quarta-feira, 29 de abril de 2015

[1488] Durante a II Guerra Mundial, não havia carta que não fosse aberta...

Incluindo as do comerciante são-vicentino António Miguel de Carvalho que em Abril de 1940 estava de luto... e que escrevia para "The Texas Company" (Texaco), em Nova Iorque. Coisas de combustíveis, claro, eram logo suspeitas e pimba, carta aberta.



[1487] Vrá moda na Soncente ta robá tchuc

Ver AQUI

[1486] De onde veio a capa de "Chiquinho" de Baltasar Lopes, em edição catalã

Demos com o postal ontem e fez-se finalmente luz. Foi a partir dele que a capa do "Chiquinho" em catalão foi elaborada. Veja-se o trabalho gráfico e a história do exemplar que possuimos AQUI. Uma história cabo-verdiano-catalã desvendada.



segunda-feira, 27 de abril de 2015

[1485] A saga dialogal-linguística num café imaginário do Mindelo continua. Hoje, com uma convidada especial

IX Parte

(Ver I AQUI, II AQUI, III AQUI, IV AQUI, V AQUI, VI AQUI, VII AQUI e VIII AQUI)

(Este diálogo tem decorrido entre duas personagens fictícias, mas hoje a Dr.ª Ondina Ferreira partilha este debate como convidada de honra figurada)

Adriano Miranda Lima
Filinto:  ̶   Elísio, o nosso último diálogo terminou quando analisávamos a questão da flagrante identidade lexical entre o português e o crioulo e as muito prováveis implicações que daí advêm para a autonomia linguística que os  promotores da “lingu maternu” aspiram com vista à sua  consagração plena como vector da cultura cabo-verdiana.

Elísio:  ̶  Julgo que foi mesmo aí que interrompemos a nossa animada conversa, ou seja, naquilo que pode oferecer ainda muito pano para a manga da nossa discussão. Assim sendo, acho que podemos desde já sentenciar que o crioulo dificilmente consegue ocultar a sua origem genética e assumir uma personalidade morfológica e semântica própria. Mesmo que se queira usar de alguns disfarces para ocultar a realidade, será um esforço vão pretender que o crioulo seja verdadeiramente uma língua veicular sem as inúmeras e preponderantes muletas da língua portuguesa.

Filinto:  ̶  Queres tu dizer que a diferença entre o crioulo e o português se situa essencialmente em particularidades de organização gramatical e de articulação sintáctica, sendo que uma tende para a extrema simplificação formal a esse nível e outra para o apuro e  preciosismo na construção frásica. E esta circunstância vem ao cimo, com amplitude variável, quando se usa o crioulo na comunicação mais técnica ou erudita.

Bem, penso que é o momento de te dizer que “convidei” para partilhar esta nossa discussão a Ondina Ferreira, professora e escritora. Ela intervirá figuradamente mediante as suas opiniões expressas em artigos publicados na imprensa e textos postados no seu blogue Coral Vermelho.

Elísio:  ̶  Excelente ideia, amigo, trata-se de uma importante personalidade da cultura cabo-verdiana que nos vai ser de muita utilidade para a clarificação de algumas matérias desta temática, mormente o ponto que estamos neste momento a abordar. Neste caso, se me é permitido, avanço já com uma pergunta. Ondina Ferreira, li há tempos o seu artigo com o nome de “Crioulês” (1), e acho que o seu conteúdo se prende directamente com esta questão da identidade lexical entre o crioulo o português. Resultando o neologismo “Crioulês” da amálgama entre as palavras crioulo e português, é perfeitamente deduzível o seu significado e a intenção que lhe subjaz. Pode dizer-nos o que a motivou a fazer essa denúncia?

“Ondina Ferreira”:  ̶  Ora, com certeza. Eu, na altura, e já lá vão 9 anos, entendia o que era perceptível pela generalidade dos cabo-verdianos, isto é, que de há muito  estava a “insinuar-se discretamente, paulatinamente, diria, quase envergonhadamente, mas sempre em crescendo, uma nova língua – chamemo-la “crioulês”, por comodidade de expressão – uma forma particular de comunicar e de se fazer entender, utilizada, sobretudo, nos “media”, pelos técnicos, pelos políticos e pelos professores da terra, que, parecendo, não querer exprimir-se nem em crioulo, nem em português, ou fugindo a isto, optam e fazem-no através desta espécie, híbrida, de compromisso, para uma fala situada entre o crioulo e o português.”

Filinto:  ̶  É também a minha opinião e a do meu amigo Elísio,  Ondina. Será que nos pode adiantar algumas evidências desta realidade?

“Ondina Ferreira”  ̶  Naturalmente que sim. Ora, “folheando um caderno de apontamentos encontrei, há alguns anos, num puro acaso, as linhas que se seguem resultantes de uma intervenção escutada numa reunião institucional – aquando da virulência do dengue na Praia – mas cujo conteúdo pareceu-me interessante para ilustrar o assunto em questão. Não resisto a transcrevê-la: ‘Isso ta bem obriga a que haja uma mudança na política di saúde pública. Para além disso, Praia stá em conexão muito forte cu resto do país’.

