quinta-feira, 29 de setembro de 2016

[2535] O concurso de um só concorrente (ver post 2532)

Honra ao vencedor
Adriano Miranda Lima venceu o concurso 45 do Pd'B (ver post 2532), pelo que ganhou mais um ramo de acácia. Possui agora uma impressionante "floresta" de 30 e 1/2 ramos.

Lamentavelmente, ninguém mais esgrovetou, pelo que... obviamente ninguém mais conseguiu. Nestas coisas, só há três possibilidades: ou se fica quieto, a apreciar a paisagem, ou se esgroveta e se chega lá ou se esgroveta e não se consegue mesmo assim.

É claro que as duas últimas são de facto as melhores...

Decepcionado com a fraca receptividade obtida, Pd'B não terá amanhã paciência para se preocupar com o blogue. Isto é, amanhã, chuchem no dedo. Continuaremos depois. De qualquer modo, não será nos tempos mais próximos que realizaremos novo concurso. A energia que se gasta numa coisa destas, terá bem melhor aplicação noutras actividades.

[2534] Ti Fefa... sempre!

O texto de Adriano Miranda Lima tem dez anos mas continua actual, na sua evocação de uma das figuras de docente mais lembradas por inúmeras gerações de alunos que o estimaram e recordam sempre com saudade. Demasido extenso para as características de um blogue, ainda assim não podemos deixar de o publicar, pela qualidade e também pelo sentimento que partilhamos por este "home de Bubista" que em dimensão significativa ajudou a formar tantos de nós, mindelenses (ou aderentes...).

O PROFESSOR ALFREDO BRITO (TI FEFA)
In memoriam

Adriano Miranda Lima
Mal de mim se não utilizasse agora este nominho ─ “Ti Fefa” ─ como era mais conhecido e sempre o tratávamos na intimidade do nosso círculo juvenil. Com um tratamento mais formal não alcançaria a exegese de um reencontro no tempo com aquele que é uma marca inapagável na memória de várias gerações de alunos da antiga escola primária e, particularmente, da classe de admissão ao liceu. Refiro-me, claro está, ao professor de ensino particular Alfredo da Silva Brito, o saudoso mestre cuja acção foi deveras inexcedível na minha preparação para o liceu. 

Conheci-o quando, aos 11 anos, entrei para a frequência da admissão ao liceu, na altura um degrau escolar não absolutamente obrigatório mas que os meus pais julgaram aconselhável. Entendiam que uma boa consolidação das matérias da quarta classe só era de todo garantida com a maturação que advinha de mais um ano escolar a martelar exaustivamente nas suas disciplinas, digamos assim, a virá-las do avesso. Não sei se estavam equivocados ou não, mas a verdade é que esse ano escolar foi das experiências mais marcantes da minha meninice. Primeiro, porque se não tivesse cumprido esse ano intercalar jamais teria tido a oportunidade de conhecer e privar com o professor Alfredo Brito. Depois, porque foi nessa altura que me foi sendo gradualmente consentida uma certa soltura de rédeas que a clausura doméstica dos anos anteriores não tornara possível. Estava naquela idade infantil em que as emoções ganham uma amplitude incomparável e foi assim que passei a demandar o estádio da Fontinha e o recinto do Castilho para umas futeboladas com bola de trapo no intervalo das aulas ou depois do seu término. Isto para não falar em incursões para banhos de mar lá para os lados da Praia de Bote ou do Corê.

