quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

[1309] Dona de casa são-vicentina, 1909. Dois filhos, um canhote, marido talvez emigrado, uma barraca como habitação, a miséria de um tempo felizmente passado...


8 comentários:

  1. Lembro-me desse estilo de roupa, do lenço, do canhote e do menino às costas e de barracas pelos lados de "Ilha da Madeira". A minha duvida subsiste unicamente no marido emigrante para esse tipo de gente. O marido dessa senhor talvez fosse rossegador ou tirador de zorra ou, talvez, trabalhador na descarga do carvão.
    Normalmente as senhoras usavam ainda uma combinação uma saia branca e as calças que nenhuma comparação tinha com a... lingerie. E este estilo desapareceu em S. Vicente, nos fins dos anos 50 do século passado.
    Outros tempos outros costumes.

    ***
    Peço licença para falar de novo sobre a "Ilha da Madeira" que era "cavocona" ou "tchada" onde iam esvaziar as latas que muitos não levavam ao "Caizim". Mas a paisagem começou a mudar quando um tio meu, José Joaquim Pereira, carpinteiro de profissão, se lembrou de construir uma casa para vender, à beira desse lugar. Ele foi recebendo encomendas que satisfazia com a ajuda dos filhos.
    E assim fez com que desaparecesse a imundice e nascer a "ILHA DA MADEIRA". O nome ficou mas muito poucos conhecem a origem e o pai disso tudo.

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  2. O Val diz bem, esta mulher não teria nenhum marido emigrado. A pobreza que ostenta é de quem deve ter demandado S. Vicente vindo de S. Antão ou S. Nicolau, com o marido e os filhos, à procura de trabalho na descarga de carvão. Sem recursos, a habitação era o que se podia improvisar com umas lonas, cartão e restos de madeira.

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  3. As explicações dos dois comentadores são convincentes e nada despropositadas. Contudo, tudo pode ter acontecido. Sabemos bem que alguns emigrantes, mesmo que bem sucedidos, nunca mais davam sinais de vida. A retratada pode até ter enviuvado e não haver nenhum suporte para a manutenção daquelas três pessoas que não ela. Enfim, especulações, a partir de um ratrote de diazá...

    Braça suposto,
    Djack

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  4. Com essas referencias, podia-se até alongar um pouco os comentários e relembrar a origem de, pelo menos, dois lugares em S.Vicente que liga(ra)m ilha de S.Nicolau às Companhias carvoeiras inglesas: Lombe Maclóde e Alto de S.Nicolau, embora não possa precisar as datas afirmo o que digo por ter chegado (no primeiro) os meus bisavós maternos e onde nasceu o meu avô e cinco irmãs que também conheci. Três delas morreram velhinhas nessa lugar.
    Com o alargamento da cidade, só o Alto continuou com o nome de origem mas o Lombo desapareceu por estar ali na Rua Senador Vera Cruz, logo à traz do Telegraph, tendo sido obra do Mr. Mc Leod, Supervisor da Companhia Nacional.
    Também,
    Penso que a senhora da cabana não devia pertencer ao grupo dos que emigravam para onde muitos "desapareceram" ou voltavam "québrode que nem Djosa". Isso por causa do bébé. O companheiro dela devia ser pescador ou pessoa que descia à morada à cata de que fazer.
    Fico aguardando melhores esclarecimentos.

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    Respostas
    1. Djosa de nha Bia foi enviado pelo Pd'B aos States com uma foto da senhora para ver se encontrava o marido da dita mas parece que agora o nosso homem trocou o grog pelo bourbon e ele próprio, Djosa, nunca mais deu notícias... Ó Djosa, voltá, bô stá perdoóde.

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    2. Maride d"esse amdjer fogà num barril de burbom clandestine (fête c'carrapate moda na Praia). Ninguém pude salvà-l. Foi tude streite !!!
      Era na tempe d'Lei seca.
      Jà-l psu nhondenga !!!

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  5. Bem, vocês disseram tudo, e o Val mais uma vez escreveu história. O Djosa de nha Bia é que anda ansioso por fazer história, mas o que ele mais tem feito é arranjar riolas e confusões do arco da velha.

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  6. Depois de despedir o Djosa, reconsiderei e enviei-o para os States em missão de pesquisa do possível emigrante, mas "foi pior a EMENTA que o CIMENTO", ahahahahaha

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