segunda-feira, 16 de setembro de 2013

[0563] Quem passa por Cabo Verde alguma vez esquece as ilhas?

Tal não aconteceu com antigos expedicionários a Cabo Verde (Batalhão de Infantaria 11, originário de Setúbal) em 26 de Junho de 1959, que lembraram o tempo passado no arquipélago, com notícia saída em primeira página, no "Diário de Lisboa". Para o almocinho, uma bela cachupada!... Como não podia deixar de ser...



5 comentários:

  1. Foi com um sentimento muio especial que o menino que tinha 8 anos leu esta noticia da Infantria 11 embora se lembre perfeitamente de Infantaria 7 ( e outros) pelo que de BOM fizeram numa altura muito especial
    Lembrança indelével.
    Braça de sodade de dias-hà

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  2. A minha ausência nos últimos dias do Praia de Bote se deveu a problemas de ordem familiar relacionados com o estado de saúde da minha sogra, obrigando-me a deslocações diárias a Coimbra.
    A notícia fala das "portuguesíssimas ilhas de Cabo Verde" e a refeição da confraternização foi "uma cachupa de saudade". É por estas e por outras que alguns nostálgicos (portugueses e cabo-verdianos) lamentam que as ilhas não tivessem continuado “portuguesíssimas”, para o bem e para o mal. Cabo Verde e as suas gentes foram uma criação de Portugal e é uma mentira histórica o argumento central utilizado (colonialismo) para justificar a independência. Os nacionalistas comparam o antes da independência com o depois da independência e apontam as obras realizadas para justificarem e enaltecerem a independência. É claro que se andou bem e com seriedade logo após a independência. Mas em todo o espaço português pode-se fazer a mesma comparação: o Portugal do antes do 25 de Abril e o Portugal do depois de 25 de Abril. Lembro-me de que nos anos 60 e até ao 25 de Abril de 1974 os camponeses dos arredores vinham ao mercado semanal de Tomar com burros a transportar os seus produtos agrícolas. Hoje esses camponeses dispõem de carrinhas para o efeito e vivem em casas com muito mais conforto. Em muitos lugares do interior de Portugal não havia luz eléctrica e se encontravam quadros de pobreza semelhantes aos que havia em Cabo Verde. Portanto, se Cabo Verde tivesse continuado português estaria neste momento com um desenvolvimento no mínimo igual ao que hoje existe, porque ele é produto natural da evolução civilizacional. Mas estou convencido de que a nossa terra estaria ainda melhor e mais avançada, e por razões que todos conhecem. E, sobretudo, continuaríamos intactos na nossa "cabo-verdianidade", com cada ilha igual a si própria, com cada povo a falar livre e alegremente o crioulo do seu padrão local, sem o fantasma da "badiozação" de que se ouve falar e cujos indícios são cada vez mais patentes e preocupantes, ameaçando a própria "cabo-verdianidade", na medida em que o intuito parece ser o regresso forçado às raízes culturais africanas e a progressiva diluição da "crioulidade" que nos distingue e nos torna um "case study".
    Quanto aos expedicionários, não cheguei a terminar a saga. Tenciono prosseguir para mostrar aspectos de identificação e socialização entre os cabo-verdianos e os militares "mandrongos" que lá estiveram. Estavam todos unidos na mesma pobreza dos tempos salazarentos e no coração de ambos palpitavam idênticos sentimentos, como a saudade, a nostalgia e a solidariedade humana.

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  3. Para além de meu tio ter pertencido ao RI Nº 7, creio que foi em 1990 que assisti a uma enorme festa de confraternização militar que comemorava o cinquentenário da chegada das primeitas tropas a Cabo Verde...Certamente por engano, o prato de subsistência era cachupa cozinhada por umas senhoras super simpáticas de S.Vicente...Dava gosto vê-las, em cima de brancos de madeira, remexendo as enormes panelas com uns colherões de pau de quase um metro de comprimento...Foi, só, das 10 da amnhã às 10 da noite, e até meteu ponche, doce de leite, sucrinha de mancarra, aranha de côco e, claro, uma largas dúzias de lindas bebedeiras! Porque tinham lá estado, cinquenta anos atrás e, cinquenta anos depois, aínda se não tinham olvidado...
    Não posso deixar passar em claro e sem a vénia devida, as palavras do amigo Adriano que, com rara e sábia subtileza alinhava pensamentos que enquadram com extrema precisão os sentimentos de muitos de nós, caboverdianos e mandrongos...Honi soit qui mal y pense!

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  4. Depois do que se disse, só posso exclamar, como sempre fiz: Viva Cabo Verde e viva Portugal! Nenhum destes espaços abafa o outro, são duas faces de uma moeda que nos honra. E sei que os que por aqui passam gostam de ambas do mesmo modo.

    Braça luso-crioula,
    Djack

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  5. Adriano levanta aqui questões e dúvidas de levar para a casa e reflectir, no seu jeito de homem intelectualmente honesto e que diz com franqueza o que pensa. Agora só nos resta melhorar e aprofundar as relações Portugal Cabo Verde duas nações unidas por laços de história e de sangue.

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