sábado, 26 de fevereiro de 2011

[0032] Os meus livros de Cabo Verde (006) - Maria de Lourdes Chantre, "Cozinha de Cabo Verde" (Editorial Presença, 3.ª ed., 1993)


MLC (Foto Joaquim Saial - clique nas imagens)
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Um dia, algures num passado remoto, alguém em Cabo Verde decidiu juntar as virtualidades do arroz com as do atum, peixaroco delicioso que tanto povoa os mares das ilhas. E a coisa resultou.  Estava inventado o arroz c'atum. Essa pessoa teria merecido o Prémio Nobel da Gastronomia, mas isso é coisa que por desgraça ainda não foi inventada. Mais tarde, a são-vicentina Maria de Lourdes Chantre resolveu colocar a receita do pitéu no seu de há muito clássico livro de comezainas crioulas "Cozinha de Cabo Verde", obra de que possuo a terceira edição - embora tenha conhecido uma ainda policopiada na biblioteca da instituição universitária onde por duas décadas leccionei.

Com prefácio de António Aurélio Gonçalves, o "sabe" manual divide-se em capítulos temáticos, a saber: Sopas e caldos, Peixes e mariscos, Carnes e aves, Cachupa, Xerém, Papas, Diversos, Conservas, Bolos, Cuscuz, Pudins, Bolos sortidos, Doces de compoteira, Guloseimas, Grogues, ponches, licores e refrescos e finalmente Frutas e chás. O manancial é enorme, a escrita coloquial e bem orientada e o prefácio do saudoso Nhô Roque (nominho do escritor António Aurélio Gonçalves) dá o sal q.b. que torna o livro uma peça inevitável em qualquer biblioteca caseira cabo-verdiana.

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O arroz c'atum é prato que se tornou ainda mais célebre depois de surgir no divertido texto "A noite dos leões" de Germano Almeida, saído em "Estórias Contadas" (1998). Um grupo de amigos reúne-se em casa de um deles para ver um derby Sporting-Benfica na televisão. Aquilo são tudo bons garfos e bons copos e o elemento comestível de apoio ao desafio é precisamente um arroz c'atum... Só que este acaba devorado apenas pelos sportinguistas que comem não só a sua parte como a dos adversários que dessa vez perderam o jogo... e o apetite. A ler com urgência por todos aqueles que ainda não tiveram esse prazer. Com a devida vénia ao autor e amigo, aqui fica a parte mais suculenta.

"ARROZCATUM" (sic) é também nome de curioso blogue parceiro, onde José Manuel Faria de Azevedo vai pondo reflexões diversas, notícias comentadas e alusões frequentes a Cabo Verde.

Eis pois como a sábia junção de um cereal com um peixe assentou arraiais nas ilhas e fora delas, sendo motivo de interesse para uma gastrónoma, um escritor e um administrador de blogue. Isto, para não falar dos que comem com deleite o inteligente prato. Viva, portanto o arroz c'atum!!! Vivaaaaaa!!!

Ficha técnica:
Prefácio: António Aurélio Gonçalves
Capa: Sector Gráfico da Editorial Presença
Fotografias: Manuel José Palma
Composição: Textype - Artes Gráficas, Lda.
Impressão: Empresa Gráfica Feirense, Lda. - Santa Maria da Feira
Acabamento: Rainho & Neves, Lda. - Santa Maria da Feira
3.ª edição, Lisboa, 1993
Depósito Legal: n.º 225 690/89

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

[0031] Os meus livros de Cabo Verde (005) - Baltasar Lopes, "Os Trabalhos e os Dias" (ALAC e Instituto Português do Livro e da Leitura, Junho.1987)


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Balta..ar com "s" ou com "z", eis a questão. Aqui, com "z", neste livrinho de contos, parte de uma colecção dirigida, organizada e orientada por Manuel Ferreira - sim, o de "Hora di Bai" - e que estava tabelado na capa com a quantia de 550$00. Por qualquer motivo que me cheira a vigarice paguei por ele 580 paus, numa livraria na altura (por volta de 1988, 89) existente na Rua Gomes Freire, Lisboa. A etiqueta ainda lá está para o provar...

