quinta-feira, 2 de julho de 2015

[1568] Poema de Valdemar Pereira

Moço, e quem lhe disse a minha identidade para me catalogar numa categoria de idade?

Valdemar Pereira



Por eu ser velhinha sei muita coisa certinha
que vem de tempos em que você nada tinha
e que ninguém determinou que podia nascer
e se seria gente perfeita para uns anos viver.


Andou olhando para meu cesto e a bengala
e eu nem sei se me tratou de velha estarola
pois (também vejo você) não lhe dou parola
já que não adivinho o que vai nessa sua tola.


Nos tempos que correm, condenam os velhos
ao abandono se não tiverem força nos joelhos.
E se isso é realmente destino de muita pessoa
só não é para os que pensam e não falam à toa.

1 comentário:

  1. Aqui está sintetizada a diferença em ser-se velho e ser-se idoso. Há efectivamente uma diferença, e mal para quem nos governa que trata os idosos como trapos. É o que dá ter na pasta da segurança social (e outras) alguém que não tem tarimba nem nunca antes passou por qualquer tirocínio da vida que lhe desse um mínimo de experiência e sensibilidade para cargo de tamanha responsabilidade.

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