O Ti Fefa não era o único professor da nossa classe de admissão, nem sequer, segundo creio, o seu responsável directo em termos formais. Esse era o professor Júlio Teixeira, vulgarmente conhecido como Julinho. As aulas funcionavam num grande espaço, na chamada “Sala do Jacô”, mais conhecida como sala dos tão afamados bailes que se realizavam no Mindelo por alturas do Carnaval e não só. As aulas funcionavam na parte de manhã e era o Ti Fefa quem normalmente as iniciava, normalmente encarregando-se do português, da matemática e da história, se a memória me não falha. Aparecia mais tarde o Julinho e dava seguimento às restantes disciplinas. A acção docente pautava-se por grande rigor e disciplina, fosse exercida pelo Ti Fefa ou pelo Julinho, com pequena margem de contemplação a ser consentida aos desleixados ou pouco estudiosos. Para tanto, poderia agora invocar o efeito dissuasor e sempre omnipresente do instrumento de cabedal de 3 pernas ou das varinhas de marmeleiro ou de tamareira pendurados em local bem visível. Mas o facto é que, tanto quanto me recordo, dissuadia mais do que os instrumentos “supliciais” a postura séria, exigente e aplicada dos nossos mestres. Valha a verdade que diga que o professor Alfredo Brito era quem emocionalmente mais se envolvia connosco, talvez em função da sua idade, pois bastante mais velho que o seu colega de ofício, e da aura paternal que irradiava da sua figura e do seu jeito especial de lidar com os pupilos. Isto sem menosprezar a importância do Julinho, por sinal um mestre conceituado mas certamente mais identificado com o estereótipo normal do professor. Diria que enquanto o Julinho estaria ainda no voo ascensional para o cume da sua carreira, o Ti Fefa já estava em plena velocidade de cruzeiro, depois de ter pilotado céus ignotos e vencido várias procelas. Mas, para ser mais rigoroso, diria que o aspecto físico do Ti Fefa se me afigurava então mais como o de um sexagenário, e por isso inspirando-nos a imagem típica de um avô. Contudo, é sempre por excesso que as crianças avaliam a idade dos mais velhos, daí aceitar que ele pudesse ser mais novo do que de facto me parecia nessa altura (ano de 1955).

Mas enganam-se se pensam que a faina escolar terminava com as aulas da parte matinal. No período da tarde, elas continuavam com o Ti Fefa, e só com ele, num cenário bem diferente. Já não na “Sala do Jacô” mas no átrio do rés-do-chão do edifício onde funcionava o Sindicato dos Marítimos, um espaço lateral e encaixado ao fundo das escadas. Ficávamos então entregues exclusivamente ao nosso Ti Fefa para voltar a carregar as baionetas sobre certas matérias e trabalhos específicos, nomeadamente apuramento da caligrafia, português e matemática. O que eu guardo de mais saudoso da classe de admissão reporta-se precisamente a esse espaço do Sindicato dos Marítimos, onde o mestre desvendava algumas facetas curiosas da sua aptidão pedagógica. Dirão os teóricos modernos das ciências pedagógicas que os processos antigos eram obsoletos ou retrógrados por recorrerem à motivação extrínseca ligada à expectativa do castigo físico. É um facto que alguns colegas desse tempo recordam a varinha de marmeleiro ou de tamareira que se usava e o efeito dissuasor que ela produzia. Um deles, Luiz Silva, até me citou alguém que ainda hoje conserva uma esmerada caligrafia que foi conseguida à custa da varinha do Ti Fefa. No seu livro evocativo “Capitania”, Joaquim Saial evoca o Ti Fefa e a sua varinha mas logo acrescenta que o quadro preto e as cadeiras é que normalmente recebiam as suas esporádicas investidas, quando a cabulice ou a preguiça se tornavam mais intoleráveis. Confirmo a verdade desta afirmação. E confesso que só uma única vez apanhei uma varada, e mesmo assim muito ao de leve e aplicada pelo Julinho e não pelo Ti Fefa, embora com isso não queira alardear virtudes de imunidade a um ou outro castigozinho que a irreverência da idade bem podia justificar. Mas hoje é unânime que a pedagogia do nosso mestre Ti Fefa não estava na varinha mas na vontade de aprender que nos instilava, no sentido prático que imprimia ao ensino, na paciente destreza com que nos desembrulhava as noções mais difíceis. Com isto conseguia uma grande cumplicidade com os alunos, o que era meio caminho andado para a obtenção de bons níveis de aprendizagem em todas as matérias. 

Há dias, li um artigo de jornal em que o Vasco Pulido Valente, conceituado intelectual português, confessava que foi na quarta classe (com ou sem admissão) que aprendeu o que hoje sabe de português. Não me fazendo rogado, reagi logo com um concordante grito interior: “Ah, também eu e foi o Ti Fefa o responsável por isso”. Não há exagero no que digo, pois na admissão assimilávamos de cor e salteado toda a gramática essencial, aprendíamos a redigir praticamente sem erros de ortografia e ganhávamos um notável desembaraço na análise morfológica e sintáctica dos textos do livro de leitura de então. Não me recordo do que possa ter aprendido de essencialmente modelador em português nos meus anos do liceu até ao antigo quinto ano, ano liceal em que cessava a disciplina de português para aqueles que, como eu, não iam seguir qualquer área de Letras. Com isso não tenciono minimizar o trabalho dos meus professores de português no liceu, mas tão-só realçar uma verdade que ninguém me consegue rebater: foi principalmente Ti Fefa quem me ensinou o português que eu hoje sei, cortando e lapidando com mestria as pedras do alicerce da língua.

