terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

[0727] Sítio de fresco na Praça Nova

Com a devida vénia ao blogue "Curso Miguel Corte-Real" (de cadetes da Escola Naval de Portugal), seguem duas excelentes fotos do Pic-Nic em que se vêem cadetes que a bordo do Navio-Escola "Sagres" escalaram o Porto Grande em 1965. Em cima das mesas, garrafas de refrigerante Canada Dry. Oi nha mãe, oi q'sôdade... E aqui o administrador do Praia de Bote vivia no Mindelo, ainda por cima... Deliciai-vos, gentes, deliciai-vos!!!... 



10 comentários:

  1. O Praia de Bote fala hoje dos cadetes da barca Sagres e homenageia o Canada Dry e eu quero simplesmente lembrar que no meu tempo tinhamos o pirolito do Nhô Natal Galeano cuja fàbrica se encontrava pelos lados da casa do Ti Pedro Neves e a limonada fabricada pela Familia Antunes, representada por Timôteo Antunes, que se encontrava (quando sai) por traz do cinema Eden Park.
    E é assim que vamos lembrando nossos costumes e nossa gente, n'est-ce pas?
    Viva aquês gente e Viva Mindel de nôs tude !!!
    Braça

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  2. O Val recorda-se bem da fabrica de refrigerantes do Sr. Natal Galeano, localizada precisamente no alto de Ti Pedro Neves. A fabrica Antunes conheci-a na Rua em que morava o sr. Leonel Madeira, isto e, a rua que tambem ia ate a Casa do Dr. Adriano, pelo lado esquerdo do Liceu.
    Se Pic Nic falasse, tyeria muita historia para contar... Naquele tempo, eu era novinha da Silva.
    Nita Ferreira

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  3. Muitas vezes me sentei naquelas cadeiras, vendo as moças passar...Mas, em 1965 já a minha filha Paula tinha nascido e eu trabalhava na Drogaria do Leão...
    Lembro-me bem dos pirolitos coloridos do Galeano e das limonadas do Timóteo...Aliás, dois anos antes tinha eu bebido os primeiros refrigerantes fabricados em Cabo Verde a partir de frutas liofilizadas...na Brava!
    Acrescente-se que foi a bordo de uma das Sagres que bebi, pela primeira vez, vinho tindo a acompanhar uma bacalhoada (que eu comia no Natal, por obediência à tradição).
    Devia ter uns 16 anos...

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  4. Estas fotografias tocam-nos a todos um pouco porque esse quiosque/esplanada era um lugar aprazível e muito concorrido. Foi pena ter acabado, para no seu lugar se construir um urinol. Que infeliz decisão. As imagens fazem-me recordar o tempo em que na cidade se viam muitos marinheiros fardados. Uma cidade portuária tem essa nota característica, mas infelizmente creio que é já coisa de diazá.
    Também consumi pirolitos do Natal Galeano, como o Val. E lembro-me bem onde ficava essa fábrica, como conta a Nita.

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    1. Nos anos 50 e iniciais de 60 e nos terminais 60, depois do meu regresso de São Vicente, as fardas da Marinha eram uma constante em Almada e arredores, devido ao facto de a Base Naval do Alfeite estar implantada no concelho. Mas com a participação de navios portugueses na esquadra da NATO (comissões de seis meses), elas eclipsaram-se das ruas lá para os 70. Foram os próprios marinheiros que o exigiram, pois quando desembarcavam em portos estrangeiros os colegas dos outros países iam à civil e eles tinham de ir fardados. A coisa começou portanto no estrangeiro e alargou-se ao território nacional, logo a seguir. Hoje é raríssimo ver-se em Almada um militar (ou "militara"...) da Armada com farda. Excepção feita aos cadetes da Escola Naval, quando saem ou entram na base em partida ou regresso de fim-de-semana.

      Braça naval-uniformológica,
      Djack

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  5. PiC Nic era um sítio estratégico da cidade. Aquele Urinol infecto não lembra o diabo inestético.

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  6. Estas imagens são sempre susceptíveis de várias leituras, conforme o nosso olhar pousa mais detidamente neste ou naquele detalhe. Por exemplo, aqueles rapazinhos a olhar com curiosidade para os cadetes, certamente na expectativa de uma moeda, dois deles parecendo estar a engraxar os sapatos de um dos jovens militares. Há 10 anos, sentei-me num dos bancos da Praça Nova e apareceram dois meninos, por aí dos seus 10 aninhos, a proporem-me um serviço de engraxamento. Traziam a respectiva caixa com os ingredientes necessários, e aceitei o serviço. Enquanto decorria a sua prestação, perguntei-me: - O que vai ser destes meninos? A mesma pergunta faço agora em relação aos meninos destas fotografias. Fazendo as contas com o tempo, serão homens hoje à volta dos 60 anos. Que foi feito das suas vidas? O que é que o futuro lhes ofereceu? Pouco ou nada deve diferenciar as perspectivas de uns e outros. Naquele tempo, ainda havia a alternativa da emigração para a Holanda, mas hoje nem isso. Os problemas de fundo na nossa terra persistem, embora a subida de vários indicadores do desenvolvimento. As carências alimentares assolam muitos lares, o desemprego atinge níveis preocupantes, a mendicidade é até mais visível nos dias de hoje.
    E entretanto as taxas de natalidade aumentam continuamente. Como dar a volta a tudo isto, de modo a que possamos ter esperança num futuro melhor?

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  7. Adriano
    Tiro-te o chapéu por esta análise político-sociológica destas imagens. Pouco ou nada mudou na nossa ilha senão mais desolação e desânimo. Tirando o fardamento se colocássemos um conjunto de ricos turistas essas crianças hoje homens poderiam estar em volta deles 'enchorando' moedinhas. Não sei se isto já acontece na Praia, não acredito com os milhões que tem caído na ilha?

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  8. Pois sim, José, por isso é que se tem de pugnar para repensar a actual realidade política no sentido de encarar outras soluções, como seja a reforma político-administrativa que faça da descentralização uma oportunidade para cada ilha rasgar outros caminhos para o futuro.

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  9. Apoio com muito entusiasmo as consideracoes acima,( do Adriano e do Jose ). Qual sera o futuro de Cabo Verde? Englobo todas as perguntas possiveis, esperancada de que a seu tempo virao as respostas: positivas, firmes, materializadas em realizacoes que se podem ver e apalpar. mas idealizadas com carinho, com empenho, com verdadeiro sentimento de amor aquelas ilhas que sao nossas, que afinal - sao Cabo Verde!.

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