quinta-feira, 23 de abril de 2015

[1481] No 108.º aniversário de nascimento de Baltasar Lopes da Silva ______________________________ (Praia de Bote regressará em força, a 27 deste mês)

Há 108 anos, precisamente a 23 de Abril de 1907 (ou em 1906, segundo alguma literatura - ver AQUI), nascia no Caleijão de São Nicolau Baltasar Lopes da Silva. Professor dos mais prestigiados de Cabo Verde, escritor e decisiva consciência moral das ilhas, deixou-nos várias obras literárias, entre as quais avulta o romance "Chiquinho". Da Wikipédia (com adaptações), aqui deixamos alguns dados sobre esta figura ímpar da cabo-verdianidade.

Baltasar Lopes da Silva (Caleijão, São Nicolau, 23 de Abril de 1907 - Lisboa, 28 de Maio de 1989) foi um escritor, poeta e linguista de Cabo Verde que escreveu em português e em crioulo.

Com Manuel Lopes e Jorge Barbosa, fundou a revista Claridade. Em alguns dos seus poemas usou o pseudónimo Osvaldo Alcântara. O seu romance mais conhecido é "Chiquinho" (1947). Escreveu também uma descrição dos crioulos de Cabo Verde, "O Dialecto Crioulo de Cabo Verde", Lisboa, Imprensa Nacional, 1957.

Um poema seu, "Ressaca", encontra-se no CD Poesia de Cabo Verde e sete poemas de Sebastião da Gama, de Afonso Dias.

Caleijão - Blogue "Cabo Cool"
Tendo feito os estudos secundários no seminário-liceu de São Nicolau e em São Vicente, viajou para Portugal para estudar na Universidade de Lisboa. Durante o seu tempo em Lisboa, Baltasar Lopes conviveu com importantes nomes da cultura portuguesa, como, por exemplo, Vitorino Nemésio e Câmara Reis. Formou-se em Direito e Filologia Românica, tendo sempre obtido excelentes notas durante os seus estudos na Universidade de Lisboa. Depois da universidade, Baltasar Lopes regressou a Cabo Verde, onde exerceu o cargo de professor no Liceu Gil Eanes em São Vicente. Após alguns anos foi nomeado reitor deste liceu. Chegou a deixar a colónia portuguesa mais escolarizada para ensinar em Leiria (Portugal) por um breve período, mas devido às dificuldades de relacionamento com a política portuguesa daquela época, regressou para Cabo Verde onde continuou educando e exercendo a advocacia. Os seus últimos dias foram passados em Lisboa onde foi transferido para tratamento de uma doença cerebrovascular. Faleceu pouco depois, no dia 28 de Maio de 1989.

Em 1936, Baltasar Lopes, com a colaboração de outros escritores, como Manuel Lopes, Manuel Ferreira, António Aurélio Gonçalves, Francisco José Tenreiro, Jorge Barbosa e Daniel Filipe, fundaram a revista cabo-verdiana Claridade, revista de ensaios, poemas e contos. Os colaboradores denunciavam os problemas da sua sociedade, como a seca, fome e a emigração. Baltasar Lopes, juntamente com eles, criou melhores condições para o conhecimento das raízes da cultura cabo-verdiana; a revista salientou o estudo da realidade cabo-verdiana, especialmente dos grupos sociais mais carenciados.

Em 1947, publicou o romance "Chiquinho" que descreve os costumes, as pessoas, as paisagens, e problemas sociais e familiares que existiam em Cabo Verde na primeira metade do século XX. É um romance de aprendizagem sobre o povo cabo-verdiano e sobre o destino que muitos cabo-verdianos tiveram que tomar para conseguirem uma vida melhor, o destino da emigração.

Em 1962, em visita a Cabo Verde, o ministro do Ultramar Adriano Moreira entregou-lhe em nome do Estado a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Foi já perto do final da vida distinguido também por Portugal com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique (1988), o Grande Colar da Academia de Ciências de Lisboa e o doutoramento "honoris causa" da Universidade de Lisboa.

OBRAS
Chiquinho, 1947
Cabo Verde visto por Gilberto Freyre, 1956
O dialecto crioulo de Cabo Verde, 1957
Antologia da Ficção Cabo-Verdiana Contemporânea, 1961
Cântico da Manhã Futura (poemas), 1986 (com o nome poético de Osvaldo Alcântara)
Os trabalhos e os dias (contos), 1987

3 comentários:

  1. Falar deste vulto caboverdeano da Cultura Lusa é inùtil porque sobejamente conhecida, embora haja quem procure "esquecer" para que outros possam distinguir. So digo que é um dos que mais me marcou. Antes de escritor, como professor na disciplina de Francês e mais tarde como examinador de Francês e de Português.
    Para que guardasse as notas obtidas na prova escrita, o mestre estendeu os exames tentando falhas no "Plus-que-parfait du subjonctif" e Futuro Imperfeito.
    Figuras como Baltazar Lopes da Silva nunca serà esquecida mas... devemos lembrà-lo
    Obrigado, PdeB

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  2. Obrigada PdB! É sempre bom e oportuno lembrar este vulto ímpar da História cultural cabo-verdiana do século XX. Baltazar Lopes da Silva para além de tudo mais que ele foi, ele simboliza, ele representa a memória, daquilo que de melhor possuía estas ilhas em matéria intelectual. O seu debruçar profundamente reflexivo, filosófico sobre a génesis, a evolução e sobre algum ponto de chegada (sabiamente prevista por ele) da chamada cabo-verdianidade, permanece actual. A Baltazar Lopes da Silva devemos isso! O sábio professor foi, é no meu entender, e até os dias de hoje, o expoente máximo a que chegou o pensamento cultural cabo-verdiano.

    Abraços
    Ondina

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  3. Plenamente de acordo com a Ondina quando diz que Baltasar Lopes foi o expoente máximo do pensamento cultural cabo-verdiano. Acho muito difícil, se não improvável, que alguém venha a ultrapassar o cume a que ele chegou.

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