sábado, 31 de março de 2012

[0190] O regresso do Praia de Bote

Regressa o PRAIA DE BOTE, após longa espera no seu passeio a Santo Antão. Digamos que a praia ficou congelada no tempo... por algum tempo. Assim, continuará em breve a dita viagem à ilha irmã. Entretanto, que melhor maneira de recomeçar que com Santo Antão, mas em forma de navio? Sim, o "Santo Antão", de curta vida, lançado ao mar em 1957 mas afundado prematura e ingloriamente em 1966, ao esbarrar numa rocha junto a Santa Maria, no Sal. A notícia que aqui colocamos é do "Diário de Notícias" de New Bedford, de 5 de Junho de 1957, e os dados técnicos retirámo-los com a devida vénia do blogue "Finisterra".


Só uma precisão: embora se diga que o navio era de carga, ele levava passageiros, sempre que necessário. O meu pai viajou nele, pelas ilhas, visitando faróis e outras instalações marítimas. E eu poderia também ter tido essa sorte se os meus progenitores me tivessem deixado fazer uma viagem da Mocidade Portuguesa que muitas dezenas de colegas meus realizaram e a cuja chegada assisti, invejoso, no cais acostável de S. Vicente. Medos de pais receosos...

Navio "Santo Antão"

Tipo ... Navio de carga
Construtor ... C.U.F. - Companhia União Fabril
Local construção ... Estaleiro Naval da A. G. P. L. - Lisboa
Ano de construção ... 1957
Registo ... Capitania do porto de Lisboa, em 2 de Novembro de 1957, com o número H 448
Sinal de código ... C S D L
Comprimento fora a fora ... 53,30 m
Boca máxima ... 9,02 m
Calado à proa ... 3,35 m
Calado à popa ... 3,63 m
Arqueação bruta ... 543,31 Toneladas
Arqueação Líquida ... 253,92 Toneladas
Capacidade ... 450 m3
Porte bruto ... 585 Toneladas
Aparelho propulsor ... Um motor diesel, de 5 cilindros, construído em 1955 por Burmeister & Wain, em Copenhague, Dinamarca.
Potência ... 500 cavalos
Velocidade máxima ... 11,0 nós
Velocidade normal ... 9,0 nós
Tripulantes ... 14
Armador ... Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes - Lisboa

4 comentários:

  1. Ora viva, meu caro...E não deixa de ser significativo que regresse de barco, honrando a tradição marítima do seu progenitor...Espero que não tenha enjoado e que esta longa e penosa espera se venha a traduzir em renovadas "novelas" mindelenses...~Já agora, aproveito para conferir se o seu pai terá ido para S.Vicente a substituír o Sargento Antonio Ribeiro, patrão-mor durante vários anos e a quem me uniram fortes laços de amizade...Aliás, foi a esposa que confeccionou o vestido de noiva de minha mulher...Boa gente, já falecidos ambos, infelizmente!

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    1. Numa praia com "stil" como é a de Bote, só de barco se pode regressar. E de facto as investigações continuam, com armazenamento de imenso material de grande qualidade. A seu tempo, ele passeará, sob forma de livro, pela nossa conhecida areia, recheada de caroços de manga e cadáveres de baratas, frente à Rua de Praia, junto à Torre de Belém...

      Quanto ao antecessor do meu pai, o nome do mesmo perdeu-se nas "brumas da memória". Quando lá chegámos já ele tinha regressado ao Alfeite, suponho que para se reformar de imediato. Acho que o casal tinha uma filha solteira, já adulta, mas posso estar a inventar. Entre a partida dele e a nossa chegada, em 1962, o trabalho de patrão-mor foi assegurado pelo então cabo-de-mar, Rego - que anos mais tarde regressou, como patrão-mor, um dos últimos antes da independência.

      Aquel braça,
      Djack

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  2. Obrigado pelo esforço de memória...O casal Ribeiro não teve filhos, mas adoptou um rapazinho de S.Vicente que, infelizmente, morreu jóvem, depois do pai mas antes da mãe adoptiva...Memórias dos anos de ventura!

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  3. Dou boas vindas ao Praia de Bote pelo seu regresso.
    Lembro-me bem deste navio mas não tive ocasião de viajar nele. Uma pergunta. Destinava-se só a viagens inter-ilhas ou fazia também carreira para Lisboa?

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