sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

[3301] Cabo Verde, país mais democrático de África

Sim, podemos dizer que Cabo Verde não é perfeito em democracia. Mas Portugal também não, e muitos outros países, aliás todos, aspas, aspas. É verdade. Contudo, este galardão mostra que o país ilhéu verdiano está num excelente caminho e que por isso deve sentir-se honrado e merecer os parabéns do Mundo. Um braça pa Cabverd!
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4 comentários:

  1. A democracia é um conceito muito relativo, e quando se trata de África a ideia é reduzi-la a algumas estatísticas que são caras ao Mundo Ocidental.
    No caso de Cabo Verde, o conceito não pode prender-se exclusivamente a direitos que são formais mas que nem sempre se traduzem em valores concretos e realizáveis E, nesse sentido, importará saber a relação entre a liberdade individual e a eficácia das instituições e organismos públicos preservadores da ordem social e dos direitos gerais dos cidadãos.

    Vou traduzir tudo em exemplos concretos. Será livre um país onde os cidadãos têm receio de sair sozinhos a partir de certa hora da noite? Onde os delinquentes e criminosos agem à vontade, desafiando a polícia e a justiça? Onde, se calhar, os juízes se sentem coagidos ou têm receio de decidir no julgamento de um processo de tráfico de droga? Onde há casos de homicídios ou tentativa de homicídio que nunca chegam a ser esclarecidos? Onde há cidadãos que enriquecem misteriosamente de um dia para outro sem que as instituições competentes do Estado investiguem para saber qual foi a origem do dinheiro? Onde há fenómenos sociais muito pouco dignificantes para a imagem de um pais livre, como os meninos de rua e a prostituição de menores, reveladores de situações de descontrolo ou anarquia familiar mais frequentes do que seria normal?

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    1. Caro Adriano Lima, o país das "Maravilhas" é só no mundo da Alice. neste nosso mundo, particularmente em Cabo Verde a minha "Careca" me disse que ele nunca existiu e nem existirá, a menos que esteja enganado.
      Agora, para uma País considerado inviável a 40 anos atrás a sua situação na presente conjuntura é de tirar Chapéu, graças apenas a nossa "Raça" única neste mundo.
      Agora resumindo o que acabas de escrever, e que tens razão, aquilo que esta para vir vai ser um bico d'obra pelo simples facto de se estar a exigir demais desta Terra. Ha certas coisas que o país não pode dar e ainda as pessoas não tomaram a consciência disso

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    2. Caro Zeca Soares, acredita que não sou dos que exigem coisa alguma à nossa terra. E preocupa-me mais o seu futuro do que o seu presente. E sabes porquê? Porque o que se conseguiu construir até hoje só foi possível graças à generosidade da comunidade internacional. E neste ponto é de enaltecer os que governaram no passado e até hoje, porque não desbarataram nem meteram nos bolsos os recursos, como é habitual em muitos países africanos. Os problemas que eu enunciei sob a forma de perguntas são reais e são iniludíveis. São sintomas de estrangulamentos sociais que eram difíceis de evitar pela falta congénita de condições materiais estáveis e contínuas para estruturar uma sociedade sustentável por si própria, se não no todo pelo menos em parte. Repara que apesar das ajudas que tivemos desde 1974 chegamos a esta situação em que muitos problemas sociais estão por resolver. A delinquência e a prostituição são resultantes da falta de recursos e de perspectivas para o futuro. E se não se resolveram como é que será no futuro uma vez que deixámos de beneficiar do mesmo montante de ajudas, com tendência até para a sua redução progressiva? E sem que a nossa terra tenha conseguido criar infra-estruturas produtivas capazes de garantir a sua própria sustentabilidade.
      Dizes: “aquilo que está para vir vai ser um bico d'obra pelo simples facto de se estar a exigir demais desta Terra. Há certas coisas que o país não pode dar e ainda as pessoas não tomaram a consciência disso.” Pois claro, Zeca, não se pode exigir mais a quem não pode dar mais do que tem. Esta é a realidade nua e crua. Era uma verdade ontem, é hoje e sê-lo-á no futuro. Infelizmente.

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  2. Concordo com o Adriano e é sempre bom quando falamos de índices relativizar as coisas. O dia-a-dia dos cidadãos é que conta mais e ele elencou coisas concretas terra-a-terra. Se compararmos Cabo Verde com o continente Africano então podemos dizer sim é o país mais livre de África. Mas os exemplos de regimes democraticamente aceitáveis em África não se abundam.
    A fasquia para Cabo Verde tem que se colocar mais alta. Sim é possível exigir mais e melhor. Nós não esmaos na 1ª República em que os caciques de então diziam a ditadura que era boa já que estávamos a partir do zero, ou melhor queriam 'zerar' tudo, pôr o contador a zero.

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