segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

[4704] Um poema inédito de Carlota de Barros dedicado à saudosa Celina Pereira (ver post 4690)

No rescaldo da recente morte da cantora boavistense Celina Pereira, a poetisa Carlota de Barros (natural do Fogo) escreveu este poema que simpaticamente nos enviou e que temos o prazer de reproduzir no Pd'B. Ver AQUI post 4690.


ADEUS CELINA


Gerado na saudade

meu pensamento hoje

tece em silêncio palavras

bordadas a prata e 

cerzidas de ternos sorrisos

para me despedir de ti  Celina

minha eterna Diva.


Que melancolia fininha esta

que flui em tristes sorrisos

e adormece no meu poema 

onde ouço a tua voz cristalina 

cantar-me Avé-Maria do Morro 

e Força de Cretcheu 

onde antes foste música 

no Palácio de brilhos 

entre luzes, espelhos

e tantas vozes amigas

para o meu Sonhu Sunhado ?


Efémera é a vida   Celina 

mas os instantes que juntas vivemos

foram eternos para te recordar hoje

com o pensamento gerado 

nesta saudade que tanto me entristece

e que tento fazer dela música  só música

para te dizer um adeus como sempre te vi

entre a alegria do canto e a vibração 

de um violão ou as fantasias das teclas 

de um piano mágico.


Adeus Celina.

Viverás sempre alegremente onde houver

etéreos pianos   violas  vilões ou violinos

e crianças seguindo-te de olhos deslumbrados

entre contos fascinantes e trinados cativantes.


Onde houver música e crianças ver-te-ei sempre

minha eterna Diva de Avé-Maria do Morro

nas tuas longas vestes africanas 

de olhos verdes luminosos

enviando beijos crioulos 

aos teus amigos mais amigos.


Adeus Celina   

minha eterna Diva de Força de Cretcheu.


Carlota de Barros

Lisboa, 18 de Dezembro de 2020

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