domingo, 6 de julho de 2014

[0953] Recomeço... com Cabo Verde, editores (de origem judaica) de postais, Bissau e implantação da República

Cena da revolta republicana de 5 de Outubro de 1910
A escrita tem destas coisas curiosas... e enganadoras. O que parece rápido torna-se desgraçadamente longo e o que se julga ir demorar imenso tempo revela-se feito num ápice, quando se encontra a documentação necessária. Foi o que aconteceu neste caso da crónica sobre "deportados" para Cabo Verde que terminou de repente devido à descoberta de uma notícia importante que a encerrou da melhor maneira. Contudo, o trabalho continuará em crónica seguinte, devido ao vasto e útil material acumulado. 

Posto isto, resolvemos voltar às lides. E divulgamos um postal editado por Levy & Irmãos, da Praia, com uma bela mulher de Santiago (e muito bem vestida) na frente. No lado oposto, Luís Quintal escreve de Bissau para o filho Zé-Zé (ou Lé-Lé ?), residente em Lisboa, em data de grafia indecifrável.

Cena da revolta republicana de 5 de Outubro de 1910
Procurámos por José Afonso Palla Nóbrega Quintal e demos com ele como capitão insurrecto de Artilharia 1, fazendo um relatório sobre as suas movimentações durante o 5 de Outubro. 

"Eu, José Affonso Palla, capitão de Artilharia n.º 1, tendo promovido o levantamento d'este regimento, para a proclamação da Republica, venho, perante V. Ex., como chefe do Exercito, expor  as circumstancias em que desenvolvi a minha acção." (...) 

Quem desejar ler o relatório integral, AQUI o tem. Eis então como um sujeito que tem um postal ilustrado de Cabo Verde o escreve e envia de Bissau para o filho, para Lisboa, revolucionário republicano que se calhar nunca pôs as botas em Cabo Verde, Será assim? Sabe-se lá... Ficará esta tarefa de bisbilhoteiro a cargo do Adriano, quando ele for vasculhar nos arquivos do Exército. Ahhh!, o nosso capitão casou com D. Arlete e teve uma filha, Fernanda, isso sei eu...


2 comentários:

  1. Dados muito interessantes, Djack.
    Sobre este capitão poderei dizer alguma coisinha mais depois de consultar uma antiquíssima lista de antiguidade de oficiais. Mas só quando regressar a Tomar, pois estou no Algarve.

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  2. Só se for mesmo por curiosidade e por via de outra pesquisa mais importante. De resto, o capitão pode nunca ter pisado solo cabo-verdiano. Tem piada é o pai ter-lhe escrito da Guiné num postal de Cabo Verde. Postal esse que revela uma lindíssima badia, vestida a rigor.

    Braça investigativa,
    Djack

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