Se bem repararmos, apenas três partículas (grafemas) deste pequeno excerto ficam de fora do português: di, stá, e cu. (É bom não esquecer que estas mesmas partículas são vestígios do português quinhentista, base da formação do crioulo). Daí a minha reiteração de que a língua cabo-verdiana ou o crioulo de Cabo Verde se encontra cada vez mais interdependente da Língua portuguesa hodierna. E isso é bem visível na oralidade dos falantes escolarizados e na dos técnicos de intervenção pública/mediática, que ao veicularem uma mensagem de cariz médico, educativo, ou outra de carácter técnico-científico se socorram do vocabulário e da construção frásica bem próximos da língua portuguesa. É também o sociolecto ouvido em certos ambientes escolarizados.

No mesmo registo, aconteceu-me numa destas manhãs, ia eu no carro às compras e de rádio ligado, ‘apanho’ ainda bocados de uma entrevista na RNCV. O entrevistado questionado se alguém que fora nomeado para o cargo – referido pelo Jornalista – tinha o perfil adequado, responde nos termos que a seguir transcrevo:

‘Na nha opinião ele tem o perfil ideal. Ele é um perfeito conhecedor da área qui el stá bágere; tanto mais, que se trata di um pessoa muito capaz e cu provas dadas.’ (sic) (o sublinhado é meu).”

Elísio:  ̶  Ondina, quase que dá vontade de rir, não é? Eu até diria que esta nova linguagem com mais propriedade se deveria chamar "portucriol", por mais próxima do português que do crioulo. E se assim é, como se pode considerar o crioulo aquela língua de identidade linguística própria se basta o uso de uma expressão mais erudita para ele ser logo despido dos seus andrajos caseiros? Olhem, ainda estou com vontade de rir só de me lembrar dos exemplos que a Ondina acabou de citar. Pergunto se vale a pena tanto trabalho, tanto consumo de energias mentais e recursos para promover o crioulo para, mais tarde ou mais cedo, banir o português como língua oficial, ou secundarizar a sua importância, se  entre os dois idiomas não existe um diferencial linguístico significativo. 

Filinto:  ̶   Pois, a tua dúvida é legítima, Elísio. Na verdade, para quê toda esta polémica deletéria que se levantou no país se ao fim e ao cabo o que vai prevalecer na comunicação oficial, nas escolas, na imprensa escrita, na televisão, etc., é o “crioulês” ou o tal “portucriol” como lhe chamaste? Reparem que isto dará azo a que os outros falantes do português se intriguem perguntando por que raio falam os cabo-verdianos tão mal o português. E depois ficarão também pasmados com a nossa aparente  dificuldade em eliminar aqueles “elementos esquisitos” que ninguém conhece no mundo lusófono, como o “di”, o “stá” o “nho”, que nos impedem de para falar o português como eles. O que acha a Ondina disto?

“Ondina Ferreira”  ̶  Agora sou eu que estou com vontade de rir. Vejo que nenhum cidadão dos PALOP precisará de tradução para perceber o conteúdo daquelas frases. Com aquelas exemplificações apenas pretendi ilustrar “a  minha convicção de que a oralidade culta – chamemo-la assim – do crioulo actual, se aproximou muito fortemente da língua portuguesa. É um dado que diariamente – ou quase – venho verificando aqui nas ilhas. E isso passa-se sobretudo com o segmento do crioulo que os falantes utilizam nos media nacionais. Embora se trate de um fenómeno linguístico de há muito previsto, lembremo-nos de que Baltazar Lopes da Silva numa das suas intervenções na célebre ‘Mesa Redonda sobre o Homem cabo-verdiano’ (Mindelo, 1956) afirmava que o crioulo, para além da sua inquestionável e crescente vitalidade, caminhava também e cada vez mais para uma espécie de ‘aristocratização’ que ele ilustrava da seguinte forma: ‘…É de um interesse extremo observar como e em que compartimentos se processa esta aristocratização. Primeiramente na fonética. Não admira. Maurice Grammont notou esta tendência, ou esta maior permeabilidade da fonética a influências exteriores mais prestigiosas. Suponho que a tendência assenta na constante que leva o homem, quando desejoso, mas impossibilitado de assimilar totalmente um padrão diferente do seu, a copiar-lhe, ao menos, a forma externa. Em segundo lugar, no léxico. O crioulo dispõe hoje de um tesouro lexical de origem portuguesa que me não parece inferior, ao menos em grau sensível, ao padrão comum do vocabulário metropolitano. A aristocratização vocabular enverga ainda uma vestimenta de que o português e as outras línguas românicas fizeram largo uso: a divergência. É assim que, quando o crioulo possui no seu léxico tradicional determinado vocábulo, a influência do português exerce-se, não no sentido de essa forma desaparecer, mas no dela se aproximar o mais possível da forma correspondente portuguesa…’

Não sei se o eminente filólogo já não teria em mente a possível ‘décaláge’ que a mais recente proposta ortográfica para a escrita do crioulo iria criar entre a sua expressão oral e a sua expressão escrita(?), pois que Baltazar Lopes foi avisando de que não haveria necessidade de se ‘inventar’ qualquer conjunto alfabético para a normalização escrita, uma vez que a já antiga língua (o crioulo) que ele caracterizou como sendo de origem latina/portuguesa já o possuía de séculos com uma história etimológica própria.”

Elísio:  ̶ Ondina, ainda bem que trouxe de novo a este debate o pensamento de Baltasar Lopes. Já o tínhamos feito numa das nossas conversas anteriores, convidando-o para esta mesa nas mesmas condições em que a Ondina nos está a obsequiar com a sua gentil e eloquente presença.

