sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

[0296] Memorando...

Para que conste, aqui vai, directamente da PRAIA DE BOTE e do Parlamento português, para os curiosos, para os distraídos, para os que não querem ver e, já agora, para os ignorantes.

A figura é importante, ao nível das melhores de Cabo Verde (que são muitas), todas elas merecendo tratamento igual.


ADRIANO DUARTE SILVA

Data de nascimento
12.Janeiro.1898
Localidade
S. Vicente / Cabo Verde.
Data da morte
1961
Habilitações literárias
Licenciatura em Direito.
Profissão
- Professor do ensino secundário
- Conservador do Registo Predial
Carreira profissional
Conservador do Registo Predial em Barlavento e Moçâmedes.

Carreira político-administrativa
Presidente da Comissão da União Nacional de Cabo Verde.

Carreira parlamentar
Legislaturas
Círculo
Comissões
IV
Cabo Verde
Colónias.
V
Cabo Verde
Colónias.
VI
Cabo Verde
Ultramar.
VII
Cabo Verde
Ultramar.

Intervenções parlamentares 

IV Legislatura (1945-1949)
1.ª Sessão Legislativa (1945-1946)
- Fala sobre assuntos que interessam à colónia de Cabo Verde e aos seus naturais.
- Refere-se ao que se passa em Cabo Verde com os concursos para segundos e terceiros verificadores aduaneiros.
- Entra no debate acerca da proposta de lei relativa a alterações à Carta Orgânica do Império Colonial Português.
2.ª Sessão Legislativa (1946-1947)
- Refere-se a um parecer do Conselho do Império Colonial, inserto no Diário das Sessões, relativo a subvenções coloniais a funcionários.
- Refere-se de novo, quanto a subvenções, ao caso das diferenças entre funcionários metropolitanos e naturais das colónias.
- Refere-se à questão da crise de Cabo Verde e medidas a tomar para a debelar.
3.ª Sessão Legislativa (1947-1948)
- Não regista intervenções.
4.ª Sessão Legislativa (1948-1949)
- Fala nas dificuldades do transporte de passageiros entre o continente e as ilhas de Cabo Verde.
- Exprime o seu sentimento pelo grande desastre sucedido em Cabo Verde com o desabamento de um muro, que causou muitas vítimas.
- Refere-se à necessidade de apetrechar o Porto Grande de S. Vicente e de resolver a questão administrativa.
- Refere-se, com palavras do elogio, à contribuição das nossas colónias com a quantia do 16:000 contos para acudir à crise de Cabo Verde.

V Legislatura (1949-1953)
1.ª Sessão Legislativa (1949-1950)
- Lamenta as vítimas que houve num naufrágio ocorrido nas águas de Cabo Verde, como o emprego ainda de veleiros no transporte de ilha para ilha, expondo o que acontece nesse arquipélago acerca de comunicações.
2.ª Sessão Legislativa (1950-1951)
- Refere-se à supressão no funcionalismo do ultramar da subvenção colonial e as pensões de aposentação dos funcionários coloniais.
- Refere-se à necessidade de se apetrechar o porto grande de S. Vicente.
- Discute na generalidade a proposta de lei de revisão da Constituição e do Acto Colonial.
3.ª Sessão Legislativa (1951-1952)
- Fala sobre o apetrechamento do porto Grande de S. Vicente é as comunicações marítimas entre as diversas ilhas.
- Esclarece a sua intervenção acerca da situação do porto Grande.
- Refere-se à expressão «indígena» referida a uma unidade militar de Cabo Verde, que, perante a actual legislação, deve ser banida quanto à população daquela província.
- Refere-se ao Decreto-Lei n.º 38.704, sobre o aproveitamento reprodutivo da sobrevalorização de alguns produtos ultramarinos.
4.ª Sessão Legislativa (1952-1953)
- Discute na generalidade a proposta de lei relativa ao Plano de Fomento.
- Requer, pelo Ministério do Ultramar, informações respeitantes a serviçais contratados, em Cabo Verde para S. Tomé e Príncipe.
- Discute na generalidade a proposta da Lei Orgânica do Ultramar.
- Agradece o interesse da Assembleia Nacional pelas considerações que fez acerca da mesma proposta de lei.

