sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

[0156] A pozolana...

Vinha de Santo Antão, em sacos azuis, com o mesmo feitio dos de cimento. Temporariamente, ficavam depositados no cais acostável do Porto Grande. Muitos, em pilhas enormes, prontos para a exportação. Eu usei-os como brincadeira, subindo por eles acima, quando se postavam em degraus. Amigos meus, de pele mais escura que a minha, mascaravam-se de "bronque", espalhando o dito pó, extraído de alguns que se rasgavam, pelos seus corpos.

Depois, os sacos desapareciam, carregados em barcos que os levavam para a Europa, talvez até para partes de África, sabíamos lá nós para onde. E algum tempo a seguir, apareciam outros, vindos da ilha vizinha, a pedreira... Era a pozolana, uma rara riqueza de Cabo Verde.

Notícia de Novembro de 1966
Diz dela a Wikipédia:

Pozolana, ou pozzolana (do italiano pozzolana ou pozzuolana), nome derivado da localidade italiana de Pozzuoli, nas imediações do Vesúvio, onde é encontrada em cinzas vulcânicas conhecidas por cinzas pozolânicas ou pumicite. Embora a designação se tenha alargado a materiais produzidos industrialmente, ou derivados de cinzas volantes de processos de queima industrial, na sua origem as pozolanas são rochas de origem vulcânica, constituídos por uma mistura mais ou menos homogénea de materiais argilosos, siltes e areias, com maior ou menor agregação, resultantes da alteração pelos agentes atmosféricos de materiais vulcânicos ricos em sílica não cristalina, com destaque para a pedra-pomes. Devido à sua riqueza em silicatos vítreos, as pozolanas são consideradas rochas sedimentares de natureza ácida, contendo um elevado teor de sílica reactiva (SiO2), capaz de reagir com o óxido de cálcio (CaO), dando origem a silicatos amorfos de carácter cimentante. As pozolanas mais comuns são de cor clara, mas em função dos óxidos metálicos que contenham podem ter colorações que variam desde o esbranquiçado até ao cinzento-escuro, incluindo variedades avermelhadas e rosa. A pozolana é um dos componentes do cimento utilizada na preparação de argamassas pozolânicas, misturada com água e cal hidratada, melhorando as características dos betões e permitindo a sua utilização dentro de água. (...)

5 comentários:

  1. Há momentos que ficam marcados na nossa memória como no dia em que ouvi, casualmente, o sr. Júlio Bento Oliveira falar desta descoberta na Ilha de Santo Antão. A conversa não era comigo mas tinha de ouvir tudo pois se passou entre ele e o "Dôfia" ou seja Alfredo Marques da Silva, seu amigo e sócio no Éden Park.

    O homem falava com tanto entusiasmo como se tivessem encontrado a mina de ouro que havia de transformar Cabo Verde. Explicava vàrias aplicações, misturava a puzolna com cimento e fazia construções que projectava. Nunca lhe faltava ideias. Estou certo que se tivesse condições havia de fazer muito mais ainda do que fez.

    Muitas vezes, enquanto trabalhava, ele ia formulando transformações e construções. Entre outras, lembro-me de uma piscina que pretendia fazer, por trás do sitio onde construiram o miradouro Craveiro Lopes mas, pergunto-me se daria certo o seu intento que era esvazià-la regularmente pelos esgotos da cidade que faria antes.

    Julim Oliveira foi um verdadeiro "batisseur" e, como também César Marques da Silva, devia estar na toponímia do Mindelo. Ganhou (ganharam) este direito que lhe(s) foi recusado quando alargaram a cidade e davam nomes a torto e a direito a ruas que apareciam.

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  2. Aqui em cima está mais um pedacinho da memória sanvicentina arrancada do olvido pelo nosso sempre douto Monsieur Valdêmarrrrrrrrr.

    Um braça para ele, do amigo
    Djack

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  3. O Praia de Bote relembra-nos mais um importante facto da vida do arquipélago e a sua divulgação será certamente muito útil para as gerações mais novas. Eu sou contemporâneo do início da exploração da pozolana e lembro-me bem da azáfama da sua descarga no cais de S. Vicente, como conta o Joaquim e o valdemar complementa com detalhes deliciosos.
    Eu só gostaria de saber por que cessou a sua exploração. Extinguiu-se o filão ou as tecnologias de construção derrogaram a especificidade do seu interesse? Pergunto porque simplesmente não sei.

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  4. Eu tinha questões a colocar mas o amigo AML antecipou-se. Espero que alguém lhe respoda...É que eu também sou contemporaneo da "dcescoberta" da pozolna que, alias, creio que aínda chegou a ser utilizada na construção da primaira fase do cais acostável do Porto Grande, como seria, mais tarde, no porto de Vale de Cavalos, no Fogo.
    Zito Azevedo

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  5. De facto a Posolana é um dos puocos recursos Naturais que possuimos em Cabo Verde, particularmente em Porto Novo Ilha de Santo Antão.
    Eu lembro-me perfeitamente daquela época, dos anos 60,quando terminaram as Constuções dos Cais do Porto Grande, e Porto Novo, a Pozolana era de facto embalado em sacos mais pequnos que os habituais de Cimento, e Embarcados em navios como Guarda, Covilhã, da sigla SG, talves para Lisboa ou Luanda não sei bem. Ouvia dizer que era um Excelente material para Obras Hidraulicas.
    Apos a Independência do País o Governo da altura tentou divulgar a utilisação da Pozolana, fasendo a mistura de aproximado de 1/3 com 2/3 de Cimento Portlad importado, ao que tudo indica com excelente resultados na construção de diques e outras obras de correção torrencial executadas particolarmente na Ilha de Santo Antão. Isto tudo portanto ao nível do Estado, porque ao nìvel do privado houve sempre alguma resistência, porque esta mistura da forma como era feita (artesenal) não dava garantias.
    Contudo, depois da mudânça do Regime,e com a abertura da Economia ao sector Privado, procuruo-se varios parceiros Internacionais para conjuntamento, com nacionais, desenvolvesen a exploração duma Cimentaria em Porto Novo.
    Levaram muitos anos com estudos Tècnicos e de viadilidade Economica, até que um investidor Italiano do sediado na Ilha do Sal resolveu pegar no projecto e construiu uma fabrica de cimento "CABOCEM", e a mais de cinco anos vêm produzindo Cimento pozolanico em Santo Antão. Importam Cimento Portland e fezem a mistura com a Pozolana duma forma mais industrial.
    Espero ter de alguma colaborado,para o esclarecimento da Pozolana em Porto Novo.
    UM ABRAÇO; DE ZECASOARES

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