quarta-feira, 6 de abril de 2016

[2117] Atum "José", em salmoura, dos manos Mastrodomenico com estaminé na Praia. Estávamos em 1918, acabara a I Guerra Mundial


Um dos irmãos italianos era o Pietrino Mastrodomenico di Giuseppe (suponho que vem daí a marca de atum "José"). Os Mastrodomenico eram gente de Castelnuovo di Conza, província de Salerno e para além do atum cujo anúncio o Pd'B aqui mostra, faziam import-export de Itália para África... a preços módicos. E tinham (obviamente) depósito de mercadorias e venda por atacado. Homem de generosidade, ofereceria $500 para um peditório destinado aos pobres da cidade, organizado pelo jornal «Futuro de Cabo Verde», no terceiro aniversário da implantação da República.

Acabou por figurar num conto meu, já publicado, "A trágica biografia de Fernando Desamparado da Luz Spinelli". Eis um excerto:

"O pai de Fernando, Vittorio Spinelli, chegara à cidade de Praia em 1913, com dezoito anos, para trabalhar no estabelecimento de Pietrino Mastrodomenico di Giuseppe, comerciante italiano natural de Castelnuovo di Conza, província de Salerno. Pietrino, que fazia importação e exportação de mercadorias entre o país natal e África, precisava de mais um ajudante para o seu depósito de venda por atacado. Por coincidência, na altura, o cura de Castelnuovo, sabendo que ele estava bem estabelecido nesse então longínquo Cabo Verde, escreveu-lhe pedindo-lhe para receber aquele «rapaz inteligente e trabalhador» que, desempregado, se propunha encontrar ocupação com futuro, nem que fosse no fim do mundo. Pietrino, de imediato respondeu positivamente ao abade. No mês seguinte, Vittorio desembarcava na Praia, para afinal pouco ali se demorar. Com efeito, mal integrado, apesar do bom tratamento que o patrão lhe dava, ao fim de um ano metia-se num palhabote a caminho de São Vicente, desejoso de conhecer esse Mindelo, quase europeu e mais cosmopolita que a capital do arquipélago, ao qual os colegas caixeiros teciam tantos elogios." 


5 comentários:

  1. Esse atum de salmoura já não foi dos meus tempos em Cabo Verde. Em Cabo Verde havia e ainda há enormes peixes salgados nas lojas típicas cabo-verdianas. Atum, ilhéu e outros, mas que gostava de experimentar peixe de salmoura, lá isso gostava. E é coisa antiquíssima que remonta ao tempo dos romanos.

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  2. Este rôtulo prova que não estava nascido. Mas volto a dizer que, quando sai de Cabo Verde e tomei conhecimento do atum vendido em latinhas que custavam uma fortuna, revoltei-me porque era o nosso atum que importavam (sobretudo de Fabrica Neves em S.Nicolau) em latas de 5 Kgs. Quanto não ganhavam?

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  3. De atum de salmoura em C.V. não tenho memória, ao contrário da carne de porco de Salmoura da minha sogra (Brava) que era uma delícia...Há anos passados costumava ir com outros colegas a uma tasca localizada numa pequena travessa da Av. Almirante Reis, perto da Praça do Chile, onde se comia um atum de salmoura da Madeira que era uma especialidade de deixae saudades...Nham! Nham! Nham!
    Braça manhente
    Zito

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  4. Zito, as coisas boas e saborosas vão rareando, rapaz. Há dias, dei uma volta por aí à procura de carne de porco de salmoura. A minha mulher quis fazer cachupa (ou melhor, milho em grão) e achei que aquele ingrediente seria indispensável. Mas procurei em vão. Só quando há uma feira anual cá no sítio é que aquilo aparece. É um indivíduo de Lamego que o traz, juntamente com enchidos de lá.

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    1. E, por se falar em cachupa, sempre recomendo uma voltinha pelo Post Nº 9064 do AcA que parece ter-lhe passado ao lado...Nham! Nham!...
      Braça de barriga cheia
      Zito

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