sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[3133] Ah como são tão imensamente divertidas as "petites histoires" da literatura...


Álvaro Salema. Foto Wikipedia
O escritor é o nosso muito estimado Manuel Lopes, senhor de um dos mais significativos repositórios de ficção cabo-verdiana, homem da "Claridade", prosador, poeta, conferencista. Na realidade, um clássico das ilhas. Por motivos que não vêm agora ao caso, Lopes passa parte substancial da sua vida em Portugal. No momento desta "petite histoire", reside exactamente na Rua de Nossa Senhora do Egipto, 36 - R/C Esq., Oeiras. Estamos em 24 de Julho de 1959. E nesse dia, com o seu "Chuva Braba" saído há cerca de três anos (Prémio Fernão Mendes Pinto, 1956), resolve oferecer um exemplar ao crítico literário Álvaro Salema ("Diário de Lisboa", "A Capital", "Seara Nova", etc,) que só há-de falecer em 1991. Salema é jornalista e crítico brilhante e respeitado. E interessado pela literatura cabo-verdiana, disso não há dúvida, pela bibliografia que sobre o tema deixou. Mas a verdade é que durante os 32 anos em que o livro repousou nas suas estantes, conquistando depósito de pó e alguns picos de acidez, nunca o chegou a ler... porque ainda hoje está por abrir. Ah e o livrinho custava então 25$00, depois de ter antes valido 20. Como sabemos tudo isto? É que quem anda à "Chuva Braba" molha-se... Mostraremos em breve programa de propaganda que estava gatchóde dentro dele, com divulgação de "Poemas de quem ficou" (1949) e "Os meios pequenos e a cultura" (1951)... Pd'B, sempre com novidades... novas...

A casa de Manuel Lopes em Oeiras. O lado esquerdo, em baixo, do qual apenas vemos uma janela. 

3 comentários:

  1. Parece que se formou, nos anos 50/60, uma espécie de delegação cabo-verdiana em Oeiras: Manuel Lopes, Manuel Ferreira. Gabriel Mariano também?
    Um abraço, bom trabalho!
    João Serra

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    1. Não sei do Gabriel Mariano, mas hoje há excelentes relações entre os município de Oeiras e São Vicente, reforçadas desde o período em que eram presidentes das câmara respectivas o poeta e político Onésimo Silveira e aqui o Isaltino Morais.

      É natural que nessa altura dos cinquentas uns tenham puxado os outros para o local. E no fim, com idas e vindas entre as ilhas e aqui o rectângulo, acabaram por morrer todos por cá.

      Abraço e boas visitas guiadas à exposição do Manuel Ferreira,
      Djack

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  2. Muito gosto tive em ler esta "petite histoire" e de ficar a saber onde morou Manuel Lopes.

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