sábado, 28 de julho de 2018

PPraia de Bote não está parado. Apenas esperamos que os dois posts anteriores tenham o número de comentários que merecem. Assim que isso acontecer, lançaremos um post sobre um dos últimos governadores de Cabo Verde, já no período pré-independência. Isto, porque aquele que na verdadeira acepção da palavra consideramos ter sido o último foi o brigadeiro António Lopes dos Santos (1969-1974). O seguinte, coronel Basílio de Oliveira Seguro, apenas cumpriu escassa parte do mandato e os restantes três também tiveram mandatos reduzidíssimos, um dos quais (o derradeiro) dividindo esse título com o de alto-comissário. PPortanto, esperamos por comentários, para que esse post possa ser lançado. Se tal só suceder em 2089 ou em 2167, não há problema... até porque há outras coisas (tchêu sabim) para irmos fazendo. OOu seja, quem agora de facto manda na periodicidade de colocação de posts no blogue são os comentadores... Eles comentam, há novos posts; não comentam, ficamos a aguardar que comentem... 

NOTA: Como de costume, posts não numerados (como este) são para apagar, pelo que é desnecessário colocar comentários aqui. Faça-o nos posts 3800 e 3801.

domingo, 22 de julho de 2018

[3801] Para o Joman, com um abraço (ver post anterior)

1.ª adenda (de 5) a este post:
Prestes a lançarmos este post, demos com a até agora única referência conhecida (excepto as duas notas do Pd'B) à morte do Joman. Ela aqui fica. É do jornal "A Nação", de dia 20 de Julho.


2.ª adenda (de 5) a este post: 
Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde reconhece a 23 de Julho importância da obra de João Manuel Nobre Ferro de Oliveira para o País.





















3.ª adenda (de 5) a este post:
Nos quatro dias que este post conta aqui exposto, já teve 204 visitas.










4.ª adenda (de 5) a este post:
Bibliografia de João Manuel Ferro Nobre de Oliveira em "Memórias de África e do Oriente", Universidade de Aveiro, Portugal














5.ª adenda a este post
Interessante texto de David Leite Ver AQUI

c.1974 - Joman (ao centro), no nariz do Monte Cara
O João Manuel Ferro Nobre de Oliveira nasceu em 10 de Agosto de 1955, no Paúl de Santo Antão e faleceu a 18 de Julho passado, em Macau (ou talvez em Hong Kong, onde foi operado pela última vez). E como este mundo é cheio de mistérios, no dia em que soube da morte do ilustre amigo (e quase à mesma hora), recebi pelo correio, proveniente de um alfarrabista de Benavente, um livro de Manuel Lopes intitulado... "Paúl".

Manuel Lopes publicou os seus primeiros dois livros no ano de 1932. "Paúl" e outro, "Monografia Descritiva Regional". Não sei qual saiu primeiro, mas, seja como for, "Paúl" está no início da carreira deste escritor cabo-verdiano que muito admiro. Obrinha de 29 páginas, relata uma viagem sua à localidade santantonense de onde durante três anos bebi água, transportada diariamente no veleiro "Carvalho" (de Santo Antão para São Vicente), propriedade do senhor Henrique Ferro, "Firrim", grande e inesquecível amigo da minha família e familiar do Joman. Em 1934 seria a vez de Lopes lançar "Horas Vagas" (poesia) e em Agosto de 1936, no n.º 2 de "Claridade", daria à estampa o conto "Um galo que cantou na baía". Seguir-se-ia uma obra longa e diversificada que não vem agora ao caso comentar mas que é ainda hoje uma das mais significativas das ilhas verdianas.

c. 2008 - No Vietname
É pela coincidência que apresentamos a capa e algumas páginas de "Paúl", para que o nosso amigo as possa ler aqui e divertir-se com elas, pois retratam uma vivência que decerto ainda conheceu, embora no seu tempo já houvesse cais do Porto Novo e algumas melhorias no Paúl, em relação a estes tempos difíceis de início dos anos 30 do século XX.

Particularidade curiosa: este exemplar de "Paúl" pertenceu a Manuel Serra (Manuel Coelho Pereira Serra), advogado e poeta satírico cabo-verdiano, pai do pianista Chico Serra, como se pode ver pela assinatura de posse existente no frontispício - que sofreu algumas inclemências em tempos incertos, pelo que alguém o retocou com esferográfica... azul. Pertenceu pelo menos ainda a outra pessoa, cuja assinatura de posse, mal apagada, estamos a tentar decifrar.

C. 2011, - Com Gilberto Gil, em Macau
Trata-se de uma edição de autor, feita na mesma tipografia onde seriam realizados os números de "Claridade". Compare-se, por exemplo, o tipo de letra do título "paúl" (em caixa baixa) com o de títulos da primeira página dos n.ºs 1, 2 e 3 de "Claridade".

