domingo, 12 de maio de 2013

[0452] Um grogue em domingo

É domingo, o Mindelo está naquela modorra habitual das tarde desse dia da semana, logo à noite é que é o resto da noite mindelense de fim-de-semana, os adeptos portistas comemoram a vitória de ontem, os benfiquistas tentam recuperar forças, é hora de un gin tonic, de um whisky ou de um grogue, em casa, na Rua de Lisboa ou noutro sítio aprazível de morada. Eu vou pelo terceiro, feito na nossa ilha, sem aldrabices, velho de diazá, porque embora digam as piores coisas da agricultura e indústria da mesma, a gente já teve grogue do bom aqui e trapiches tão funcionais como os de Santo Antão, como se pode ver pela foto que não deixa mentir nem o PRAIA DE BOTE quereria tal coisa. Tenho dito! Acima um grogue e depois pela garganta abaixo! Saúde e hic! hic! De seguida, se o equilíbrio o consentir, uma volta pela marginal alivia os vapores e retempera a mente...

7 comentários:

  1. Os "coroas" têm saudades e os jovens regozijam por os tempos terem contribuido para "simplificar" muita coisa. Raivosamente afirmo ser misoneico.
    Com a chegada das pequenas trituradores modernas até adicionam àcido adulterando, perigosamente, o grog.
    Jà nem falo da beleza da màquina ancestral movida por bovinos, num conjunto que embelezava a paisagem e enriquecia o nosso folclore.

    ResponderEliminar
  2. Bebo um trago à saúde do Joaquim, do Valdemar, do Zito, do Zeca Soares, do José Lopes e de mais um ou outro que esporadicamente apareceu a intervir neste blogue como comentador. E bebo também para afogar a mágoa do desaire do meu Benfica nesta ponta final do campeonato.

    Abraço

    Adriano

    ResponderEliminar

  3. TRAPICHE

    O vento interrompeu de repente sua serenata.
    Agora só se ouve o gemido surdo do trapiche,
    Sob o olhar circular do boi de cor azeviche,
    Na cadência repousada da sua dura passeata.

    O rapaz comove-se com o olhar meigo do animal
    E inicia uma longa, suave e triste melodia,
    Porque sabe que isso é um bálsamo para a agonia
    Duma criatura de Deus que não sabe fazer mal.

    O suco da cana vai jorrando na selha,
    E as horas escorrem com pastosa monotonia,
    Apenas quebrada pela toada lenta da melodia.

    Quadro que desafia o tempo - herança velha,
    Esta em que o trapiche ainda resiste e perdura,
    Evocando o pacto entre o homem e o bicho criatura.





    ResponderEliminar
  4. Grandes colaborações!!! E não desfazendo nas restantes, o soneto do Adriano casa às mil maravilhas com a imagem. É adequadíssimo.

    Um grande abraço groguístico,
    Djack

    ResponderEliminar
  5. Grog ne Soncent Ah Ah Ah!!!!, mas pela foto não é uma blague do Saial!!!
    Na verdade Soncente já teve áreas agrícolas, Baleia, Rª de Vinha e de Julião, já deram muita comida. Agora cana não sabia!!!!
    Vamos virar verde os vales de Soncente; um desafio para quem ganhar um euromilhão. Ah Ah Ah !!!!!!!!!!!

    ResponderEliminar
  6. De facto, esta imagem não é barrete! Genuína e em inglês, o que dá maior veracidade à coisa, ahahahaha. Suponho no entanto que a cana vinha de Santo Antão e que só o grogue era feito em São Vicente. Não sei se a nossa ilha conseguia ter uma produção de cana lá para os anos 10 ou 20 do século passado que conseguisse servir de matéria-prima para o saboroso groguin.

    Braça com tchêr d'botequim,
    Djack

    ResponderEliminar
  7. Esta foto, faz-me lembrar uma frase que, ainda eu era menino, ouvi alguem dizer quando perguntado se "aquela terra árida" dava alguma coisa...A resposta nuna mais a esqueci; "PLANTANDO, DÁ!"
    Hoje, acrescento:...e regando! E, para regar, talvez com obras de retenção hidrica, como as que se fizeram em S.Tiago se resolvesse a questão porque, afinal, semear (e ploantar) o povo sempre o faz, todos os anos, às vezes mais do que uma vez...

    ResponderEliminar