sábado, 16 de julho de 2016

[2270] Um anarquista, o campo de morte do Tarrafal, uma rua, algumas escolas e um apaixonado por praias com botes...

Pedro de Matos Filipe, o primeiro preso a morrer no Tarrafal
Em 19 de Junho de 1905 nasceu em Almada (Portugal), o depois anarquista Pedro Matos Filipe. Estivador de porto, presidiu à Assembleia Geral da Associação "Terra e Mar", de Almada. Participou activamente nas greves revolucionárias de 18 de Janeiro de 1934, na localidade onde nascera e vivia e foi preso alguns dias depois, em 30 de Janeiro de 1934, acusado de posse de explosivos e bombas. Julgado pela ditadura do Estado Novo de António de Oliveira Salazar, foi condenado a 12 anos de confinamento em campos de prisioneiros. A 8 de Setembro de 1934 foi enviado para a fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira, Açores), mas com a abertura da Colónia Penal do Tarrafal seguiu para ali em 23 de Outubro de 1936. O confinamento trouxe-lhe diarreia sanguinolenta (a temível biliosa), absolutamente curável, mas que degenerou em anemia aguda. Pedro Filipe Matos morreu sem médicos ou farmacêuticos a 20 de Setembro de 1937, no campo de concentração do Tarrafal (Chão Bom, Tarrafal, Santiago, Cabo Verde). No mesmo dia, também morreu o marinheiro Francisco José Pereira, de 28 anos. Foram as duas primeiras vítimas da Colónia Penal do Tarrafal. No total, 37 presos políticos morreram ali e os seus corpos só poderia voltar a Portugal após a Revolução do 25 de Abril. (dados colhidos em vários sites da Internet, entretanto adaptados)

Tem nome de rua na Cova da Piedade, Almada, rua essa que se chamou de Óscar Carmona e que foi aquela onde um jovem estudante simpatizante de praias e de botes fez os seus estudos de instrução primária até à 3.ª classe. Por via de mudança de residência devida a obrigações profissionais familiares, esse jovem faria a 4.ª classe nas escolas da Rua de Coco e rua do Sol, Mindelo (ilha de S. Vicente, Cabo Verde). Ironias do destino…

Resta dizer que depois de algumas voltas residenciais (nunca muito afastadas deste local), o tal jovem, hoje bem mais entrado em idade, reside perto do sítio onde morou na infância e volta e meia passa por esta rua…

Placa toponímica na parte mais alta da rua
Placa toponímica na parte mais baixa da rua

2 comentários:

  1. Deste cidadão corajoso, pelo menos, se lembraram. Ê de aplaudir os diligentes que tiveram a ideia e o blogue que nos traz a estôria da primeira vitima falecida no campo de Tarrafal.

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  2. Comovi-me, confesso, a ler esta narrativa.

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