domingo, 26 de março de 2017

[2913] Eis o que se pode desvendar acerca da foto do post anterior

Ora a foto é do feriado do 1.º de Dezembro de 1944 (calhou a uma sexta-feira, mesmo a jeito para o evento que ali teve lugar). Diz o palpite do Mendes que é o Hospital. Ora o Hospital fica no Lombo e o que temos aqui aconteceu na Ribeira Bote/a, como reza o texto manuscrito no verso da mesma. Está mais ou menos explicado de que se trata. É uma "Lembrança da inauguração da Sala do Soldado do C.A.R. do Regimento de Infantaria 23". Este regimento (de Coimbra) viera de Sul, de outras Áfricas ainda mais africanas, como reza o que retirei do blogue "Momentos de História": 

Quanto à palavra "Soldado", custou-nos decifrá-la, mas veja-se que o "a" de "Sala" é minúsculo, tal como o "o" de "Soldado" (apenas um pontinho, na junção entre o "S" e o "l"). Agora, entra em cena o Adriano que nos irá dizer o que era o C.A.R.

Relativamente ao civil com capacete colonial nas nãos, pareceu-nos o poeta José Lopes, mas com imensas dúvidas, apesar de tudo.

Do cartaz afixado na porta, com quatro palavras sobrepostas, só conseguimos desvendar as primeiras três: C.A.R. / Posto / de /... Terá algo a ver com saúde? Daí as duas senhoras que poderão ser enfermeiras? Posto de enfermagem, em vez de hospital? Mas havia enfermeiras no Mindelo a prestar assistência aos soldados? Eles não tinham o seu próprio médico e enfermeiros militares? Enfim, mistério... A decifração da sigla C.A.R. poderá trazer algumas luzes. E assim, continuamos a mergulhar não na Matiota nem na Baía das Gatas mas na história de São Vicente e do Mindelo...


4 comentários:

  1. Joaquim, os dados que estão a azul e que pretendem esclarecer a origem daquele pequeno contingente militar não têm nada a ver com a realidade a que se refere a fotografia.
    Ora, Regimento de Infantaria 23 foi a designação que à data e naquele contexto foi dada ao escalão de comando que controlava os batalhões colocados em S. Vicente pertencentes às Tropas Expedicionárias que estiveram no arquipélago durante a II Guerra Mundial (1941-44). Esses batalhões foram o BI 5, o BI 7 e o BI 15.
    O acontecimento que referes nessa descrição a azul ocorreu muitos anos antes, creio que na década de 1930. Basta comparar os uniformes dos militares em causa. Os militares dessa força que, penso, estão em posição numa trincheira usavam um capacete colonial e uma farda diferente, ao passo que o uniforme destes militares constantes do presente post é exactamente o das Tropas Expedicionárias de 1941-1944.
    CAR em abreviatura militar significa Condutor Auto Rodas, o que não faz qualquer sentido com o que a imagem representa. Mas o nome da porta que se vê na foto parece ser Posto de Socorros. Quanto a Sala do Soldado, não parece fazer sentido como algo (CAR) pertencente ao RI 23. É que o RI 23 era materializado pelos 3 batalhões de infantaria, colocados em locais diferentes e cada um com as suas próprias instalações, que poderiam incluir, respectivamente, uma sala de soldado. Portanto, o RI 23 consistiria tão-só, em termos físicos, numa pequena estrutura de comando (o comandante do regimento e um staff), cuja função era o de comando e controlo dos 3 batalhões subordinados. Não teria de ter quartel próprio, apenas uma instalação para acolher o comandante e o seu staff. Porque não se esqueça de que havia o Quartel General do Comandante das Tropas Expedicionárias, que eram comandadas por um brigadeiro.
    Bom seria se o Valdemar dissesse (ele era menino na altura mas tem memória desse tempo) se havia alguma instalação militar, ainda que improvisada, na Ribeira Bote, nome que consta da foto. Que eu saiba, houve o hospital militar das Tropas Expedicionárias construído de raiz e cujas instalações seriam mais tarde cedidas aos Salesianos. Ficava (fica) no início da Ribeira Bote. Hospital militar conjuga com Posto de Socorros, mas o que se vê na fotografia não parece ser instalação recentemente construída. No entanto, a presença das senhoras faria sentido se fossem enfermeiras.
    Mas admitamos que CAR seja abreviatura de Comissão de Apoio Regimental. Se nos lembrarmos de que no tempo da Guerra Colonial havia o Movimento Nacional Feminino, que apoiava as tropas nos territórios onde havia guerra, poderá fazer sentido aquela interpretação do significado da abreviatura, pelo que tratar-se-ia de uma iniciativa precursora no que respeita ao apoio dos soldados. Isso poderia justificar a presença dos civis, em particular das senhoras, que se vêem na fotografia.
    No entanto, há um aspecto que me intriga: em Dezembro de 1944 a maior parte das Tropas Expedicionárias já tinham regressado a Metrópole.
    É quanto se me oferece dizer. Não me digam que não me esforcei.

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    1. Caro Adriano,

      Depois do que li, restou-me chamar o Djosa de nha Bia e fazer o que era devido: arrasar as frases a azul. Eu com uma Borsig m/944 e ele com uma Dreyse m/938, em 25 segundos despachámos todo o falso azulismo.

      Quanto à tua última frase, só tenho a dizer o seguinte: lida esta oração de sapiência, quem desejar mais leva a mesma dose que as frases a azul... Tomaram os mudos e apáticos e bisbilhoteiros e etc. e tal que aqui vêm e não deixam sinal ser assim.

      Braça com rajadas por todo o lado, rátátátátá,
      Djack

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    2. No meu imaginàrio de criança, eles estiveram muuuitos anos.
      Foi um manà para alguma gente e de tal forma que nunca mais sairam da minha memôria. Ainda lembro-me de factos e de nomes que tanto marcaram os mindelenses ou mesmo gentes de outras ilhas que se deslocavam para serem atendidos... graciosamente. E, portanto, poucos contactos directos tive com eles.

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    3. Na Ribeira Bote existiu de facto umas instalações militares que era conhecido por "casa nova" localizado num descampado que onde nasceu as casas de lata que se deu o nome de Ilha de Madeira. Esta instalações foram demolidas nos anos 90 para dar lugar a bairros de habitação construídos pela Câmara liderado por Onésimo Silveira

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