VI Legislatura (1953-1957)
1.ª Sessão Legislativa (1953-1954)
Refere-se ao problema da erosão e arborização de Cabo Verde e à aplicação de novas disposições sobre funcionalismo ultramarino.
- Congratula-se pela concordância do pensamento do Governo da província de Cabo Verde com o seu, acerca do desenvolvimento da arborização e defesa do solo.
- Pede a protecção para as pozolanas de Cabo Verde.
2.ª Sessão Legislativa (1954-1955)
- Faz considerações acerca da isenção de direitos de importação das pozolanas do Cabo Verde nas outras províncias ultramarinas e de problemas relacionados com a exportação da banana de Cabo Verde.
- Refere-se à próxima visita do Chefe do Estado às províncias ultramarinas da Guiné e Gabo Verde.
3.ª Sessão Legislativa (1955-1956)
- Congratula-se com a adjudicação das obras do porto grande de S. Vicente.
- Agradece a manifestação de pesar da Assembleia pelo falecimento de sua mãe.
- Discute a Conta Geral do Estado, as contas da Junta do Crédito Público e as contas das províncias ultramarinas relativas ao ano de 1954.
4.ª Sessão Legislativa (1956-1957)
- Agradece ao Governo os subsídios atribuídos ao Aeroclube de Cabo Verde, Rádio Clube de Cabo Verde e ao Rádio Barlavento.
- Refere-se ao problema das estradas em Cabo Verde.

VII Legislatura (1957-1961)
1.ª Sessão Legislativa (1957-1958)
- Discute na generalidade a proposta de lei relativa ao II Plano de Fomento.
2.ª Sessão Legislativa (1958-1959)
- Pede aos Srs. Ministros das Obras Públicas e do Ultramar que sejam cumpridos os despachos que recomendam o emprego da pozolana de Cabo Verde nas obras do porto do Lobito.
- Discute na generalidade a proposta e os projectos de lei de alteração à Constituição Política.
3.ª Sessão Legislativa (1959-1960)
- Faz referência à situação de crise em que Cabo Verde se encontra mercê da falta de chuvas.
- Comenta uma notícia de jornal segundo a qual se teria formado em Dacar um movimento denominado «Frente de Libertação das Ilhas de Cabo Verde».
4.ª Sessão Legislativa (1960-1961)
- Refere-se à campanha anti-colonialista.

15 comentários:


  1. Foi um desafio que lancei aos que enviei este email no seguimento do teu post sobre Adriano D. Silva colocado neste blogue que achei muito oportuno. Fiz questão de ter enviado o mail a quem têm hoje mais ou menos responsabilidades institucionais quer na Câmara de S. Vicente e no Estado de Cabo Verde hoje, ou a outros que já tiveram no passado, para uma possível ideia de revisão. Ah Cale, só poucos responderam. Gostaria que tivessem manifestado , através de um debate de ideias sobre um tema que me parece tabú e que faz silenciar muita gente, ainda hoje por medo de conotações? Eu que era felizmente criança nesta altura, tomo alguma liberdade com este tema devido ao distanciamento e também à minha isenção, pelo tempo, ou seja a idade, não ter permitido tomar partido.
    Com efeito, Adriano D. Silva deputado no sistema do Estado Novo, sob Salazar, este regime retrógrado e obscurantista, que atrasou em 50 anos tanto Portugal como Cabo Verde e que ainda está a pairar sobre o futuro destes dois países. Mas Adriano D. Silva me parece ter sido um intransigente defensor dos interesses de Cabo Verde, denunciando a situação de fome e miséria que se vivia no arquipélago, tendo sido o promotor de uma obra estruturante até hoje para Cabo Verde, o Porto Grande de S. Vicente, de que hoje ainda Cabo Verde se desfruta ( embora numa ilha, nova estrela montante, pressionado pelas novas forças dominantes em Cabo Verde, esteja-se a tentar sabotar, entre outras coisas, o estatuto de porto principal de Cabo Verde para o escoamento e importação de bens. O Sal já reclama pelo estatuto do Aeroporto). Penso que paira na cabeça de muita gente Adriano D. Silva homem de Salazar, agente do Estado Novo em Cabo Verde, um pecado original imperdoável nos tempos modernos, para uma elite que se diz ainda progressista. Sei que me poderão rotular, todavia o que eu quero aqui chamar aqui a atenção é para as dúvidas que se levanta a tese ligeira defendida por alguns, sobre a direitura ideológica ou a postura cívica do homem. Mas a minha questão é se não é tempo de re-equacionar a posição do homem no tempo e no espaço. Isto seria uma prova de maturidade política cultural e cívica. O que não achei bem é que após o vexame do 25 de Abril, ou seja passados 40 anos, fundamentalistas de santiago que nunca perceberam o papel e a obra de Adriano Duarte Silva, tenham vingado do homem deitando aquela casa abaixo, que era mesmo um património de Cabo Verde e nas mãos do estado, não obstante todas as demonstrações e petições efectuadas. Porque aqui se tratava de um assunto estritamente mindelense e os mindelense já tinham enterrado este passado ou mesmo reconciliado.
    José Fortes Lopes

