sábado, 22 de agosto de 2015

[1629] Júlio César Almada, capitão baleeiro, homenageado em São Nicolau

Através do nosso amigo Arsénio de Pina recebemos a seguinte mensagem, na qual se fala de uma homenagem ao capitão baleeiro Júlio César Almada. Como sempre (isto é, sempre que possível), juntámos à noticia material que temos em carteira, no caso, alusivo ao dito mareante:

Do blogue "Submarino Cabo-Verdiano", Adildo Soares Gomes 
Caros sócios de BLACKFISH (Clube de Amigos do Museu da Pesca):

Damos por esta via sinal de vida e conta de que o Clube está ativo apesar do silêncio, de algum modo justificado.

Estando em condições de fornecer algumas notícias relevantes, enviamos esta mensagem em grupo com a orientação de resposta também em grupo.

A primeira fase do museu foi inaugurada e entregue ao Ministério da Cultura / IPC, na presença do ministro; Na ocasião providenciámos e foi editada uma brochura, sobre a vida do Capitão Baleeiro JÚLIO CÉSAR ALMADA, homenageado na altura, com a atribuição de seu nome a uma das principais artérias da cidade de Tarrafal, bem assim com a colocação e descerramento de uma placa na casa onde ele residiu em Praia Branca. O acto contou a a presença de familiares, dos dois presidentes de câmaras da ilha e, do ministro da Cultura que presidiu ao acto;

Com a edilidade, procurou-se resgatar parte da memória baleeira e da pesca, atribuindo e recolocando placas toponímicas alusivas em ruas da cidade: Av. António Assis Cadório, Largo José Gaspar da Conceição, Rua dos Baleeiros, Rua do Arpoador, Pça, dos Pescadores. Foram assinaladas a localização da estação Baleeira de Tarrafal e a casa onde viveu o Sr. Joaquim Pinheiro Vila, operário da SUCLA;

Seguimos realizando pesquisas e investigações, mobilização de peças e artefactos com valor museológico, estabelecendo relações com museus congéneres, nos Açores e Estados Unidos; Apelamos aliás, a quem tenha ou conheça que possa dispor de peças de interesse, a sensibilizar e/ou promover a sua cedência ou doação para o espólio do museu.

Outra boa notícia é que:

Demorou, mas conseguimos finalmente, a legalização do Clube, junto da conservatória;

Providenciamos a sua inscrição e integração na ORAC - (Organização das Associações da Ilha) – e CRP (Comissão Regional de Parceiros locais);

Outrossim, de acordo com o que ficou estatuído aquando da criação do CLUBE, a 30 de Novembro será comemorado o “DIA DO CLUBE” e realizado o convívio previsto entre seus sócios, amigos e convidados; Uma vez que a data cai numa 2ª feira, o essencial das actividades ocorrerá durante o fim-de-semana anterior (27 a 29 de Nov.)

Pretende-se realizar por essa altura uma assembleia-geral, quando serão prestadas as contas e relatório de actividades. 

Recomendamos a todos que considerem essas datas, para efeito de organização da agenda pessoal, marcação de reservas de voo e de alojamento, em vista das debilidades da ilha, no que concerne às ligações marítimas e de alojamento. Para quem queira, aluguer de viatura também.

A seu tempo, faremos chegar pormenores, designadamente da programação, contribuição individual. Até, lá aceitam-se sugestões de enriquecimento do programa.

Subscrevo com elevada consideração

José J. Cabral
PRESIDENTE DIREÇÃO

Quem era Júlio César Almada? Não o sabemos, mas aqui ficam indicações sobre o capitão Júlio Almada, em princípio a mesma pessoa (com reservas óbvias).

Sabemos que em Abril de 1932 estava para sair do Porto Grande de São Vicente para New Bedford o veleiro de três mastros "Marion L. Conrad" navio com comodidades "como nenhum outro em Cabo Verde", comandado por Júlio Almada.

Sabemos também que um irmão seu, Franklin Almada, em finais de 1931 foi arrebatado por uma onda, enquanto piloto do mesmo veleiro, em viagem de sentido inverso que durou... 47 dias.

Isto é o que sabemos. É pouco, mas a mais não somos obrigados. 

Fica a bola na mão de Arsénio de Pina ou de José J. Cabral...

5 comentários:

  1. Isto é realmente preservar a memória e o património colectivos. Tiro o meu chapéu aos promotores desta iniciativa.

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  2. O capitão Júlio Cézar Almada comandou também o grande lugre de 4 mastros «Burkeland», de New Bedford, então propriedade de Elias Barros Câmara, com o qual fez pelo menos uma viagem a Cabo Verde. Nessa época [início dos anos de 1930] o navio fazia a travessia regular entre os EUA e o arquipélago, funcionando como paquete misto, ou seja, transportando passageiros e cargas. Agradecia que se alguém tiver fotografias ou quaisquer informações sobre o «Burkeland» mas fizesse chegar por email [ lapa.wifi 'arroba' gmail.com ], pois sou neto e sobrinho de tripulantes deste navio. Muito obrigado,

    joão silva

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  3. Caro amigo João Silva,

    Entretanto, encontrei mais material sobre o "Burkeland" que me está a servir para escrever nova "Crónica do Norte Atlântico" para o Jornal "Terra Nova". Quando o artigo sair, enviar-lho-ei com todo o gosto, bem como as folhas de jornal que me servirão para o efeito.
    Entretanto, convido-o a ir comentando os posts que aqui vamos colocando e a fazer parte da pequena família de comentadores do Praia de Bote. Vou guardar o seu email.

    Grande abraço,
    Djack

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    1. Caro amigo Djack:

      Que bom é saber que está a escrever um artigo sobre o «Burkeland»! Aguardarei, com expetativa, pelas suas novidades sobre este belíssimo navio. E, entretanto, vou passando aqui pelo blogue, para leitura atenta e, quem sabe, um ou outro comentário.
      Grande abraço e muito obrigado,

      joão silva

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    2. Será sempre bem-vindo a esta praia são-vicentina. Teremos muito gosto em ler os seus comentários e em ter a sua companhia.

      Braça,
      Djack

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