sexta-feira, 23 de junho de 2017

[3019] É assim, mesmo assim e nada mais que assim...

Praia de Bote vai mostrar em breve dois textos alheios que tem em carteira. Contudo, pelo menos até final deste ano, não publicaremos nenhum outro que não seja nosso. Exceptuamos os relacionados com as homenagens a Manuel Ferreira e Baltasar Lopes que têm ou terão lugar em 2017.

Os materiais que nos enviam dão muito trabalho a preparar, devido à necessidade de cópia, reformatação, colocação, pesquisa ou edição de imagens e outros trabalhos que lhes conferem o aspecto limpo e acabado, quase de jornal electrónico, que todos aqueles que aqui vêm conhecem. No entanto, raramente recebemos a devida paga, que é barata mas mesmo assim não cumprida pela quase totalidade dos autores que a nós se dirigem para publicarmos os seus textos: apenas participar, conversar, comentar. Como já dissemos várias vezes, o Pd'B não é um serviço público...oficial. Podemos talvez considerá-lo oficioso... Digamos que é uma casa de amigos (e queremos que sejam sempre mais) entre si e do Mindelo, de São Vicente e de Cabo Verde. Não é lugar para cada um vir pedir publicação de textos e depois dar meia volta e nunca mais aparecer a não ser quando tem outro texto para lançar por nosso meio. 

Digamos então que amigos amigos, textos e trabalho forçado à parte. Até porque não nos falta matéria para aqui mostrar (antes pelo contrário) nem sarna para nos coçarmos…

Neste particular, até início de 2018 – e nessa altura apenas com autores que DE FACTO querem estar connosco e participar nesta praia. Nem que seja apenas para uma soneca debóxe d'bote enquanto o mar do Porto Grande até ela lança mil seixos e caroços de manga.

Entretanto, continuaremos, porque o Mindelo, São Vicente e Cabo Verde não param nunca.

Braça,

Djack

[3018] Cabo Verde, em 1937, no tempo do governador Amadeu Gomes de Figueiredo

[3017] "Mim é bô", novo disco de Tito Paris

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

[3016] "Ó Djosa, já bô podê morrê, lá lá lá lá lá!!!"

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[3015] Morna a Património Mundial da UNESCO

O já conhecido e modesto (e divulgado várias vezes neste blogue) contributo do Pd'B. Enfim, quem dá o que tem, a mais não é obrigado...

[3014] Portugal apoia Cabo Verde relativamente à elavação da morna Património Mundial da UNESCO

[3013] Cabo Verde preocupa-se com a qualidade do turismo religioso

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[3012] Cabo-verdiano em alto posto internacional

Diplomata cabo-verdiano José Luís de Jesus é reconduzido no Tribunal Internacional dos Direitos do Mar
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[3011] Concurso extraordinário do Pd'B

Praia de Bote dá uma cacho de uvas (à escolha, entre os três disponíveis) a quem descobrir o que são os campos vinculos de Lanzarote, Canárias, perto dos quais Cabo Verde obteve uma grandiosa vitória na IX edição da "Wine Run", ao conseguir os três primeiros lugares.
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

[3004] No centenário de Manuel Ferreira, os seus livros, por dentro e por fora - 1

Como prometido, iniciamos a divulgação da "roupagem" de livros de Manuel Ferreira, assim disponibilizados aos nossos amigos e visitantes. Seguir-se-ão outros - em alguns casos, a mesma obra, em edições diversas. É o que sucede hoje, com a 1.ª e 2.ª edições de "Hora di Bai", prémio "Ricardo Malheiros" (ver AQUI) de 1962. No final deste post, colocamos a par as duas dedicatórias à esposa, onde se podem verificar ligeiras alterações. Um escritor que se preze, nunca está satisfeito...
Repetimos: quem desejar ver as imagens em pormenor, deve clicar nelas.

