quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

[1241] Rosto cabo-verdiano

Fotografia enviada pelo nosso amigo e colaborador José Fortes Lopes, sem indicação de autoria. Face genuína de nôs terra, como conhecemos muitas. Vem catalogada como "rosto tibetano" e de facto tem um vago ar orientalizante mas mantém aquele misto de alegria, sabedoria cultural e dignidade de antanho que foi (e em muitos casos ainda é) apanágio das gentes das ilhas. Até as arrecadas com pendente de "figa" nos trazem memórias de infância que não se perderam.


7 comentários:

  1. Descreveste bem, Djack. Cada uma das rugas é um episódio de vida, em que cabe um pouco de tudo mas em que predomina o sofrimento e a amargura, que no entanto não toldam o esboço de um sorriso..

    ResponderEliminar
  2. Cara sem idade definida, cara de pessoa respeitada da heróica Mulher cabo-verdiana que cedo aprendeu a resistir às intempéries e a toda a casta de injustiças, com energia, com dignidade e com resignação. A cara é - quem sabe? - da Mongólia mas o coração é genuinamente de Cabo Verde.
    Ê a gente dessa que, instintivamente, as crianças do meu tempo se dirigiam a pedir "bençom".

    ResponderEliminar
  3. De pessoas assim, transbordando serenidade, até os meinos buzode não sentiam aquele desejo de brincar, de chamar nomes. Pelo contrario se prontificavama a ir fazer os "mandode" porque as "mã bedja", cansadas da vida não se deslocavam tão facilmente preferuindo o sossego de uma esquina onde esperevam o tempo todo por coisa que ninguém sabia. E o menino ia compra "mom ftchode" ou ciré ou... ou...
    Muitas dessas eram conhecidas por Nhanha porque eram as avozinhas de todos os meninos que as respeitavam.
    Jom de Nha Maninha

    ResponderEliminar
  4. Os tibetanos são um povo de uma espiritual idade e de uma serenidade que historia secular ou milenar produziu. É o que vi na cara desta senhora com as rugas do tempo a completar a imagem

    ResponderEliminar
  5. Filha de Adriano Lima, visitei pela primeira vez a terra do meu pai em 2012. À aproximação do aeroporto, vi trechos de paisagem árida que me pareceram ter algo mais que a simples nudez da natureza. E então os olhos se me encheram de lágrimas ante a visão da terra de antepassados meus. Terra que logo de seguida viria a certificar tem uma alma maior que o seu tamanho

    ResponderEliminar
  6. Uli fidja d'Adrione! Que grande surpresa! Seja muito bem-vinda a este blogue atlântico e sobretudo ilhéu. Apareça sempre que lhe apetecer.

    Braça,
    Djack

    ResponderEliminar
  7. Filha mais velha de Adriano Lima, não quero ficar atrás da minha mana e tenho de meter uma palavrinha também. É dia de S. Vicente, não é? Sem visitar a ilha ainda, não tenho a experiência sensorial por ela vivida, mas como não partilhar o seu sentimento se a alma pater nos inspira e guia às origens com mão fiel? O rosto vetusto desta mulher parece-me um perfeito repositório de resistência, vontade e fé.

    ResponderEliminar