Com prefácio de Arménio Vieira (futuro Prémio Camões - 2009), o caderninho - chamemos-lhe assim - de 87 páginas e com uma foto do autor, comporta os seguintes contos: A Caderneta, Dona Mana, Balanguinho, Muminha vai para a Escola, Egídio e Job, Nocturno de Dona Emília de SousaConstrutor, Pedacinho, Sileno e o que dá o nome à obra, Os Trabalhos e os Dias.

Deixamos aqui o texto de Manuel Ferreira. Atenção às últimas cinco linhas.

Ficha Técnica:
Prefácio: Arménio Vieira
Adaptação gráfica: Judite Cília
Produtor executivo: Sérgio Ferreira
Colecção: Para a História das Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa
Direcção, organização e orientação: Manuel Ferreira
Editor: ALAC - África, Literatura, Arte e Cultura. Lda., Av. D. Pedro V, n.º 11 - 2.º Dt.º 2795 Linda-a-Velha, Portugal - Tel. 4192274
Execução gráfica da Tipografia Lousanense, Lda., Praça Cândido dos Reis - 3200 Lousã
Acabado de imprimir em Junho de 1987
Tiragem: 2000 exemplares
Ref. 006
Dep. Legal n.º 7742/87

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

[0030] Coca-Cola mindelense

Imagem eBay (clique na imagem)
Foi ainda na época do então presidente do município, Onésimo Silveira. Em 2002, inaugurava-se em S. Vicente a fábrica da Coca-Cola. E uma certa quantidade de garrafas saiu com este texto. tornando a bebida mais nacional, mais das ilhas, em saboroso aparato de marketing  Curiosamente, apesar de o texto estar escrito em português, parece que a coisa aconteceu em "May"... E quem teve a feliz ideia podia ter feito um trabalhinho trilingue, com versão crioula. Mas o que é certo é que se esqueceu. Repete-se: aconteceu em May...

[0029] Os meus livros de Cabo Verde (004) - Baltasar Lopes, "Chiquinho" (Casa das Áfricas, Outubro.2008)


Mais um comprado pelo "Praia de Bote", o segundo assim obtido, de quatro que possui. A pior capa das quatro apresentadas, escura e insípida, fotografia de pano de obra bicho de Santiago, sem indicação de autoria. É daquelas que dão a sensação de que o editor não deseja nem um bocadinho que comprem o livro... a esquecer, pois afinal o conteúdo é que interessa.

Ficha técnica:
© Herdeiros de Baltasar Lpes
© Livros Cotovia, Lda. (2008)
Rua Nova da Trindade, 24
1200-303 Lisboa
Cedido por cortesia da Editorial Nova Vega, Lda., Lisboa
Capa: fotografia de pano d'obra bicho, Santiago, Cabo Verde
Outubro.2008
ISBN:  978-972-795-263-2
Tiragem: 2500 exemplares
Depósito Legal: 281572/08
Impressão: Tipografia Peres, Amadora
Biblioteca Editores Independentes
África Minha

[0028] Os meus livros de Cabo Verde (003) - Baltasar Lopes, "Chiquinho" (Edições Vega, 2006)


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Este, comprei-o, assim que surgiu nas livrarias. O miolo é o do costume. Mas a capa, no entanto, oscila entre uma palhota das Áfricas continentais e um velho e desaparecido funco cabo-verdiano - que ainda os havia, à época, mas... Veja-se como Nhô Balta descreve a casa de Chiquinho: "Ao lado da casa grande de quatro quartos, ficava...", etc. Em geral, quem é apressado e distraído pensa sempre que em Cabo Verde por esta altura havia palhotas por todo o lado, gorilas aos saltos, leões a urrar e indígenas em correria pela savana fora, de lança na mão...

Enfim!... Abençoado B. Lèza que quando chegou a Lisboa para a Exposição do Mundo Português (1940) e viu em Belém palhotas no espaço dedicado a Cabo Verde disse que se não as tirassem de imediato e as substituíssem por casas pegava na trouxa e regressava  à terra...