"HORA DI BAI"
1.ª edição - 1962










"HORA DI BAI"
2.ª edição - 1963








As dedicatórias


1.ª edição - 1962
2.ª edição -1963

[3003] Depois do certeiro 3000, a capicua do 3003... com Vila Viçosa (Alto-Alentejo, Portugal) pelo meio

3000, 3001 e 3002 são posts a revisitar, pelo interesse dessa figura de luso-cabo-verdiano que foi o escritor Manuel Ferreira. Aproveitamos o presente momento para agradecer ao João Serra a participação escrita e o envio de fotografias do escritor, uma rara e as outras duas, que saibamos, vistas pela primeira vez no Pd'B.

Logotipo da candidatura de VV a PM_UNESCO
Neste post de capicua, o 3003, fugimos à regra habitual de "só Cabo Verde e nada mais que Cabo Verde" (ou nem tanto, como veremos), para darmos um salto a Vila Viçosa, berço físico do proprietário desta praia, terra que constitui um dos seus principais temas de investigação e escrita. O motivo é que decorre nova fase de tentativa de elevação do burgo a mais que merecido Património Mundial da Unesco e que o dito cujo passou a reintegrar a Comissão Executiva da candidatura. 

A coisa é demorada e trabalhosa, como seria de esperar. Mas cremos que com o necessário esforço o desiderato poderá ter bom remate. Agora, perguntará o leitor: e que relação é que isso tem com Cabo Verde? Nada e alguma coisa...

É que... o primeiro bispo de Cabo Verde nunca lá residiu; o segundo, fez ministério apenas durante um ano; e o terceiro... D. Francisco da Cruz, falecido em 1571, esteve à frente dos destinos religiosos do arquipélago por 20 anos e teve importância  tão considerável que quando morreu, com fama de santidade, dele se dizia que em Cabo Verde "obrou coisas notáveis, tanto que até os animais brutos lhe obedeciam". Algumas dessas "coisas notáveis" foram a Sé e a Misericórdia de Ribeira Grande de Santiago. E o bispo, sepultado na igreja da Misericórdia, junto ao altar de São Francisco, era de... Vila Viçosa. 

Braça para a Cidade Velha (que muito estimamos e onde temos bons amigos) e honra à memória do bispo D. Francisco da Cruz, mais um que sendo oriundo da formosa vila ducal alentejana se dedicou às ilhas de morabeza.

Paço Ducal de Vila Viçosa - Foto Joaquim Saial

[3002] Terceiro e último artigo (por agora) de João Serra sobre as comemorações do centenário do escritor Manuel Ferreira (ver também os dois posts anteriores)

Centenário de Manuel Ferreira

3 - Manuel Ferreira e Cabo Verde

João Serra
Foi a condição militar que levou Manuel Ferreira a Cabo Verde, em finais de 1941. Estávamos em plena II Guerra Mundial e o Governo de Salazar determinara a mobilização de um contingente de expedicionários para a defesa dos arquipélagos atlânticos. Pretendia dissuadir alemães e americanos da tomada pela força daquelas posições estratégicas.

O jovem furriel, como provavelmente a maioria dos milhares de companheiros desembarcados no barlavento cabo-verdiano, começou por estranhar a paisagem com que se deparou. Na evocação que fez na primeira edição de Morabeza (1957) relata o desconforto perante uma natureza agreste e os contrastes entre uma fragilização e degradação da vida humana e alguns artificialismos do ambiente urbano.

Manuel Ferreira e Orlanda Amarílis, anos 80 do séc. XX
O Mindelo, cidade de criação recente e crescimento rápido, associara o seu destino de cidade portuária à navegação a vapor que mudara o tráfego marítimo na segunda metade do século XIX. 

Quando os expedicionários portugueses aportaram ao Mindelo, a situação económica e social da cidade e da região atravessava uma crise de tripla origem: a alteração da tipologia de transporte marítimo e consequentemente das respectivas rotas com a substituição do carvão pelo petróleo; os efeitos das ameaças e bloqueios gerados pela batalha atlântica no quadro da Segunda Guerra Mundial; a persistência de períodos de seca, com o seu cortejo de impactes sobre a vida humana: doença, fome, migrações, morte.

