quinta-feira, 23 de março de 2017

[2908] Mindelo vai ter... sambódromo. Ou da domesticação do carnaval popular ao desprezo pela coladera


Toda a gente sabe que o samba é coisa muito de Cabo Verde, nomeadamente de São Vicente. Há até académicos internacionais que afirmam a pés juntos que este género musical nasceu no Mindelo, algures no sopé do Monte Cara - que antes estava com o nariz virado para o Brasil e de tanto sambar se fatigou e passou a ficar deitado. É de igual modo ponto assente que o Brasil nos copiou, aliás de modo assaz incipiente e... desengonçado. Isso mesmo se pode ler nas páginas 345 e 346 de "O Samba Nasceu Junto ao Monte Cara", do insuspeito professor Itamar Jeruso Alagoas Tapué, catedrático da Universidade Federal do Pão de Açúcar. Também se afirma em aulas do recém-criado mestrado de Samba da Universidade Independente da Matiota que a coladera é muzga sem importância, inventada por selvagens antropófagos da Papua Nova-Guiné e trazida para o arquipélago por um emigrante cabo-verdiano que construiu casa na Ribeira de Julião, adaptando depois a dança à realidade das ilhas através da "umbigada".

Enfim, não adiantamos mais, pois de facto o que fazia falta ao Mindelo era um sambódromo. Nada de mais útil à cidade, sem dúvida. Uma ideia brilhantíssima que merece monumento a quem a teve e a quem a deseja realizada. Um achado! Praia de Bote bate palmas e mexe o pé, ao som de "Sambinha da Baía... das Gatas" da autoria do famosíssimo Djosa de Nha Bia, o homem que ensinou B. Léza a tocar e que começa com a frase "Nossenhora da Luz nos proteja"...

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4 comentários:

  1. O gesto do actual Ministro da Cultura, Abraão Vicente, é um reconhecimento da importância do Carnaval no Arquipélago e em S.Vicente em particular onde, há ainda algumas décadas era o único lugar onde se festeja de forma conveniente o Entrudo. A prova é a publicidade criada pelos estrangeiros que falaram da dimensão do evento fora das fronteiras.
    Conservador e defensor das nossas tradições, promovi o Carnaval do Mindelo em Dakar onde se festeja-o com pompa (pelo menos enquanto ali estive). No entanto, não votaria pala construção de um sambôdromo única e simplesmente para que a soma a despender fosse atribuída a outras prioridades.

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  2. S.Vicente sempre teve mania de grandeza!

    Nas cidades portuguesas (e europeias) onde o Carnaval é um tradicional folguedo, por exemplo, Ovar, Torres Vedras,Funchal, Figueira da Foz, etc . E,certamente com um orçamento superior ao de S. Vicente, não precisam dessa bazofaria de sambódromo! Carnaval é na rua... sempre foi!

    Já agora, e porque não, também uma pista para corridas Formula I?

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  3. Mais alienação. Carnaval tornou-se o ópio daquele povo que merece o que está a acontecer. Eu já estou enjoado de tanto Carnaval.

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  4. Seria interessante se fosse "coladeiradromo"...pelo menos mais original, menos cópia que é, regra geral, sempre inferior ao original. A ilha de São Vicente, terra de engraçadas, satíricas e bem humoradas coladeiras, bem que podia homenagear este tipo de música tão nossa e que se adapta bem ao espírito carnavalesco...ainda que com sambas e marchinhas já tradicionais do carnaval mindelense.

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