terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

[3549] O veleiro "Primos". Ele, em fotografia, sua venda, feita a partir de Lisboa, com o pescador farense Manuel Manjua e a sua casa pelo meio

A investigação centra-se na descoberta pura e simples de factos isolados mas também (e aí está o maior gozo dela) na relação entre descobertas que possa produzir nova luz.

Pd'B apresenta hoje a ligação entre três imagens que só ontem foi concluída, ao fim de muitos e muitos anos de procura (melhor dizendo, décadas).

Mostremo-la, por passos:

1 - Ver AQUI uma foto de festa do 8.º aniversário da menina de bandolete (filha do então cabo-de-mar da Capitania dos Portos) que decorreu no terraço da casa da sua amiga Manuela Manjua (era o 2.º e último andar do prédio), algures na morada, onde se podem ver pelo menos três figuras nossas conhecidas. Por exemplo, o famoso Djack d'Cuptania (o sport lá atrás), a ainda mais famosa miss jovem de Cabo Verde de 1973, Manuela Manjua (a menina de tranças à sua frente) e a hoje famosíssima Tété Alhinho, cantora de créditos firmados, nacional e internacionalmente (em baixo, à esquerda). Passa-se a coisa exactamente em 13 de Janeiro de 1963. Os anos sucedem-se, a memória esbate-se em alguns aspectos e quando o Djack regressa a São Vicente em 1999 e quer ver essa casa onde entrou tantas vezes, não dá com ela. Isto é, já não se lembra se fica na Rua de São João, se na de Sá da Bandeira (hoje de Moçambique), da Luz, da Moeda ou na Suburbana, embora se recorde que na rua a casa ficava do lado esquerdo de quem entra nela, vindo da Praça Estrela. Como curiosidade, os japonas dos marus atuneiros alugaram o 1.º andar do prédio para arrumos de apetrechos de pesca e outros materiais, como bonés, chinelos de sola de madeira, oleados, etc. De modo que quando o Djack subia ou descia a escada, havia sempre pescadores a entrar e a sair, com tralha pesqueira às costas ou nas mãos. Daí que ainda tenha apanhado um boné com um desenho de roda de leme e uns chinelos que faziam toc-toc no empedrado do Mindelo e que eram resistentes que se farta..

2 - Um dia, muito anos mais tarde, alguém cedeu ao Djack várias fotos de veleiros cabo-verdianos, entre as quais vinha esta, onde se designava o barquinho como "Primos" (ver também AQUI e AQUI). Estranhou o rapaz vê-lo atracado ao cais acostável - que ele conheceu acabado de inaugurar - mas não reconhecer a embarcação. E logo considerou que o "Primos" chegara ao Porto Grande depois de ele, Djack, ter tido a sua hora di bai. Mas...

3 - Ontem, ontem mesmo, a relação foi enfim concretizada, com a descoberta do anúncio que aqui segue. É ele de 13 de Março de 1969, publicado em "O Arquipélago". E lá observamos não só o endereço de Manuel Manjua como a curiosidade de ter ele estado provavelmente na origem da venda do "Primos" a armador cabo-verdiano que desconhecemos (pode ser que um dia...). E o endereço de Manjua, pescador da Frigorífica (natural de Faro, Portugal), homem de grande sabedoria marítima e piscatória e que deu a Cabo Verde uma misse, vem não só com nome de rua como ainda por cima, número de porta... Assunto enfim resolvido, tudo arrumado! Tudo, tudo, não: o apelido do senhor era "Manjua" e não "Manjoa", seu gráfico destrambelhado!!!

E já agora, a lisboeta Rua Heliodoro Salgado (a da residência de João Inácio Grelha, homem com raízes algarvias) cruza com a Rua de Cabo Verde, no chamado Bairro das Colónias... Coincidências!...


11 comentários:

  1. Grande post, Djack. Grande "esgrovetadura", rapaz! Esse nvizim não é já do meu tempo de Cabo Verde, mas julgo que o PdB já o tinha feito lançar ferro na praia da nossa afeição. Eu só gostaria de saber onde foi construído este nvizim de pau. De pau, sim, mas bem apetrechado, a avaliar pelo relato.
    Agora vou de ter de sair mas logo volto de novo porque tudo o que é nvizim de pau me encanta, quase me fazendo perder a boa compostura.

