domingo, 6 de março de 2016

[1989] Da Índia para Cabo Verde, com foice e martelo no bolso, em Março de 1950



3 comentários:

  1. ah ah ah. O estado Novo tinha muito humor!!!

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  2. A história de Cabo Verde como colónia penal é muito, muito antiga, a ilha do Fogo, por exemplo, foi terra acolhedora dos chamados "banidos do reino." Os degredados pertencentes à nobreza e caídos em desgraça perdiam o(s) apelido(s)que lhes denotava a origem nobre. Creio que foi o caso, para exemplo, dos Fontes, apelido muito comum na ilha. Ascendentes, dois irmãos, seriam Fontes Pereira de Mello. Castigados, perderam o "Pereira de Mello" que os nobilitava. Tal como estes, a muitos mais assim aconteceu, com raríssimas excepções, aos muitos fundadores da cidade de S. Filipe.
    De facto, foi grande a quantidade de homens a quem foi fixada (forçadamente) a residência em Cabo Verde, um pouco por todas as ilhas e que aqui constituíram segunda família, com mulheres da terra. Os expulsos da país de origem, com base em "delito de opinião" tal o caso do professor goês, citado no texto - possivelmente colocado em Mindelo - infelizmente,foi marca frequente e indelével do regime do Estado Novo.
    A nossa mestiçagem também assenta fortemente neste processo de deportações, em levas constantes. Sobretudo, através dos homens oriundos de Portugal. Digo isto, porque li algures ( As tais teses "históricas" hilariantes de africanismos fundamentalistas) que a mestiçagem deixou de existir, desde o tempo já da escravatura e o autor situou isso algures em 1600... Justificação: porque desproporcional, o "número dos brancos e o grande número dos escravos." Enfim, agora campeiam entre nós, essas ideias, no mínimo risíveis...

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  3. Eu só tinha ainda 6 anos quando esse professor goês terá chegado a Cabo Verde. Mas como era professor, poderia, mais tarde, vir a conhecê-lo no liceu, o que não aconteceu, não me lembrando sequer do nome.
    Professar ideias comunistas era crime! Eu até desconfio que o homem talvez fosse mais um anti-regime que um comunista, o que era delito suficientemente grave e motivo para deportação.
    A Ondina tem razão no que diz. O processo da nossa miscigenação foi contínuo e até penso que não há razão para pensarmos que cessou. No entanto, é de prever que ele venha a receber influxos de sangue africano em virtude da crescente presença entre nós de africanos continentais. E então faço uma pergunta provocadora. Nessa altura poderemos dizer que o sangue africano concorre para a mestiçagem? Ou será que a diluirá progressivamente, sendo que, para se falar de mestiçagem, só se pode pensar em mistura de partes diferentes?

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