terça-feira, 13 de novembro de 2012

[0276] Continua o trabalho sobre as tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde

TROPAS EXPEDICIONÁRIAS PORTUGUESAS A CABO VERDE NO PERÍODO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

7 - A incidência da morbimortalidade entre os militares expedicionários       comente, não se limite a ler   


NOTA: Devido a mudança de computador e às complicadas manobras que essa batalha implica, o PRAIA DE BOTE não sairá da sua trincheira durante algum tempo. O CIDADE VELHA 1462 e o NOVAS DE TARRAFAL continuarão a ser municiados, embora com alguma dificuldade técnica, própria da dita mudança de armamento.
 
Adriano Miranda Lima
Uma ou outra vez li ou ouvi algures que a morte é a namorada mais fiel com que o soldado pode contar. Este aforismo não obedece a nenhuma verdade axiomática senão no sentido em que exprime a ideia do sério risco de morte violenta a que o militar se expõe no campo de batalha. As tropas expedicionárias foram para Cabo Verde equipadas e preparadas para a eventualidade de uma situação de guerra, pois o conflito mundial poderia abrir um breve e circunstancial episódio local se os alemães tivessem pretendido ocupar as ilhas. Felizmente, isso não aconteceu, e as nossas tropas mais não fizeram que acompanhar à distância as notícias de uma guerra que ceifava vidas e dilacerava cidades a uma escala avassaladora. A civilização ocidental estava de rastos, renegando os valores com que cimentara os seus alicerces desde a Idade das Luzes.

No entanto, aquela namorada tem o sortilégio da omnipresença, seja na guerra seja na paz, e assim não escaparam ao seu beijo fatídico 40 militares na ilha de S. Vicente e 28 na ilha do Sal. Não disponho de elementos informativos sobre o que se passou na ilha de S. Antão, mas é de todo provável que alguns óbitos ocorridos nessa ilha tenham conhecido o seu desfecho em S. Vicente, para onde os militares gravemente doentes seriam naturalmente evacuados. Com a devida vénia ao blogue Luís Graça & Camaradas, reproduzo aqui os resultados de uma pesquisa efectuada nos Arquivos do Registo Civil de S. Vicente pela Dr.ª Lia Cordeiro Lima Medina, professora universitária, que desta forma prestou uma valiosa colaboração àquele estimado e prestigioso blogue que, para o efeito, contou com a valiosa acção do seu colaborador José Martins. A pesquisa da Dr.ª Lia Medina foi ao pormenor de registar os dados pessoais de identificação, e, na generalidade dos casos, a data e a causa da morte dos militares, assim como o número da campa e a rua em que foram inumados no cemitério de S. Vicente. Porém, com respeito à ilha do Sal, apenas existem os nomes, os postos e a data do falecimento.

Vejamos então os seguintes registos oficiais. Entre 1941 e 1946, morreram em S. Vicente 40 militares das forças expedicionárias, sendo 9 em 1941, 14 em 1942, 12 em 1943 e 5 entre 1944 e 1946. Compreende-se que o maior número de óbitos tenha ocorrido no período auge da permanência das tropas (1942 e 1943), porquanto só começaram a chegar a Cabo Verde no segundo semestre de 1941 e o regresso à metrópole do grosso dos efectivos começou a partir dos finais de 1943, nomeadamente das unidades de infantaria. Na ilha do Sal, registaram-se 28 óbitos entre 1941 e 1944, onde os efectivos eram bem menores que em S. Vicente. Pelo que se pode concluir que, em termos proporcionais, os óbitos foram em maior número nessa ilha.

Foto publicada no blogue Luís Graça & Camaradas, que aqui se reproduz com a devida vénia. Representa o funeral de um militar, cuja identidade se desconhece. Parece que o cortejo fúnebre está a passar pela zona da Praça Estrela, a caminho do cemitério.
Foto publicada no blogue Luís Graça & Camaradas, que aqui se reproduz com a devida vénia. Segundo esse blogue, trata-se de uma homenagem dos militares das duas baterias de antiaérea de Monte Sossego a seus camaradas falecidos. Pela forma como as campas se apresentam arranjadas, a homenagem pode ter sido na altura do regresso à metrópole daquelas unidades. Uma sentida homenagem de cunho marcadamente militar.