Digamos que assim se faz também uma micro-aproximação à história da tipografia cabo-verdiana de que o João Manuel era bom conhecedor, por via dos seus estudos sobre a imprensa das ilhas.











quinta-feira, 19 de julho de 2018

[3800] O Joman partiu para a terra (mais) longe. João Manuel Nobre de Oliveira, um grande cabo-verdiano


Conhecemo-nos através de um fotolog que reunia alguns cabo-verdianos em divertida partilha de ideias, conversa e fotografias (primeiro objectivo desse programa da Internet). Depois, uns cansaram-se, entretanto entraram outros sem graça e a coisa mais ou menos acabou. Mas restou a amizade de alguns, como o Valdemar, o Djô Martins (que não tenho visto ultimamente), o Fernando Frusoni (que também não tem aparecido), o Necas Paris e o João Manuel Joman Nobre de Oliveira. A questão intelectual uniu-nos e ficámos amigos, trocando correspondência e livros. Lembro-me de que uma das primeiras coisas que me disse foi que numa viagem de Macau para Cabo Verde (ou vice-versa, pelo menos, acho que a viagem era entre os dois pontos), ele e outro amigo cabo-verdiano estavam a ler o meu então muito recente romance "Capitania" e quando davam por alguém conhecido de quem eu ali falava, gritavam um para o outro (não estavam sentados perto), dizendo "Olha, também entra o Pikau" ou "Também aqui vem o John Estêvão" ou ainda "Vê na página tal, o Vicente Chantre".

Depois, foram vários almoços em Lisboa e dois jantares aqui em casa, com a esposa, duas noites de grande fraternidade e, claro, imensa "morabeza". Da última, já fora operado aos pulmões mas estava em grande forma, pensando-se que a doença estava debelada por inteiro.

Em 28 de Agosto de 2009, quando nos encontrámos ao vivo pela primeira vez, oferecera-me e autografara o seu monumental "A Imprensa Cabo-Verdiana, 1820-1975", editado pela Fundação Macau - Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, em Setembro de 1998, por ocasião de uma visita a Cabo Verde do Governador de Macau, general Vasco Rocha Vieira.

Falou-me ele de todas as vezes num outro longo e desenvolvido trabalho que tinha em mãos, sobre genealogia das famílias cabo-verdianas. Não o conseguiu editar e tenho a certeza de que para além da saudade de deixar esposa e filhos muito lhe deve ter custado partir sem esse outro "filho" ter sido dado à luz. Veremos o que a família decidirá sobre esta peça fundamental da história das ilhas - a qual, como é óbvio, terá MESMO de ser editada.

Deu-me o Valdemar a tristíssima notícia, em que às primeiras nem consegui acreditar, de tão inesperada que foi. Estou (e estarei) ainda atordoado, pois pensava que a maldita doença tinha sido debelada. Assim não aconteceu. Resta-nos a memória de um bom amigo e de um excelente historiador. Esperemos que as autoridades cabo-verdianas também tenham o João Manuel na boa conta que ele mais que merece...

Um braça pertóde pa bô, Joman,
Djack


domingo, 3 de junho de 2018

[3799] Feira do Livro de Lisboa: o incrível aconteceu, na apresentação de "O Albergue Espanhol" de Jorge Carlos Fonseca

O impensável, o incrível, o nunca  visto (mesmo nunca!), aconteceu!!! Palavras poucas, que a "stóra" não merece muitas. 

A cerimónia de apresentação do autor (e do livro) começou à hora marcada, Nancy Vieira cantou (e encantou) duas mornas e Jorge Carlos Fonseca respondeu (com muito humor e simpatia) a perguntas do editor, para além de ter lido excertos do seu trabalho. No final, este remeteu o vasto público para um pavilhão a meio da Feira, onde se poderia encontrar o almejado livro que depois seria trazido pelos próprios para o local anterior, onde Jorge Carlos Fonseca os autografaria. Logo aí, cheirou-nos a esturro, pois nunca na vida tal nos aconteceu, uma vez que livro que saia (ou que se apresente ou reapresente) está sempre junto ao autor, podendo comprar-se antecipadamente, no local.

Resumindo e concluindo: quando chegámos ao dito pavilhão, estava a vender-se o último exemplar da obra. Depois de algum protesto e de termos dito que era incrível que no dia em que o autor estava a dar autógrafos... não houvesse livro, retorquiu-nos uma das meninas vendedoras afirmando que ninguém a tinha avisado de nada. 

