terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[0700] 700 x 5: um esclarecimento, uma despedida (até já!...), uma saudação, um protocolo e, em ÚLTIMA HORA: João Branco à frente do CCP do Mindelo (ver no final deste post)

ESCLARECIMENTO

Sérgio Frusoni
Não é por mal, a gente sabe. Mas que parece mal, não há dúvida alguma. Roubarem a propriedade intelectual a quem produz cultura é tão ou mais doloroso que o roubo de uma propriedade fixa ou móvel, salvaguardadas as devidas distâncias e os pesos de cada uma delas. Abastardarem escrito nosso, ainda pior, dado que quem lê uma poesia, romance ou texto de jornal, fica sem saber se a gralha ou a mistura de linhas se deve ao autor ou não. 

No caso vertente, nem sequer se trata de velhacaria, mas sim de asneira recorrente - que ambos os autores, já falecidos, dispensavam. B. Leza e Sérgio Frusoni são suficientemente grandes para não andarem misturados quando não é caso disso. Foram duas estrelas luminosas e ainda são, nos caminhos da música e da poesia cabo-verdiana, figuras das mais altas na grande constelação que o Mindelo produziu ao longo dos tempos. Aqui fica o esclarecimento do filho e nosso amigo, Fernando Frusoni.

Tenho ouvido vários  cantores interpretar a morna do meu pai, Sergio Frusoni, “Tempe de Caniquinha “, mas não tive ainda o prazer de ouvir uma interpretação que tivesse utilizado na integra a versão original. O mais grave é que por vezes tenho ouvido utilizar palavras que não têm sentido e que não respeitam a rima seguida pelo meu pai. Ter lido no You Tube que esta morna foi composta por B. Leza e Sergio Frusoni, deixou-me estupefacto. 

Devo esclarecer o seguinte: a morna foi escrita e musicada pelo meu pai e foi pela primeira vez interpretada pelo meu irmão  Franco Frusoni no Conjunto Cénico  Castilhano.

Uma parte da letra original encontra-se no livro de Valdemar Pereira “O Teatro é uma Paixão, a Vida  é uma Emoção “, página 178. Completei a letra que tenho de memória de tanto a ouvir cantar em casa.

Eis a letra original, para  quem a quiser conhecer:

TEMPE DE CANIQUINHA

Sanvecente um tempe era sabe
Sanvecente um tempe era ôte côsa
Cónde sês modjêr ta usába
Um lenço e um xales cor de rósa
Um blusa e um conta de coral

Cónde na sês bói nacional
Tá mornód tê manchê
Cónde sem confiança nem abuse
Tá servid quel cafê
Ma quel ratchinha de cúscús.
Cónde pa nôs Senhóra da Luz
Tinha um grande procisson
Cónde ta colóde Santa Cruz
Ta colóde pa San Jon
Lá na rebêra de Julion

Cónde ta cutchide na pilon
Tá cantá na porfia
Cónde ta tchuveba e na porte
Ta vivide que mas sôrte
E que mais aligria.

Povo ca ta andá moda agora
Na mei de miséria tcheu de fome
Ta embarcá ta bá  ‘mbóra
Sem um papel, sem um nome,
Moda um lingada de carvon.

Era colheita na tchôn
Era vapôr na bahia,
Oh Sanvecente daquês dia
Atê góte de Manê Jon
Tá ingordá na gemáda.

Lá pa quês rua de moráda
Era um data de strangêr
Era um vida folgáda
Ciçarône vida airáda
Ta nadába na dnhêr.

De nôte sentód na pracinha
M’ ta partí gônhe assim…
Pa mim pa bô, pa mim,
Pa mim pa bô, pa mim
Era tempe de caniquinha…

Génova, 11 de Janeiro de 2014
Fernando Frusoni

UMA DESPEDIDA (até já!...)

Soube hoje, através do blogue CAFÉ MARGOSO do amigo actor e encenador João Branco, que a Dr.ª Ana Cordeiro, directora do Pólo do Mindelo do Centro Cultural Português (Instituto Camões) se vai aposentar. Lembrei-me então do meu livro "Capitania, romance de São Vicente de Cabo Verde" (há muito esgotado em Portugal e Cabo Verde), motivo pelo qual a conheci. 