Manuel Ferreira envolveu-se profundamente na vida local. Não foi certamente o único militar a fazê-lo, mas foi talvez dos que revelaram sensibilidade mais apurada para os dramas humanos que eclodiam no arquipélago e particularmente em São Vicente. Mas foi também dos que mais agudamente se aperceberam da extraordinária criatividade cultural cabo-verdianas, de que o Mindelo de alguma forma era na época um farol, com o seu liceu (os seus professores e os seus alunos), os seus escritores, os seus músicos/poetas, os seus intelectuais despertos para as questões da identidade, e com uma língua cuja riqueza se revelava muito superior ao que vulgarmente era admitido.

Em suma, Manuel Ferreira mergulhou num ambiente de uma vitalidade insuspeitada, matriculou-se no liceu, participou nas discussões e projectos dos estudantes do seu tempo, beneficiou do convívio com grandes professores e intelectuais, como Baltasar Lopes e Aurélio Gonçalves, descobriu a sua própria vocação literária, animou uma tentativa de intervenção cultural (a revista Certeza, de 1944). Enfim, conheceu uma jovem aluna do liceu, natural de Assomada, Santa Catarina, a futura escritora Orlanda Amarílis, com quem casou. O primeiro filho do casal, nascido em 1946, é cabo-verdiano.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

[3001] No centenário do escritor Manuel Ferreira (ver também post anterior)

Centenário de Manuel Ferreira

2 - Comemorações

João Serra
Manuel Ferreira nasceu em Gândara dos Olivais, Marrazes, Leiria, a 18 de Julho de 1917. Na sua terra natal a evocação do escritor começou em 28 de Março de 2017, com uma conferência do Professor Pires Laranjeira, docente da Universidade de Coimbra, antigo discípulo de Manuel Ferreira. A conferência teve lugar na Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, localizada na Gândara dos Olivais. No passado dia 22, dia do Município, a Câmara de Leiria entregou a Hernâni Ferreira, filho do homenageado, a medalha de ouro da cidade, atribuída a seu pai a título póstumo.

A Câmara de Leiria prepara para 18 de Julho um sarau literário e a organização de uma exposição itinerante sobre a vida e obra de Manuel Ferreira a qual deverá circular pelas escolas do concelho.

Ao microfone do Rádio Clube Port., com Aquilino Ribeiro
Também para 18 de Julho, prepara-se uma exposição para as Caldas da Rainha, no Museu de José Malhoa, sobre a vida e obra de Manuel Ferreira. A Exposição seguirá para Leiria em Setembro. Nessa altura pretende a Câmara de Leiria organizar ma conferencia internacional sobre a obra de Manuel Ferreira.

A 16 de Dezembro, no Centro Cultural de Belém, haverá uma sessão de evocação de Manuel Ferreira, com a presença do escritor cabo-verdiano Filinto Elísio e da escritora angolana Ana Paula Tavares e de Deolinda Barros, antiga aluna daquele professor que lerá passagens da sua obra de ficção. Nessa altura deverá já estar disponível uma biografia de Manuel Ferreira, que será editada pela Rosa de Porcelana, uma editora cabo-verdiana. (termina no próximo post)

terça-feira, 13 de junho de 2017

[3000] No post 3000, em dia de festa, sai para o Mundo um português cabo-verdiano, o escritor Manuel Ferreira, em aparato de centenário


Praia de Bote chega neste dia de Santo António de 2017 ao post 3000. Correr por gosto não cansa, mas que dá trabalho, dá. Na verdade, trabalho que se farta... Pesquisar em profundidade, transformar lettering diverso para uniformizar visulamente (como num jornal digital), encontrar imagens que os textos nem sempre comportam ou arranjar textos para imagens que temos, fazer apresentação dos artigos, quando necessário, "inventar" outros, lutar contra os humores dos filmes que nem sempre se adaptam ao blogue e não querem lá ficar, etc., etc., etc., é coisa para gente de barba dura. Mas é isso que tem sucedido, desde o dia inicial, a 7 de Fevereiro de 2011. E continuará, até termos paciência e tempo para tal. Porque o Mindelo, São Vicente e Cabo Verde o merecem. Sobretudo, por isso. 