Falar do empenho do nosso mestre com o português e outras disciplinas é também falar do zelo e da pertinácia com que nos desemburrou na resolução de todo e qualquer problema de aplicação dos conhecimentos de matemática, área em que sobravam sempre lacunas não de todo supridas na quarta classe. Diria mais, o Ti Fefa procurava explorar nessa área, hoje um bicho-de-sete-cabeças para os alunos, todas as potencialidades conducentes a uma boa ginástica mental, criando problemas cujo enunciado percorria tudo o que constava do programa de ensino. Julgo que ninguém ficou com dúvidas sobre problemas de regras de 3 simples ou mesmo de 3 composta, de superfícies agrárias, de valores decimais e fraccionais, etc., etc. Para estes últimos, recorria, com evidente graça, ao exemplo do famoso queijo da Boavista (sua ilha natal) como valor unitário, explorando dessa forma exemplos práticos do nosso quotidiano como forma de banir o abstracto e espicaçar-nos o interesse.

A propósito desta evocação do Ti Fefa, não é meu propósito entrar aqui em juízos valorativos sobre técnicas e processos pedagógicos, porque não é assunto da minha lavra. Apenas um breve comentário. Num contexto evolutivo desde há algumas décadas, marcado pelo desenvolvimento das ciências da educação, das teorias da aprendizagem, dos métodos de ensino, muito se lastima que a escola não consiga nos dias de hoje alcançar o êxito que cientificamente parecia garantido. O sistema educativo antigo, bem personalizado no Ti Fefa, exigia muito do professor mas este dispunha de autoridade e prestígio que a própria sociedade consagrava, e nisso residia a base essencial do seu funcionamento. Mudaram-se os tempos e pretendeu-se, sobretudo nas sociedades libertas da opressão política, como a portuguesa e a cabo-verdiana, exaltar os valores da liberdade individual e promover a transformação do que parecia obsoleto e contrário aos novos paradigmas libertários. Assim, à escola antiga sucedeu uma escola permissiva, onde se calculou que a aprendizagem lúdica e uma atitude elástica e sempre confraternizante do professor seriam quanto bastava para compensar a supressão do esforço do aluno. Os resultados são o que sabemos. Um erro que considero crasso foi ter-se pretendido eliminar ou reduzir consideravelmente o esforço de memorização por parte do aluno. Um erro crasso porque se esqueceu de que a estrutura neurobiológica do ser humano tem janelas sucessivas de oportunidade que se vão revelando e fechando com o andar dos anos. No caso da capacidade de memorização, não se pode evidentemente falar em “encerramento”, mas o facto é que as suas potencialidades têm o seu esplendor máximo nos primeiros anos da escolaridade. É uma pena não serem aproveitadas, não necessariamente em detrimento dos mecanismos de raciocínio, já que estes devem ser estimulados em paralelo. 

Ora, com os considerandos anteriores só queria concluir que o Ti Fefa exercitava à exaustão a nossa capacidade de cálculo e raciocínio, sem prescindir de explorar convenientemente as potencialidades da memorização. Por isso mesmo, deficiências básicas na área da matemática nunca as senti quando transitei para níveis superiores de conhecimento dessa disciplina. Por outro lado, e no capítulo da memorização, sinto que não foi em vão aquilo que então decorei, dado que daí resultou a cozedura de valiosos tijolos em algumas estruturas da minha bagagem de conhecimentos. Ainda hoje sei de cor as regras gramaticais e as suas excepções, da mesma maneira que os marcos temporais entre os vários reinados e dinastias da história de Portugal vou buscá-los aos conhecimentos adquiridos nessa fase da minha educação.

