindo e oxalá tudo corra sempre como até aqui." Ora assim é quase garantido que Amélia, na hora de regressar ao Continente, terá sentido as inevitáveis e fortes dores da "hora di bai". 



quinta-feira, 26 de março de 2020

[4546] Comunicado do Primeiro-Ministro de Cabo Verde sobre COVID-19 no País - 26/03/2020

[4545] A versão mais espectacular, um grande luxo: "Sympathy for the devil", dos Rolling Stones, pela The London Symphony Orchestra (ver dois posts anteriores)

[4544] Como o Diabo anda aí, ouçamos "Sympathy for the devil" dos Rolling Stones numa versão só para cordas (ver original no post anterior)

[4543] Como o Diabo anda aí, ouçamos os Rolling Stones em "Sympathy for the devil" (original)

[4542] Quarteto de Vasco Martins Jazz - Documento histórico (excerto do 1.º concerto de jazz em Cabo Verde) que tem a participação do nosso amigo e colega do Liceu Gil Eanes Carlos "Kalu" Filipe Gonçalves, na bateria

[4541] 26.3.2020, dia 8 do cerco, dia da ilha de São Nicolau

Casinhas de tijolo constituem a Rue de la Baume, em Seraing, Bélgica, para onde este postal ilustrado, retratando a Ribeira Brava de São Nicolau foi enviado. O postalinho chegou a casa do Dr. Godenir (por pesquisa feita, pensamos que a grafia correcta será esta e não Godenier) a 27 de Outubro de 1913, 14 dias depois de partir de São Vicente.



quarta-feira, 25 de março de 2020

[4540] Vasco Martins - Sinfonia n.º 4, Buddha Dharma

[4539] 25.3.2020, dia 7 do cerco, dia da ilha de Santo Antão

A ilha de Santo Antão é representada neste périplo que estamos a fazer pelo arquipélago verdiano por Ponta do Sol, terra muito simpática que visitámos em dia de ventania (o que afinal é coisa mais ou menos vulgar nas ilhas). E o que vemos serão pescadores que chegam ou partem, na sua contínua faina diária. A localidade não se vê mas pressente-se.


terça-feira, 24 de março de 2020

[4538] 24.3.2020, dia 6 do cerco, dia da ilha de Santiago

Escolhemos a Ribeira Grande de Santiago (Cidade Velha) para ilustrar a ilha de Santiago. E com um postal feito mesmo para gente em demanda do exótico, talvez datável da primeira década do século XX. O que vemos aqui? Um grupo de mulheres e de crianças locais (indígenas, como se diz na legenda), acompanhado de cinco figurões, três deles de pele clara (dois ou todos vestidos à europeia - o que, como sabemos, em Cabo Verde não quer dizer que fossem europeus) e dois de pele escura. Retrato de pose com legenda estrambólica - ou seja, não se mostra o batuque mas sim o pós-batuque... Talvez isto se passe na Rua Banana, talvez seja uma mistificação e o retrato seja de outra colónia qualquer. Ainda pensámos que poderia ser do Cap Vert do Senegal mas as legendas em português na frente e no verso afastam essa ideia. É capaz de ser de facto da Cidade Velha mas não somos capazes de identificar os montes, para uma cabal confirmação. O que é certo é que o postalinho é algo estranho e que aqueles sujeitos nos instilam alguma desconfiança...




segunda-feira, 23 de março de 2020

[4537] Uma grande antologia de música cabo-verdiana que reproduzimos de novo no Pd'B (com adendas)



No post 4518 (ver AQUI) reproduzimo este CD duplo (43 músicas no original), apenas com o intuito de mostrarmos este trabalho de muita qualidade, excelente antologia da música cabo-verdiana - que, como todas as antologias, é discutível em termos de escolhas. De qualquer modo, para nós é um grande disco que já ouvimos dezenas de vezes do princípio ao fim.

Entretanto, o nosso amigo Carlos Gonçalves colocou nesse post o seguinte comentário que desde já agradecemos:

Ao Djack e ao Adriano Lima: esta antologia é um trabalho meu, escolha musical e texto, uma encomenda da Ariel de Bigault, produtora francesa que realizou o projecto para a ed. Buda Musique. O projecto destinou-se a dar a conhecer a música cabo-verdiana em França e não só, no momento em que se lançava a Cesária Évora… ano de 1993... Ao Adriano, que não deve lembra-se de mim, sou filho do Naldinho Gonçalves (pianista) fui criado pelos meus tios Roque Gonçalves e Julieta, esta amiga da Francelina e da D. Canja Miranda, tudo pessoas que conheci e muito bem... um abraço a todos.

Como o Calú merece, não podemos deixar de reproduzir o seu texto patente no booklet do CD que temos na nossa discoteca cabo-verdiana desde que ele saiu em Portugal, no início dos anos 90. A quem não conseguir lê-lo, por achar as letras demasiado pequenas, sugerimos que faça o download das imagens e que leia depois no seu computador com a ampliação que desejar.

