segunda-feira, 4 de novembro de 2013

[0614] Concerto no Eden Park, com José Alves dos Reis (senhor Reis) e Spinoza Paeff, em 18 de Março de 1932

Aquela noite de Março no Eden Park previa-se animada, pois os nomes dos concertistas, em piano e violino, prometiam. 

No programa ao dispor do público, estavam dois executantes, sendo o pianista homem da casa. Tratava-se de José Alves dos Reis (Senhor Reis ou "Ti Reis") por sinal nascido em Bolama, na colónia portuguesa da Guiné, em 1895, mas falecido no Mindelo, em 1966. Estudou música em Portugal, num seminário e no conservatório e depois na Alemanha e em Itália. Um acaso evitou que fosse para o Brasil, tendo ficado em São Vicente, onde fundou a Banda Municipal, educou várias gerações de músicos e ensinou Canto Coral ao "dono" desta Praia de Bote...

O violinista Spinoza Paeff viera da América do Norte. Contratado de propósito? De passagem de ou para a Europa? Não no-lo diz o jornal luso-americano onde bebemos a notícia. De qualquer modo, era personagem já com algum gabarito que havia de participar nas gravações de vários artistas de renome como Pat Boone, Frank Sinatra ou Count Basie. E tocaria viola, por exemplo, na banda sonora de Elmor Bernstein em "Desejo sob os Ulmeiros", filme com Sophia Loren e Anthony Perkins.

Aqui está, portanto, mais uma nota que honra a "Santa Casa do Eden Park" do Mindelo, defunta pela incapacidade dos homens de poder do Mindelo e de Cabo Verde (e mulheres..., pelo menos uma) em a manterem.

4 comentários:

  1. Este concerto no Eden Park é prova da cultura e do bom gosto da gente dessa época, anos 30. Hoje concertos de boa música parece-me uma raridade (há uns anos li uma notícia de um concertos de jazz e música clássica na Praia) , e nem sei se hoje há audiência para este tipo de espectáculos.

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  2. Certo, certo é que hoje em dia nem conserto nem concerto.
    Não temos cultura do belo. Vivemos num grande desacerto

    S' nôs terra ti ta sofrê, nôs sis fidje ti ta sofrê màs ainda

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  3. Bem dito, ainda por cima com "aquel sabura de criol".

    Braça,
    Djack

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  4. Mais um desenterrar de história. A pá do Djack vai fundo e quase sempre traz pepitas de ouro. Bem-haja este mineiro!
    O senhor Reis foi também meu professor e recordo-o com saudade. Não sabia (ou já não me lembrava) que ele tinha morrido com apenas 71 anos.

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