segunda-feira, 10 de outubro de 2016

[2623] Ferreira, Ferreira & Ferreira, Romances, Lda.

As estantes de uma biblioteca (neste caso, cabo-verdiana) guardam livros mas também comportam outros acontecimentos (e até mistérios), em geral apreciados por quem gosta do cheiro do papel com picos de acidez, dedadas de manuseamento, cantos quebrados, lombadas partidas pelo uso e restantes sinais (e cheiros) de vida livresca... inclusive traças... (insectos que, como é sabido, devoram literatura com gosto).

Hoje, em arrumação de alguns novos exemplares que me chegaram, dei com esta coisa engraçada de Armindo Ferreira ter sido separado de sua esposa Ondina Ferreira (aqui representada por "Contos com Lavas", oferta recente da autora e amiga), nada mais nada menos que pelo português apaixonado por Cabo Verde Manuel Ferreira (por sua vez esposo de Orlanda Amarílis, da qual ainda não tenho nenhum obra - mas lá chegará o dia). Realmente, entre "Mulheres de Pano Preto" de Armindo Ferreira (também gentil oferta do autor) e "Contos com Lavas", estão duas edições de "Morabeza", seis de "Hora di Bai" e uma de "Terra Trazida" todas de Manuel Ferreira. Em breve, o ataque será a "Morna", livro que infelizmente ainda por cá não existe em nenhuma das edições.

Também curioso é que outro "Hora di Bai", livro de teor antropológico (estudo sobre a morte em Cabo Verde) da autora Margarida Fernandes, tenha sido separado dos "Hora di Bai" de Manuel Ferreira pelo exemplar de Armindo Ferreira.

Como já disse, estando em hora de arrumações, no caso de Manuel Ferreira ainda não coloquei os dois "Morabeza" a seguir a "Hora di Bai", como obriga a ordem alfabética - o que será feito daqui a nada.

Como última curiosidade, o livro que por hora está no final desta prateleira é um trabalho de história sobre Santo Antão, della mia amica genovese Haydée Ferro, que me foi oferecido pela saudosa mãe, grande e também estimada amiga D. Carolina Ferro, na sua casa de São Vicente, ali bem juntinho da Praça Nova. Só coincidências, pessoal, só coincidências. O que a gente econtra nas prateleiras de estante de uma modesta biblioteca cabo-verdiana...

7 comentários:

  1. Gostei de ler esta tua prosa, Djack. Saborosa e incitadora de uma viagem a Cabo Verde através dos livros desses estimados autores.

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    1. Este vício bibliófilo-cabo-verdiano, já com cerca de 20 anos, faz-me ver cada vez mais a grande riqueza da literatura das ilhas, um universo quase sem fim, onde se encontra do melhor da língua portuguesa. É um vício tramado que tem a ver com a frase pessoana e coca-colesca do "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Mas tu sabes bem do que estou a falar.

      Braça com cheiro a pó de biblioteca e uns espirros pelo meio,
      Djack

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    2. Melhor dizendo "língua portuguesa", digo "língua em português" ou "língua lusófona" ou "português com sotaque cabo-verdiano", tanto faz...

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  2. Que belo post! E a biblioteca nem se fala.. Ai essa biblioteca... (suspiro)

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  3. Biblioteca cabo-verdiana modesta mas com dono militante, sempre a tentar encontrar mais exemplares, sobretudo os que de facto valem a pena.

    Braça com cheiro a mofo,
    Djack

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  4. A "Hora di Bai" de Margarida Fernandes é livro que eu gostaria de ler. O Djack sabe onde o poderei adquirir? O resto do que está na estante, já li quase tudo.

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    1. Facílimo! E com entrega em casa. Não me digas que não conhecias.
      https://www.wook.pt/pesquisa/hora+di+bai
      Braça,
      Djack

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