Simples e directo: quem é, quem é? Pessoa de cultura e da cultura, mindelense de gema, não suportava a chuva nem os ciclones... Mas "adorava" canja. E mais não dizemos. Encerramento do concurso, amanhã, pelas 22h00.
Simples e directo: quem é, quem é? Pessoa de cultura e da cultura, mindelense de gema, não suportava a chuva nem os ciclones... Mas "adorava" canja. E mais não dizemos. Encerramento do concurso, amanhã, pelas 22h00.
Resolução: Trata-se, com efeito do escritor Manuel Lopes, isto é...
Confessamos que as duas pistas não eram das mais bem conseguidas, mas era difícil dar outras que não indicassem logo quem era o desconhecido. No primeiro caso, o que nos interessava dizer era a palavra "chuva", mas juntamos-lhe a nota de que o dito não a suportava nem aos ciclones. O que de algum modo apontava para "chuva forte" ou... "Chuva Braba", título do seu primeiro romance. Mas má pista, má mesmo, era a da canja, embora com um fundo de verdade e tinha a ver com o "Galo cantou na baía", conto do seu livro (de título homónimo), de 1959. Lembremos que o galo consubstanciava uma oferta à esposa do contrabandista de grogue, apanhado em flagrante pelo alfandegário mornista...
Quanto à foto, deve ser a primeira ou pelo menos uma das mais antigas do autor, divulgadas publicamente. Aconteceu isto no "Almanaque de Lembranças " de 1928, teria Lopes cerca de 21 anos (nasceu em 1907) e a reprodução que oferecemos à perspicácia dos nossos visitantes surge em "Almanaque de Lembranças - 1845-1932", compilação de Gerald M. Moser (Leipzig, Alemanha, 1915 - Penn State University, EUA, 2005), professor de Línguas e Literaturas Românicas (Português e Espanhol) na Pennsylvania State University, EUA e autor de vasta bibliografia, muito interessado pela literatura de Cabo Verde, entre a qual, por exemplo, a valiosa compilação de textos africanos saídos neste almanaque, ed. ALAC, Linda-a-Velha, Portugal, 1993, onde se encontra muito material em prosa e poesia de origem cabo-verdiana dessa época.
Acontece que talvez tenhamos metido água na origem do escritor (ou não, sabe-se lá...). Um artigo da Wikipedia di-lo natural de São Vicente (texto em português, havendo outro em inglês que também o coloca nascendo na mesma ilha) e que se chamava Manuel António de Sousa Lopes (ver AQUI). O nosso amigo Brito-Semedo, pessoa insuspeita em termos de exactidão de dados, dá-o como Manuel dos Santos Lopes e fá-lo nascer em São Nicolau (ver AQUI). E a notícia da sua morte, na RTP, em 26 de Janeiro de 2005, assume a dúvida: "nascido a 23 de Dezembro de 1907, no Mindelo, ilha de São Vicente, há quem no arquipélago defenda que o autor nasceu na ilha de São Nicolau" (ver AQUI). Esta história dos nomes, que tem ponto alto em Baltazar Lopes / Baltasar Lopes / Baltasar Lopes da Silva, continua com Manuel Lopes, por exemplo, no seu "Falucho Ancorado", livro de poesia de 1997, em que nos é apresentado como Manuel Santos-Lopes.
Resumindo, e concluindo: a Ondina não foi peremptória e não disse "É fulano, ponto final." Hesitou entre Manuel dos Santos Lopes e o inesquecível Nhô Djunga, mas como o concurso foi uma desgraça por parte da entidade promotora (que nos perdoem os nossos patrocinadores Coca-Cola, Microsoft e Ferrari) ela merece de todo e sem favor o ramo de acácia. O Valdemar, ainda o avisámos, mas ele não nos ligou nenhuma: pensou Manuel Lopes mas escreveu Manuel Ferreira e depois do nosso alerta não emendou. Azar... Portanto, daqui a segundos, iremos actualizar o Hall of Fame e prometemos não dar barraca nos próximos concursos. Honestidade, dixit!

