“Ondina Ferreira”  ̶  É com imenso gosto que o fiz, pois aquele nosso eminente intelectual é uma presença sempre viva e estimulante nas nossas deambulações intelectuais. Se me permitem agora, “num aparte gracioso, um familiar meu disse com muito espírito: ‘ ̶  Convenhamos de que não havia de ser com o ‘K’ empurrando o ‘C’ borda fora que resolveríamos o problema!’. Ora bem, tudo isto se conjuga com a tese que comungo de que há uma cumplicidade e uma interdependência cada vez mais acentuadas e intensivas entre o crioulo e o português de Cabo Verde, nos dias que correm. Se me perguntarem, se isso é bom (?) se isso é mau (?) talvez respondesse que a questão arregimenta em si características positivas e características negativas. Mas que algo – uma nova reconfiguração da língua? ̶ se desenha de forma indelével nesse ‘aportuguesamento’ do crioulo, como também, já antes se inscrevera no ‘acrioulamento’ do português de / e em Cabo Verde, disso não tenho dúvidas!

Paralelamente, a escolaridade em língua portuguesa deve estar muito atenta a estes fenómenos linguísticos de entrosamento, pois que não me parecem que já sejam apenas ‘empréstimos’ de uma língua para a outra, respectivamente em posição de ascendente e de descendente. E depois,  a língua cabo-verdiana, na parte que tem de ‘rebelde, transformadora, criadora e inovadora’ – sobretudo na sua oralidade – porque ainda em permanente estado de ‘magma’, permitam-me esta comparação, acaba ela própria, por vontade dos seus falantes e com a ajuda das ferramentas adequadas por encontrar o seu caminho. Se pende, ou não, para um reajustamento (reaproximação) com a matriz que lhe deu origem é algo que o tempo, os interesses do falante e as vicissitudes complexas que o mundo global de hoje comporta, dirão. Da minha parte, limito-me a apontar e…a tirar apontamentos também!”

Filinto:  ̶ Já agora, e sobre esta questão do “crioulês”, há uns anos que já lá vão, acompanhei pela rádio um debate sobre  a implementação de um novo regime fiscal e aduaneiro e recordo-me bem de que a língua veicular utilizada pelos intervenientes era precisamente o "crioulês". O debate destinava-se a esclarecer o público e a terminologia técnica predominava na interlocução, como o impunha a natureza específica dos assuntos em presença. Em consequência disso, os vocábulos resultavam na sua quase totalidade em português, só fugindo, de um modo geral, à norma idiomática, as partículas de ligação, os prenomes e artigos, normalmente invariáveis em género, e as flexões verbais. Contudo, quem distraidamente estivesse a ouvir o debate e não conhecesse a origem dos intervenientes, seria à partida induzido a identificar uma conversação em língua portuguesa com umas “coisinhas esquisitas enxertadas” pelo meio, e só instigando mais a audição notaria as destoantes particularidades do acessório linguístico rudimentar. Isto porque, mesmo que se não quisesse, a matéria em discussão, predominantemente técnica, não podia evitar o uso alargado do vocabulário técnico português, porquanto o crioulo, até agora, não lhe encontrou qualquer tradução ou sucedâneo, nem alguma vez encontrará.

Elísio:  ̶   Bem, proponho que fiquemos hoje por aqui. Resta agradecer à Ondina Ferreira a sua disponibilidade e o precioso contributo da sua opinião sobre esta importante temática nacional.


(1)  Artigo de Ondina Ferreira intitulado “Crioulês”, publicado em 10 de Maio de 2006 no jornal Expresso das Ilhas.
(2) Artigo de Ondina Ferreira intitulado “Crioulês? Ou a dependência do crioulo actual à Língua matriz?” publicado em 2 de Outubro de 2010 no seu blogue Coral Vermelho.

Tomar, 12 de Abril de 2015
Adriano Miranda Lima

[1484] Blogue "Cidade Velha 1462" chega ao post 700

Blogue "Cidade Velha 1462" chega ao post 700 e comemora o facto com a publicação de um poema de José Luís Hopffer Almada sobre o Berço da Nação.
Ver AQUI

quinta-feira, 23 de abril de 2015

[1481] No 108.º aniversário de nascimento de Baltasar Lopes da Silva ______________________________ (Praia de Bote regressará em força, a 27 deste mês)

Há 108 anos, precisamente a 23 de Abril de 1907 (ou em 1906, segundo alguma literatura - ver AQUI), nascia no Caleijão de São Nicolau Baltasar Lopes da Silva. Professor dos mais prestigiados de Cabo Verde, escritor e decisiva consciência moral das ilhas, deixou-nos várias obras literárias, entre as quais avulta o romance "Chiquinho". Da Wikipédia (com adaptações), aqui deixamos alguns dados sobre esta figura ímpar da cabo-verdianidade.

Baltasar Lopes da Silva (Caleijão, São Nicolau, 23 de Abril de 1907 - Lisboa, 28 de Maio de 1989) foi um escritor, poeta e linguista de Cabo Verde que escreveu em português e em crioulo.

Com Manuel Lopes e Jorge Barbosa, fundou a revista Claridade. Em alguns dos seus poemas usou o pseudónimo Osvaldo Alcântara. O seu romance mais conhecido é "Chiquinho" (1947). Escreveu também uma descrição dos crioulos de Cabo Verde, "O Dialecto Crioulo de Cabo Verde", Lisboa, Imprensa Nacional, 1957.

