terça-feira, 8 de julho de 2014

[0954] Augusto Vera-Cruz, "UM" cabo-verdiano, "UM" defensor de São Vicente - Com este texto, o Pd'B chega aos 140.000 visitantes. Boa maneira de comemorar o número, na companhia do senador. Aqui ficará o mesmo, para poder ser lido e eventualmente comentado

Senador Augusto Vera-Cruz
ACTUALIZADO, COM UMA FOTO DA ÉPOCA NO FINAL E UMA ESTATÍSTICA

O texto foi redigido (ou acabado) pelo ilustre Senador Augusto Vera-Cruz a 1 de Março de 1925, mas só foi publicado na "Gazeta das Colónias" um mês depois. Chama-se "Cabo Verde, abusos a corrigir" e não é preciso apresentá-lo. Basta lê-lo, para se ver como esta figura foi tão importante para a sua terra e ainda hoje é tão digna de servir de exemplo.

Em fundo, os "amigos" ingleses de Portugal e um governo central fraco. Era a época do presidente-escritor Manuel Teixeira Gomes (1860-1941) que exerceu a sua magistratura em clima de instabilidade entre 6 de Outubro de 1923 e 11 de Dezembro de 1925. Seguir-se-lhe-ia Bernardino Machado, por pouco tempo, até que se deu o golpe de 28 de Maio de 1926. Entretanto, Cabo Verde ia continuando na mesma...










Talvez sejam estes os muros de que o senador fala. Foto feita a partir de um navio, vendo-se os quintalões com carvão dentro. Na Western Telegraph, esvoaça o pavilhão britânico...
Visitantes de Cabo Verde, exactamente entre as 17h54 e as 19h53 de hoje. Mais uma vez se confirma que há gente das ilhas que aqui vem, embora toda ela com problemas de artrite nos dedos, doença que não lhe permite comunicar connosco. Obrigado, pela visita, de qualquer modo. O que interessa é que leiam. E então se for prosa edificante como a proporcionada pelo senador Vera-Cruz, tanto melhor

12 comentários:

  1. Que falta faz, hoje, um Senador destes...Infelizmente, já não se fabricam homens desta têmpera...Orgulho-me de ter morado numa rua que tinha o seu nome, rebaptizada depois do 5 de Julho, vá-se lá saber poerquê!!!

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  2. Este é um grande personagem da história mindelense e caboverdiana. Nestes tempos modernos homens desta têmpera já não se produzem com tanta frequência

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  3. Isso foi temporariamente, durante aquele período de loucura comum a todas as revoluções e a todas as grandes mudanças de identidade... Mas depois, a razão voltou e já pelo menos em 1999 a rua tinha recuperado o nome antigo e certo. "5 de Julho", bom e necessário designativo de artéria mindelense, passou a ser o da Rua do Telégrafo. A história acabou bem, afinal, ou os mindelenses não fossem gente com cabeça...

    Mas voltando ao assunto do longo e lúcido texto do senador, verifica-se aqui uma sabedoria e activismo que não teve paralelo em sua vida. Ele percebeu o que faltava ao Porto Grande e à ilha mas ninguém o ouviu, ninguém quis saber. Lisboa ficava demasiado longe e a Praia também... E Dakar e as Canárias foram ganhando, à conta do laxismo luso e praiense...

    Braça senatorial,
    Djack

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  4. A resposta anterior, foi para o Zito. Ao José, só posso dizer que tanto em Cabo Verde como em Portugal, Europa e outras paragens, parece que os genes degeneraram. Cada político, mais matreco que o anterior... Poucos se salvam, na desgraça actual.

    Braça desencantada,
    Djack

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  5. E eu, que tenho tanta documentação sobre a chamada "Concessão Blandy", não sabia como a coisa tinha acabado. Vi agora, através do texto do senador que, afinal, depois do entusiasmo inicial então gerado, não deu em nada.

