quarta-feira, 25 de julho de 2012

[0223] CHUINGA, CHEWING GUM, BUBBLE GUM OU PASTILHA ELÁSTICA, TUDO A MESMA COISA

Hoje estamos em 1963, 64, 65 ou talvez até em 1968 e vamos comer chuinga. Para os leigos, fica a informação de que "chuinga" é deliciosa corruptela crioula de chewing gum.

E onde a iremos comprar? Bem, vejamos, em muitos sítios do Mindelo mas já que estamos a caminho do Liceu Gil Eanes, o melhor local para a adquirir situa-se na Rua de Lisboa, da direita, junto ao plurim (o mercado municipal). Há sempre ali uma ou duas mulheres com o seu balaio cheio de guloseimas, mas as melhores, para além das sucrinhas são mesmo as chuingas Dandy.

E porquê as melhores? Porque cada embalagem vem acompanhada de um quadradinho em plástico com 1,5cm de lado, com imagem. Aqui se mostram seis, os que sobreviveram a meio século de andanças, guardados no nosso arquivo de Cabo Verde. Temos uma cena de twist, uma menina a dançar com arco, um palhaço a fazer malabarismos, um gato a tocar violino à luz da Lua, um índio a remar na sua piroga e um cow-boy a domar um cavalo selvagem. Particularidade assombrosa, fazia-se ondular o quadradinho e as imagens mexiam-se devido às estrias existentes na pecinha. Lembro-me que o gato, que eu não conseguia obter de maneira nenhuma, foi trocado com um miúdo da Praia de Bote por um pedaço de lente de farol que rapinei na Capitania...

Twist twist

Ilusão de movimento por oscilação do plástico

Gira o arco

Ilusão de movimento por oscilação do plástico

Palhaço, palhacinho

O verso do quadradinho do palhaço

Travadinha felino

O verso do quadradinho do gato

Remando na América índia

Ilusão de movimento por oscilação do plástico

iiiiiiiiiiiiioooooooooo

Pastilha Dandy de tempos recentes

O logótipo da Dandy

Embalagem das pastilhas com figuras (versão de 1968 e anterior, a dos quadradinhos)

A escala

Embora a fábrica seja dinamarquesa (nascida em Vejle, em 1915), a referência que encontrei no verso de dois dos quadradinhos (o texto no verso dos outros desvaneceu-se) foi a de que havia patente nos EUA.

Em 2002, a Cadbury-Schweppes adquiriu a empresa à família Bagger-Soerensen, numa altura era a quarta produtora mundial de pastilhas elásticas.

Seja como for, o que é um dado adquirido é que os miúdos cabo-verdianos (até o mandronguin Djack) e muitos adultos das ilhas contribuiram para o progresso da Dandy. Aqui fica o registo e os meus seis bonequinhos. O papel de embalagem, encontrei-o na Internet, pois não fiquei com nenhum.
Agora resta-nos ir ao plurim e dizer: Senhóra, m'crê um chuinga!...

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12 comentários:

  1. O "mandrunguim" Djack viveu numa época mais avançada onde já deviam ter sabido a solução para descolar o "chuïnga".

    No meu tempo, era horrível porque, depois de mastigarmos até não haver mais sabor, as coisas viravam para o torto, para "mufneza" que consistia em apanhar o parceiro despercebido e colar a goma no cabelo dos rapazes.

    A brincadeira por vezes dava queixa aos pais porque para se retirar a "catchaporra" tinha-se de cortar a parte do cabelo atingido.

    Imaginem !!!

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    1. O regressado Adriano já respondeu. Portanto...
      Mas de facto era assim, ainda nos meus dias de Gil. Felizmente nunca me aconteceu. E nos bancos, quer do Liceu quer da pracinha do mesmo, por vezes também havia quem fizesse essa partida. Jamais aqui o Djack que não achava piada nenhuma a isso.

      Braça,
      Djack

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  2. Afinal, o chuinga e internacional, pois em toda a parte do mundo, salvo raras exceçoes ( nao escrevo excepçoes) ele e mastigado. Acrescento para a lista que o Djack apresentou, o kauwgom, como se diz em holandes.Kauw=mastigar gom=borracha.
    Interessante, Djack e nos vivemos contigo essas qds, lembranças.
    Nita

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    1. Espero que tenhas comprado muitas lá no plurim quando ias com a tua mãe às compras. A colecção era bem mais vasta, mas ficaram estes seis exemplares que resistiram.

