terça-feira, 3 de janeiro de 2017

[2774] Entrevista do primeiro-ministro de Cabo Verde Ulisses Correia e Silva ao "Diário de Notícias" de Lisboa

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2 comentários:


  1. Palavras bonitas e generalidades que podem ser emolduradas e afixadas em qualquer parede da democracia. O que é louvável num país africano. Estranho é que, ao falar de reforço e aprofundamento da democracia, em momento algum o PM fez qualquer alusão à descentralização política/regionalização do país. É que este tema foi bandeira da campanha eleitoral do seu partido e sabe-se que o importante score eleitoral conseguido, sobretudo em S. Vicente, foi em parte devido a isso.
    Continua-se a dizer isto que eu transcrevo da entrevista ou do suplemento informativo com ela relacionado: "A nova geração tem de ser descomplexada relativamente a estes problemas entre aquele que colonizou e aquele que foi colonizado. Isto é história, é passado, registado, mas não deve ser objeto de combates".
    É verdade que é passado, mas não é história. Pois não é correcto de um ponto de vista historiográfico dizer-se que Cabo Verde foi colonizado por Portugal. Os factos históricos é que o dizem e ninguém os podem desmentir sob pena de desonestidade intelectual. Os portugueses passaram pelas ilhas atlânticas desabitadas e povoaram-nas, em seu próprio benefício. Assim como povoaram os Açores e a Madeira. Será que o facto de a maior parte da população de Cabo Verde ter sido importada de África valida suficientemente a afirmação de que as ilhas foram colonizadas? Mesmo o fenómeno de aculturação por que passaram as primeiras populações africanas fixadas nas ilhas justifica que se fale em colonização? Isso só seria relevante até elas ganharem uma consciência identitária própria, como de facto aconteceu.
    Esta dialéctica só se torna mais complexa quando o vector político entra na análise. Poderá ter entrado em tempos anteriores à independência como seguramente entrou depois disso e de forma bem acirrada.

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  2. Edgard Morin disse: "A internet modernizou a mentira" e eu acredito no que vejo. Aguardemos para o começo das acções prometidas.

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