Um poema seu, "Ressaca", encontra-se no CD Poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, de Afonso Dias.

Caleijão - Blogue "Cabo Cool"
Tendo feito os estudos secundários no seminário-liceu de São Nicolau e em São Vicente, viajou para Portugal para estudar na Universidade de Lisboa. Durante o seu tempo em Lisboa, Baltasar Lopes conviveu com importantes nomes da cultura portuguesa, como, por exemplo, Vitorino Nemésio e Câmara Reis. Formou-se em Direito e Filologia Românica, tendo sempre obtido excelentes notas durante os seus estudos na Universidade de Lisboa. Depois da universidade, Baltasar Lopes regressou a Cabo Verde, onde exerceu o cargo de professor no Liceu Gil Eanes em São Vicente. Após alguns anos foi nomeado reitor deste liceu. Chegou a deixar a colónia portuguesa mais escolarizada para ensinar em Leiria (Portugal) por um breve período, mas devido às dificuldades de relacionamento com a política portuguesa daquela época, regressou para Cabo Verde onde continuou educando e exercendo a advocacia. Os seus últimos dias foram passados em Lisboa onde foi transferido para tratamento de uma doença cerebrovascular. Faleceu pouco depois, no dia 28 de Maio de 1989.

Em 1936, Baltasar Lopes, com a colaboração de outros escritores, como Manuel Lopes, Manuel Ferreira, António Aurélio Gonçalves, Francisco José Tenreiro, Jorge Barbosa e Daniel Filipe, fundaram a revista cabo-verdiana Claridade, revista de ensaios, poemas e contos. Os colaboradores denunciavam os problemas da sua sociedade, como a seca, fome e a emigração. Baltasar Lopes, juntamente com eles, criou melhores condições para o conhecimento das raízes da cultura cabo-verdiana; a revista salientou o estudo da realidade cabo-verdiana, especialmente dos grupos sociais mais carenciados.

Em 1947, publicou o romance "Chiquinho" que descreve os costumes, as pessoas, as paisagens, e problemas sociais e familiares que existiam em Cabo Verde na primeira metade do século XX. É um romance de aprendizagem sobre o povo cabo-verdiano e sobre o destino que muitos cabo-verdianos tiveram que tomar para conseguirem uma vida melhor, o destino da emigração.

Em 1962, em visita a Cabo Verde, o ministro do Ultramar Adriano Moreira entregou-lhe em nome do Estado a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Foi já perto do final da vida distinguido também por Portugal com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique (1988), o Grande Colar da Academia de Ciências de Lisboa e o doutoramento "honoris causa" da Universidade de Lisboa.

OBRAS
Chiquinho, 1947
Cabo Verde visto por Gilberto Freyre, 1956
O dialecto crioulo de Cabo Verde, 1957
Antologia da Ficção Cabo-Verdiana Contemporânea, 1961
Cântico da Manhã Futura (poemas), 1986 (com o nome poético de Osvaldo Alcântara)
Os trabalhos e os dias (contos), 1987

quinta-feira, 16 de abril de 2015

[1479] 40 anos do "Terra Nova"

O Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos Fonseca, presidiu, na tarde de 14 de Abril, à abertura da conferência dos 40 anos do Jornal "Terra Nova". O acto teve lugar na Sala de Conferências da Biblioteca Nacional, Praia, ilha de Santiago.

Estas fotos foram enviadas para o Pd'B pela Presidência da República de Cabo Verde, à qual agradecemos a amabilidade do acto. No número especial do 40.º aniversário, que se vê nas primeiras imagens, colaboraram Joaquim Saial, Adriano Miranda Lima e Ondina Ferreira (tudo gente do Pd'B), entre outros.





Cardeal D. Arlindo Furtado, PR de Cabo Verde e Frei Gilson Frede
Cardeal D. Arlindo Furtado, PR de Cabo Verde e Frei Gilson Frede
PR de Cabo Verde e cardeal D. Arlindo Furtado
Frei António Fidalgo, primeiro director do "Terra Nova", e PR de Cabo Verde
Frei Gilson Frede, actual director do "Terra Nova" e PR de Cabo Verde

sábado, 11 de abril de 2015

[1478] 200.000, MESMO!!!


[1477] Domingo, 26 de Abril (logo a seguir ao "25"), saem em Lisboa as "Crónicas Desaforadas" de João Branco


João Branco
"(...) Devíamos transformar as dificuldades de viver numa pequena aldeia - todos os habitantes de Cabo Verde juntos não chegam para compor  uma cidade de tamanho médio num qualquer país sul-americano - em vantagens nossas. Aqui não há lugar para o anonimato, todos se conhecem, todos já tivemos algum tipo de relacionamento com praticamente todas as pessoas com quem nos cruzamos durante um dia normal.

Andamos na rua e somos cumprimentados de forma afável pelo condutor de camião que faz a recolha do lixo, pelo funcionário da CV Telecom que vem verificar uma avaria da Internet, pela senhora da mercearia Mendes & Mendes, pelo homem que vende os jornais numa cadeira de rodas na Rua de Lisboa, pelo gerente do Café Portugal, pelo polícia de trânsito  que está ali na esquina da Praça Nova, pelo engraxador da Pracinha da Igreja, pelo amigo que temos como salva-vidas na praia da Lajinha, que também toca violão e é ator nos tempos livres, por algum anónimo que nos para na rua e nos pergunta se no próximo fim-de-semana há alguma peça de teatro na cidade. (...)"