Salientem-se o prefácio de 22 páginas de Alberto de Carvalho e o bom aspecto geral da edição.

Ficha técnica:
Colecção: Palavra Africana/Ficção - Série Especial
Prefácio: Alberto Carvalho
© Nova Vega e herdeiros do Autor
1.ª edição em 2006
Editor: Assírio Bacelar
Capa: José Manuel Reis
Fotocomposição, Paginação Electrónica e Fotolitos: Victor Batista
ISBN: 972-699-838-7
Depósito Legal n.º 240982/06
Impressão e Acabamento: Stória - Artes Graficas, Lda.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

[0027] Um banco, nacional e ainda por cima ultramarino (para além de colonial), perto da Praia de Bote

In "O Futuro de Cabo Verde", 1.Maio.1913 (clique na imagem)
Um banco com história. Palavras curtas e três imagens, para além de um link que remete para alguém a ele ligado. Embora no nosso caso mais nos interesse a agência de S. Vicente, curiosa nas suas arcadas e gradaria que lhe conferiam austero aspecto, conveniente à função para que servia. Ali mesmo ao princípio da Rua de Lisboa, esquina da direita, para quem vem do mar. Deixou de ser ultramarino,"de jure" e "de facto" mas durante muito tempo essa há-se ser memória forte quando para o edifício olharmos.

(clique na imagem)
Imagens eBay - O Banco Nacional Ultramarino (Agência de S. Vicente), em duas épocas distintas. Repare-se na arquitectura do palácio do Governo ao fundo, também diferente.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

[0026] Poesia na Praia, capital de Cabo Verde. E mais... no coreto do platô!!!

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O "Praia de Bote" também gosta da Praia, capital de Cabo Verde, onde tem bons amigos. E do platô, (ou plateau, tanto faz...) nem se fala. Por isso, sempre que se justifique, dará notícia de eventos noticiáveis (que valham mesmo a pena) da cidade principal de Sotavento. É o mínimo que uma praia poderá fazer pela outra, já que afinal são irmãs. 

E digam lá se não se trata de um belíssimo petisco este, com poetas de primeira água? Faltam lá os vates José Luís Tavares e Corsino Fortes (e outros), mas é claro que nem todos podiam estar. Um dia ainda aqui hei-de falar de como conheci o Tavares no Hard Rock Café de Lisboa (onde combinámos encontrar-nos por causa de uma colaboração que nunca se concretizou), ele de muletas e perna partida ou o Fortes na Praia, no Palácio da Cultura, a comprar um livro meu e a pedir autógrafo aqui ao "Praia de Bote"... uma honra, uma honra, de facto! Mas ainda por cima, a coisa vai passar-se no coreto do platô!!! Ó q'pena, m'ta perdê aquel cosa sabe!...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

[0025] Um caso de beribéri no navio inglês "Sound of Jura" nas águas de Cabo Verde

(clique na imagem)
O baleeiro inglês "Sound of Jura", em maus lençóis, acabou rebocado para S. Vicente pelo "Uskmoor", provavelmente um cargueiro britânico construído em 1912 e torpedeado em 1918 (do armador Walter Runciman & Co. Ltd. ?). Quatro mortos por beribéri e um por queda de um mastro era o triste panorama da tripulação, cujos sobreviventes foram levados para o hospital de S. Vicente. Mas o melhor mesmo é o leitor atacar o saboroso inglês do jornal "Times" de 13.Junho.1913, ali mesmo às portas da I Guerra Mundial...

Hospital de S. Vicente, por volta de 1910  (clique na imagem)
Quanto à história do "Sound of Jura", ela está muito bem contada no site que irá encontra clicando nesta frase.