No regresso, encontrámos vários infelizes como nós, que iam adquirir o livro, entre os quais o músico português Silvestre Fonseca (também grande amigo de Cabo Verde), que avisámos para não continuarem a infrutífera e portanto desnecessária caminhada.

Finalizemos a stóra com uma palavra muito portuguesa: Barraca!!!

Restou-nos a consolação de trazermos o livro de Jorge Morbey, "O Ataque de um submarino alemão no Porto Grande de S. Vicente duranta a I Grande Guerra (1914-18)". Enfim, nem tudo são azares...

[3798] Cabo Verde está em Almada, através do "Praia de Bote". Mas não só...

Êsse post li é só pa fazê manha... Festa de aniversário de um amigo salense, na Associação Cretcheu de Almada, na passada sexta-feira. Mostramos os restos da cachupa e um cheiro da música que por ali passou, com Mateus Nunes e amigos, para além da surpresa da actuação de Silvestre Fonseca, português quase cabo-verdiano.

Mateus Nunes e amigos
Silvestre Fonseca

[3797] Hoje, há "Tubarões Azuis" à solta em Almada!!!

[3796] Cabo Verde, Açores... Europa!

[3795] As fotos da cimeira da Macaronésia

[3794] Rui Água e Tubarões Azuis regressam com vitória sobre a Argélia

Foto de "A Bola"

[3793] Académica da Praia ganha campeonato de Cabo Verde. Parabéns aos vencedores e... choremos, mindelenses!!!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

[3792] Uma pérola: Silvestre Fonseca, em "Cabo Verde, nha cretcheu" (morna)


 

[3791] A propósito do encontro de representantes dos arquipélagos da Macaronésia, reproduzimos aqui o nosso artigo de Abril passado, no "Terra Nova"




Ver post 3789, AQUI

ADJACÊNCIA PARA CABO VERDE, A MIRAGEM PERSEGUIDA (2/5)
1958 – Um texto assinado por C. M., no "Diário Popular" de Lisboa


O texto é de 8 de Novembro de1958, apenas nove dias após o discurso do deputado por Cabo Verde à Assembleia Nacional, Dr. Adriano Duarte Silva, que divulgámos na crónica anterior. O autor é um enigmático C. M., cuja identidade associamos, com as devidas reticências, a Caeiro da Matta (José Caeiro da Matta, 1883-1963), docente da Faculdade de Direito de Lisboa, chamado ao Governo por Salazar, para a pasta dos Negócios Estrangeiros, logo após a aprovação da Constituição de 1933. Entre 6 de Setembro de 1944 e 4 de Fevereiro de 1947 foi ministro da Educação Nacional, pasta da qual voltou à dos Negócios Estrangeiros. Foi ele quem assinou a adesão de Portugal ao Pacto do Atlântico, em 4 de Abril de1949. Este político passou em Janeiro de 1951 por São Vicente, a bordo do vapor "Serpa Pinto", em viagem para o Rio de Janeiro, na qualidade de embaixador especial à posse do Presidente da República Getúlio Vargas. Percorreu o Mindelo, recebeu os cumprimentos de diversas entidades oficiais e foi homenageado no salão nobre da Câmara Municipal, onde bebeu uma taça de champanhe e lhe prestaram as cortesias da praxe. 

Claro e conciso, o trabalho "Cabo Verde, ilhas adjacentes", integrado no Boletim Económico do "Diário Popular" mas surgido em primeira página do jornal, parece escrito por um político ciente do momento internacional. Seja como for, o texto, que se divide em sete pontos, é bem elaborado e retoma, citando-o, o pedido para a adjacência de Cabo Verde a Portugal feito por Duarte Silva, dias antes, na Assembleia Nacional.

Ponto 1 – O autor começa por precisar, como Duarte Silva fizera, o princípio da solidariedade nacional: «O que se fizer por alguns portugueses, seja onde for, com o sacrifício dos demais, todo o povo o compreende e aceita.» E insiste na necessidade de assumpção desse princípio, chamando a atenção para mítica e perigosa figura camoniana: «De todos os símbolos ou figuras nacionais, a que menos sufrágios tem no povo português é, sem dúvida, o Velho do Restelo.»

Ponto 2 – É explícito, no seu apoio à tese de Duarte Silva: «O caso de Cabo Verde foi recentemente lembrado pelo seu representante na Assembleia Nacional, que com argumentação séria, defendeu a integração do arquipélago no conjunto das nossas ilhas adjacentes. E nós a ele voltamos, afirmando que tal integração constitui imperativo nacional.»