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  2. Hoje, o dia estatístico relativamente a Cabo Verde foi fraco. Nas últimas 24 horas, apenas tivemos 4 visitantes, MESMO de Cabo Verde. Porém, há dias de 30 e 40, directamente das ilhas. Claro que o maior número é proveniente de Portugal (temos dias de 60, 70, 80, de cá). Nos números diários relativos a Portugal, há decerto muitos cabo-verdianos. Mas tirando um reduzido leque de idefectíveis escribas, o pessoal lê mas não escreve. Não escreve mesmo. Eles ficam registados nas estatísticas mas não dão o ar da sua graça. Contudo, estou certo de que em 2023 teremos mais gente a participar, ahahahaha ou em 2036...

    No que concerne ao Dr. Adriano, registo duas coincidências do cruzamento de coisas minhas com as da biografia póstuma dele: uma, foi o facto de eu ter estado na inauguração do busto dele (integrado na Mocidade Portuguesa que prestou guarda de honra ao evento), na Pracinha do Liceu, num dia ventoso de de 64 ou 65; outra é que no dia em que fiz uma fotografia desse msmo busto em 1999 e decobri que o autor tinha sido Martins Correia, natural da Golegã, me telefonaram de casa a dizer que o escultor tinha morrido precisamente nessa data. Mistérios do destino, tanto mais que a minha vida tem sido ocupada em grande parte das últimas décadas a estudar a escultura portuguesa e a arte pública nacional.

    Quanto a ideários políticos, o que não faltou foi gente boa no antigo regime e má no actual e vice-versa. Pessoas boas e patifes houve-os sempre em todos os regimes. O maniqueísmo pode ser muito redutor, como sabemos... E o que interessa é que o Dr. Adriano sempre lutou pela sua gente, como o fez o Senador Vera-Cruz. Ambos estiveram no seu tempo no lugar mais adequado para dar voz a Cabo Verde em Lisboa. Isso é que é de valorizar. O resto é paisagem...

    Braça,
    Djack

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  3. Feliz iniciativa do PRAIA DE BOTE qu escolheu uma boa altura para lembrar tudo isso. So que nestes dias de festa natalicia muitos estão preocupados mais com o cuscus para o estômago que a leitura para o intelecto.
    Daqui a nada, depois da digestão, vão aparecer, Djack. Parece ter chegado a hora de acordarem do Congresso de Depressivos.
    Braça pa tude gente

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  4. De facto isto de Internet, tem muito que se diga. Acabei de saber que não posso fazer um clik só meu no Praia de Bote sem fazer barulho para ninguém saber. Acabo sempre por acordar alguém e ser descoberto. ah,ah,ah, estou a brincar!
    Quanto ao edifício construído no lugar onde existia a casa do Dr. Adriano, está quase pronto; brevemente segue uma foto para constar no álbum. E pena que o nosso encontro não pode ser já, pois o Sol de Janeiro em Mindelo é diferente, tem outro sabor. Já agora um Bom Ano de 2013.
    UM ABRAÇO.