Cartaz do Praia de Bote
Cartaz oficial da editora Rosa de Porcelana
JOÃO BRANCO

Nasceu em Paris em 1968.
Vive em Cabo Verde desde 1991, na cidade do Mindelo.

Doutorando em Artes, Comunicação e Cultura, pela Universidade do Algarve.
Mestre em Artes Cénicas, especialidade Encenação, com a classificação de Muito Bom. 
Licenciado em Gestão do Património e Organizações Culturais, com a classificação de Muito Bom.

Inicia as suas atividades cénicas em 1984 com o encenador João Paulo Seara Cardoso. Em 1987 dá as suas primeiras aulas de Iniciação Teatral no Liceu Camões, a convite da Associação de Estudantes. Em 1990 encena o seu primeiro espetáculo Quem me Dera Ser Onda do escritor angolano Mário Rui, na Escola Sec. D. Maria II, em Lisboa.

Inicia em 1993 no Mindelo, o I Curso de Iniciação Teatral a convite do Centro Cultural Português (CCP), que já com catorze edições. Por eles passaram já centenas de pessoas. Funda em 1993, o Grupo de Teatro do CCP do Mindelo (GTCCPM), onde é encenador e director artístico. Neste grupo de teatro já encenou e produziu 50 espetáculos teatrais, com textos de autores cabo-verdianos, como Arménio Vieira, Germano Almeida, Caplan Neves e Mário Lúcio Sousa, ou da dramaturgia universal como Camus, Oscar Wilde, Garcia Lorca, Willian Shakespeare, Victor Hugo, Moliére, Beckett, Muller, Alfonso Castelao, entre outros.

Comemorou, em 2014, a sua 50ª encenação, com “Tempêstad”, adaptação crioula da peça origina de Shakespeare. 

É convidado, em 1994, a assumir o cargo de Responsável por todas as Atividades Artísticas do Instituto Camões – Centro Cultural Português / Pólo do Mindelo. Em 2014, assume a direção do mesmo centro cultural.

Funda em 1995 o Festival Internacional de Teatro do Mindelo - Mindelact, do qual é diretor artístico até hoje. Um festival considerado hoje o mais importante evento de teatro africano. Foi, entre 1996 e 2013, Presidente da Direção da Associação Mindelact.

É autor da mais importante obra editada sobre o teatro cabo-verdiano, “Nação Teatro – História do Teatro em Cabo Verde”, editado em 2004, pela Biblioteca Nacional de Cabo Verde. Uma obra que foi premiada pela Associação Cabo-verdiana de Escritores e considerada um marco na literatura de investigação em Cabo Verde. Faz parte, desde 2013, da Academia de Letras de Cabo Verde. Editou, pela Rosa de Porcelana, o livro "Crónicas Desaforadas", em 2015.

Autor da componente cabo-verdiana, do livro “O teatro dos Sete Povos Lusófonos”, editado pelo Centro Cultural de S. Paulo (Brasil). Coordena, em 2003, a edição do livro “10 Anos de Teatro”, referente ao historial do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo. Edição de 2003. Funda em 1997, a revista de Teatro "Mindelact - Teatro em Revista", da qual é principal responsável editorial.

Escreveu crónicas para os jornais “A Nação”, “Horizonte”, “O Cidadão”, e tem textos seus publicados no jornal “A Semana” e “Expresso”, de Portugal. Publica o texto sobre teatro em Cabo Verde no número especial da revista “Kultura”, comemorativa dos 25 anos da Independência de Cabo Verde.

Recebe, o Prémio de Mérito Teatral, em 2010 e o Prémio de Teatro de Mérito Lusófono, atribuído pela Fundação Luso Brasileira para o Desenvolvimento da Língua Portuguesa, no Recife, em 1996. Recebe em 1999, o Prémio Micadinaia de Cultura, atribuído pela Academia de Estudos Comparados de S. Vicente.

É condecorado em 2010, pela Presidência da República de Cabo Verde, com a Primeira Classe da Medalha do Vulcão, pelo contributo que vem dando à Cultura Cabo-verdiana, em geral, e à Arte Cénica, em particular, da qual é por muitos considerado o maior expoente das ilhas de Cabo Verde.

Pertence, desde Dezembro de 2014, à Academia Cabo-verdiana de Letras.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

[1475] Continua a interminável mas assaz proveitosa discussão entre os dois amigos sobre a língua cabo-verdiana

VIII Parte

(Ver I AQUI, II AQUI, III AQUI, IV AQUI, V AQUI, VI AQUI e VII AQUI)

Adriano Miranda Lima
Filinto:  ̶  Cada vez mais vou ficando com a vaga impressão de que esta nossa conversa tende a não terminar tão depressa,  porque o fio da meada tanto pode ir-se desenrolando como enrolando  de novo, conforme os conceitos se clarificam ou se adensam com novas incógnitas, dúvidas e perplexidades.

Elísio:  ̶  Se tu o dizes, amigo… Olha, eu por mim estou disponível e enquanto não te saturares da minha presença.  E, como a conversar é que a gente se entende, conforme diz o povo, é bem possível que não venhamos a desamparar a loja tão depressa.

