domingo, 16 de junho de 2013

[0482] Homenagem almadense a Jorge Barbosa (ver posts desde o 481)

Após o descerramento da placa (gentilmente custeada e colocada pela Câmara Municipal de Almada) no prédio onde Jorge Barbosa faleceu, a comitiva seguiu para o Fórum Municipal Romeu Correia, onde se desenrolaram as três actividades restantes. A primeira teve lugar no átrio do fórum e constou de visita guida por Eugénio Sena (da Fundação Eugénio Tavares) à exposição sobre a morna, realizada no âmbito dos trabalhos tendentes à sua elevação a Património Imaterial da Humanidade. A organização da exposição foi da responsabilidade da Fundação Eugénio Tavares e da Embaixada de Cabo Verde. Dela constam painéis com a história da morna e materiais diversos colocados em vitrinas, como discos, livros sobre música e músicos cabo-verdianos, partituras, um violino e até o vestido usado por Titina do espectáculo do cinquentenário da sua carreira no Tivoli, Lisboa, em 29 de Novembro de 2011. Ao mesmo tempo decorria uma pequena mas significativa exposição de quadros do pintor santantonese David Levy Lima. Obviamente, não faltou a morna ao vivo, com a participação dos cantores Zenaida Chantre e Mário Rui. Entre os músicos, o tocador de violão Armando Tito, morador ana Cova da Piedade. Luís Lobo e Carlota de Barros recitaram poemas alusivos ao tema.

David Levy Lima com amiga, junto a um dos seus quadros - Foto Joaquim Saial
Dr. Eugénio Sena (Fundação Eugénio Tavares), a senhora embaixadora de Cabo Verde, Dr.ª Madalena Neves, e o poeta Fernando Fitas (membro da comissão organizadora da homenagem) - Foto Joaquim Saial
Dr. Moacyr Rodrigues (segundo a contar da esq.), membro da candiatura da morna a Património Imaterial da Humanidade) - Foto Joaquim Saial
A senhora embaixadora de Cabo Verde, no uso da palavra - Foto Joaquim Saial

Cantora Celina Pereira e músico Marino Silva - Foto Joaquim Saial
Livro de hora da candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade - Foto Joaquim Saial

Aspecto do público - Foto Joaquim Saial
Outro aspecto do público - Foto Joaquim Saial
Luís Lobo e Carlota de Barros, declamando poemas. Ao violão, Armando Tito - Foto Joaquim Saial
Zenaida Chantre, interpretando uma morna. Atrás, o cantor Mário Rui  - Foto Joaquim Saial
Actuação do cantor Mário Rui - Foto Joaquim Saial
Mais um aspecto do público - Foto Joaquim Saial

3 comentários:

  1. Ver estas imagens compensa (e reconforta) de algum modo quem, como eu, não pôde estar presente. Ao ver a figura da cantora Zenaida Chantre, aqui presente e a dar expressão à sua arte, vem-me à memória um acontecimento já longínquo que tem alguma coisa a ver com ela. Estava eu no 7º ano do liceu, e, já não me lembro as circunstâncias que o propiciaram, tornei-me explicador do seu pai, Manuel Chantre, que, adulto e homem casado e pai de filhos, resolveu continuar os seus estudos liceais. Na altura, recordo-me bem de que a esposa do Manuel estava grávida da Zenaida.
    A presença da Zenaida aqui traz-me a recordação da figura do seu pai, que se tornou meu amigo de peito pelo empenho e seriedade que pus na minha missão de explicador. Tendo logo a seguir saído de Cabo Verde, ele perguntava à minha mãe sempre por mim e lamentava que a minha longa ausência da terra impedisse o nosso reencontro. Quando, a certa altura (mais ou menos há 13 ou 14 anos), veio a Portugal, fez questão de me ir visitar a Tomar. E então prometi-lhe que não tardaria a revisitar a nossa terra natal, o que, de facto, cumpri em 2002, quebrando uma ausência que perfez 39 anos. Só que o destino não raras vezes troca as voltas às legítimas aspirações que acalentamos na vida. No ano anterior à minha ida, o Manuel foi assassinado no interior da sua residência por dois ladrões que nela se introduziram noite avançada. Creio que ele tentou reagir e foi esfaqueado, sofrendo ferimentos mortais.
    Calcule-se a minha tristeza pela morte desse amigo, que frustrou o nosso ansiado reencontro na “tchom” do nosso Mindelo. É claro que esta recordação nada tem a ver com o evento da homenagem ao nosso grande vate e que o Joaquim reporta com zelo e competência. Mas a poesia do Jorge Barbosa tem um colo enorme, em que acolhe todas as tristezas e emoções dos seus conterrâneos.

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  2. Excelente reportagem! Nós que não estivemos lá ficamos com manha e com água nos olhos :-).
    O nosso Poeta Maior merece!
    Braça grande e longa vida ao Praia de Bote e que continue a prestar esse serviço público.

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  3. O que aqui se oferece é apenas a retribuição ao muito mais que se recebeu no arquipélago da morna.

    Grande abraço para o blogue parceiro, ESQUINA DO TEMPO - também ele ao serviço de Cabo Verde.
    Djack

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