quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

[1841] Um fmaça d'canhote, sabin, sabin...

Trata-se de uma mulher do povo de São Vicente, aí pelos fins do XIX, inícios do XX. "Mulher do povo", obviamente quer aqui dizer "mulher de trabalho", para os outros e para o seu próprio lar. Ta plá midge, uma das principais ocupações da dona de casa mindelense, é o que aflora no postalinho de edição inglesa, decerto da casa Auty Ld., de Tynemouth, GB ou da Thornton Bros., de Brompton, no Kent, também na Grã Bretanha. Tem o postal ilustrado aquela que consideramos uma das melhores legendas de sempre, certeira indicação do que se passava com esta fumadora de canhote que por entre a dureza das tarefas quotidianas conseguia tirar 15 minutos para um tempo seu.. Ó Deus, qu'fmaça sabe!...


9 comentários:

  1. Era um hábito que não sei se ainda se mantém. Creio que não.

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  2. Os postais de Cabo Verde desta época eram sobretudo da lavra dos Frusoni e de ingleses. Mas muito parcos em legendas, quase sempre meramente indicativas. O que me interessa neste postal é precisamente a raridade da legenda, portadora de algum humor, sobre esta mulher de trabalho que, ao puxar umas fumaças durante um quarto de hora, se abstraía das difíceis tarefas quotidianas (como pilar o milho), conquistando assim um tempo só para si.

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  3. Pilar, Cutchir milho, (separar do farel).
    O farel para alimentação dos animais domésticos principalmente cabras, porcos, etc., e o milho totalmente limpo do farel, para habilidades culinárias tais como, a famosa catchupa, farinha para cuscus, e papa, de entre muitos alem do cherem.
    O "Canhot" evoluiu para cigarro falcão, que depois do esforço despendido junto ao pilão, o merecido descanso com uma fumaça para relaxar.
    Um Abraço pelo regresso.

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  4. Creio que será autêntico o humor que transpira da legenda em inglês...Na realidade, cutchi midge ê câ brincadêra...e nada como umas fumaças para retemperar as forças e recomeçar de novo...
    Braça com cheiro de mon fecthóde...
    Zito

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  5. Efectivamente era hábito as senhoras fumarem canhoto e e usarem o ciré. Quem se lembra do ciré?

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    1. Lembro-me, em especial, de uma velhota, à porta do mercado, que guardava o seu ciré numa caixinha redonda de Metholatum...

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  6. A pergunta do José Marcos Soares ("quem se lembra...") demonstra que não é do meu tempo onde era corrente o cancam, o mosque e o ciré. Para o cancam compravam-se as folhas bem tenrinhas e cheirosas; para o mosque o monftchode era comprado a palmo; e o ciré era vendido nas latinhas de mentolate (meie testom) ou de graxa (um cruzode).
    Imaginem que no começo da Rua de Muralha havia duas familias (com muitos filhos) que viviam dessa venda.
    Por volta de 1980, aquando de férias, cruzei um amigo da Familia (pai e cunhado de Ministros) que ainda cheirava o seu tabaquinho mas do ciré e do mosque... nem fume nem mandode !!!

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  7. Sobre o cancam, cheguei a provar em S. Antão, onde esse hábito era mais arreigado. Eu e o meu irmão (na altura 12 e 10 anos, respectivamente)estávamos de férias e fartámo-nos de ver essa espécie de tabaco que era metido no nariz. Um dia, adquirimo-lo e experimentamos. Uma ou outra vez. Até que a minha avó nos surpreendeu nessa degustação olfáctica e ralhou connosco. Mas ainda tenho bem na memória olfáctica esse cheirinho. Parece que se vicia no seu uso.

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  8. O Valdemar, o ciré ainda se usa por aqui mas, o mascá quase nada. O que continua e muito é o cancam. Nos meus tempos de oficina finais dos anos 60, conheci um senhor Manuel, Madeirense, que valorizava até ao extremo cada pitada de cancam que se vendia três colheres de chá cheias por 10$00.
    Ele em vez de comprar 10$00, comprava dois 5$00, ou quatro 5$00, etc., para aproveitar o meio colher que não era meio, mas quase cheio, o que daria mais umas pitadas no meio do dedo

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