De entre os 40 óbitos registados na ilha de S. Vicente, a quase totalidade pertence à classe de praças (soldados e cabos), o que é compreensível atendendo a que em qualquer corpo militar as praças constituem cerca de 80% do efectivo. Mas em S. Vicente faleceram um major (53 anos), de que se falará mais adiante, um tenente (58 anos, possivelmente dos serviços administrativos ou secretariado, tendo em conta a idade), um aspirante do serviço de administração militar, um 2º sargento, por suicídio, de que se falará também mais à frente, um furriel miliciano e um cabo miliciano. De entre os 28 óbitos ocorridos na ilha do Sal, regista-se um tenente e um furriel miliciano. 

Foto de origem desconhecida, datada de 1943 ou 1944. Trata-se de pessoal do serviço de saúde no Hospital Militar Principal de S. Vicente, cujas instalações passariam mais tarde a pertencer aos Salesianos. Os militares da frente e sentados parecem oficiais médicos.

À excepção de um número escasso de casos de morte por causa acidental (três por arma de fogo, sendo dois por suicídio e um provavelmente por mero acidente; um por politraumatismo provavelmente relacionado com acidente de viação ou queda e um por congestão súbita dentro de água), todos os óbitos tiveram causa natural, ou seja, doença contraída durante a permanência em Cabo Verde. E é sobre esta questão que poderemos fazer algumas breves extrapolações. Para começar, é algo invulgar a taxa de ocorrência de tantas mortes por doença se fizermos uma análise comparativa com o historial das unidades que participaram na chamada guerra colonial na década de 1960 e primeiros 4 anos da de 1970. Falando da minha própria experiência, tanto no batalhão em que servi em Angola como no de Moçambique, não me recordo de um único caso de morte por doença, tendo todas as baixas sido causadas por morte violenta em combate (arma de fogo e rebentamento de minas anticarro e antipessoal).  A diferença é que à época em que as tropas estiveram em Cabo Verde os recursos terapêuticos e os meios profiláticos eram incomparavelmente inferiores ao que se viria a verificar duas décadas volvidas. Não existia certamente a bateria de vacinas a que os militares eram submetidos antes de marcharem para Angola, Guiné, Moçambique e outros territórios africanos.


As duas fotos em cima são da autoria de José Vitória, pai de uma minha tia por afinidade. O dono das fotos, expedicionário 1º cabo Custódio Jacinto, escreveu no verso as seguintes palavras: “Recordação do quadrimotor inglês que veio a S. Vicente em 25/1/1944 trazer as injecções contra a febre amarela”. No alto da colina pode ver-se o Fortim d’El rei ainda intacto e operacional. VER NOTAS SUPLEMENTARES APÓS O FINAL DO PRESENTE TEXTO

Com efeito, atentemos nas seguintes causas da maior parte dos óbitos registados em Cabo Verde para percebermos que o uso da penicilina e antibióticos teria em grande parte evitado a sua ocorrência, já que o seu desfecho fatal está associado a um predomínio de doenças infecciosas de origem bacteriana: febre tifoide, broncopneumonia, infecções intestinais, septicémia, paludismo e outras. Lembre-se que só a partir de 1944 é que a penicilina, inaugurando a era dos antibióticos na medicina, começou a ser utilizada à escala industrial em Portugal. No entanto, durante a II Guerra Mundial essa notável descoberta médico-científica salvou milhares de vidas de soldados, não sendo provável que as prioridades da sua distribuição tivessem contemplado o mundo português de então, mesmo em benefício dos militares destacados em terra distante e sujeitos a influências ambientais a que não estavam habituados.

Até porque, se o quotidiano dos nossos expedicionários estava afastado das agruras da guerra, para ela se preparavam, porventura sofrendo privações e arrostando alguns sacrifícios e contingências que lhe são típicos. Ou ambiente físico e económico-social em Cabo Verde naquela altura, caracterizado por graves carências alimentares locais e porventura sanitárias, terá sido em si mesmo indutor de reflexos negativos entre a população militar? É muito provável que sim. Testemunhos de alguns expedicionários referem uma alimentação insuficiente e de fraca qualidade para quem estava sujeito aos esforços físicos exigidos pela actividade militar de campanha. Outros factores  não terão sido favoráveis ao bom estado sanitário dos militares, como a escassez de água para dessedentar os corpos e para a higiene colectiva mínima nas situações de campanha  que exigiam o acantonamento em tendas em certos locais de S. Vicente como S. Pedro, Baía das Gatas, Salamansa e outras. Isto para não falar na ilha do Sal, onde as intempéries e a secura da terra tinham seguramente uma feição bem mais gravosa. Por outro lado, os horrores da seca e, consequentemente, da fome, que ceifavam diariamente a vida de muitos cabo-verdianos teriam provavelmente uma influência negativa entre a população militar metropolitana. O expedicionário 1º cabo Luís Henrique, falecido neste ano aos 92 anos, pai do editor do blogue Luís Graça e Camaradas, relatou ao seu filho o impacto negativo das notícias que chegavam aos militares sobre as mortes pela fome que ocorriam diariamente na população civil. Eu próprio ouvi relatos de expedicionários há alguns anos em que falavam da sua estupefacção e tristeza por saberem de cadáveres diariamente transportados para o cemitério em carroças e enterrados sem caixão.