[0024] Correspondência postal entre os poetas Jorge Barbosa e Manuel Bandeira

Jorge Barbosa
A correspondência entre artistas é quase sempre uma mais-valia para um melhor conhecimento das suas personalidades. Neste caso de Jorge Barbosa (Ilha de Santiago, 1902 - Cova da Piedade, Almada, Portugal, 1971) e Manuel Bandeira (Recife, Brasil, 1886 - Rio de Janeiro, 1968) ela existe também. É pena que só aqui consigamos revelar o envelope de uma dessas missivas, enviada do Sal por Barbosa  (ilha onde se aposentaria em 1967, como director da Alfândega, depois de ter passado por diversas outras devido à sua profissão) ao colega brasileiro. Mas o "Praia de Bote", que tem muita coisa, não tem tudo...


Imagens eBay (clique nas imagens)

Manuel Bandeira
A carta é dirigida para a Av. Beira-Mar, n.º 406, apartamento 409, Rio de Janeiro. Tratava-se do edifício S. Miguel (designação que Barbosa não conhecia), onde Bandeira residiu antes de se mudar em 1953 para o apartamento 806 do mesmo edifício. Estamos em Junho de 1954 (assim o indicam os carimbos do correio), pouco antes de JB ter publicado "Caderno de um Ilhéu" e no mesmo ano em que MB publica "Itinerário de Pasárgada".

Seria delicioso saber o que esta carta levou através do oceano, desde o Sal até ao Rio. Na falta desse petisco negado, aqui segue excerto de poema significativo desta ligação entre dois grandes poetas de língua lusíada cujo título é... "Carta para Manuel Bandeira"

         Nunca li nenhum dos teus livros.
         Já li apenas
         a Estrela da Manhã e alguns outros poemas teus.
         Nem te conheço
         porque a distância é imensa
         e os planos das minhas viagens nunca passaram
         de sonhos e de versos.
         Nem te conheço
         mas já vi o teu retrato numa revista ilustrada.
         E a impressão do teu olhar vagamente triste
         fez-me pensar nessa tristeza
         do tempo em que eras moço num sanatório na Suíça.

         Aqui onde estou, no outro lado do mesmo mar,
         tu me preocupas, Manuel Bandeira,
         meu irmão atlântico.
(...)

Pois este envelope que aqui se divulga é prova provada que os dois "irmãos atlânticos" acabaram  mesmo por contactar um com o outro.

Recomendamos aos interessados nestas duas figuras notáveis que cliquem nos links que aqui disponibilizamos, onde encontrarão bastante informação sobre as mesmas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

[0023] Navios do Porto Grande. Ou que por ele passaram deixando rasto... (002) N/M TREZIC

Para o n/m francês “Trezic”, tudo começa muito lá atrás, em Camaret-sur-Mer, na longínqua Finisterra bretã. Mais propriamente na península de Crozon, onde se situa esse porto francês atuneiro e lagosteiro. Daí partiam os barcos de pesca por longos meses para a Mauritânia. Por isso, nos anos cinquenta foi lançado um novo tipo de embarcação que se tornará característico da zona: o “mauritano”. Equipado com centenas de armadilhas cilíndricas, possuía câmaras frigoríficas de 15 a 30 toneladas e viveiros com capacidade para 30 toneladas para manter os crustáceos vivos. Os motores desenvolviam à volta de 400 cavalos. A exploração desenfreada da espécie e a entrada de outros países neste tipo de faina, trouxe o declínio dos “mauritanos” e a sua adaptação a outros tipos de trabalho nos finais dos anos 80. Eis pois um resumo da génese da família do nosso barco que pode ser encontrada no providencial site www.bateauxdepeche.net/langmaurcm.htm

O "Trezic", atracado ao antigo molhe de Morgat em Junho.1963. Estava a ser preparado para a sua primeira campanha de pesca. Foto da colecção Thomas Widemann (clique na imagem)


Conforme se conta em http://thoniers.free.fr/fiches/trezic.html, o “Trezic” (com a matrícula CM3137) nasce em 1963 na península de Crozon (Morgat), feito sob os mesmos planos do seu irmão gémeo, o “Maitena”, no estaleiro de Auguste Tertu no lugar de Rostellec. Tinha 24 metros de comprimento e era comandado por Henri Guéguéniat. Polivalente, dedicava-se à captura da lagosta de Outubro a Maio e à do atum em Morgat, entre Julho e Agosto, altura e que a temperatura das águas africanas não permitia a conservação das lagostas em viveiros de superfície.

