domingo, 10 de agosto de 2014

[1026] De São Vicente para Buenos Aires, ou seja, da morna para o tango porteño

O remetente, de nome ilegível, envia o postalinho desde São Vicente, com "amistoso saludo", para Pablo Elias, morador em Pozos, Buenos Aires, Argentina. E selado em alto mar, como diz o carimbo, num remoto 13 de Julho, talvez de 1900 (de qualquer modo, nunca posterior a 1910, por causa do selo de one penny de Eduardo VII). O postcard, em aguarela do Porto Grande, era da companhia e portanto não comprado em terra, o que mostra que a importância de São Vicente era levada em consideração por uma das miores empresas marítimas de transporte de passageiros e mercadorias da época. Caso para dizer com toda a propriedade, "Um vez Soncente era sabe..." (embora ainda seja o suficiente...).



2 comentários:

  1. "Criança não esquece". Bastas vezes ouvi esta frase e eu sei que é verdade; retemos factos que são indeléveis da nossa memória. Lembro-me desses paquetes ( "malas reais") pelo Porto Grande, transportando encomendas de e para a messe da Western como bebidas (Whisky), chocolates (Cadbury... huumm!), produtos de beleza (Yardley..), etc. que vinham da Inglaterra, e viveres (carnes... queijos...) da Argentina. O patriarca beneficiava de muita coisa e pôde levar o meu irmão (asmático até sete anos) para ser visto pelo médico, o qual preveniu que podia ficar bom aos 7, aos 21 ou... nunca mais. Ainda por cima trazia os medicamentos.

    Era diazà na munde !!!

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  2. Comecei a comentar a partir do post seguinte a este, pelo que tudo o que lá está se aplica aqui.
    O Val comenta com uma profusão e um sentido do concreto que figurativamente fica quase tudo dito sobre o Mindelo e o seu porto.
    Alguns dirão que somos saudosistas e vivemos do passado, conforme às vezes lemos em jornais online. Mas isto é História e não há mal nenhum em esgravatar no seu arrumo de factos, acontecimentos e conclusões para aprendermos com o que foi feito ou não foi feito. E a conclusão inevitável, mas também dolorosa, é que se a administração colonial não fez o que se impunha em determinada etapa da História, os governos do pós independência também não.

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