Filinto:  ̶  Bem, enquanto o dono deste “Café” aturar a nossa presença,  mas como o Djack tem uma paciência de santo…

Bem, continuemos, então. Na nossa última conversa, não houve tempo para explicitar a opinião do Dr. Baltasar de que o crioulo de Santiago é o mais capaz de viabilizar uma solução de  escrita. Diz que é “por causa do vocalismo”, entendendo ele que “no crioulo  de S. Vicente há encontros violentos, bruscos de consoantes…” (1). O que, deduz-se, não acontece com o de Santiago.

Elísio:  ̶  Bem, agora ou alinhamos com o “advogado do diabo”, ahahahah, ou tentamos clarificar a afirmação, contextualizando-a ou identificando-lhe alguma insuficiência de conteúdo, o que, convenhamos, soará como  heresia,  sendo quem é o Dr. Baltasar.  Ainda por cima quando nenhum de nós é linguista ou filólogo. Antes de mais, note-se que o Manuel Veiga, reagindo ao artigo “Grinhassim Não”, de Dulce Lush Ferreira Lima, publicado no Expresso das Ilhas em 13 de Junho de 2013, não perdeu a preciosa oportunidade de citar o Dr. Baltasar Lopes e afirmou (2): “….. É certo que no colóquio de 1979 vozes autorizadas do Norte do arquipélago defenderam a primazia do badio como variante de base no processo de padronização do crioulo. E isto, talvez, influenciados por Baltasar Lopes da Silva que, no Prefácio  à "Aventura Crioula", de Manuel Lopes, escreve: ‘... o falar do grupo de Sotavento é, a meu ver, o mais adequado ... para o tratamento literário.  Mais abaixo continua, citando Baltasar Lopes: ‘... me parece que o crioulo padrão para o uso literário se há-de fixar, partindo da base fonética do falar de Sotavento’.” Concluiu Manuel Veiga: “Porém, essa proposta de Baltasar Lopes, apesar de relevante,  nunca chegou  a ser ratificada oficialmente e, hoje, eu próprio, por uma questão de respeito pela diversidade cultural, defendo que a unificação linguística deve ter em conta todas as variantes, com um eixo Sul, à volta de Santiago, um eixo Norte, à volta de S. Vicente, e um eixo Norte/Sul à volta dessas duas variedades, em estreita cooperação com as particularidades pertinentes, enriquecedoras e representativas de todas as variantes.”

Filinto:  ̶  Elísio, vamos começar por analisar comparativamente os tais casos de “encontro violento de consoantes” versus o que será supostamente o seu contrário. Reparemos nestes exemplos, em que aparece a versão santiaguense seguida da mindelense:

Alfabétu  ̶  alfabet;  kabuverdianu  ̶  cabverdióne; kasamentu  ̶  csament; independentu  ̶  indpendent.
Ora, quanto a colisão de consoantes, é indiscutível que o Dr. Baltasar tem razão no que diz. Repara que esse encontro violento resulta da elisão de vogais, como é particularmente nítido no caso de “csament”. E este fenómeno tem uma relação directa com a diferença de acentuação entre as duas variedades do crioulo, sendo que as palavras santiaguenses são genericamente paroxítonas (acentuação na penúltima sílaba) enquanto as mindelenses/barlavenses  são oxítonas (acentuação na última sílaba). Esta é uma diferença fundamental na fonologia das duas variedades do crioulo. Pergunto agora que factores o terão determinado na formação original de cada uma.

Elísio:  ̶  Posso dar um palpite, sem saber se este aspecto já foi ou não objecto de investigação? A meu ver, a morfologia/fonologia típica do vocábulo santiaguense remonta ao primeiro encontro linguístico entre  o português e as línguas africanas de origem, assim se explicando o predomínio da influência dos fonemas “u” e “i” no falar santiaguense. Dir-se-á que esta circunstância cristalizou para sempre o crioulo de Santiago. Quanto ao crioulo do Barlavento, e em particular o de S. Vicente, creio que a atonização de vogais, que é a causa do encontro brusco de consoantes, se deve a uma possível influência de línguas estrangeiras, nomeadamente o inglês. Basta ver que na língua inglesa é de um modo geral inaudível o som dos grafemas terminais das palavras. 

Numa tentativa de compreender a posição de Baltasar Lopes, tomemos de novo o exemplo da palavra santiaguense “kazamentu”. Quando se pronuncia  “kazamentu”, a palavra se expõe em toda a sua inteireza vocabular e só se distingue do “casamento”, português, na entoação fonética e na peculiar acentuação da vogal final. Portanto, um estrangeiro com conhecimentos rudimentares de português apreenderá mais facilmente a correspondente palavra portuguesa em “kasamentu” do que em “csament”. Não achas?

Filinto:  ̶  Penso que sim, Elísio, mas esta diferença  justifica por si só que se considere  o crioulo santiaguense mais apto para a escrita do que o do Barlavento? Será, com efeito, por uma maior proximidade à grafia portuguesa?

Elísio:  ̶  A meu ver, não. Mas, se for assim, o curioso é que há uma contradição na intencionalidade, e implicitamente na argumentação, dos que preferem a padronização e oficialização do crioulo a uma aposta firme num maior aprofundamento do ensino e uso da língua portuguesa em Cabo Verde. 

Filinto:  ̶  Explica-te.