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    1. Caro Zeca:

      Não é tanto assim. Conseguimos saber "quantos" e "de onde" mas não "quem". De qualquer modo, a pouco e pouco, as tropas aumentarão. Aliás, têm vindo sempre a aumentar. Hoje mais um, amanhã mais outro...

      Um grande abraço para todos os amigos do Monte Sossego
      Djack

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  5. COMENTÁRIO DE ADRIANO MIRANDA LIMA

    As palavras aqui deixadas por José Fortes Lopes deviam, por mérito próprio, ter o condão de acordar consciências adormecidas, ou simplesmente desatentas. O José é daqueles que não desarmam a sua palavra até que se quebre o vidro da nossa inépcia e do nosso silêncio perante aquilo que devia espevitar uma normal atitude cidadã. Ele é da estirpe dos que não se calam quando está em causa o interesse e a sorte da nossa terra e ilha natal, ou vê atropelado o sentido de justiça dos homens. É uma postura que desde há muito vem suscitando o meu apreço e admiração por este conterrâneo que vive fora da sua terra mas que nela se revê a toda a hora. Muito cómodo lhe seria vestir o fato da resignação ou do distanciamento, como a maior parte comodamente faz, residentes ou não, para evitar respirar o hálito dos problemas. Pelo contrário, embora assoberbado pelos afazeres e encargos da sua vida pessoal e profissional, o José arranja sempre tempo e ocasião para vir a terreiro responder à chamada. Ele nunca, mas nunca, se furta a uma chamada.
    Com efeito, acumulam-se os indícios do nosso desinteresse para com as coisas que são visceralmente nossas e nos interpelam a cada instante. A propósito disso, e como prova do que digo, pego na palavra do editor deste blogue, Joaquim Saial, para recortar a pertinência da sua observação, que tem razões para se sentir desiludida, quando refere as dezenas de leitores, certamente cidadãos cabo-verdianos ou de origem nas ilhas, que se limitam a visitar o blogue mas nunca deixando o sabor da sua palavra.
    Desta feita, e de novo, é a figura do Dr. Adriano Duarte Silva que volta às páginas do “Praia de Bote”, e, como sempre, para sacudir o nosso esquecimento e instigar-nos a uma pugna cívica. O José disse, no seu comentário: “Mas Adriano D. Silva me parece ter sido um intransigente defensor dos interesses de Cabo Verde, denunciando a situação de fome e miséria que se vivia no arquipélago… “Sei que me poderão rotular, todavia o que eu quero aqui chamar a atenção é para as dúvidas que levanta a tese ligeira defendida por alguns, sobre a direitura ideológica ou a postura cívica do homem. Mas a minha questão é se não é tempo de reequacionar a posição do homem no tempo e no espaço. Isto seria uma prova de maturidade política cultural e cívica…”
    O Joaquim Saial teve, pois, razões para estranhar que ninguém tenha reagido ao repto de José Lopes senão os 3 habituais interventores no Blogue. Contudo, algo me diz, caros José e Joaquim, que o Dr. Adriano Duarte Silva vai libertar-se um dia do gueto político que alguns presumidos intérpretes da História o quiseram colocar. Como bem dizes, José, não foi Adriano Duarte Silva que escolheu o tempo e o espaço em que viveu e teve púlpito para defender Cabo Verde e a sua gente. Muito cómodo lhe seria, porventura, postar-se numa atitude de indiferença, resguardando-se entre as paredes da sua segurança burguesa, para não se hipotecar sob qualquer forma perante o seu tempo e perante o futuro. Ontem como hoje, é muito mais fácil ser-se julgador de causas do que actor de circunstâncias. O primeiro nunca, ou raramente, corre riscos, ao passo que o segundo enfrenta os problemas e cola-se, para bem e para o mal, ao destino colectivo. Dos julgadores ninguém falará no futuro. Adriano Duarte Silva preferiu a hoste dos actores de circunstâncias.
    O destino colectivo era demasiado premente e tenebroso em Cabo Verde, para que um cidadão esclarecido e responsável, qualquer que fosse a sua classe social, se preocupasse com a primazia de escolhas políticas radicalmente delimitadoras da consciência e castradoras do espírito de justiça. Para Adriano Duarte Silva, a sua causa era apenas Cabo Verde e o seu sacrificado povo, não os desígnios de utopias políticas insensíveis ao destino das criaturas humanas. Soa, pois, a ridículo a pretensão de colar rótulos denegridores a esse Grande Cabo-Verdiano.