Terminamos com um braça pertóde para o nosso amigo e condiscípulo do Liceu Gil Eanes, com votos de realização de muitas mais tarefas tão boas como esta.











[4536] "O prisioneiro da 'ilha'", um conto de Joaquim Saial, no blogue "Coral Vermelho" de Ondina Ferreira

O conto desenrola-se na embaixada portuguesa de um fictício país da América Central e nada tem a ver com Cabo Verde. Ainda assim, e com simpática generosidade, a nossa amiga escritora Ondina Ferreira resolveu publicá-lo no seu blogue "Coral Vermelho". É claro que agradecemos o gesto. E enviamos-lhe o devido abraço.

[4535] Em honra de todos os que sofrem neste momento, uma das nossas peças clássicas preferidas

[4534] 23.3.2020, dia 5 do cerco, dia da ilha do Sal

A guerra começara em Angola a 4 de Fevereiro de 1961 e este postal é de 14 de Dezembro. Vivia-se o medo de perder filhos, maridos, irmãos, amigos e aqui o António (provavelmente militar) que escrevia do Sal para sua mãe, sossegava-a, pois em Cabo Verde tudo estava bem. E brincava, "enviando-lhe" um belo peixe. A casa da mãe do António ficava muito perto das Amoreiras e da entrada para o aqueduto. Conhecemos bem a rua, onde temos família chegada com casa recente.

domingo, 22 de março de 2020

[4533] 22.3.2020, dia 4 do cerco, dia da ilha do Maio

Embora não tão pobre como o do Fogo, o nosso acervo em postais do Maio também é escasso. Escolhemos para hoje esta vista aérea da vila do Maio. Ao centro, a igreja de Nossa Senhora da Luz (como em São Vicente), numa localidade esquadriada, regular e com espaço para se desenvolver - o que já aconteceu, pois este é um postal com uns anitos. Não conhecemos o verso.


sábado, 21 de março de 2020

[4532] Uma raridade: "Breviário de João Crisóstomo", de Nuno Rebocho

Nuno Rebocho
"Breviário de João Crisóstomo (memorial sobre as pedras)" é livrinho inicial do nosso saudoso amigo e companheiro de escritas e outras aventuras, Nuno Rebocho (1945-2020). Saiu em 1965, como 2.º volume da colecção "Livros revelação" (ed. ?). Lá dentro, cinco peças, com o seguinte índice:

p. 13 - COLHEITA DAS PALAVRAS PERDIDAS
p. 19 - LAMENTAÇÃO DA MONTANHA
p. 27 - MEDITAÇÃO DE UM MONÓMANO
p. 39 - MEGALÓMANO AINDA UMA VEZ
p. 44 - PASSAGEM PARA A MORGUE

Trata-se de verdadeira raridade, cuja imagem de capa nos foi oferecida por um amigo comum, Veladimir Romano da Cruz que possui a obra em oferta antiga do autor. Procurámos na Internet e nem sinal de imagem parecida com esta. Aqui fica ela, portanto, com os agradecimentos devidos ao V'lá. Amigo (útil) de Cabo Verde como o Nuno foi, ele merece aqui esta singela homenagem.


[4531] 21.3.2020, dia 3 do cerco, dia da ilha do Fogo

Visitamos hoje o Fogo, a terceira ilha, alfabeticamente falando. O arquivo do Pd'B relativo a postais do Fogo é paupérrimo: apenas dois exemplares. Mostramos aqui um deles, pracinha de S. Filipe com seu coreto e pavimento brilhante de cimento, polido por anos de andanças. O texto do postal, de alguém que em 26 de Abril de 1994 escreveu a um professor do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), é sucinto mas extremamente curioso. Não é necessário transcrevê-lo, porque se percebe bem. Finalizando: embora alusivo ao Fogo, o postal ilustrado foi enviado de São Vicente.

sexta-feira, 20 de março de 2020

[4530] 20.3.2020, dia 2 do cerco, dia da ilha Brava (Djarbrava ou Djarbraba)

Hoje, vamos à ilha Brava, com um postal a preto e branco, enviado em 27 de Agosto de 1928 para um subúrbio de Estocolmo, Stocksund. Muito curioso, com indicação de que se trata da casa de Adelino Leite, na Rua 5 de Outubro (hoje, Rua da Cultura), Nova Sintra, bem como se pode ver a estação de correio de onde o postalinho foi enviado. Outro motivo é o de mulheres em faina de carrego, apanhadas em atitude natural, sem pose para fotógrafo. O remetente é Hemitério Macedo e Lima e o endereço é de um Gust. (Gustaf?) Stemstrom que decerto falava português.



quinta-feira, 19 de março de 2020

[4529] 19.3.2020, dia 1 do cerco: portugueses e os 35.000 cabo-verdianos amigos que cá vivem, estão a sobreviver - Hoje, vamos à Boavista

A coisa tem de ser levada com paciência de chinês. E havemos de passar a barreira com sucesso. Reina a calma, segundo parece. Pelo menos do que posso ver aqui da janela do escritório... 