Falei com ela pela primeira vez em 1999, quando fui a São Vicente em viagem de recuperação de memórias, apenas com 100 páginas escritas, das 200 que a obra viria a ter. Fiz então no CCP, em 30 de Junho, uma palestra de apresentação do texto até aí escrito. Em 2 de Abril de 2002, tal como aconteceu na Praia, efectuei no Mindelo (também no CCP) o lançamento do romance, acompanhado de uma palestra sobre os anos 10 do século XX em Cabo Verde. Na cidade do Porto Grande, a coisa meteu sempre televisão e bastante público, entre o qual se contavam antigos condiscípulos do Liceu Gil Eanes e velhos marinheiros da Capitania do Portos, o que sobremaneira me agradou, como se compreende.

Diga-se, a título de curiosidade, que tanto eu como a editora abdicámos de qualquer lucro nos ganhos do livro, para que ele pudesse ser vendido barato, praticamente ao preço do custo nas ilhas. Até o Instituto Camões (Lisboa), por iniciativa da minha editora, se prontificou a enviar os exemplares para Cabo Verde sem cobrar um tostão de portes a nenhuma das partes... 

O livro desapareceu pouco depois, cumprindo-se o desiderato do autor, mas para além desse gosto sabe ficou ainda outro: o da extrema simpatia da Dr.ª Ana Cordeiro em todo o processo relativo ao caminho do livro no arquipélago. Não me esqueço também do belo jantar que me ofereceu em sua casa, onde fui com o Germano Almeida e do sarilho que foi arranjar-lhe uma pequena lembrança para lhe levar, num Mindelo na altura escasso de mimos menos vulgares. Após muita procura, lá desencantei num supermercado uma caixa de bombons, única da casa, milagrosamente guardada para mim... 

E, pelo que me contou na altura e soube por outros amigos ao longo do tempo, ultrapassando de longe a função administrativa e cultural que lhe competia pelo cargo que detinha, ela foi de facto nas últimas décadas a segunda e grande embaixadora (ou embaixadora oficiosa) de Portugal em Cabo Verde. Mas, como diz o João Branco, dela Portugal e a sua segunda terra, Cabo Verde, ainda muito podem esperar. Um abraço do PRAIA DE BOTE e desejos de um risonho futuro, para bem dela própria e dos dois países.

UMA SAUDAÇÃO

O dia é especial. 

Comemora-se a chegada dos Portugueses à ilha do Monte Cara, em dia de São Vicente, há exactos 552 anos, nesse já longínquo 22 de Janeiro de 1462. Grande Diogo Afonso, esse rapaz esforçado que o escultor Gustavo Bastos retratou em bronze cheio de roupas (e decerto de calor), hoje ali plasmado na Praia de Bote, olhando o Atlântico que cruzou, quiçá cheio de vontade de mergulhar nele...

E comemora-se em simultâneo o dia do santo que aqui fica, no seu nicho da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz, em imagem já conhecida, talvez feita por alguém da Foto Melo, pode ser que pelo Djibla ou sabe-se lá por quem. 

Ele é o "nosso" santo, a par de Nossenhora da Luz e de São João, os quais constituem de facto a verdadeira trindade religiosa de nôs terra. Viva São Vicente! e Viva Soncente, portanto.

PROTOCOLO ENTRE SÃO VICENTE E SÃO NICOLAU

Tarrafal e Mindelo oficializam relação e adoptam Protocolo de Cooperação 

Ilha de São Nicolau
Protocolo de Cooperação será rubricado esta quarta-feira, 22, durante acto solene por ocasião do Dia de São Vicente, festa municipal na ilha do Porto Grande. O documento será assinado pelos Autarcas Augusto Neves e José Freitas de Brito, em cerimónia que será presidida pelo Chefe de Estado

As relações entre a ilha de São Vicente e São Nicolau são históricas e abrangem vários sectores. Desde que José Freitas de Brito assumiu a Administração municipal no Tarrafal tem-se registado um incremento das relações entre as duas autarquias, com colaboração pontual na base de amizade institucional. Entretanto, as duas municipalidades entendem que é chegada a hora de evoluir nas relações e que a cooperação é o quadro que pode melhor definir as relações que na prática já existem. Assim, o Autarca do Tarrafal está em São Vicente para esta quarta-feira, 22, no quadro das celebrações do Dia de São Vicente e do Município da ilha, assinar o Protocolo de Cooperação com a Câmara presidida por Augusto César Neves.

