domingo, 2 de fevereiro de 2014

[0724] Mandingas animam o Mindelo

Mais uma oportuníssima colaboração do nosso amigo (mindelense residente) José Marcos Soares, "Zeca Soares", ao qual mais uma vez agradecemos. Não há dúvida que ele é o homem do Pd'B no Mindelo. Eis o que nos enviou de nôs terra, texto e fotos:

É assim todos os Domingos. Este Carnaval animador e contagiante dos Grupos de Mandingas, começou em meados de Janeiro corrente e continua, domingo a domingo, até o dia do Carnaval no próximo mês de Março. São perto de meia dúzia que vêem dos diversos bairros periféricos e enchem as ruas de Mindelo; mas esta imagens são apenas do grupo da Ribeira Bote. 

É uma animação fervilhante com gente de todas as idades e de todas as classes sociais que esperam pelo fim de semana para dar asas às suas fantasias pelas ruas da cidade. Como se pode ver pelas imagens não são precisos grandes investimentos para animar este tipo de Carnaval. É barato e o pessoal diverte-se à grande e à Mindelense. Assim também era o "CAPOTE" o primeiro Mandinga que conheci nos anos 60, brincando ao Carnaval à sua maneira.

Nota: Isto não tem nada e ver com os mandingas da Guiné-Bissau. Trata-se de uma "fantasia Mindelense" de brincar ao Carnaval.      






13 comentários:

  1. Os mandingas são, de facto, uma das mais singulares atracções carnavalescas no Mindelo. Lembro-me bem deles, mas actualmente parece que estão mais organizados e com uma feição grupal, ao passo que antigamente as suas intervenções eram mais individualizadas e esporádicas. E ainda por cima são as primeiras aparições, e com uma antecedência considerável em relação ao Carnaval, o que faz deles os grandes precursores da mais animada e participada festa da cidade. Vivam os Mandingas!

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  2. Parece-me que os Mandingas são a parte verdadeiramente popular do Carnaval do Mindelo. Ao contrário do que aconteceu no Brasil em que o que era coisa espontânea do povo se transformou em negócio, aqui temos não só os Mandingas como um Carnaval oficial mas ainda não demasiado tomado pelo "negoce".

    Braça da Rua de Lisboa à Praça Nova,
    Djack

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  3. A primeira vez que vi actuar os mandingas tinha eu 5 aninhos, e foi mesmo na minha rua, frente à porta da casa. Fiquei intrigado e algo intimidado porque a cena não se enquadrava naquilo a que até à data me habituara ver. Tanto mais que o mandinga, que dançava e saracoteava ao som da música de um cavaquinho, de vez em quando soltava um grito feroz (arrreaaaa!), munido de um varapau. Mas a minha mãezinha explicou-me que era brincadeira de Carnaval e a partir dali fiquei um admirador dos mandingas carnavalescos.

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  4. Pois é, Djack, depois dos 7 anos fui morar em Fonte Cónego, e lembro-me que o artista principal dessa representação era um homem que tinha a profissão de ferreiro ou de funileiro, salvo erro, que morava pelos lados da Ribeira Bote, aparecendo sempre a bater a zona onde eu morava. Era um festival de espontaneidade e animação concentradas numa única pessoa, que sozinha fazia festa que me chegava para todo o Carnaval. Pelo menos no que se circunscrevia à zona onde eu morava. Mais tarde, a partir dos 15 anos, passei a rondar outros carnavais, principalmente os bailes populares no Eden Park. Bons tempos.

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  5. Há anos, um corso realizado cá no burgo de Tomar incluiu umas raparigas vestidas com umas saias de palha que me fizeram recordar os mandingas de S. Vicente. Qualquer dia combino com o Totói Mãozinha, antigo jogador do Mindelense e depois grande craque do União de Tomar dos tempos da 1ª divisão nacional, para montarmos um número de mandinga em Tomar. O Totói é um tomarense adoptivo como eu, e é muito estimado na cidade, a ponto de ter sido o mandatário do grupo de independentes que concorreu às últimas autárquicas locais. Há ainda outro cabo-verdiano, também contemporâneo do Totói no mesmo clube. Mas como ele é da Praia, não sei se alinhará numa coisa dessas, sendo certo que no tempo em que viveu na Praia (antes dos meados da década de 1960), o Carnaval não existia por lá. Só nos últimos anos é que começaram a investir no Carnaval, creio mesmo que por iniciativa da Câmara e/ou do ministério da cultura, não por iniciativa popular, como acontece em S. Vicente. Mas pode ser que convença também esse conterrâneo da Praia...

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  6. Bem, como já meti muitos comentários, só me falta arranjar mesmo um fatinho de mandinga e começar a ensaiar um número qualquer.