Pela vida fora, manteve-se sempre intacto um vínculo afectivo que se criou entre mim e o Ti Fefa. Nos anos que se seguiram à minha saída de Cabo Verde, e por longo tempo, sempre que ele se cruzava com a minha mãe na rua nunca deixava de procurar saber notícias minhas: “Então, como vai aquele rapaz? Quando lhe escrever mande-lhe um abraço meu”. Quando somos muito jovens não reconhecemos o valor simbólico da humanidade de alguns gestos, mesmo os mais insignificantes. Com isto só quero dizer que me arrependo sinceramente de nunca ter escrito uma carta pessoal ao meu mestre, dizendo-lhe do tamanho do meu carinho e de todo o meu apreço por ele. Afinal, uma carta que só hoje resolvi escrever e que só me resta agora endereçar ao tempo e à memória. Pois quem sabe verdadeiramente até onde pode chegar um testemunho que vem do fundo da alma? Joaquim Saial, no livro “Capitania”, descreve: “É difícil esquecer aquele homem moreno, de olhos esverdeados, invariavelmente de fato castanho…”. Também eu, Joaquim, e muitas gerações de cabo-verdianos. Esse retrato do Ti Fefa pertence à galeria das nossas saudades. 

Tomar, 14 de Agosto de 2006

Adriano Miranda Lima

[2533] Mindelo recorda Manuel de Novas, no 9.º aniversário do seu desaparecimento físico

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

[2532] 45.º concurso do Praia de Bote

Há uma boa temporada que o Pd'B não organiza um concurso, pelo que a redacção decidiu hoje avançar com um. É literário e simples, com boas possibilidades de sucesso para quem gostar d'sgrovetá. Ei-lo:

Há dois escritores cabo-verdianos (podem ser um autor e uma autora, ou dois autores ou duas autoras) que escreveram dois livros (cada um o seu, claro) cujos títulos têm quase as mesmas iniciais. Só sairá vencedor quem disser os nomes dos dois autores e os títulos dos respectivos livros. Aqui ficam as iniciais dos títulos das obras. 

Concurso aberto até amanhã pelas 22h00. Para a resposta ser válida, terão de responder assim:

Exemplo:
A Morte do meu Poeta - Germano Almeida
Caderno de um Ilhéu - Jorge Barbosa
Pista única: ambos os autores estão vivos (já é uma boa ajuda)

As iniciais são as seguintes:
CCL
CDL

[2531] Coincidências e mais coincidências

Já se sabia que eu e o Adriano tínhamos tido o mesmo explicador, Ti Fefa, o sábio Alfredo da Silva Brito que a par do seu emprego no Sindicato dos Marítimos e ali mesmo dava explicações até à 4.ª classe e preparava miúdos para a admissão ao Liceu e Escola Técnica. Comemos dadas por ele umas belas varadas com raminhos vindos da Boa Vista, sua terra natal, quando fazíamos patifarias, mas ambos ficámos a estimar aquele homem afinal bondoso e de vastos conhecimentos, sempre vestido de castanho, chapéuzinho de fita gordurosa pelo muito uso e a ele ficámos a dever parte substancial do nosso saber.

Entretanto, escrevi um livro que à pág. 103 rezava o seguinte:

A 4.ª classe começou mal. Primeiro, não tive lugar na Escola Camões. Dizia-se que era a que tinha melhores requisitos e corpo docente e, na realidade, frequentava-a muita da rapaziada de nome sonante do Mindelo. A minha mãe ainda tentou meter cunha junto de uma das professoras, mas de nada lhe valeu, porque as salas estavam repletas e nenhuma queria mais um aluno cujo passado escolar lhe era desconhecido. Assim, fui parar à escolinha da Rua do Coco, sala única num primeiro andar, para o qual se subia por escadaria de cimento a céu descoberto. Naturalmente, no início, a garotada estranhou-me; mas em breve estabelecemos boas relações, à custa de ofertas de desenhos de cowboys, de índios e de guardas-republicanos a cavalo, com os seus capacetes emplumados, aqueles de que mais gostava e melhor sabia fazer. Depois, foi a paragem forçada, por via da operação e posterior falecimento da filha da nossa professora. Todos nós sentimos a perda, tanto mais que conhecíamos a menina razoavelmente, por a mãe a levar uma vez por outra consigo. O assunto tocou-me, sobretudo porque era apenas a terceira pessoa minha conhecida que via morrer, depois do meu avô e de um padeiro suicida de amor, na Cova da Piedade. A professora, como seria de esperar, consumida pelo desgosto, não se sentiu com coragem para prosseguir com a turma que orientava desde a 1.ª classe e os miúdos foram distribuídos por outros estabelecimentos de ensino. Nem assim, porém, consegui entrar na Escola Camões.