Como atrás antecipei, merece aqui referência a morte por suicídio com arma de fogo do 2º sargento Ovídio de Deus da Silva Buíça, do Batalhão de Infantaria 5, visto que era muito estimado no Mindelo pelo bem que fazia a algumas pessoas. Segundo testemunho de uma tia minha por afinidade, o sargento Buíça suicidou-se por ver-se envolvido num processo em que era acusado de irregularidades na gestão da messe de sargentos, de que era encarregado. O militar era conhecido da mãe dessa minha tia, e esta ainda se recorda da consternação que a sua morte causou no meio civil. O Valdemar Pereira, vice-cônsul de Portugal em Tours, aposentado, confirma os factos relatados pela minha tia, embora ele fosse ainda criança à data dos acontecimentos. O sargento Buíça faleceu em 3 de Abril de 1943 e os seus restos repousam na campa nº14, rua 56, do cemitério do Mindelo.


As duas fotos em cima pertenceram ao capitão de infantaria Mário de Paiva Nunes e foram-me oferecidas pelo seu filho. Retratam as exéquias fúnebres do major de infantaria Nicolau de Luizi.
Satisfazendo o que páginas atrás anunciei, umas palavras agora sobre o falecimento do major Nicolau de Luizi. Este oficial era o comandante do Batalhão de Infantaria 15, que partiu do Regimento de Infantaria 15, de Tomar. A causa da sua morte, e segundo o que consta nos arquivos do Registo Civil de S. Vicente, foi “septicémia-broncopneumonia”. Este oficial recebera, em cerimonial militar de parada, das mãos do seu Comandante de Regimento, o guião da unidade, a bandeira heráldica que acompanharia e nortearia o batalhão no cumprimento da sua missão em Cabo Verde. Por certo, ninguém esperaria a sua morte, ocorrida aos 53 anos em 9 de Março de 1942, bem menos de um ano após a sua chegada a Cabo Verde. No entanto, alguns expedicionários seus subordinados que eu ouvi há cerca de 25 anos alegaram que o oficial não gozava de uma perfeita saúde quando embarcou, por nunca ter curado devidamente um padecimento contraído em Moçambique na sua actividade militar. A primeira foto retrata a passagem do cortejo fúnebre pela zona Praça Estrela, vindo da Igreja local, a caminho do cemitério. O corpo deve ter sido encerrado em urna de chumbo e mais tarde enviado para a metrópole. A segunda foto reporta precisamente o cerimonial militar de embarque do corpo com destino à metrópole. A urna está no jazigo familiar de Tomar, onde, por mero acaso, detectei há cerca de 20 anos o nome do oficial gravado na sua parede de mármore. Procurei na cidade de Tomar algum descendente deste oficial, mas sem resultado. Admito que outros oficiais falecidos em Cabo Verde possam ter sido trasladados para a metrópole, até porque os registos existentes não referem a sua inumação no cemitério de S. Vicente. 

Esta foto pertenceu ao capitão Mário de Paiva Nunes e foi-me oferecida pelo filho. Nela estão alguns oficiais do Batalhão de Infantaria 15. Não estou seguro, mas penso que o major Nicolau de Luizi é o que está no centro da foto (de camisa aparentemente mais clara). À sua direita está o capitão Paiva Nunes e à esquerda o capitão Marques e Oliveira, comandante da 3ª Companhia de Atiradores, a que ficou em S. Vicente enquanto o resto do batalhão guarneceu a zona de Porto Novo, S. Antão. Teremos ocasião de falar do capitão Marques e Oliveira pelo seu gesto humanitário para com a população do Mindelo.