Ponto 3 – C. M. elogia os cabo-verdianos pela sua inteligência e cultura, lamenta as imposições monetárias que o Governo central exigia ao arquipélago e argumenta com aspectos económicos que poderiam desenvolver as ilhas mas que na altura não existiam. «Os portugueses de Cabo Verde são evoluídos e capazes. Esgotam as possibilidades de aprendizagem de que dispõem, mesmo alguns a quem o pão falta. E muitos e muitos se afirmam e acreditam entre o melhor escol lusitano (…) O próprio dinheiro é sobrecarregado e diminuído por força do regime vigente: cem escudos que para ali vão, da metrópole, deixam dez no banco. Pagam-se cem escudos e recebem-se noventa (…) Pescarias, conservas, rum, pozolanas que, aproveitadas em soluções técnico-económicas adequadas, poderiam ser riqueza progressiva, nem pobreza são.»

Ponto 4 – O articulista entra aqui num dos pontos essenciais do seu raciocínio. Diz que a integração de Cabo Verde no regime das ilhas adjacentes excederia nas vantagens os encargos e que o Portugal do Atlântico seria assim mais português. E que na questão das Obras Públicas, o ministro da pasta, tal como outros, ali faria obra. Açores, Madeira e Cabo Verde reunidos na adjacência, a maior parte da Macaronésia, espécie de ponte para o Brasil, cuja ligação ficaria deste modo «mais assegurada e fortalecida».

Ponto 5 – O texto, curiosíssimo, fala por si, ao avançar a hipótese de um repovoamento das ilhas com continentais, logo que a industrialização tivesse lugar: «Resolvido o problema das comunicações interilhas e delas próprias, umas alimentando as outras e todas fecundadas por ensino técnico e realizações industriais (viabilíssimas), depressa a sua grei cresceria e até seria mais fácil nelas encontrar espaço vital para alguma gente do continente.» Ideia estranha e utópica esta, lançada a uma terra em que a população sempre emigrou, de poder ainda por cima vir a absorver europeus…

Ponto 6 – Está aqui o cerne da teoria de C. M. Todo o seu discurso desemboca neste sexto ponto, ao desvendar os verdadeiros motivos que o levaram a interessar-se pela adjacência de Cabo Verde. Trata-se afinal de uma questão de prevenção. As independências africanas estão na altura na ordem do dia. Por todo o continente negro as antigas colónias se estavam a libertar das potências que as administraram durante séculos. E era melhor prevenir que remediar. Um Cabo Verde adjacente não pensaria talvez em independência. Como teoria política até nem era má ideia, mas as teorias, nestes casos coloniais, costumam falhar… Vejamos, então: «O Noroeste de África vai-se autonomizando em Estados independentes que vão surgindo. Na efervescência dos seus nacionalismos confusos, a expansão e o desejo de absorção têm de considerar-se, objectivamente, como um fenómeno biológico. Anulá-lo, limitá-lo ou contê-lo, só por outro mais forte. E nisso, como no futebol e em tudo, é primacial a antecipação da jogada.» C. M. era bem claro na exposição da sua teoria, sem subterfúgios de qualquer espécie. Se queríamos que Cabo Verde se mantivesse território português era preciso antecipar, desenvolver, recolonizar… e sublinhava: «A Europa ou se fixa na África e nela mantém e completa a sua europeização ou acabará por ser o que é geograficamente: uma península asiática. E nós, portugueses, não podemos ceder um só dia na consolidação do que lá temos.»

Ponto 7 – Este ponto era o corolário de tudo o que C. M. dissera antes. Segundo ele, o interesse nacional impunha a «pronta e conscienciosa consideração do problema da integração do arquipélago de Cabo Verde no mesmo regime político das ilhas adjacentes.» Terminava com um apelo aos portugueses, para que não recusassem a quota de sacrifício que transitoriamente para tal lhes tivesse de ser atribuída. Palavras semelhantes às de Adriano Duarte Silva, dizendo finalmente uma frase lapidar: «Faça-o quem pode fazê-lo!»

Sabemos quem o podia fazer: o inquilino de S. Bento. Mas nem este nem o que lhe sucedeu o fizeram… Coisas da História.

[3790] Final do campeonato de Cabo Verde, entre Mindelense e Académica da Praia. MINDELENSE! MINDELENSE! MINDELENSE! Praia de Bote torce pelo clube da.... Praia de Bote, obviamente!!!


[3789] E viva a Macaronésia!!!

[3788] Fotos com um mês, mas ainda actuais, do lançamento de "Histórias da História de Santiago" na Praia

«Histórias da História de Santiago (Cabo Verde)», com texto de Nuno Rebocho • Fotos de Tó Gomes • Design de Inês Ramos • Prefácio de Joaquim Saial
Foi a 4 de Maio
Local: Livraria Pedro Cardoso (Praia), apresentação por Manuel Brito-Semedo

Só agora obtivemos estas fotos, pelo que só agora também as disponibilizamos.