Desgraçadamente, o “Trezic” apenas entrou numa campanha completa, aliás muito profícua. A seguinte seria passada na pesca da lagosta em Cabo Verde. Ao fim de algumas semanas de actividade foi vítima de um acidente que danificou muito o casco, sobretudo na zona de vante. Após encalhe, ainda se faz uma perícia que indiciava possibilidades de salvamento. Auguste Tertu manda vir de Morgat o atuneiro “Marie des Îles” traz carpinteiros e ferramental mas a operação acaba por não ter sucesso e o navio é abandonado. Tinha sobrevido apenas alguns meses.

Ora bem, chegamos ao ponto crucial da nossa “stóra”. Em Cabo Verde, sim, mas onde de facto se deu o acidente? Já o soube, mas agora desconheço-o pois as nuvens da memória tendem a confundir este acidente marítimo com o de outro barco belga que naufragou mesmo dentro do Porto Grande, carregado de cevada. Suponho que em S. Vicente é que se desenrolaram os trabalhos de tentativa de salvamento, pois era na altura o único porto do arquipélago com capacidade para isso. Seja como for, a superstrutura metálica do "Trezic” acabou na esplanada em terra batida que antecedia o cais acostável. E ali visitei muitas vezes essa carcaça cheia de magia que no entanto a partir de certa altura a perdeu pois passou a ser casa de banho pública da fauna local. Para aqueles cuja memória ainda mantém de algum modo esta imagem, ela aqui vai para a avivar.

Foto NJNS - 6.Maio.1965 (clique na imagem)

Finalmente, curtas notas sobre a foto: para além das três personagens, eu , minha mãe e tia-bisavó, pode ver-se o Ford Anglia que o meu pai comprou ao comandante de um barco grego que passou por S. Vicente (na hora do nosso regresso a Lisboa vendido ao Tuta Melo, dono do Cinema Park Miramar) e lá ao fundo  (alinhada com a carcaça do "Trezic") a sempre amada Capitania dos Portos, hoje Torre de Belém.

Posso portanto dizer, "Eu estive lá!"... numa quinta-feira, em fim de tarde...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

[0022] Navios do Porto Grande. Ou que por ele passaram deixando rasto... (001) N/M NAUTA

"Nauta" (foto de autor desconhecido - clique na imagem)
O "Nauta" era um cúter (veleiro de um só mastro mas neste caso também com motor) que fazia ligações entre as ilhas (muito entre S. Vicente e Santo Antão), simpático e desenvolto, de que conheci dois armadores: Elizeu Manuel Silva e Henrique Ferro "Firrim". Aqui ficam a imagem do barco (muito divulgada entre os internautas cabo-verdianos ou afins), um desenho do malogrado político Renato Cardoso inserido no livro "Vicente of Cape Verde" (1972) do reverendo J. Elton Wood (obra que divulgarei em altura própria) e um cartão (de EMS) de Boas Festas de data incerta mas eventualmente de 1963 ou 1964 (em 1965 já pertencia a Henrique Ferro). O "V. Excia" era o patrão-mor da altura, meu pai, 1.º sargento de manobra Narciso Silva.

"Nauta", desenho de Renato Cardoso (clique na imagem)

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[0021] Os meus livros de Cabo Verde (002) - Baltasar Lopes, "Chiquinho (Edicions La Campana, Janeiro.2003)

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Eis aqui o meu segundo "Chiquinho", depois do oferecido pelo Moacyr Rodrigues (ver lá atrás).
Este também foi oferta de um bom amigo, o Dr. Celso Celestino, que conheci na Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde (Lisboa) de que ambos somos sócios. E em catalão que é língua que também se dá com a prosa de Nhô Balta.