Fotos de Emanuel Vitória Soulé, primo direito do autor desta narrativa

As duas fotos supra inseridas encerram este capítulo. Foram obtidas quando, a 23 de Julho deste ano, revisitei no cemitério do Mindelo as campas dos meus avós. Depois desse acto, dirigi-me ao talhão militar onde foram inumados os expedicionários que faleceram em S. Vicente na flor da idade, longe dos seus pais, esposas ou namoradas. Como pai e avô que sou, por momentos coloquei-me no coração dorido dos familiares destes soldados que aqui repousam para sempre, longe dos seus amores. Mas simultaneamente a minha condição de militar transportou-me para uma secreta dimensão interior difícil de explicar. Então, pensei nestes rapazes que, aos vintes ou vinte e poucos anos, não era eu ainda nascido, para aqui vieram no cumprimento de um dever cujo significado poucos certamente alcançavam senão na estrita relação de obediência ao seu comandante de pelotão ou companhia. Algumas vezes ouvi a alguns superiores hierárquicos, quando eu era ainda um jovem aspirante, que o soldado português não morre propriamente pela pátria mas sim por amor ao seu comandante. Com esta observação, pretendia-se instilar nos novos oficiais o cuidado, a atenção e o carinho que lhes deve merecer os soldados que comandam. Desconheço se todos os comandantes destes soldados aqui sepultados foram dignos do seu sacrifício. 

Voltaire disse: “A pátria é nos lugares onde a alma está acorrentada”. Eu diria que, numa época histórica em que a pátria portuguesa estava difusamente repartida e miscigenada, estes militares, mais do que acorrentada a sua alma, aqui ficaram para sempre irmanados com a terra cabo-verdiana. Por alguma razão este lugar piedoso está irrepreensivelmente tratado… por mãos cabo-verdianas.

Lisboa, 8 de Novembro de 2012
Adriano Miranda Lima
Continua...  

A propósito da referência existente na foto de José Vitória sobre a data em que o o avião inglês levou a penicilina para Cabo Verde (indicada pelo 1.º cabo Custódio Jacinto), o PRAIA DE BOTE dá outra de 1945, que encontrou em notícias do Diário Popular sobre assunto similar. Aqui, o avião parece ser português, visto que tripulado por militares nacionais. Isto, numa altura em que o acesso ao milagroso medicamento se generalizou a toda a população portuguesa.

10.JANEIRO.1945
Pág. 1 – UM AVIÃO MILITAR SEGUIU HOJE PARA CABO VERDE ONDE VAI LEVAR PENICILINA PARA ACUDIR A UM MILITAR EXPEDICIONÁRIO EM PERIGO DE VIDA – Adoeceu gravemente um… [a palavra seguinte não é legível] da guarnição militar de São Vicente de Cabo Verde. A fim de tentar a sua salvação tornava-se necessária a aplicação de penicilina. O facto foi participado para Lisboa e esta manhã partiu para ali um avião militar tripulado pelos capitães Bettencourt e Eurípedes e pelo tenente Benjamim de Almeida e ainda dois mecânicos e dois rádiotelegrafistas, transportando as doses necessárias daquele medicamento.

16.JANEIRO.1945
Pág. 8 – A PENICILINATERAPIA FOI ASSUNTO DE UMA PALESTRA NO HOSPITAL MILITAR – [A notícia vem datada de São Vicente, 16, sem indicação de ser de Cabo Verde. Contudo, não parece que seja de outro local, dada a notícia de 10.Janeiro.45, p. 1, do mesmo periódico] Por iniciativa do dr. Judice Pargana, director do Hospital Militar, efectuou-se hoje uma reunião do corpo clínico hospitalar onde o dr. Janz, médico analista dos hospitais de Lisboa em serviço militar nesta cidade, tratou do importante problema da penicilinaterapia.
O militar para o qual se recebeu, por via aérea, a penicilina, continua melhorando.

20.JANEIRO.1945
Pág. 1 – UMA BOA NOVA: VAI HAVER PENICILINA PARA TODOS OS PORTUGUESES – [Esta notícia relaciona-se apenas indirectamente com Cabo Verde. Ver DP, 16.Janeiro.45, p. 8.] uma notícia agradável para os leitores: vai haver Penicilina para todos os portugueses, quer habitem nos continente, nas ilhas adjacentes ou em terras do Império.
 (…) O Laboratório Sanitas, conhecida organização industrial farmacêutica, fechou contrato com os impor-tantes Laboratórios Shenley dos Estados Unidos para o fornecimento das quantidades necessárias ao País.
(…) Como se sabe, a Penicilina tem sido fornecida em doses limitadas à Cruz Vermelha Portuguesa que tem feito a sua distribuição de acordo com uma Comissão de Médicos que avalia da urgência e especial indicação do tratamento pela maravilhosa descoberta do sábio inglês Alexandre Fleming. (…)

7 comentários:

  1. 1. - Continua o desfile dos acontecimentos aqui trazidos pelo nosso conterrêneo, Adriano Miranda Lima. Para uns é a saudade e boas lembranças, para outros... nem por isso pois cada um tem a sua percepção das coisas do tempo e no espaço.