    Braça com zero,
    Djack

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  6. Quando o senador se refere aos muros levantados em boa parte da cidade, deve estar a aludir aos muros dos "quintalona" de carvão. Um desses muros percorria grande parte da Rua do Telégrafo e escondia, entre essa rua e o mar um avião que tinha caído anos antes e um local onde se jogava basquetebol. Nada mais havia nesses espaços, que me lembre.

    Braça com alguma memória,
    Djack

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  7. Folgo em saber que, pelo menos, a toponómia, acabou por reponder às exigências histórico-sociais da cidade e dos seus habitantes...Não há nada como designar coisas, lugares e pessoas pelos seus nomes de baptismo!

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  8. Mas, voltando ao texto do senador, o que aqui sobressai, para além do abandono dos interesses da ilha pelas autoridades competentes (locais e nacionais) é a velha sacanice dos nossos velhos aliados, coisa antiga e recorrente... Os rapazes, quando se encheram, deram o fora. Deixaram o golfe e o cricket, mais o gin&tonic, o whisky e os quintalões vazios... De resto, nickles...

    Aqui, não foram amigos de Peniche, foram amigos do pocket... deles.

    Braça carvoeira,
    Djack

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  9. A História do Império Britânico e da presença de britânicos noutros impérios está repleta de episódios semelhantes ao que aconteceu no Mindelo: quando a vaca deixou de dar leite, foram-se embora e deixaram a vaca oca!
    Não é por acaso que os EUA são o paradigma da religião "cifrónica" (de cifrão, claro)...God Save the Queen...and My Wellfare!

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  10. Djack, creio que o reparo do Zito sobre a toponímia não se referia à Rua do Telégrafo mas sim à rua Senador Vera Cruz, a não ser que eu tenha interpretado mal. Lembro-me do nome desta rua mas já não exactamente do local onde ficava.
    Quanto a este post, que eu só agora vejo, por pensar que o PdB estava no defeso, não há palavras para classificar o seu grau de importância. Importância histórica.
    Políticos e governantes deste quilate já não há. O molde foi deitado fora e não se sabe por onde anda ou se é possível resgatá-lo do obscuro anonimato.
    Quanto aos ingleses, é um facto que lhes devemos a criação da cidade do Mindelo, mas não o fizeram senão para encher os bolsos, como sempre o fizeram por todas as paragens do planeta onde fincaram a sua lança. Mas a culpa nem sequer é deles por toda a situação que o Senador descreve e denuncia. A culpa foi do governo central, seja republicano ou
    monárquico, para quem Cabo Verde não passava de uma pobre colónia especialmente vocacionada para
    degredo político.
    Mas não nos admiremos se o privilégio do monopólio consentido indevidamente aos ingleses, e com prejuízo para a colónia, não tivesse por trás conluios sedeados nos bastidores do governo central ou mesmo com a sua directa anuência. Ontem como hoje, os políticos portugueses tendem a chafurdar no monturo de inconfessáveis interesses privados. Com honrosas excepções, claro. Excepções em que pontificam com letras de ouro um Sá da Bandeira e um Fontes Pereira de Melo.

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  11. Sim, eu percebi bem o que o Zito disse e expliquei-lhe que a rua dele voltou a ter o nome antigo (Rua Senador Vera Cruz) e que a de 5 de Julho passou a ser a antiga do Telégrafo. Ou seja, já temos duas ruas 5 de Julho: uma que deixou de o ser (a do Zito) e outra que passou a sê-lo (a do Telégrafo).

    A Rua Senador Vera Cruz é a que fica no enfiamento da Rua da Luz. Ou seja, se estivermos na Rua Senador Vera Cruz e caminharmos para a Rua de Lisboa e a atravessarmos, passamos a estar na Rua da Luz, a caminho da Pracinha da Igreja. Estou a ver que tens de voltar urgentemente ao Mindelo...

    Braça toponímica,
    Djack

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  12. é bon saber a realidade e a historia dess sancente que eu amotanto. graças a deus BDP existe ou que ia fazer sem vocêx que me da a conhecer tudo o passado da minha terra sancente? obrigado porque hoje vou dormir mais sabe du que ontem.tchenta d'nha Bia

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