      Braça (ou een knuffel)
      Djack

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  3. Admiro o precoce espírito de método, organização e sistematização do nosso Djack, que o levou a preservar e a guardar para a posteridade as mais diversas lembranças da sua meninice em Mindelo. É preciso não esquecer que ele era então um "mocim", numa idade em que se virava mais facilmente para as diabruras do que para coisas sérias. Falo por mim.
    Adé, Val, essa chuinga no cabelo saía facilmente com "pitrol". Ou será que estou enganado?
    Mas falar de "chuinga" é recordar também o Mitchel, que os vendia em regime embulante, juntamente com chocolate, drops e tabaco americano. Sobre ele, o Zizim escreveu uma das suas últimas crónicas, por sinal a meu pedido.

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    1. Viva o regressado Adriano!!!!!!!!!!!!

      Cheirei estas linhas e tresandam a Cabo Verde. Queremos novidades e fotos fresquinhas que aqui serão publicadas com toda a pompa e circunstância.

      O Mitchel, se o conheci, não me recordo dele. Mas o material era esse mesmo. Contudo, falta um extremamente importante: os toffees. Aquele caramelo que se metia nos dentes e nunca mais saía, o que era uma enorme vantagem para o saudoso Dr. Aníbal Lopes.

      Um grande e invejoso abraço,
      Djack

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  4. Estive agora a pensar e acho que percebi melhor a questão da patente USA. A patente não tinha nada a ver com as pastilhas mas sim com o sistema de movimentação das imagens. Tratava-se de um papelinho normal que se colava por baixo do quadradinho de plástico que na face colada ao papel era liso mas na de cima era estriado. Por isso, quando o fazíamos oscilar, parecia que as imagens mexiam.

    Os dinamarqueses utilizaram o processo mas por questões legais tiveram de colocar a patente americana.

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  5. Eu sou mais fã da Chiklets (Adams) em caixinha com uma janelinha transparente e em pastilhas rectangulares...Depois de "comer" duas ou três, a caixinha dava para dar ritmo às coladeiras, da mesma forma que os brasileiros usam as caixas de fósforos para o samba...Mau grado, no entanto, nunca fui grande "chuingador"mas apanhei com algumas na cabeça...Como lembra o amigo Adriano, a chuinga era (não sei se aínda o será) solúvel em petróleo...Quem quer um pouco de ciré?

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    1. O PRAIA DE BOTE, actualmente, pouca chuinga gasta. Do que ele gostava mesmo era de trincar um pedaço de monftchóde, mas nas suas idas a CV nunca apanhou o dito material, excepto uma vez em Santo Antão. No Porto Novo viu uma velhota a vendê-lo, mas era tão asqueroso e tinha tantas moscas por cima plantadas e a voar que não teve coraja.

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  6. O João Manuel Nobre de Oliveira não conseguiu entrar neste post, mas aqui fica a sua colaboração que enviou por email:

    Isto lembra-me a minha infância na Assomada. Coleccionava estes bonequinhos e trocava com os meus amigos. E tenho algures um álbum de cromos, de actores, claro. Comprávamos "chuingas" a mais para ter a colecção completa. Coisa impossível. O que nos valia eram as trocas.

    João Nobre de Oliveira

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  7. O que sabe na munde! Como o Adriano eu tambem admiro o mandronguinho Djack, que, com tao terna idade mostrou a sua grande capacidade de observaçao( logo que desembarcou no Mindelo) e registo dos factos que estao vindo a tona no Praia de Bote. Eu tambem gostava mais dos chiklets que o Zito mencionou. E era dvera que chuinga na cabel so pitrol para tral sem necessidade de cortal.
    Nita

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  8. Amigos,
    Contei a estôria de "chuinga na cabele" mas acreditem que o vosso amigo nunca fez isso. Antes de pensar fui prevenido que se atrevesse teria uma correcção que consistia, geralmente, em uma palmada no rabo e a mão do meu pai nesse lugar era mais humilhante que três latadas da mãe.
    Fui, sim, vitima da brincadeira e, efectivamente, fui socorrido com petrôleo. Mas antes desconhecia-se isso.
    Até a proxima "terrbeza"
    Braça
    V/

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