    Para mim, na idade em que o menino começa a ter a noção de certas coisas, primeiramente é a "tropida" de gente fardada, so camiões de rodas duplas, os autotanques, as ambulâncias, a quantidade de cavalos... etc., para nos defender de uma eventual invasão do Hitler.

    Os militares levaram tanta coisa boa que, pelo que me toca, valeram mais que os pontos negativos. Ê meu ponto de vista e a responsabilidade é minha porque não tinha ainda a idade para pôr na balança o bom e o mau e so me lembro de coisas boas da altura. Ê certo que algumas consequências vieram depois. Teremos ocasião de falar disso. Espero.

    No entanto, não fica atrás o espectro da fome dos meninos esqueléticos que os veleiros traziam e que algumas famílias iam receber no Cais da Alfândega. Em minha casa jà havia gente suficiente para o ganho do chefe de família mas entrava muita tristeza quando se falava da praga que assolava as ilhas.

    2. - Relativamente às fotos tenho ainda na mente a imagem do hidroavião que esteve algumas (poucas) horas no Porto Grande e de cuja chegada se soube em cima da hora para evitar que fosse interferido o que seria pior emenda que um soneto jà que se esperava a vacina.
    Também o "Gerarquia" o célebre barco italiano que se encontrava no Porto Grande quando a Guerra foi declarada e que so saiu quando este acabou. Mais tarde, o barco passou por S.Vicente a caminho da Argentina e, a pàginas tantas, encontraram 12 clandestinos que não foram recambiados e ali fizeram a vida.

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  2. Li, como sempre, com muita atençao a continuaçao da narrativa historica da presença em Cabo Verde, dos portugueses. Que bom podermos ter essa oportunidade que o Praia de Bote nos oferece.
    Estou sempre atenta a novidades.
    Nita

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  3. Mais uma vez o Adriano brinda-nos com um excelente trabalho de investigação sobre as tropas expedicionárias portuguesas a Cabo Verde durante o perído da 2ª guerra mundia. As informações e as imagens contidas no texto são de extrema importância e novos contributos para a hsitória de Cabo Verde, aqui no que tange à relação com a ex-metrópole.
    José F Lopes

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  4. É sempre um privilégio visitar este blogue e conhecer um pouco da história desta Ilha.
    Na minha "mininemsa" ouvia-se falar da presença destes Militares em São Vicente; por exemplo que nos Salesianos era um hospital de Tropa, e, hoje praticamente ninguém se lembra. Outros marcos desta passagem certamente foram destruídos.
    Por exemplo, o avô paterno da minha esposa era um militar desta época, e, por isso hoje ela quer, mas não consegue ter nacionalidade Portuguesa; os dados perderam-se com o tempo.
    Apenas como informação complementar:
    A 1ª foto do carro funerário é Rua do Coco.
    A Praça Estrela, é o cortejo fúnebre da foto que se vê a Capitania ao fundo; na época era conhecido por "salina"
    Um obrigado por mais esta lição de História e

    UM ABRAÇO

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  5. Obrigado ao senhor Marcos Soares pela correcção referente ao funeral retratado na primeira foto. De facto, vendo com mais atenção, aquilo é mesmo a rua do Coco.

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  6. Informações históricas que nunca perdem interesse. Descrições precisas, mas o autor do texto soube também soltar a emoção: "(...)por momentos coloquei-me no coração dorido dos familiares destes soldados que aqui repousaram para sempre, longe dos seus amores." Fim de transcrição. Tocante homenagem.
    Trata-se sem dúvida, de uma boa pesquisa histórico militar.

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  7. Releio tudo isso e revivo o que para sempre ficou registado na minha memôria.
    Posso aqui dizer, com imenso orgulho, que a gente da minha terra compartilhou a cda vez o pesar pela morte dos militares, nomeadamente a do infeliz sargento Buiça, que causou tristeza e revolta. Muita gente anônima acompanhava os enterros até o cemitério, como se de amigo fosse.

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