    Cont.


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  6. Continuação do meu comentário

    Como muito bem foi aqui sugerido, os cidadãos de S. Vicente, em particular, e os de Cabo verde, em geral, têm uma dívida para com Adriano Duarte Silva. Este Homem só pode ocupar um cenáculo cimeiro na nossa História, e a cidadania vai ter de se empenhar nesse sentido. Foi um opróbrio e um atentado ao património a demolição da sua Casa, perpetrada por um abjecto conluio entre gente sem escrúpulos e gente de cabeça oca. O José diz bem quando sugere a reconstrução da sua Casa num sítio qualquer, que, no entanto, dificilmente será onde vai emergir um mamarracho urbanisticamente impróprio para aquele lugar. Mas, para isso, os cidadãos têm de fecundar a ideia cívica que será mãe do acto político oficial que faça justiça a Adriano Duarte Silva. Poderá demorar muitos anos, como os que o Joaquim Saial estima (ano de 2023… ano de 2036), glosando a estranha ausência de interventores neste Blogue, mas poderá esse tempo abreviar-se e estar para breve a palavra que lavra o resgate da alma dos mindelenses para que a História se escreva com verdade definitiva. Assim o queiram os mindelenes de boa vontade como o José Lopes, o Arsénio de Pina, o Valdemar Pereira, o Luís Silva, incluindo os adoptivos Joaquim Saial e Zito Azevedo.

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    1. Venho, aqui, abordar, apenas, uma questão de paternidade mal definida pelo amigo Adriano, que considera que eu e o Saial somos adoptivos...Eu sei que o termo carrega um lastro de estima e respeito que TODOS os adoptivos merecem ou, então, melhor sería que não tivessem sido adoptados! Só que eu, amigo Adriano, não me considero adoptivo e, se do ponto de vista afectivo ninguém é mais caboverdiano do que eu, sob o ponto de vista jurídico também tenho direito a um estatuto de dupla nacionalidade, mesmo sem papel passado! Se eu não soubesse ler nas entrelinhas, estaría ofendido assim, estou divertido por este ensejo de reforçar a minha profissão de fé...Um abraço, o mais morabe possivel!

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    2. E eu fui ali à cozinha, espetei a ponta de uma faca num dedo, saiu uma gota de sangue, analisei-a e verifiquei que na lamela do microscópio havia tubarões, moreias e tartarugas, mancarra, mangas e papaias e que aquilo tudo tresandava a grogue e café de Santo Antão e que de lá se desprendia um som de morna e crioulo que não pode enganar, não pode enganar mesmo... Mim é mondrongue ma mim também é mindelense!

      Braça,
      Djack

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  7. Adriano, obrigado por estas palavras encorajadoras. Efectivamente tentei lançar um repto à nós todos, inclusivamente àquelas pessoas que têm ou tiveram responsabilidades no destino de Cabo Verde, no tratamento deste e de outros assuntos que ainda nos assombram, mas são os mesmos de sempre a debater. Não adianta ‘chateá-los’ como devem dizer. Iremos eternamente atirar o lixo debaixo da cama ou esconder cadáveres na prateleira, fazer de avestruz, ou optar por posturas mais abertas e democráticas ,debatendo abertamente questões, para chegar a um momento em que se deve trata-las com toda a naturalidade? Este era o repto. Embora tenhamos hoje outras preocupações nunca podemos esquecer o enxovalho do Estado em relação a casa Adriana. Nós todos sentimos ofendidos pela conduta vândala e pelo desrespeito.
    José Fortes Lopes