Há um desejo de reforçar os laços de amizade, solidariedade e cooperação entre as populações de ambas as regiões e neste particular a cooperação através das autarquias assume papel preponderante, realça o edil do Tarrafal. José Freitas de Brito está optimista quanto ao sucesso da geminação com São Vicente e perspetiva como positiva o impacto que esta cooperação pode ter para o desenvolvimento de Mindelo e Tarrafal, nomeadamente, em áreas de promoção de acções que favoreçam a riqueza da vida cultural, social e económica.

A vermelho, o território do Tarrafal de São Nicolau
A geminação, para além das tradicionais áreas de cooperação municipal, observa como pertinente a protecção e a conservação do ambiente, com enfoque para o saneamento público e a recolha de resíduos sólidos, num processo que pode culminar na cedência e empréstimo de máquinas e equipamentos para tratar esse importante sector e que no caso de Tarrafal carece de meios.

Promoção de intercâmbio cultural, de artesanato, desportivo, actividades económicas e produtivas são outras prioridades da geminação.

O Protocolo de Cooperação entre Tarrafal e Mindelo será assinado esta quarta-feira, dia 22, em sessão solene da Câmara Municipal de São Vicente, na presença do Chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, e de outras individualidades e instituições.

Ainda do Tarrafal de São Nicolau...

O vencedor do concurso para a criação dos Símbolos Heráldicos do Município do Tarrafal é Emanuel José Brito do Rosário que apresentou na perspectiva do júri a melhor proposta.

A referida proposta já foi sufragada na passada quinta-feira, em reunião do executivo camarário que a validou na sequência dos resultados apresentados pela comissão presidida pelo artista plástico, Dr. Leão Lopes, e integrada por mais quatro membros.

O júri entende que a proposta vencedora apenas será revelada nos próximos dias, depois de receber a versão original (em formato digital) do candidato vencedor que tem um prazo de 15 dias, a partir de hoje, para entregar os documentos.

JOÃO BRANCO À FRENTE DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS, PÓLO DO MINDELO

Com os devido parabéns, pela merecida nomeação que deixa grandes esperanças aos que verdadeiramente amam a cidade do Mindelo e a ilha de São Vicente.

Ver AQUI

17 comentários:


  1. DIA 22, DIA DE NOSSA SENHORA DA LUZ. - Outro não podia ser melhor que este para se invocar o Sr. Sérgio Frusoni e a sua morna "Tempe de Caniquinha" que temos ouvido sempre numa versão que não é a do autor/compositor.

    Esta obra marcou uma época de ouro no livro da minha vida e, por isso, quando a ouço, vibro-me como a primeira vez que ela foi interpretada pelo filho do autor, Franco Frusoni (que nos deixou há alguns anos) no que ficou conhecido como "os Teatros do Castilho".

    Assim, aproveito para contar como foi o aparecimento dessa obra imortal. - Convidei o Franco a participar num sarau que íamos organizar na sede do Grémio Sportivo Castilho pedindo-lhe ao mesmo tempo para nos ajudar em alguma material (ou sugestão) que pudesse. Foi então que o jovem arranjou-me, para o dia seguinte, um encontro para me apresentar ao pai "que tinha umas coisas arquivadas". E logo ao primeiro encontro fiquei completamente cativado por esse Homem, tão bondoso, por quem passei a ter uma grande estima e, sem que deixasse transparecer, uma admiração como de um filho para o pai.

