Hoje estamos em 1963, 64, 65 ou talvez até em 1968 e vamos comer chuinga. Para os leigos, fica a informação de que "chuinga" é deliciosa corruptela crioula de chewing gum.
E onde a iremos comprar? Bem, vejamos, em muitos sítios do Mindelo mas já que estamos a caminho do Liceu Gil Eanes, o melhor local para a adquirir situa-se na Rua de Lisboa, da direita, junto ao plurim (o mercado municipal). Há sempre ali uma ou duas mulheres com o seu balaio cheio de guloseimas, mas as melhores, para além das sucrinhas são mesmo as chuingas Dandy.
E porquê as melhores? Porque cada embalagem vem acompanhada de um quadradinho em plástico com 1,5cm de lado, com imagem. Aqui se mostram seis, os que sobreviveram a meio século de andanças, guardados no nosso arquivo de Cabo Verde. Temos uma cena de twist, uma menina a dançar com arco, um palhaço a fazer malabarismos, um gato a tocar violino à luz da Lua, um índio a remar na sua piroga e um cow-boy a domar um cavalo selvagem. Particularidade assombrosa, fazia-se ondular o quadradinho e as imagens mexiam-se devido às estrias existentes na pecinha. Lembro-me que o gato, que eu não conseguia obter de maneira nenhuma, foi trocado com um miúdo da Praia de Bote por um pedaço de lente de farol que rapinei na Capitania...
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| Twist twist |
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| Ilusão de movimento por oscilação do plástico |
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| Gira o arco |
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| Ilusão de movimento por oscilação do plástico |
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| Palhaço, palhacinho |
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| O verso do quadradinho do palhaço |
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| Travadinha felino |
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| O verso do quadradinho do gato |
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| Remando na América índia |
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| Ilusão de movimento por oscilação do plástico |
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| iiiiiiiiiiiiioooooooooo |
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| Pastilha Dandy de tempos recentes |
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| O logótipo da Dandy |
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| Embalagem das pastilhas com figuras (versão de 1968 e anterior, a dos quadradinhos) |
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| A escala |
Embora a fábrica seja dinamarquesa (nascida em Vejle, em 1915), a referência que encontrei no verso de dois dos quadradinhos (o texto no verso dos outros desvaneceu-se) foi a de que havia patente nos EUA.
Em 2002, a Cadbury-Schweppes adquiriu a empresa à família Bagger-Soerensen, numa altura era a quarta produtora mundial de pastilhas elásticas.
Seja como for, o que é um dado adquirido é que os miúdos cabo-verdianos (até o mandronguin Djack) e muitos adultos das ilhas contribuiram para o progresso da Dandy. Aqui fica o registo e os meus seis bonequinhos. O papel de embalagem, encontrei-o na Internet, pois não fiquei com nenhum.
Agora resta-nos ir ao plurim e dizer: Senhóra, m'crê um chuinga!...
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