Elísio:  ̶  A contradição advém da circunstância de 97% do léxico do crioulo ter origem na língua portuguesa. É o próprio Baltasar Lopes que o sublinha. Daí eu pensar que, perante a flagrante identidade léxica entre as duas línguas, uma opção diferente, e porventura viável e justificável, seria uma aposta decisiva no português, como eixo fundamental do futuro linguístico do país, ao invés da tentativa de o substituir por  um crioulo que nos é querido mas cuja real capacidade de afirmação como língua literária, de ensino  e de Estado só não suscita dúvidas aos defensores do  projecto que temos estado a discutir.

Está mais que evidente que essa opção tem subjacente uma motivação política: tornar o crioulo um importante vector da identidade cultural do país. E é para credibilizar essa opção aos olhos de quem se interrogue sobre o seu real fundamento, que se adoptou uma escrita sob a égide de um alfabeto concebido para iludir o mais possível a semelhança morfológica entre as duas línguas e contrariar a lógica gramatical que preside à língua portuguesa. Porém, como 97% do léxico do crioulo têm origem na língua portuguesa, estamos perante uma situação deveras insólita e que nos dá razão para dizer que o gato está escondido com o rabo de fora. Bem disse o Professor José Fortes Lopes que “a temática da língua tem sido instrumentalizada desde há 40 anos por questões de ordem e agenda política.”(3)

Filinto:  ̶  Mas convém lembrar que os princípios por que se rege esse alfabeto, o ALUPEC, aprovados na 1ª Conferência Internacional de Fonologia realizada em Praga em 1930,  não se aplicavam a países que já tinham uma língua oficial, como é o nosso caso. Referiam-se, sim, a situações em que se parte de um ponto zero linguístico para se criar uma escrita. Ora, em Cabo Verde, o convívio entre dois alfabetos diferentes e com finalidades distintas vai provocar uma autêntica balbúrdia linguística, como já dissemos.  

Elísio:  ̶  Então, meu caro, temos de concluir que a perspectiva do nosso saudoso mestre, Baltasar Lopes, sobre a questão da língua literária  tem de ser contextualizada e  lembrados os seus pressupostos.

Filinto:  ̶  Ah, o mais importante pressuposto é o que subjaz a estas palavras do nosso saudoso Mestre que já analisámos no diálogo anterior: “Era preciso que houvesse já uma literatura, um passado literário escrito, para nós podermos escolher o crioulo padrão, e ele não existe. Se se continuar a escrever o crioulo como se escreve (ou como não se escreve) actualmente, isto é um problema para ser resolvido pelos nossos netos. Têm de passar duas gerações para este assunto ficar limado e nessa altura ver-se claro. Por enquanto, o que se diga é prematuro. Não confundamos a visibilidade da língua escrita com a da língua oral.”

Ora bem, que produções literárias tem havido em crioulo a uma escala editorial que permita extrapolações de ordem científica?  Estou a lembrar-me de “Odju d’Agu”, precisamente da autoria do voluntarista Manuel Veiga, do “Vangêle Contód de Nos Móda”, de Sérgio Frusoni. Tirando isso, haverá poemas em crioulo e algumas crónicas, como as do Zizim Figueira, e o curioso é não haver um predomínio do crioulo de Santiago no pouco que se conhece. Pode-se então falar de uma efectiva produção literária em crioulo? Nem por sombras! O que existe não tem qualquer significado literário.

Elísio:  ̶  Então temos que reconhecer que a tese do advogado do diabo não beliscou a nossa visão pessoal do problema. E que não cometemos qualquer heresia contra o nosso querido Dr. Baltasar Lopes, assegurado que está que o seu entendimento se baseava num importante pressuposto que está longe de verificar-se para que o crioulo de Santiago se eleja de direito próprio como língua-padrão. Ignorar  a observância dessa condição basilar é descontextualizar o pensamento de Baltasar Lopes. E é como colocar a carroça à frente dos bois.

Filinto:  ̶  O que é um facto é que as duas línguas, o português e o crioulo, sempre conviveram paredes-meias no universo literário cabo-verdiano. Desde sempre até aos dias de hoje, a nossa literatura foi veiculada em português, sem que isso signifique, no entanto, menosprezo pelo idioma materno.  É que apesar de o crioulo ser a expressão natural das vivências da nossa existência insular, esbarra-se com dificuldades para transcender a realidade empírica e tornar-se um veículo credível de uma produção literária de ampla aceitação e difusão. De facto, parece difícil que o crioulo deixe o seu escopo marcadamente popular e consiga estimular o mercado editorial. Não é por acaso que os nossos escritores sempre preferiram e continuam a preferir escrever em português, e sem que o expressionismo do seu universo crioulo perca autenticidade. Não há dúvida que a língua portuguesa consegue a plasticidade necessária para se moldar às exigências da expressão das nossas peculiaridades identitárias, idiossincráticas e psicológicas. Quem lê um “Chiquinho”, de Baltasar Lopes, um “Chuva Braba”, de Manuel Lopes, um “Cais de ver partir”, de Nuno de Miranda, um “Testamento  do Sr. Nepomuceno da Silva Araújo”,  de Germano de Almeida, entre muitas outras obras, percebe que a língua portuguesa se adapta perfeitamente ao tratamento dos contextos sociais cabo-verdianos, sem perda da tonalidade crioula na descrição das vivências sociais, dos comportamentos individuais, ou na criação dos diálogos e interacções humanas.