    Isso se passou numa tarde, depois do meu trabalho que não era longe da casa onde habitava com a sua familia. Fui recebido pelo poeta que, entre outras coisas que me foi entregando, disse-me - como que a pedir desculpas - "tenho também uma morna que talvez possa servir-vos, tanto mais que é inédita". E saiu de uma gaveta duas meias folhas de papel (amareladas pelo tempo) onde se viam letras dactilografadas numa máquina da Italcable, contendo a morna que começou logo a trautear. Sabendo eu que não ia aprender de imediato o que ouvia, pedi-lhe que a ensinasse ao filho que, segundo os seus conselhos do autor/compositor, a interpretaria e ajudaria na escrita da partitura, o que foi feita pelo saudoso Djack Estrela da Orquestra Benitômica. E foi assim que saiu dos seus arquivos o que um dia chamei de "hino à ilha do Porto Grande", obra que nião conheciamos e que ninguém sabia quando e como havia de ser popularizada. Sem querer, fiquei ligado à estória dessa melodia e é a razão pela qual quando a ouço "deturpada" fico compungido.

    "Pode-se parar a água que ferve mas nunca o mexerico de uma aldeia" (Provérbio tamil) Mesmo assim espero poder ouvir ainda a versão original

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    1. Ops:
      Dia de Senhor S.Vicente é que é.
      Minhas desculpas

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    2. Não é preciso pedir desculpas. Todos nós nos enganamos. Estão tão interiorizadas essas duas figuras da igreja mindelense que por vezes uma passa pela outra.

      Braça de Sanjom na Rubera d'Juliom (o nosso terceiro santo estimado)
      Djack

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  2. Sérgio Frusoni: Tempe de Caniquinha

    Tempe de Caniquinha, morna que canta a epopeia dolorosa do povo caboverdiano nos anos quarenta, anos de fome seguidos das emigrações forçadas para Angola e SãoTomé e Príncipe. Uma morna épica que viaja pela tradição cultural, pelos actos de solidariedade humana e pelo tempo áureo do Porto Grande e que também denuncia o seu declínio. Conhecedor profundo da importância da tradição oral em Cabo Verde, Sérgio Frusoni serve-se da morna para exprimir o dramao das fomes, das secas e da emigração. Outros compositors virão na esteira de Sérgio Frusoni, como Lela de Maninha ( Soncente di Longe), Jorge Monteiro “Jotamonte”, Abílio Duarte, Amândio Cabral e outros.

    Tempe de Caniquinha teria sido escrita nos meados dos anos quarenta do século XX e apresentada no Grémio Recreativo Castilho em 1948, pelo conjunto cénico sob a direcção de Valdemar Pereira, que mais tarde viria também a emigrar para o Senegal. A denúncia de Sérgio Frusoni, que colaborou no Grupo Claridoso (1936), com valiosos poemas em língua cabo-verdiana, seria retomada por Osvaldo Alcântara, heterónimo de Baltasar Lopes, com o Cancioneiro de São Tomé, e também por Ovídio Martins, Gabriel Mariano, Terêncio Anahory, Onésimo Silveira e outros.

    O caminho de São Tomé foi, infelizmente, a única resposta política às secas e fomes cíclicas em Cabo Verde. Ás fomes de 1861 e de 1902 foram dadas a mesma solução, mas, como diria o historiador Sena Barcelos, servia para engrossar as riquezas dos roceiros de São Tomé e Príncipe. Sena Bercelos e o poeta-compositor e homem político cabo-verdiano Eugénio Tavares, defensor da emigração para os Estados Unidos, distinguiram-se nesta luta contra a emigração para São Tomé e Príncipe nos princípios do século XX.

    Os estatutos do PAIGC, no seu artigo terceiro, datado de 1960, diz: «regresso imediato dos emigrantes caboverdianos das roças de São Tomé e Príncipe». Esta foi a razão da nossa luta e de milhares de emigrantes dispersos pelo Mundo que acreditaram nos ideais de Amilcar Cabral. Mas Cabo Verde é um país independente desde 5 de Julho de 1975 e infelizmente esses emigrantes ali continuam quando havia um engajamento da potência colonial para o seu regresso e indemnização. Trata-se de uma ferida aberta no coração do povo cabo-verdiano que bem sabe que esta questão deve ser tratada com Portugal, potência colonizadora, ou com as Nações Unidas. Sejam quais forem as intenções do governo, a solução é o regresso como prometera o PAIGC e o seu grande leader cabo-verdiano Amilcar Cabral que, aliás, somente assim poderá encontrar paz para a sua alma, lá no mundo onde estiver.