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    1. Só te perdoo, porque declaraste que viste aqui rapidamente e vais voltar mais tarde. Nessa altura, vai ver os AQUI e obterás resposta à tua pergunta "genética". O Pd'B não só esgroveta o que está mais ou menos à vista como o que está gatchóde, para que os seus visitantes tenham a papa feita.

      Braça sempre de lupa na mão,
      Djack

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  2. Eu assisti, com mágoa, em meados dos anos 90 o seu afundamento com auxilio dum rebocador ao largo do porto da Praia, ilha de Santiago a mando do Capitão dos Portos uma vez que devido ao seu estado de degradação poderia afundar junto ao cais.
    Tinha aparência do Gavião dos Mares mas este de menor estatura. Eles faziam parte duma frota que faziam a ligação entre as Ilhas de carga e passageiros e, não se ouvia falar de falta de barcos, ao contrario de agora, o que levou este Governo a lançar, veja só, um concurso INTERNACIONAL, para transporte de cargas e passageiros.
    Um abraço de Anedota

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    1. Era garantido o Zeca juntar mais umas informações à história deste veleiro. É assim que se vai construindo um pouco da memória das ilhas, guardada aqui no Pd'B, para quem a quiser conhecer.

      Braça agradecida,
      Djack

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  3. Pois é, Djack, fui com a cara metade ao lar visitar a sogra, mãe dela, e cá estou de novo.
    O primeiro AQUI mostra os mnins fotografados no terraço, com o Djack de Cuptania em grande estilo e com aquele ar “busod” bem disfarçadinho mas que não enganava ninguém.
    Os dois AQUI seguintes são uma maravilha. Está lá tudo o que foi nvizim que escalou o porto de Leixões a partir de 1926. Coisa de encantar quem, como eu e o Djack, e se calhar mais alguns dos nossos visitantes, fica sem fôlego a olhar para estas maravilhas feitas de pau e que se deslocam graças à força do vento.
    Está lá na lista o lugre Santa Maria Manuela, que foi reconstruído não há muitos anos.
    Está lá um palhabote de nome Santa Luzia, que não sei se é o que conheci em Cabo Verde. Pelo menos, tinha este nome, a menos que a memória me esteja a pregar uma grande partida.
    Na categoria de lanchão, estão lá o Manelica, o Primos e o Gavião dos Mares, todos eles “cabo-verdianos”. No Gavião viajei para S. Antão por volta dos meus 16 anos.
    Tens razão, Djack, está lá tudo, rapaz. Diz lá que o lanchão-motor PRIMOS, 27,67m/108,58tb, foi “construído em 1946 por António Geraldo, Faro, para Leonel Rosa Agostinho, Faro, saindo a barra do Douro, década de 60. / (c) foto de Rui Amaro”. Copiei ad litteram.
    Vamos aguardar por mais comentários. Voltarei de novo.

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    1. Nesta categoria tambem o GILICA mais antigo e o VITORIOSO mais recente, tiveram o seu registo eu São Vicente. O mesmo se pode dizer com o BITA que mais tarde modou de nome SANTA MARIA

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  4. A propósito da fotografia que está no primeiro AQUI, e onde figura a Manuela Manjua, no concurso de há uns anos em que se perguntava quem era quem,fui eu o vencedor e angariador da acácia. E sabem porquê? Porque uma priminha minha que era amiga de peito da Manuela, Miss Cabo Verde,soprou-me tudo aos ouvidos. Nem mais! E assim se ganham ramos de acácia, ahahahah. Isto é, sem batota.

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    1. Como já disse, nos concursos do Pd'B vale tudo. Aliás, devem ser os únicos no mundo, assim. No mundo e arredores, incluindo nesses arredores... a Praia de Bote (lugar do outro mundo, claro).

      Braça concursal,
      Djack

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  5. Parabéns ao Djack pela descoberta! De facto, a investigação é apaixonante e estabelecer elos de ligação entre descobertas ainda mais! Viva!

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    1. Exacto! E já me chateava andar há tantos anos sem saber em que rua estava a casa. Não que isso tenha qualquer utilidade, mas era um enigma que me incomodava - sobretudo tendo eu tantas memórias dessa época e falhar-me essa. Mas, pronto, está o caso "policial" encerrado, ahahahaha, à conta de uma mera visita a "O Arquipélago".

      Braça com pliça d'staçom,
      Djack

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    2. Temos é de descobrir onde anda a Manuela Manjua para ela vir ao PdB.

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