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  8. Valeu a pena ter-me escorregado com o emprego do termo “adoptivo”, pois de outro modo não me teria deliciado com os belos comentários do Djack e do Zito. Utilizei o termo “adoptivo” da mesma maneira que digo que sou tomarense adoptivo, por ter apeado pela primeira vez em Tomar em 1965. No entanto, pelo facto de o meu tempo tomarense ser incomparavelmente superior ao mindelense, nem por isso posso dizer que sou mais nabantino que menino de ponta de praia. Estas coisas não se medem com fita métrica, sabemos nós. Mas uma coisa é verdade, os lugares onde vivemos a infância, a adolescência e os primeiros anos da juventude marcam indelevelmente o nosso coração, capturando-o para sempre. E então diria que me sinto repartido entre as duas cidades. Se em S. Vicente foi onde me despertei para as experiências irrepetíveis e inolvidáveis do ser, em Tomar o mesmo ser se transpôs naturalmente para outras vivências, mantendo-se inalterável na sua genética. Em certas noites de Verão, o rio Nabão exala um certo cheiro que algo em mim relaciona com sensações olorosas outrora sentidas na orla da baía do Mindelo.

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    1. É bem certo o que diz, amigo e, mau grado Mindelo já não ser o que era, segundo a visão do amigo JFL, nós, que vivemos ali as décads de 40, 50 e 60 quando moldávamos o nosso consciente como quem cava os alicerces do seu próprio futuro como elemento social, bebemos uma maneira de ser que pode não ser "sui generis" mas cujo relacionamento com o passado nos conforta e nos dá a certeza de valeu a pena...Clareo que não somos todos santos mas seremos, como o conjunto m usical, Santos & Pecadores, de bem com as suas consciências e orgulhosos do seu passado mindelense!
      Braça!

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  9. Mindelo tem uma particularidade cativa não diria todos (pois os gostos não se discutem) mas muitos que a visitam. Ela tem uma magia e essa magia não se pode deixar morrer a magia desta cidade. Mas Mindelo mudou muito, o convívio já não é o que era , fruto da modernidade, sobretudo a televisão. Às vezes quando visito cidades do Sul da França e vejo a azáfama nocturna lembra-me Mindelo, mas digo 'Hoje é impossível fazer o que estamos a fazer nesta cidade, deambulando despreocupadamente e sem medo pelas ruas e ruelas.' A insegurança será a morte do Artista (Mindelo).
    José F Lopes

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  10. Sobre a figura do Dr. Adriano Duarte Silva, uma das grandes almas que passaram por estas nossas pequenas ilhas, acho que um dia poder-se-há prestar merecida homenagem com a publicação dos seus discursos e demais elementos da sua obra que ele deixou escrito. Eu no meu caso tenho boas recordações da minha infância de quando morava no bairro "Fonte Doutor" (anos 1953-61) porque ele faleceu em S. Vicente no dia 29 de Julho de 1961. Aqueles dias passados depois em que ele chegou de Lisboa para terminar os seus últimos dias em SV foram muito tristes. Mas as recordações são mais de alegria porque, por exemplo, ele acarinhava a criançada diariamente. Ofertava-nos lanches regularmente e todos os anos pela época natalícia montava uma árvore de Natal, reunia-nos no interior da casa e depois cada criança pegava um "cavalito" de papel numa caixinha, desembrulhava e o número escrito correspondia ao brinquedo que lhe cabia e era colhido da árvore. Para certas crianças seria o único brinquedo a receber em cada Natal, pois Brinquedos naqueles tempos era luxo que poucos pais de família podia comprar... Há alguns anos, conversando com um sobrinho do grande músico B. Leza, ele me disse ele tinha grande amizade para com o Dr. Adriano, foi seu "cabo de campanha" quando se candidatou como Deputado por C.Verde e aqui talvez se compreende porque B. Leza compôs a belíssima Morna "Dr. Adriano". Recordo que o B. Leza morou alguns anos na "Travessa do Dr. Sales" numa das casas do bairro "Fonte Doutor" que eram do Dr. Adriano. Também, em 1950, ele ajudou o B. Leza editar no Brasil o pequeno ensaio "Razão da Amizade Cabo-Verdiana pela Inglaterra", que prefaciou. Enfim, boas recordações e estórias que estão por aprofundar, escrever e editar por quem de direito. O Dr. Adriano merece. Obrigado e felicitações aos que lembraram dessa grande pessoa humana que passou por Cabo Verde.

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    1. Um grande agradecimento ao anónimo que aqui deixou estas interessantíssimas e elucidativas palavras. Apareça sempre que será bem-vindo.

      Um braça,
      Djack

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