Elísio:  ̶  Isto porque os nossos escritores têm a consciência assumida de que se não for a língua portuguesa a mediatizar a sua produção literária,  jamais conseguirão transpor as fronteiras do nosso modestíssimo e insignificante mercado literário. Pensam e escrevem para o universo cabo-verdiano, mas têm os olhos no imenso mercado que é a CPLP. Escrever para poucas centenas de milhares de pessoas não é o mesmo que escrever para 270 milhões.  Além disso,  as obras que alcançam sucesso no universo lusófono encontram, em muitos casos, possibilidades de tradução editorial para outras línguas estrangeiras  de grande difusão. Estás a ver nosso crioulo a mediatizar esta última performance?

Filinto:  ̶  Claro que não, mas respondo-te com uma outra pergunta, Elísio. Se a realidade é esta, por que é que os nossos escritores ainda não tomaram um posição séria sobre esta questão? Como conseguem demitir-se  das suas responsabilidades quando  uma seta venenosa está apontada ao coração da sua actividade?

Bem, terminamos por hoje, mas este aspecto particular do tema terá de ser retomado.

(1) Entrevista ao Jornal Ilustrado (Portugal), na sua edição de 12 de Maio de 1988.
(2) Artigo de Manuel Veiga, de 12 Julho de 2013,  “Grinhassim, Não” ou a Energia do Yes We Can”  publicado no jornal Expresso das Ilhas.
(3) Artigo de José Lopes, de Março de 2015, “Desmistificando as questões da Oficialização do Crioulo e do Bilinguismo”, publicado no jornal Notícias do Norte.

Tomar, 3 de Abril de 2015
Adriano Miranda Lima

[1474] Que faz o Real Madrid que o Mindelense não consiga fazer também?

Real Madrid arrasa o Granada com 9-1, com a ajuda de Cristiano Ronaldo. Mas Mindelense faz precisamente o mesmo ao Ribeira Bote. Portanto, que faz o Real Madrid que o Mindelense não faça do mesmo modo? Com o clube da Praia de Bote campeão de São Vicente pela segunda vez consecutiva, resta-nos dar um viva aos vermelhos do leão. Viva Mindelenseeeeee!!!
Ver AQUI

quinta-feira, 2 de abril de 2015

[1472] "Crónicas Desaforadas", novo livro do encenador teatral João Branco, vai ser apresentado em Lisboa por Joaquim Saial (clique nas imagens, para as ver melhor)

Livraria Ler Devagar - Ver AQUI

João Branco
"(...) Recordando aqueles tempos,  parece-me claro o quanto o nosso Mindelo se transformou e não foi para melhor. Os cinemas fecharam, a Praça Nova deixou de ser aquele lugar aprazível no qual dava tanto gosto passear, conversar, namorar, ver os amigos. Sair à noite pressupõe cuidado, com o medo dos assaltos, cada vez mais violentos, sempre presente. O alcatrão não é tudo e eu senti saudades da calçada nas ruas da morada.  

Hoje, sempre que passo na Praça Nova, sinto uma energia ruim de que algo mau nos pode acontecer a qualquer instante, a que não será alheio o facto de a praça ser uma montra e um resultado dos problemas sociais na ilha (...)"
João Branco

"(...) As Crónicas de Branco deixam, ainda, testemunho de um tempo, de um lugar e de gentes, em uma espécie de inventário dos sucessos culturais que se deram continuamente nos últimos 20 anos, no Mindelo e arredores, envolvendo o autor, figuras mindelenses - de Cesária e Germano Almeida - ancorados nos corredores de saudade - boates e bares, aeroportos e aeronaves, Rua d'Lisboa, Monte Cara e Porto Grande (...)"
Jorge Carlos Fonseca - PR de Cabo Verde

"(...) A crónica mais afastada no tempo, de Janeiro de 2008, fala-nos de dragões em garagens, coisa em que não podemos crer, como também não nos escritores que não escrevem, actores que não actuam, pintores que não pintam e músicos que não tocam mas que se acham escritores, actores, pintores e músicos – e o propagandeiam, para além do razoável, em bazofaria cultivada como produto nacional, como refere o cronista – em Cabo Verde, como afinal em Lisboa e em muitos outras geografias.

Logo a seguir passa ele para o seu manifesto teatral, coisa que um home de teatre (e estou a falar em crioulo e não em francês) deve ter. Para ele próprio se domesticar, para não fugir de si próprio e daquilo que pensa que a sua arte deve ser. E para não se acomodar, pior coisa que pode acontecer ao que lida com o intelecto. Correr riscos, lançar-se na aventura, calculada embora, é o dever do trabalhador cultural, com a ajuda das palavras-chave que o neste caso encenador captura para o seu manifesto e a que nele jura obediência: criatividade, coerência, concepção, estudo, exigência, experimentação, humildade, trabalho e… partilha – esta. Corolário de todas as outras e objecto delas, digo eu. (...)"
Joaquim Saial

quarta-feira, 1 de abril de 2015

[1471] Um grande dia para a selecção de Cabo Verde

2-0, num Cabo Verde-Portugal, vitória sabe para os Tubarões Azuis. Parabéns do Pd'B à rapaziada das ilhas (que mereceu ganhar), e viva os 50.000 euros que vão reverter para os foguenses maltratados pelo seu vulcão. Finalmente, um viva Portugal e um viva Cabo Verde. Ver AQUI