Para desanuviar, entre outros posts que colocaremos, sai a partir de hoje e nos próximos 9 dias uma colecção de 10 postais, um por cada ilha... das ilhas. E por ordem alfabética, com a Boavista (Bubista) à cabeça. É postal com imagem do Rabil, de turista a passar férias em Santa Maria  (com três amigos? uma família de quatro?) que o enviou para Treviso, a 40 km de Veneza, em 2000. Não se percebe se o remetente é italiano a treinar o seu português ou se é português (ou cabo-verdiano) a fingir de italiano. "Todos biens" e "tomar benho" dá algum colorido à "fala", tal como a foto com as cores vivas das casas acabadas e não aqueles habituais mostrengos em cimento cinzento que muito se vislumbram na paisagem urbana das terras de morabeza.




quarta-feira, 18 de março de 2020

[4528] "O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", de Germano Almeida. Depois da 1.ª edição (aqui na estante há quase três décadas), começam agora a chegar à biblioteca cabo-verdiana do Pd'B outras, incluindo uma basca...

Em cima, a primeira edição portuguesa, de Abril de 1991 (ed. Caminho, col. "Uma terra sem amos"), com dedicatória de 3 de Fevereiro de 2002. Em baixo, a edição basca e uma das edições portuguesas. Logo que cheguem pelo correio, mostrá-las-emos mais detalhadamente.




[4527] Em primeira mão (ou quase), um poema oferecido por José Luiz Tavares, nestes tempos de chumbo. Um braça para ele!

Foto Bruno Portela
José Luiz Tavares nasceu a 10 de Junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive. Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia. Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora. Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. Está traduzido para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão. Sobrevive ao tempo do mundo sem estar conectado a nenhuma rede social.


FINDA

[Litania em tempos de coronavírus]


Depois, sim, que agora
estamos vivos.
Depois — quando o espirro
expirar.
Depois — quando tiveres
pó na goela.
Não agora — que agora
estamos vivos.

Antes, sim, com os braços
portentosos.
Antes - sim – de a fraqueza
noivar com eles. Depois, sim,
porque há ar no ar
e a despedida é sem desculpa
e sem tristeza.

Antes não, que te falta
o assobio e a trela,
e a cara é sem rugas,
e a morte concorda contigo,
e tudo é mão de amigo
mesmo se te espreita
o tempo inimigo.

Depois sim, que estar vivo
é cedo encarquilhar-se;
não, não agora, porque estás
no impenetrável interior,
e desconheces o limite ulterior,
e não sabes pedir por favor
o socorro amplamente publicitado.

Agora sim,
que é antes de toda a dor,
                         ainda no corpo tens cor,
                         e sobe-te  à boca
                         centos de sabores.

Mas ainda não ao grande sim,
porque maravilha-te estar aqui
(só mais um instantinho),
embora penses na mão da eternidade
ou como é doce o despenhamento.

Antes não
— porque há a verdade
que desconheces,
e porque realmente não sabes
tudo desejas devotamente.

Não ainda — que os teus ossos
não sabem a alcatrão,
nem depois — que o esqueleto
é pertença do patrão.

Não depois,
mas agora sim,
porque tens fogo nas ventas,
mascas pó e polenta,
e o tempo inimigo te diz
que tudo se há de compor.

segunda-feira, 16 de março de 2020

[4524] De Vasco Martins, a Sinfonia 3, Movimento 1. Uma grande peça, para final de tarde

[4523] Ainda os navios brasileiros afundados no Porto Grande durante a I Guerra Mundial. Um testemunho



A história dos cargueiros “Guahyba” e “Acary” afundados no Porto Grande por um submersível alemão durante a Grande Guerra já foi abundantemente tratada em posts deste blogue, pelo que nos dispensamos de a repetir. Mas como a investigação aqui nunca para, demos com o postal ilustrado de uma senhora que chegou a São Vicente enviado para um amigo em Alpedrinha, no endereço grafado como “Antonio Ozório” - que decerto é António Osório de Sá que tem Museu da Música com o seu nome (inaug. Maio 2014) naquela interessante localidade da Beira Baixa, Portugal. 

Aqui fica a nota, com transcrição e apenas com umas linhas de reprodução, por causa dos copianços indevidos e sem identificação de onde foram feitos… 

Uma memória de tempos difíceis, tanto ou mais que os de agora. E um testemunho de quem viu, mesmo, os destroços dos dois navios.

18/11/917
Sr. Osório,
Cá sigo o meu destino. Até à Madeira, bastante enjoada; até aqui, menos mal. Parece que estamos livres dos submarinos. Cá estão dois navios brasileiros que há dias foram bombardeados pelos boches. Estão encalhados.