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  7. Lembro-me bem dos mandingas nos carnavais da minha infancia. Eu tinha um medo deles que nem fazem ideia. O tal homem todo tisnado, com chifres na cabeca e o varapau de que o Adriano se lembra; o grito medonho ficou gravado na minha memoria como um ardaaaaa, ardaaaaa, Tudo isso faz parte do viver mindelense dos meus tempos de crianca, de diasa na munde. Passei o Carnaval de 2013 em Cabo Verde, achei linderrimo e os mandingas la estavam, dando sua pitada de sal na festa que mais entusiasma o povo mindelense e nao so.

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  8. Ai os Mandingas !!! Os primeiros eram os de Dmingue Sapater e eram conhecidos pelos "Djangolê" palavra que sempre empregavam para correr com os meninos que se aproximavam ou para brincar com uma pessoa mais séria que os apreciava mas que não se atrevia a entrar e a quem enviam um convite com o "arredààà... arredààà"
    Os mais conhecidos no grupo eram, além de Nhô Dmingue, um seu colaborabor aleijado e um catraeiro com um varapau que fazia o caminho.
    O Mestre começava e acabava o desfile fazendo uma graaande gemada... num penico.
    Bons tempos, esses de Quarenta!

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  9. Vou confessar uma coisa que me envergonha sobremaneira. Eu, que tenho um memória de elefante, não tenho a mínima lembrança de Mandingas durante os meus três anos de Mindelo. Ou não se fez nada nessa altura ou a coisa varreu-se-me mesmo do pensamento, havendo ainda a possibilidade de por qualquer motivo eu não ter estado presente em nenhuma das celebrações mandingas que eventualmente se tenham feito na altura. Quanto ao Carnaval, possuo memórias bem definidas e fotografias até, que já aqui mostrei.

    Braça no confessionário,
    Djack

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  10. Djack, talvez no tempo que estiveste no Mindelo, os mandingas ja nao apareciam pelas ruas. no Carnaval, assim como os tocadores de tambor, por que foi proibido qualquer manifestacao que lembrasse usos e costumes tribais, Deve ter sido isso que se passou ao tempo. Portanto, nada de vergonha!
    Braca com absolvicao,

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  11. Eu bem calculava que tinha de haver qualquer coisa esquisita, para não ter tido acesso a algumas exibições de Mandingas. E acredito mesmo que é o que a Nita refere. A propósito dessas atitudes do regime de então, prometo que se vão divertir no dia 7, de 3.º aniversário do Praia de Bote, com materiais que descobri muito recentemente e que se reportam à Exposição Colonial do Porto em 1934. Com texto divertido pelo ridículo da prosa e boas fotos que não são as que ilustram o texto (de fraca qualidade) mas que retratam o mesmo assunto e obtive noutro lado. Um achado!...

    Bijim pa Nita,
    Djack

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  12. Penso que nunca houve proibição de mandingas ou tambores de S. João, pelo menos em S. Vicente. Em Santiago é que terá havido proibição de batuque. Até eu sair de Cabo Verde, os mandingas actuaram sempre, tanto quanto me lembro. É possível que não andassem muito pela "morada" em actuações individuais e espontâneas, a não ser quando se incorporavam nos desfiles/corsos carnavalescos. Talvez preferissem as fraldas ou ficassem nas fronteiras da "morada". Essa primeira vez que os vi, aos 5 anos de idade, morava na rua do Matadouro, naquela casa para onde iria viver mais tarde o B. Leza. Ficava nos limites da morada, com o Monte ali perto, pelo que deduzo que o mandinga que eu vi era do Monte. Quanto a Fonte Cónego, para onde me transferi quando tinha 7 anos, ali, sim, apareciam mandingas vindos de Fonte Filipe e Ribeira Bote. Mas morei 3 anos na rua de Serra, perto do Gil Eanes, e tenho de confessar que não me recordo de, nessa altura, ter visto mandingas, tirando os desfiles. Daí a possibilidade de o Djack não os ter visto lá para os lados da Capitania, embora fosse provável que aparecessem na Praça Estrela.

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  13. Se bem me lembro...

    1° - Para a Nita que tem e não tem razão. Houve efectivamente uma "Proibição" que não foi de tocar tambores mas de "colà S.Jom" que o senhor Administrador considerou "côsa de mal criaçom"' Foi uma daquelas saidas como o que aconteceu com as saias curtas.
    2° - Também o Adriano tem a razão do Djack não ter visto os mandingas. Eu soube que nos primeiros tempos apôs a morte do criador (Dmingue Sapater) o conjunto não teve continuador que podia bem ter sido um dos filhos, eram companheiros do pai.

    Vou aguardar o dia das três velinhas.
    Braças mandingas

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