Celso Celestino - Foto Joaquim Saial (clique na imagem)
A pequena história do volume está escrita bem à vista dos leitores deste blogue. Logo no ano de edição, a viúva do saudoso escritor, Teresa Lopes da Silva, ofereceu ao Celso o petisco que aqui divulgamos - que ele conservou por seis anos, até que achou que o mesmo estaria melhor nas minhas mãos. Oferta de oferta representa oferta superior que muito me agradou. Mas... nisto de livros quase sempre há um "mas", a verdade é que ele esteve para ter outro dono que desconheço, porque a primeira folha (antes da que aqui se vê com os dois autógrafos) foi rasgada (como se pode ver pela foto). Se isso tivesse acontecido, nunca eu teria posto a vista em cima de tal tesouro...

Logo que possível, mostrarei os meus outros dois "Chiquinhos", estes comprados aqui pelo "Praia de Bote". Nem tudo pode ser oferecido...

Quanto ao que está escrito na última linha da dedicatória do Celso Celestino, aquilo é conversa fiada, porque ele adora o seu Cabo Verde... e a sua Bubista...

Ficha Técnica:
La traducció d'aquesta obra ha comptat amb l'ajut de:
Instituto Camões
Institució de les Lletres Catalanes
Titol original: Chiquinho     
© de la traducció ala català: Pere Comellas
© Hereus de Baltasar Lopes da Silva
la edició: gener de 2003
© Edicions La Campana
Balmes, 65, 4t, la
08007 Barcelona
Tel.: 93 453 16 65 / Fax: 93 451 89 18
Disseny coberta: Helena Batet
Foto coberta (capa): Instituto Português dos Museus
ISBN: 84-95616-23-8
Dipòsit legal: B. 3.940 - 2003
Fotocomposició: EdiGestió (Barcelona)
Imprès a Romanyà/Valls. Capellades (Barcelona)

[0020] Uma carta de Augusto Vera-Cruz (então ainda não senador) para a América

O senador Augusto Vera-Cruz não requer grandes apresentações para os cabo-verdianos que, em geral, conhecem bem a sua biografia e estimam a memória desse defensor intransigente dos intereses do arquipélago, nomeadamente na área do ensino - lembremos que cedeu a própria casa para sede da primeira escola secundária ou liceu de S. Vicente que o governo português se mostrou durante muito tempo renitente em implementar. 

Imagem eBay (clique na imagem)
E correspondia-se, como era próprio de personagem que necessitava de efectuar múltiplos contactos. Aqui vai um exemplo, com envelope timbrado, para António L. Sylvia, residente em New Bedford, EUA. Datado de 1905 e enviado de S. Vicente, quando ainda não era senador (só o seria em 1912).

Clique também neste link. 
Clique neste outro, para ver o que existe no 89 da 6th Street de New Bedford, prédio onde vivia António Sylvia.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

[0019] Novo livro cabo-verdiano à vista, a partir da Etiópia... e falando, entre outras coisas, de S. Vicente

"Praia de Bote" tem o grato prazer de divulgar praticamente em primeira mão o livro ainda no prelo "O Exame da 4.ª Classe" do médico sanicolaense João Soares (ou John Gungunhana de seu nominho e pseudónimo literário). A obra, já maquetada, chegou-nos directamente da Etiópia, onde João Soares trabalha para a AMREF (African Medical and Research Foundation). "Praia de Bote" está a lê-lo atentamente e promete dar a sua opinião logo que possível. Sobretudo porque fala largamente de S. Vicente, onde o autor realizou o seu ensino liceal.


(clique em ambas as imagens)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

[0018] Adriano Miranda Lima - Poemas da Praia de Bote - "Rumores da Praia de Bote" (2)

Adriano Miranda Lima













© Joaquim Saial (clique na imagem)

REPOUSO DOS BOTES
 

Os botes são os restos postergados
Da faina tumultuosa de outros tempos.
Sobram, avulsos, ensimesmados,
Na vasta enseada materna
Onde encalharam os sonhos.

Uns, insepultos, não desesperam
De uma anunciada ressurreição.
Outros, mais desatinados contra o destino,
Aguardam o som do apito longínquo,
Já refeitos do eco enganoso do mar,
Para rumarem ao costado da fortuna.
- O lume que alimenta seu sonho
Crepita entre os destroços queimados

Da resignação da última espera.

