segunda-feira, 13 de agosto de 2012

[0234] A HISTÓRIA DA ÁGUA EM SÃO VICENTE, UM VALIOSO PATRIMÓNIO DE ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL DESPREZADO

Do nosso estimado colaborador Zeca Soares (já o podemos considerar assim, em virtude de alguns muito bons materiais que nos tem enviado), recebemos estas fotos e o texto que se segue. Ao Zeca, o nosso agradecimento, em nome dos que amam o Mindelo e São Vicente.



«O abastecimento de água à ilha de São Vicente sempre teve uma história, mas existem pessoas que insistem em apagá-la, ou a minimizá-la, não lhe dando o seu divido valor. Quem não recorda das filas de mulheres da Vascónia e do Madeiral, da Ferro & Companhia, dos fontenários espalhados pelos subúrbios de Mindelo, da JAIDA?


A cidade do Mindelo foi pioneira na história da dessalinização em Cabo Verde. As fotos aqui apresentadas são dos dois "monstros" que fazem parte integrante dessa História. Vemos as duas caldeiras, agora sem as respectivas chaminés, componentes principais da primeira Instalação de Dessalinização de Água, instalada na Matiota há 40 anos, e que estão a ser ou já foram vendidos como ferro velho.Tanta falta de dinheiro!!! Deixo ao Praia de Bote, Campeão da História desta Ilha, a sua consideração.»

É de facto lamentável este desprezo pela arqueologia industrial e pela história da água, um dos bens mais raros em Cabo Verde e em São Vicente. Assim se vai perdendo um património insubstituível que, sendo estimado, poderia produzir dividendos em termos de turismo. Juntamos três imagens, já divulgadas no PRAIA DE BOTE, que ajudam a relembrar a história da água na nossa ilha: duas da medalha comemorativa do nascimento da dessalinização; e uma da fila de mulheres que iam adquirir água na Vascónia da Ferro & Companhia aqui pertinho da nossa PRAIA DE BOTE.

Foto eBay


Foto eBay
Foto de Narciso Silva. Só se vislumbra um pedaço da parede da Ferro & Companhia mas vê-se toda a fachada da "Staçon" e ao fundo a Shell. À direita não podemos observar o "plurim d'pêxe" mas nota-se parte da antiga serração de um madeirense.

6 comentários:

  1. Lembro-me, muito bem, desde que morei na Rua de Senador Vera-Cruz e na Rua de Lisboa, que havia sempre duas águas em casa: uma para lavar e outra para beber e cozinhar...Vascónia e Madeiral, à cabeça das pobres mulheres, em latas de, salvo erro, 25 litros...Mais tarde, já eu morava na Rua da Luz, num primeiro andar de um prédio que pertencia à Adega do Leão, e havia água canalizada da Jaida o que não evitava o depósito de 3.000 litros que a empresa de camiões tanque do amigo Alhinho mantinha sempre abastecido...Só assim era possivel tomar três duches por dia!

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  2. Importante informação e documentação o Djack nos trouxe sobre este magno assunto da água em Cabo Verde. Confesso que é a primeira vez que vejo a foto de um dos primeiros dessalinizadores.
    O Zito tem razão quanto aos duches. Na minha última visita, em Julho, tínhamos de tomar 3 por dia. À conta disso, esvaziámos o depósito e felizmente que só foi na véspera da nossa partida de regresso, pois o reabastecimento não estava à mão de semear. Assim, tivemos de ir tomar banho e fazer outra higiene na casa do meu primo, que ficava no andar de cima. O apartamento em que ficámos era dele.

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  3. Feliz de quem ficou e de tantos duches por dia. Não sou do tempo dos dessalinizadores. Portanto desconhecia estas caldeiras.
    No meu tempo a àgua vinha do Telegraph que no-la fornecia. Os barquinhos forneciam o precioso liquido do Tarrafal de Monte Trigo atravez de um "pipe line" que ia do Cais da Miller's para a WTC e a criada ia buscà-la na célebre "latinha d'pitrol" de 25 litros (em 2 ou 3 voltas). Jà para as lavagens tinha de ser a àgua do Madeiral. Conhecem o cenàrio, nê devera?

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  4. O autor diz, e ao fundo a Shell mas não, é Miller & Cory ou Core como se dizia antigamente linda esta fotografia adorei as minhas desculpas por esta ousadia.

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    1. Caro José Lima,

      Agradeço a colaboração, mas a seguir ao plurim d'pêxe, à serração de madeiras e ao caizim (e do lado esquerdo, a seguir à staçom d'pliça) tenho quase a certeza que era a Shell (depois ENACOL), tanto mais que o cais junto aos depósitos de combustível era o "Cais da Shell". Mas já passou tanto tempo que há sempre alguma possibilidade de estar enganado.

      Apareça sempre, pois será bem-vindo e receba um braça,
      Djack

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  5. Cadê o museu da água. S. Vicente tem história para contar e coisas para mostrar, mas a impressão que fica é que não ligam a nada, não valorizam o que é nosso.

    Matrixx

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