Acontece que o nosso amigo Zito num comentário falou de Ângelo Lima e logo a seguir fui desenterrar do arquivo um cartão dele e da esposa, Maria Fernanda, que coloquei no Pd'B. Vai daí, o Adriano referiu que a senhora tinha sido sua professora. Fez-se então luz e percebi que ambos tínhamos tido a mesma docente, ele na terceira e quarta classes, eu apenas nesta última embora apenas por um período, mais coisa, menos coisa (devido ao triste acontecimento familiar), mas lembro-me bem dela, na escolinha no topo da Rua de Coco, primeiro andar de uma só sala e pequeno terraço, para onde se subia por íngreme escada de cimento. E ainda conservo desenhos feitos ali que poderei vir a mostrar, quando calhar.

Ora ao contrário do que disse no post onde apresentei este cartão pela primeira vez (ali atrás), é muito possível que ele seja do Natal de 1962, quando eu frequentava a 4.ª classe.

Eis pois, como o mundo é pequeno. Com cerca de uma década de diferença, tivemos a mesma professora e o mesmo explicador. E várias décadas a seguir tornámo-nos amigos, sem sabermos disto tudo que a pouco e pouco temos vindo a descobrir. Honra portanto a Ti Fefa e à D. Fernanda e, já agora, a nós ambos os dois, eu e ele, Djack e Adri... Hip, Hip, Hurray!!!

Remato com agradecimentos ao Zito que confirmou que se tratava da mesma D. Fernanda, moradora para as bandas da Praça Nova e que até há poucos anos sei que ainda vivia.

[2530] "A Saga das As-Secas e das Graças de Nossenhor", romance de Onésimo Silveira de 1991

Como previsto, chegou-nos hoje mais um livro cabo-verdiano, neste caso o romance de Onésimo Silveira "A Saga de As-Secas e das Graças de Nossenhor", de 1991. Numa primeira abertura e folhear de páginas, a obra parece bastante suculenta e promete. Agora, trata-se de lê-la... Invejai, pessoal, invejai!...


[2529] Cabo Verde, a ciência e o mar

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[2528] Cabo Verde propõe aos EUA acordo de defesa e segurança

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[2527] Água corre em São Vicente, enche poços e augura boas colheitas

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[2526] "Caminho" sem K, sai hoje

Ela é Kady, o disKo é "Kaminho" e nós desejamos Ke tenha muito sucesso e Ke Khegue a 1.º lugar no top. Klaro que não Kompraremos um disKo Kom Kapa (porque um disKo sem K é muito mais agradável), mas outros provavelmente Komprarão. Boa sorte Kady. Um braça pa bô. E já agora, ali no final do Kartaz, a agência de marKeting poderia ter escrito "Oferta de KD". Que falta de KonsideraKão pelo K...


terça-feira, 27 de setembro de 2016

[2525] Sobre uma figura citada, Ângelo Lima

Falou o nosso amigo e colega bloguista Zito Azevedo, em comentário ao post 2522, em Ângelo Lima. Aqui está ele (e a esposa Morbey), em texto de cartão de um Natal que tanto poderá ser o de 1963 como o de 64. Isto, porque o de 62 era prematuro em amizades locais e o de 65 já foi passado no Atlântico, a bordo do "Alfredo da Silva", na nossa "hora di bai". Sobre o falecimento de Ângelo Lima a 10 de Junho de 2007, ver AQUINão se fala disso mas também escreveu, nomeadamente sobre a deturpação da morna, no boletim "Cabo Verde", em 1955, por exemplo.


[2524] Um guia de Cabo Verde

Ver AQUI

[2523] E pronto, a cavala saltou da Praia de Bote para Sesimbra

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[2522] Celina Pereira - "Mar Eterno", morna de Eugénio Tavares (ver post 2518)

[2521] Cesária Évora - "Cretcheu di Ceu", morna de Morgadinho (ver post anterior e os anteriores a esse)

[2520] "Cretcheu di ceu", de Morgadinho, cantada por Cesária no CD "Mar Azul" e o lenço [ver posts anteriores)

Cretcheu Di Ceu
Morgadinho
(com algumas divergências de texto)

Sol disponta di manhazinha
Êl bem ilumina és bô carinha
Carinha di santa, santa sem altar
Bôs fonte de luz, dos fonte na bô olhar!

Ca bô s'pia pa ceu, pal ca tchomabo se cretcheu
Ca bô s'pia pa mar, pal ka inveja bô olhar
Ceu tem estrela, sim c'ma mar tem area
A mim djal contam, c'ma bô ê se sereia!