João Serra
Neste dia festivo de três milhares cumpridos e como ponto alto do mesmo, iniciamos a publicação de três textos do professor universitário João Serra, nosso recente amigo, também interessado pela res cabo-verdiana, que encabeça as comemorações do centenário de nascimento do escritor Manuel Ferreira aqui em Portugal. Em continuação, Praia de Bote publicará capas dos 13 livros que temos de um dos escritores portugueses mais cabo-verdianos de sempre, dois dos quais com autógrafo e dedicatória a conhecidos seus. Um obrigado ao João Serra pela simpatia, pelos textos e pelas fotos que obviamente protegemos com marca de água, para evitar abusos.

Centenário de Manuel Ferreira

1 - Nota biográfica

Manuel Ferreira, nos anos 70 do século XX
Completa-se no próximo dia 18 de Julho o centenário do escritor Manuel Ferreira. Autor de obras de ficção como Hora Di Bai (1962) e Voz de Prisão (1971), foi também um investigador qualificado da história cultural e literária dos países africanos de expressão portuguesa, tendo editado, prefaciado, antologiado e estudado a produção literária contemporânea de autores cabo-verdianos, angolanos, guineenses, moçambicanos e são-tomenses. Alguns títulos que publicou: Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, 1977; 50 Poetas Africanos, 1989, No Reino de Caliban, 3 vols. 1972, 1976, 1986; revista África, catorze números editados entre 1978 e 1986. Em 1974 foi convidado para leccionar a cadeira de “Literatura Africana de Expressão Portuguesa” na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, iniciando então uma intensa carreira académica no decurso da qual formou e orientou estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, efectuou e publicou investigação e fez conferências pela Europa, África, Brasil e Estados Unidos.

Menos conhecida é a sua condição de militar. Manuel Ferreira alistou-se no Exército, em 1933, com dezasseis anos, tendo sido colocado em Metralhadoras 2, em Coimbra. Foi afastado em 1938, devido ao envolvimento numa tentativa de revolta. Regressou em 1940, sendo colocado em Infantaria 7, em Leiria (concelho de que era natural). Foi expedicionário em Cabo Verde, na ilha de São Vicente, ente 1941 e 1946. Voltou então para Leiria. E daqui partiu para a Índia, em 1948, ali permanecendo até 1954. Colocado em seguida em Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, com o posto de 1º sargento, prestou serviço como chefe da secretaria, em funções de substituição de um oficial, durante quatro anos. Colocado em Lisboa, em 1958 desempenhou funções no serviço de Recrutamento e Mobilização Militar. Promovido ao posto de tenente em 1965, seguiu para Luanda ali permanecendo até 1967. Passou à reserva no posto de capitão em 1974.

Quando ingressou nas forças armadas tinha o curso comercial da Escola Técnica Domingos Sequeira de Leiria. No Liceu Gil Eanes, no Mindelo, concluiu o curso liceal, letras, a que acrescentou ciências, já em Goa, no Liceu Afonso de Albuquerque. Em 1952, licenciou-se em Farmácia, na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. Em 1974 concluiu o curso de Ciências Sociais e Politicas no Instituto de Ciências Sociais e Politicas Ultramarinas. (continua)

[2999] Os judeus de Cabo Verde

Ver a partir do post 2997
Neste post 2999, lançamos o link para um interessantíssimo artigo de Ângela Benoliel Coutinho sobre a presença judaica em Cabo Verde. Fala ele de gente que se instalou nas ilhas, descendente do povo de Israel e que nelas singrou, sendo motor de progresso, modernidade e desenvolvimento. Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que sem os judeus de Cabo Verde, o país não seria "este" Cabo Verde. A ler, com prazer.

Ver AQUI

segunda-feira, 12 de junho de 2017

[2998] No centenário da Grande Guerra, surpreendemos Eugénio Tavares num jornal de Lisboa

Ver a partir do post 2997
Era a guerra, primeira mundial e Grande, demasiado grande. Nhô Eugénio interessava-se pela coisa e escrevia sobre ela num dos seus opúsculos intititulados "Cartas Caboverdeanas", de que um excerto surgiu a 25 de Maio de 1916, em "A Capital", de Lisboa. Lembremos que tal como no Continente, haviam sido apresados navios alemães em Cabo Verde (72 no total), um dos motivos que levaram os alemães a declarar guerra a Portugal. Encontrado o texto por nós há dias, precisamente no jornal lisboeta, ele aqui fica para os nossos leitores.