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[0017] Adriano Miranda Lima (novo e primeiro colaborador do PB) - Poemas da Praia de Bote - "Rumores da Praia de Bote" ou 5 poemas arrancados às areias, aos barcos e aos "habitantes" desse praia sabim sabim... (1)

Adriano Miranda Lima
É uma série de cinco poemas sobre a nossa idolatrada praia (com o título  "Rumores da Praia de Bote"), escritos sob a emoção deste mindelense  de quatro costados que regressou à terra 40 anos depois de de lá ter saído. Os poemas já estavam na net, num pequeno site do autor que agora no-los oferece para maior divulgação - o que é enorme prazer que vivamente lhe agradecemos. Aquel braça de ratchá osse, Adriano. Aqui vai então o primeiro...


© Joaquim Saial (clique na imagem)

PRAIA SENSUAL

A espuma do mar é a mão
Que vem ao teu encontro
E se insinua até mais não
Na tua cálida mansidão.
Tange com doçura maculada
Tua corda mais sensível
E amas como se o tempo não fosse
E vitalícia tua fortuna se mantivesse.

Homens estirados ao sol
Sentem teu sinal chamativo
E aguardam no teu seio amoroso
As últimas dádivas possíveis,
Mesmo sabendo já exaurida
A rocega dos teus fundos
E cada vez menos pródigas
As marés enchentes de promessas.

Reconfortam-se saboreando
O langor da pose expectante
E o recalcado apelo dos sentidos,
Que o sonho não empenha suas virtudes.
Longe esvaem-se os rumores da baía,
E é quando demanda as águas mansas
Uma barca de estranho pavilhão.
De onde vem? Para onde vai?
Não interessa, basta o encantamento...

w

sábado, 12 de fevereiro de 2011

[0016] Cesária elogiada no "Guardian" (Reino Unido)... mais uma vez...


"Cesária Évora &...", o mais recente disco da diva, compreende 19 duetos, entre os quais um com Bonga em que ambos interpretam o segundo hino de Cabo Verde, "Sôdade". Ver o elogio do "Guardian", escrito por Robin Desenlow.
Ó q'sôdade dela na Praia de Bote...

Ver Cesária e Marisa Monte
Cesária e Compay Segundo
Cesária e Lura
Cesária e Giggio d'Alessio (que não participa neste disco)

[0015] Os meus livros de Cabo Verde (001) - Baltasar Lopes, "Chiquinho" (Edições Calabedotche, Dezembro.1997)

"Chiquinho" é em Cabo Verde o equivalente a "Os Lusíadas" em Portugal, digamos que o livro nacional. Ou, se quisermos, sendo Cabo Verde país de língua (também) portuguesa, "Chiquinho" consubstancia para as gentes das ilhas uma espécie de irmão do de Camões...
O livro  de Baltasar Lopes (1907-89) foi publicado pela primeira vez em 1947, com a chancela das edições Claridade. Depois disso, já viu muitas versões. A que o "Praia de Bote" aqui traz é de Dezembro de 1997. Como veio ele parar às nossas mãos?  A história conta-se em três penadas. 

(clique na imagem)
Estava eu em S. Vicente, em Julho de 1999, tentando encontrar a obra mestra de Nhô Baltas, sem o conseguir. Não houve livraria nem papelaria em que não entrasse à procura do apetecido livro, mas nada...  Apesar de recentemente reeditado, parecia desaparecido. Até que, vendo-me quase em desespero de causa, alguém me disse que a única possibilidade talvez fosse contactar o Moacyr Rodrigues que o republicara na sua editora Calabedotche, dois anos antes. No Centro Cultural do Mindelo (a antiga Alfândega) deram-me o seu contacto e combinou-se  encontro para ali mesmo, no dia seguinte. À hora prevista, lá veio ele com o livrinho que simpaticamente me ofereceu. Mais duas coisas lhe devo: ter-me autografado a peça e mostrado a porta do gabinete onde trabalhara o poeta Jorge Barbosa...