Bô bem p'esse mundo, bô tem de ba pa ceu
Destino ê certo, ser se cretcheu
Esse mundo ê falso, ele cheio d'ilusao
Ka bô fala sim, ka bô entregal bô coração!


[2519] Imagens decorativas do lenço (ver post anterior)





[2518] Uma morna, um lenço, uma gralha

O lenço está cá em casa, há mais de meio século. É de seda, logo tem toque extremamente agrdável e encontra-se dobradinho, dentro de bolsa de plástico/mica, como relíquia. É claro que é de Cabo Verde e foi comprado em São Vicente, algures por 1965. Até hoje, nunca ninguém o usou. Mostra-se, pela primeira vez. 

E começamos por uma estrofe de poema de morna mais que famosa, de nhô Eugénio. Com gralha que lhe fornece o ar popular, na palavra mais erudita.


Canção ao Mar - Mar Eterno
Eugénio Tavares

Oh mar eterno sem fundo sem fim
Oh mar das túrbidas vagas oh! Mar
De ti e das bocas do mundo a mim
Só me vem dores e pragas, oh mar

Que mal te fiz oh mar, oh mar
Que ao ver-me pões-te a arfar, a arfar
Quebrando as ondas tuas
De encontro às rochas nuas

Suspende a zanga um momento e escuta
A voz do meu sofrimento na luta
Que o amor ascende em meu peito desfeito
De tanto amar e penar, oh mar

Que até parece oh mar, oh mar
Um coração a arfar, a arfar
Em ondas pelas fráguas
Quebrando as suas mágoas

Dá-me notícias do meu amor
Que um dia os ventos do céu, oh dor
Os seus abraços furiosos, levaram
Os seus sorrisos invejosos roubaram

Não mais voltou ao lar, ao lar
Não mais o vi, oh mar
Mar fria sepultura
Desta minha alma escura

Roubaste-me a luz querida do amor
E me deixaste sem vida no horror
Oh alma da tempestade amansa 
Não me leves a saudade e a esperança

Que esta saudade é quem, é quem
Me ampara tão fiel, fiel
É como a doce mãe
Suavíssima e cruel

Nas mágoas desta aflição que agita
Meu infeliz coração, bendita!
Bendita seja a esperança que ainda
Lá me promete a bonança tão linda

[2517] 55 milhões da União Europeia para Cabo Verde

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[2516] Eleições presidenciais de Cabo Verde com 52 mesas de voto em Portugal

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

[2515] Obama e Michelle são bem educados. Nem outra coisa se esperava

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Com Luís Filipe Tavares, ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde - Foto Consulado CV, Boston, EUA

[2514] Oui, oui, c'est la coqueluche du moment, la pétanque à Lajinha... Si vous ne pouvez pas nager, vous pouvez jouer

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[2513] Justiça feita em Portugal a cabo-verdiano morto em acidente de trabalho

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[2512] Ainda o Porto Grande de São Vicente de Cabo Verde e algumas curiosidades de meados do século XIX

Uma notícia simples, sem interesse de maior que não seja o seguinte: a fragata americana "Cumberland" passa pelo Porto Grande em Maio de 1858. No ano anterior, a escravatura fora abolida na ilha e neste em Santo Antão e São Nicolau. Mas em 1861 dá-se em São Vicente um surto de febre amarela que mata cerca de metade da população, chegando-se ao ponto de quase não haver mão-de-obra para cargas e descargas de carvão no porto. Mindelo ainda era vila e tinha cerca de 1400 habitantes, na altura. Resumindo, a "Cumberland" chegou ao Mindelo felizmente adiantada...

Notícia do NYT

[2511] E agora, o Porto Grande em Junho de 1897, durante a vigência do governador Serpa Pinto (ver dois posts anteriores)

Três interessantes artigos sobre o Porto Garande de São Vicente de Cabo Verde estão postos à disposição dos nossos visitantes (ver dois anteriores posts), dos muitos que temos em carteira. As virtualidades, grandezas e misérias deste belo porto estão sempre em cima da mesa e passíveis de discussão. Já foi um dos melhores da África Ocidental, já viu dias bons (em que se engordava gatos com gemada) e maus (em que velas e chaminés desapareceram do horizonte). Que os primeiros sempre se sobreponham aos segundos, são os nossos votos.