segunda-feira, 2 de junho de 2014

[0903] Praia de Bote faz fugaz aparição para difundir as primeiras linhas de mais uma "Crónica do Norte Atlântico" e desaparece logo de seguida que ainda há muito para "batalhar"

REVOLTAS NA GUINÉ, SOLDADOS ACLIMATADOS EM CABO VERDE E ESPINGARDAS DECRÉPITAS  (título provisório)

Nos finais de 1885, as forças militares e militarizadas da guarnição das coloniais portuguesas contemplavam apenas 7359 praças, faltando 2251 homens para que os quadros estivessem completos. Cabo Verde, que tinha duas companhias de polícia com 235 praças, possuía lugar para ainda mais 32 . À primeira vista pouca gente, para as nove ilhas habitadas, mas de certo modo suficiente para um território onde nesta época (ou em anos mais ou menos próximos, anteriores e posteriores) as revoltas contra o domínio colonial foram sempre mínimas e nada ou pouco armadas  – apesar das miseráveis condições de vida –, ao contrário do que recorrentemente acontecia, por exemplo, na Guiné, onde a guerra era constante e feroz.

De facto, no território continental africano sob administração portuguesa vizinho de Cabo Verde, as destemidas rebeliões locais davam origem a títulos bélicos nos jornais, como "A guerra na Guiné", acerca da revolta papel de 1893-94 e de ataques a Bissau. E atribuíam-se condecorações, como de costume, embora mitigadas. A este propósito, recordamos o caso da concessão de "dois hábitos" da Ordem da Torre e Espada "dados à sorte" a marinheiros que tinham participado nas campanhas… Cabo Verde, que ia servindo de retaguarda hospitalar aos combates na Guiné, recebia feridos. Um deles, o marinheiro 114 da 6.ª Companhia, atingido numa coxa, recebeu tratamento no Hospital de São Vicente. 

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