(clique na imagem)
(clique na imagem)
E foi assim que obtive o primeiro dos quatro "Chiquinhos" que possuo, a história do menino nascido no Caleijão, ilha de S. Nicolau, que há-de ir estudar a S. Vicente (como era então inevitável, para quem  em Cabo Verde queria prosseguir estudos para além da 4.ª classe) e regressar depois à terra que abandonará em breve, partindo enfim para a América para onde o pai também emigrara, seguindo o dramático destino da "hora di bai" cabo-verdiana.

Agora, as ligações: Baltasar Lopes da Silva foi meu professor no segundo ano do Liceu Gil Eanes - que tanto Moacyr como o herói Chiquinho também frequentaram; Moacyr é irmão de Titina, uma das vozes mais características de sempre da música cabo-verdiana e ela canta no primeiro disco que adquiri, ainda menino, integrada no Conjunto Cabo Verde; o pai de Moacyr foi salvo-erro piloto da "minha" Capitania dos Portos,  embora anos antes de eu lá ter residido. Digamos que ao fim e ao cabo estamos todos ligados. E com Moacyr também já estive em outras ocasiões, em Lisboa, como no memorável lançamento do livro de Valdemar Pereira "O Teatro é uma Paixão - A Vida é uma Emoção", que apresentei na Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, em 8 de Maio de 2010.

Moacyr Rodrigues na AAAESCV (foto de autor desconhecido - clique na imagem)
Seguir-se-ão, logo que possível, os meus três outros "Chiquinhos"...

Ficha Técnica.
CHIQUINHO
Autor: Baltasar Lopes
©Autor e Edições Calabedotche - S. Vicente
Composição: Burótica de S. Vicente, Lda.
Impressão e encadernação: Gráfica do Mindelo, Lda.
Tiragem: 3000 exemplares
Mindelo, Dezembro de 1997

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

[0014] Luís Morais, o grande! O mago do clarinete, na Praia de Bote.

video

Junto ao monumento a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, mesmo ao fim (ou no início) da Praia de Bote. tocando "Pipilita". O filme tem deficiências de som mas até isso o torna mais apetitoso.

[0013] A "London House", de novo, com etiqueta de souvenir e tudo...

In "O Futuro de Cabo Verde", 1.Maio.1913 (clique na imagem)
Lá atrás, já tínhamos feito alusão, com anúncio, a esta bem recheada casa comercial da Rua de Santo António (vulgo Rua de Matijim). Mas entretanto descobrimos no nosso arquivo mais uma imagem que  amplia o conhecimento sobre a loja. Ela aqui vai... Trata-se da etiqueta de algum objecto/souvenir adquirido na loja do João da Boa Sorte, nominho de João Joaquim Ferreira. Que objecto seria? Quem o terá comprado? Mistérios para sempre insolúveis, parece...

Imagem eBay (clique na imagem)

[0012] M'crê aquel aguinha sabe d'Vascónia

Foto NJNS - 24.Junho.1965 (clique na imagem)
Aí estão elas na Rua de Praia, a mulheres de S. Vicente, junto à Ferro & Companhia (ou Vascónia), à espera da sua vez para  o enchimento de um lata de 20 litros de água. E um "pliça d'staçom" (um polícia da esquadra), mantendo a ordem que é o mesmo que dizer evitando encontrões, murros e cabelos arrancados... Não estava muito longe do quartel o nosso agente da autoridade, pois a "staçom" é o edifício que ali se vê de bandeira arvorada, embora fosse quinta-feira. A da lata na cabeça chamava-se Margarida e foi pouco depois trabalhar para a Holanda. Tempos difíceis que neste particular ainda bem que não voltam. 

Na parte posterior da foto há a seguinte indicação: "24.6.1965 - Fila da água. Ano de grande seca em S. Vicente de Cabo Verde". Mais uma razão para não querermos regressar ao passado, mas aí a Natureza pode fazer-nos surpresas...

Mais uma vez, estamos pertinho da Praia de Bote.