    E assim, hoje dia 22 de janeiro de 2014, em que festejamos mais uma vez o Senhor São Vicente, esta morna continua actual e a ser cantada em todas as latitudes pelos cabo-verdianos enquanto houver um filho de Cabo Verde nas roças de São Tomé e Príncipe.

    Honra e glória a Sérgio Frusoni, filho das ilhas sempre lembrado!

    Caboverdianamente,

    Luiz Silva

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  3. Ola, Djack. Obrigado pela publicaçao e pelo enquadramento que deste ao " Esclarecimento ". Obrigado aos amigos pelos comentarios. Boa semana para ti e amigos. Um braça mindelense. Fernando

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    1. A verdade é a verdade. E o resto são mornas... Não é preciso agradecer o facto de o PRAIA E BOTE ter reposto a verdade, em conjunto com o CIDADE VELHA 1462, o ESQUINA DO TEMPO e o ARROZCATUM. São blogues mindelenses que gostam do passado da cidade mais sabe, que se preocupam com o seu presente e futuro e que estão sempre prontos para uma boa aposta na exactidão dos factos, sobretudo os de cariz cultural.

      Braça verdadêro,
      Djack

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    2. O CIDADE VELHA 1462 não é mindelense mas gosta do Mindelo, o que vai dar ao mesmo.

      Braça do Berço da Nação,
      Djack

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  4. Este post reúne uma tripla e jubilosa combinação de assuntos.
    O Esclarecimento do Fernando Frusoni não deixa de ser um acontecimento jubiloso pela oportunidade que é dada à reposição da verdade sobre um facto subitamente gerador de polémica. Trata-se da autoria da morna Tempe de Caniquinha. Sobre isto falei com o pormenor que me foi possível no blogue Esquina do Tempo, porque as melhores e mais fidedignas provas da autoria indiscutível da morna Tempe de Caniquinha só poderiam vir do filho do poeta, Fernando Frusoni, e do Valdemar Pereira, protagonista que foi na estreia dessa morna quando se iniciou em andanças teatrais. Creio que sobre isto nada mais há a acrescentar. O seu a seu dono!
    Agora só falta corrigir o lamentável erro contido no youtube (Tempo De Canequinha.avi) cometido, ao que parece, por uma tal Maria da Luz, dado que o nome dela é o que lá consta. Agregado ao youtube esta o seguinte texto explicativo: “É uma morna bonita, composta por B.Leza e Sergio Frusoni, um mindelense, filho de emigrantes italianos. O Mindelo era na época uma cidade rica devido ao seu porto muito movimentado. Chegou a pobreza e as pessoas passaram a andar de caneca na mão, de porta em porta. Foi o "Tempo da Canequinha".” Esse youtube permite-nos ouvir a morna na voz do Dany Silva e a impressão com que fiquei é que o cantor procura interpretá-la ao estilo do Bana, sem qualquer variação na entoação e no timbre, salvaguardadas as devidas diferenças entre os dois cantores. O Dany Silva faz o seu melhor e quem dá o que pode a mais não é obrigado, e para bom entendedor meia palavra basta.
    Quanto aos outros assuntos da tripla combinação comentarei a seguir.
    Viva S. Vicente!

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    1. Sim, sim, sempre Viva S. Vicente e todos os seus filhos, sobretudo os que engrandeceram a ilha.

      Braça orgulhosa daquele rochedo sabe,
      Djack

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  5. O outro assunto que merece realce e nota muito positiva, e por isso jubiloso, é o cargo que o João Branco assume: Director do pólo do Mindelo do Centro Cultural Português. Com o seu coração 100% mindelense e com o dinamismo e militância que lhe são reconhecidas por todos os seus concidadãos, o João Branco vai de certeza acolher com o maior entusiasmo o trabalho da sua antecessora e quiçá imprimir-lhe novo fulgor, a bem da cultura lusófona.
    Um obrigado à Drª Ana Cordeiro por tudo o que fez, e felicidades na sua vida pessoal e profissional.
    Parabéns e boa sorte, João Branco!

