quinta-feira, 21 de novembro de 2013

[0634] Ouro puro: 26 fotos de Djibla, o grande repórter fotográfico do Mindelo na segunda parte do século XX e do início do XXI

Recebidas hoje, directamente do autor, estas 26 fotos de São Vicente são simultaneamente belas e tristes, nalguns casos maravilhosas e noutros fantasticamente dramáticas. Como é comum em obras de bons fotógrafos, não é necessário fazer grandes comentários. É que o que aqui se mostra é sobretudo para ver... e matutar sobre esta grande terra e este grande porto, bordados por uma gente única a quem as malfeitorias que lhes fazem não dobram, apesar de tudo!...
Um grande abraço ao Djibla pela generosa oferta ao Praia de Bote.

RUA DE MATIJIM, 8 DE AGOSTO DE 2013, 9 DA MANHÃ








CRIME AMBIENTAL?







VISTAS DO FORTIM OU FEITAS A PARTIR DE LÁ














6 comentários:

  1. As fotografias dizem tudo são retratos fieis da ilha. Uma visão atualizadíssima do Mindelo contemporâneo com as suas vicissitudes, alegrias, contradições e contrastes. Uma ilha parada no tempo e no espaço, esvaziada de pessoas, que deu alguns sobressaltos rumo ao desenvolvimento mas não se desenvolveu em 40 anos. O francamente lindo e o francamente feio, algumas peças raras em vias de extinção (Fortim, até quando) e o moderno rumo a um Cabo Verde novo onde o cabo-verdiano Homem Novo irrompeu na história, onde clássico e o kitch coabitam. Temo que o Novo que emerge no interior da ilha seja o caos e o mau gosto a tomar pouco a pouco de toda da ilha. Visões de uma Natureza ressequida muitas vezes violada e mutilada mas resistente ao tempo. Diz muito sobre o desenvolvimento da ilha, a pouca harmonia arquetectónica, casas eternamente por caiar e um pseudo- modernismo que roça o novo-riquismo. Parabéns ao autor a a praia de Bote por nos permitir viajar no espaço sentados em casa.

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  2. Estas imagens são o retrato fidedigno da actual realidade da nossa ilha. Sim, Djack. elas falam por si, dispensando comentários, mas não resisto a fazer umas poucas considerações.
    Dizes, e acertadamente, que há aqui imagens tristes. Triste é principalmente o contraste entre o abandono da zona histórica e o progresso kitsch que por aí se vê estampado em alguma arquitectura. Entre uma coisa e outra, entre o velho abandonado e o novo nascido sem identidade, medeia um tempo em que faltou à decisão sobre o presente e o futuro a necessária clarividência e ponderação. Um caso que bem o exemplifica é a transformação que sofreu a Praça Estrela. Ela era uma praça bonita e exótica, e não precisava de cirurgia radical para ser restaurada. A rua do Matijim e outras da mesma zona tornaram-se demasiado feias no seu abandono, quase parecendo pessoas sem-abrigo atiradas à sua sorte, para que possam constituir hoje em dia um ícone da cidade. Para isso, muito trabalhinho terá de ser feito, implicando deitar abaixo algumas excrescências aqui e além surgidas.
    E no entanto a beleza da cidade e da sua baía emocionam qualquer um. Para conservar esse património natural, basta haver sentido do belo e bom senso. Não me parece que o projecto previsto para o Fortim respeite aqueles desideratos. Acho que é construção a mais para aquela colina.
    A legenda sobre a agressão ao ambiente parece-me relacionar-se com o escavamento das colinas para o aproveitamento da escória vulcânica como material de construção. Se isso era inevitável, podia ao menos ser feito em locais mais remotos.

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  3. Ola, Praia de Bote! Como sempre, trazendo-nos noticias da nossa terra, S. Vicente. Parabens pelo dinamismo e pela persistencia. Os dois comentarios acima, sao tao completos que nao deixam lugar para um outro desabafo, que seria entao, cair na repiticao. Estou de acordo com os autores e so posso dizer que esse estado de coisas nao pode continuar. Ai Soncente, que te fizeram?
    Nita Ferreira

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  4. Como diz o "Anônimo" que não é porque assina, não vale a pena repetir. Somos filhos dessa terra, mesmo se nos considerarem "de fora", Não somos uns ingratos "bourgeois" sem sentimento. Os nossos corações batem com mais força quando viajamos (mesmo virtualmente) pelos lugares da nossa juventude, por prazer, por interrese ou por dever.
    Enquanto via as fotografias ia cantando (interiormente) a célebre morna "Sodade, sodade, sodade de nha terra S.Vicente", ao fim e ao cabo, parcela da Nação Caboverdiana.
    Faço votos que não apareça um espertalhão a querer asfaltar este bairro mais tipico, roubando-nos o pouco que resta da nossa genuinidade.
    Seja de que forma for temos de "juntà mom" para a defesa, ou a salvaguarda, do que nos resta antes que desapareça por "churria de corpe".
    Força, Gente !!!
    Braça cheie d'sodade

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  5. Val, aqui no Bloger nao ha "repeticao" (so agora vi a gralha) ha sim uma explosao de sentimentos dos verdadeiros filhos do Mindelo.
    Obrigada Djack, pela braca.
    Nita

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