domingo, 30 de março de 2014

[0803] Para a história do comércio no Mindelo (anúncio 6/15) - Bocês bá spiá aquel ctchada d'anúnce lá pa trás

Ora bem, se você é daqueles que vão ali ao engraxador na Praia de Bote ou ao da Rua de Matijim com os sapatos nas últimas para disfarçar a desgraça dos faluchos que tem nos pés, deixe-se disso. Afinal de contas, para isso é que o Paixão e o Pereira existem e fundaram a sociedade sapateira ainda por cima com toda a legalidade, em escritura pública a 1 de Abril de 1913, pouco antes de este anúncio sair em O Futuro de Cabo Verde. Ahahahahaha, você julgava que o Mindelo e o S. Vicente pós-república eram uma bandalheira? Por aqui se vê que não... Mas há mais, com esses seus pézorros, mais parecidos com escunas da carreira de Cabo Verde, peça ao Paixão ou ao Pereira para lhe fazerem uns sapatinhos por medida, em cabedal nacional ou estrangeiro (talvez em spanish leather, o couro espanhol das botas da personagem masculina da canção do mesmo nome do velho e sempre grande Bob Dylan). Mas repare, se é um forreta, pode dar brilho aos sapatões em casa com graxa dos P&P ou comprar uns atacadores novos para darem reforma a esses já todos esfarrapados. Ou até uma fivela para aquele cinto que substituiu por um cordel por não a ter. Até "etc." que é coisa que qualquer loja que se preze deve ter... E ainda por cima tudo a... "preços convidativos". Ah, grande Soncente de diazá, bô tinha tude...

5 comentários:

  1. Iria jurar que esta empresa terá sido a percursora da Fábrica de Calçado dos irmãos Pereira (João e José) oriundos da Madeira...Um deles, aliás, era o pai do Henrique Pereira, ligado à História do cinema em S.Vcente (Segredo de Um Coração Culpado, e outros filmes)) e cujo rasto se perdeu após ter embarcado para o Brasil...Creio que uma irmã dele, Orlandina, aínda estará entre nós, vivendo, provavelmente, em Calde, perto de Viseu, mãe do Carlos (Caly Mões) que julgo aínda seja gerente (dono ?) da Farmácia do Leão, da Rua de Lisboa, Mindelo...

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    1. Pode ser, pode ser... Seria preciso confirmar. De qualquer modo, o Praia de Bote agradece o completo historial. Só algum deles poderia dar o veredicto. Mas se houve uma fábrica de calçado Pereira, há grandes possibilidades de ser a mesma gente.

      Braça com atacadores,
      Djack

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    2. Que existiu a Fábrica de Calçado dos Irmãos Pereira não tenho a mínima dúvida...Ficava na ruela que, subindo do antigo Tribunal, desemboca no Largo do Palácio...Na mesma rua morava o rmão José, frente à que foi a Tipografia...do Fia!
      Aliás, deve haver outra descendente, filha do irmãoi João, a Aida Grais, viuva do Sargento Grais, que foi sócio-gerente da Casa Confiança. A Aida, ao que julgo, vive em Santarem...
      Conheci pessoalmente toda esta gente, de quem os meus pais eram amigos...
      Resta saber se terão algo a ver com o Pereira do anuncio!
      Braça com sotaque madeirense,
      Zito

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  2. Bem, eu lembro-me bem é do António Sapateiro (ou o nome era outro), que tinha o estabelecimento numa rua próxima da que o Zito fala, se é que não é a mesma. Penso que ele era o pai do Tony Pereira, moço que ainda foi meu contemporâneo no liceu, mas mais velho, e que, como oficial miliciano, prestou serviço em S. Vicente. Nessa oficina de que estou a falar, fui algumas vezes tirar medida para sapato, quando era miúdo.

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    1. Se bem me lembro - como dizia aquele saudoso açoreano - o António era o irmão mais velho do João e do José,e pai do Tony, da Celeste e da Lena (que casou com o italiano Ugo Olivieri, da Italcable)...Este António morreu prematuramente, nos anos 40 e dele tenho uma memória um tanto vaga!

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