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  6. O protocolo entre S. Vicente e S. Nicolau não deixa de ser também um acontecimento jubiloso, e diria também auspicioso. Pois pode ser o sinal de uma pré-disposição para o diálogo e cooperação entre as duas ilhas sobre as mais diversas matérias do seu interesse comum. Numa altura em que a temática da regionalização vem ocupando as nossas meninges, aliás de há uns anos a esta parte, não deixa de ser boa notícia tudo o que contribua para o alinhavar de uma solução regionalizante que englobe as 3 ilhas do Barlavento mais próximas, S. Vicente, S. Antão e S. Nicolau. São ilhas irmãs, e no seu processo histórico o “juntamom” foi sempre uma constante das suas vidas. Oxalá de S. Antão venham sinais promissores de idêntica iniciativa. Em Cabo Verde, o sentido das realidades tem de marcar presença na conceptualização de quanto se faça em prol do progresso das populações. E a complementaridade entre ilhas de potencialidades e vocações diferentes deve ser um princípio a prevalecer sempre sobre egoísmos pessoais ou visões lunáticas.

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  7. Não podendo responder aos dois outros pontos publicados no Praia de Bote, hesitei e fui esperando. Como vejo agora que foi possível separá-los sem qualquer problema, aqui venho manifestar a minha satisfação pelo que acontece ao João Branco, pessoa que admiro por muitas razões, especialmente, o seu amor pelo teatro e o que vem dando de brilhante com o seu Mindelact no seu desenvolvimento na nossa terra .

    Parabéns e que continue dando ainda mais para a arte.





    'A Dra; Ana Cordeiro, na minha qualidade de sanvicentino, vão os meus agradecimentos e desejos de uma aposentação repleta de trabalhos que nos maravilharão. Sei que leva Cabo Verde e Mindelo no seu coração no momento de Adeus. E vem-me à mente palavras do samba que diz "Quem parte leva os olhos rasos de água ao sentir a grande màgua por se despedir de alguém" e acrescento que mindelenses devem acrscentar "quem fica também fica chorando com o coração penando querendo partir também".
    Deus bà ma bocê

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    1. A Dr.ª Ana Cordeiro só dirá adeus ao velho chalet da também velha Rua do Telégrafo (hoje 5 de Julho). Irá continuar na ilha, onde constituiu família. O Monte Cara ainda verá decerto muitas realizações suas, embora noutras circunstâncias que não aquelas em que desempenhou funções no último quarto de século.

      Braça

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  8. Feliz iniciativa esta união com Tarrafal de S. Nicolau !!!



    Fui "padrinho" de algumas geminações inter-cidades e sei o quão profícuo isso traz em todos parâmetros, nomeadamente econômico e cultural.

    S.Vicente sempre importou da ilha irmã que é produtora. Portanto é altamente louvável este passo de fraternidade.
    Espero que esta seja o pontapé de saída para muitas outras geminações

    Força !!!

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  9. Amigos um dia intenso de trabalho não me deixou dedicar a devida atenção ao dia do nosso patrono S. Vicente. Saúdo a todos os amigos que aqui preencheram este blogue com comentários riquíssimos e a altura do dia. Por este dia especial podemos dizer pelo menos S. Vicente HUrra
    Quanto à nota do Djack e ao esclarecimento de Fernando Frusoni sobre a morna Tempe de Caniquinha são bem vindos para clarificar a questão e dissipar as dúvidas. Sou da opinião que é tempo disciplinar estas coisas com registos e direitos de autor.

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  10. José, não tens que dar explicações pelo teu relativo atraso. Todos os comentários metidos têm algo do teu pensamento e do teu sentimento. O que admira é como alguém com o tempo tão preenchido com afazeres profissionais consegue ainda assim estar em todas as frentes. E ainda por cima sempre armado e bem municiado.

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  11. Obrigado amigo Adriano por estas palavras de consideração

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