domingo, 18 de agosto de 2013

[0548] Uma figura solitária de Fonte Francês (mais uma colaboração de Zeca Soares)

Foto Zeca Soares
Ainda lá está! Continua imponente e serena, com os seus quase 15 metros de altura, como se nada tivesse acontecido.

Estamos a referir-nos a esta tamareira ou ped'tambla, como se diz em criol d'soncent. Encontra-se numa das zonas baixas de Fonte Francês, anteriormente conhecida por "tinix"  (Ténis) talvez divido a um pavimento de betão que ali existia, possivelmente para prática de algum desporto.

Este ped'tambla, faz ou fazia parte duma área  arborizada que existia nessa zona, em que havia pequenas propriedades (hortos) com alguns poços com muita água no sub-solo, permitindo assim o exercício da actividade agrícola. Ainda em criança me recordo não dos "hortos", mas de perto de meia dúzia destes ped'tambla naquela zona, que ao longo destes últimos anos foram engolidos pela urbanização descontrolada (mas autorizada), ficando apenas este para ainda nos lembrar, não sei por quanto tempo, que há mais de cinquenta alguém os plantou ali, e que durante muitos anos nessa zona se respirava ar puro, com muita paz e sossego, sem a poluição e a delinquência dos dias de hoje.    

Foto Zeca Soares

Foto Zeca Soares

Foto Zeca Soares

5 comentários:

  1. O que essencialmente se colhe destas imagens é o significado alegórico dessa triste, raquítica e solitária palmeira. Outrora membro de um pequeno recanto ecológico, hoje ela está aí a testemunhar o descalabro urbanístico a que se pode chegar por incúria ou demissão de responsabilidades cívicas e governativas. Não acredito que os meus conterrâneos minimamente esclarecidos se não envergonhem com este cenário de ausência de qualquer regra urbanística. Infelizmente, isto é uma amostra do que se vê em certos arredores de S. Vicente. Casas construídas a bel-prazer de cada um, de tamanhos, feitios e gostos diferenciados, e em muitos casos reduzidas, na sua aparência exterior, a reboco sem pintura ou mesmo a tijolos despidos de reboco. O que é grave e absolutamente lamentável é não se vislumbrar um mínimo traçado ou esquema de arruamento ou intenção sequer de qualquer espaço integrador que evite o efeito de amontoado geral. Pouco sobra para as pessoas circularem. Tudo isso desfeia a cidade e é uma autêntica desfeita para os mindelenses que, não obstante a sua pobreza, sempre se comprazeram com a sua apetência para a estética e o bom gosto. No ano passado, regressei da visita à minha terra com um sentimento de revolta e inconformismo por tanto dislate que em matéria urbanística por aí vi. Como uma sobrinha minha fora acabada de eleger para o elenco camarário que se estreava, e apesar de se lhe destinar um pelouro alheio ao assunto aqui abordado, sugeri-lhe com veemência para discutir este problema do caos urbanístico com os seus pares. Ela prometeu, não sei se com resultados ou não, acho que não, pois não ignoro ser tarefa difícil mandar derrubar aquelas degenerescências e começar tudo do zero. Será certamente decisão ingrata e politicamente antipática, se não problemática, mas a verdade é que em termos turísticos se liquidou à nascença qualquer possibilidade de oferecer ao turista que desembarca em S. Vicente (dos cruzeiros) algo que seja diferente e autêntico no seu exotismo. Não são exemplos de triste terceiro-mundismo como estes que farão desembarcar o turista na ilha. Nem eu que sou natural da ilha iria alguma vez àqueles sítios. Mas este problema não é exclusivo de S. Vicente, pelo contrário, é ainda mais gravoso em outras as ilhas. Com esta constatação, dispenso-me de emitir aqui um juízo severo, que aliás se impõe, sobre a qualidade de quem governa a nossa terra.
    A palmeira isolada é, portanto, um engulho na consciência de quem manda. Mas não tardará que se corte pela raiz a última testemunha do despautério. Assim ao menos se evitará a inconveniência do contraste.

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  2. Escrito mais que acertado - que diz tudo! Subscrevo-o na totalidade.

    Braça triste,
    Djack

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  3. Subscrevo inteiramente o que disse o Adriano Lima. Estive também em S.Vicente e o sentimento que trouxe foi de uma grande tristeza pelo que vi. E nao vejo que as coisas irao mudar. Um abraço, Fernando

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