segunda-feira, 10 de setembro de 2012

[0244] AINDA E SEMPRE, A ÁGUA EM CABO VERDE - NESTE CASO, NA ILHA DE S. VICENTE, EM 1954

Depois da chuva e de muitas conversas através do gmail de colaboradores do PB entre si e com amigos sobre o quase inexistente aproveitamento do precioso líquido em S. Vicente, aqui vai este texto do nosso arquivo sobre o tema (Diário Popular, 27.Abril.1954, p. 9). Quanto ao resto, valha-nos S. Alhinho!...

O texto é longo (não valia reproduzi-lo todo para o efeito) e nele até se compara o caminho para a Baía das Gatas com S. Martinho do Porto... Ficará para outra ocasião.




NA ILHA DE S. VICENTE
Turismo e água potável
Problemas que requerem estudo sério e iniciativa consciente
(...)
S. Vicente, ilha sem água - A opinião de um técnico americano

A propósito de Turismo: a água potável. É fama, na ilha, que, além do Madeiral e de um ponto situado a norte de S. Vicente [?] não tem água potável; de aí, a necessidade de a trazer de Santo Antão. Mas será verdade que a ilha não pode viver sem água salinizada?

Em 1932, esteve em Cabo Verde, durante seis meses, um técnico americano (o dr. Alexander Lvowich Zemliakoff) que, depois de executar vários trabalhos de exploração na ilha de Santiago, por incumbência do Governo da Província [Amadeu Gomes de Figueiredo, nota do PB] - com resultados «muito apreciados», segundo confirmou o chefe de gabinete do Governador - foi a S. Vicente, com o mesmo encargo, chegando «à conclusão de que há água de boa qualidade» na ilha, «na proporção de 100 por cento de água pura, suficiente para abastecer a cidade e aplicar a outros fins de utilidade pública».

Um dos terrenos em que o dr. Zemliakoff localizou água é conhecido pelo nome de «Floresta Negra» [o PB nunca ouviu falar deste local... será apenas nome de propriedade?] cujo proprietário, senhor Joaquim João de Morais tem procurado, embora baldadamente, conseguir a exploração das nascentes, o que, representando benefício para si, não o seria menos para toda a ilha.

7 comentários:

  1. Nunca tive conhecimento do que diz o PRAIA DE BOTE sobre a água mas confirmo que Joaquim (Caquim) Morais morou na encosta esquerda (1a.casa) deste vale do Lameirão onde moravam igualmente dois agricultores que forneciam o Plurim de Virdura em hortaliças. A "Hortinha de Nhô Girolde" que, com a respectiva casa,é a mais próxima, com morouços, é a mais linda.
    O outro agricultor, o mais importante, chamava-se Nhô Zizim, pessoa que o Adriano Miranda Lima deve ter ouvido falar.
    O Vale era muito fértil.
    Pessoalmente passava as férias escolares e muitos fins de semana numa casinha que possuíamos, construída muito depois da foto (digamos no ângulo direito/baixo da mesma), num terreno cedido por Nhô Djedje da Rosa, pai que foi do célebre Dr. Rosinha e proprietàrio de bastante terreno nesse lugar.

    ResponderEliminar
  2. Tem graça que, ainda hoje, em mail emviado ao amigo Val, eu abordava essa saga da falta de agua em S.Vicente, enquanto desagua no mar, em grandes quantidades, sempre que chove...Depois de, no Domingo, ter ouvido e visto na RPT Africa a TV de C.Verde dedicar, no programa Nha Terra Nha Cretcheu, horas de programa às barragens feitas e a fazer (em S.Tiago...) creio que com a ajuda de Portugal, pergunto-me se S,Vicente tambem não tem condições orográficas para a represar as enxurradas da chuva de "morrê fógóde..."

    ResponderEliminar
  3. Atenção, amigo Val que a foto (postal ilustrado de diazá) é do Monte Verde. Era a imagem mais apropriada que eu tinha aqui à mão para ilustrar o texto, por ser em S Vicente.

    Braça,
    Djack

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo Djack,
      Obrigado pela chamada.
      Ê possivel que me tenha enganado mas tudo leva-me a crer que é o vale do Lameirão na parte que vai da cidade ao Monte Verde.
      A minha ideia foi de confirmar a residência do "Caquim" Morais, de que fala, e esses outros que ali se instaram por haver àgua certa quantidade de àgua durante o ano todo.
      A semelhança é enormissima.

      Eliminar
  4. Zito Azevedo
    È sabido que S. Vicente contem inúmeros vales por onde escorrem durante as cheias caudais impressionantes de água que poderiam e deveria ser retidos em vez de irem para o mar. O mesmo acontece nas outras ilhas de Cabo Verde. Se se pudesse reter um décimo desta água e a reutilizar já seria obra. De qualquer fazer uma barragem em S. Vicente é preciso fazer estudos de impactos diversos, nomeadamente ambiental, mas nem isso é se quer feito.
    O caso das inundações na baixa da cidade é um exemplo paradigmático na necessidade de obras de hidráulica tendentes a resolver este problema. Tem-se falado na construções de barragem nesta ilha, mas como percebes uma obra destas só poderá ser feita por quem tem amor a esta ilha ou seja um governo regional (mas quando). Esperar pelo governo Ah Calé, só Praia, pois a ilha condenada nunca.
    José F Lopes

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro amigo,
      Eu sempre ouvi dizer que "querer é poder" que eu até costumo traduir para "crer é poder!". Eu bem sei dos profundos e inumeros estudos que a construção de uma barragem exige, mesno descontando algum fundamentalismo dos chamados "verdes" (que alguem já chamou de "melancias" por serem verdes por fora e vermelhos por dentro...) e outros ambientalistas de vistas curtas ou encurtadas por um dogmatismo negativo como todos os dogmatismos. Mas, há por esse mundo fora milhares de barragens e represas fomentadoras de actividades produtivas capazes de melhorar substancialmente a vida dos povos...S,Vicente não pode ser uma excepção e se é mecessário endurecer a luta politica para conquistar direitos inalienáveis e fundamntais, pois que se endureça...O poder da razão não tem fronteiras: fazer com que ela vingue e vença a inércia do poder constituido é dever indeclinável de todos os sanvicentinos de nascimento, de alma, de coração! Que ninguem falre à chamada!

      Eliminar
  5. Achei muito interessante esse debate sobre a água em S. Vicente, assunto que o PB trouxe para aqui, lembrando-nos que algo poderia ser feito (a exemplo das ilhas Canárias) para a captação das águas das chuvas, quando elas caem! Hoje em dia tudo e possível e por que não, um estudo profundo por quem de direito que pudesse levar à captação da água, esse liquido precioso? Esperemos com paciência!
    Nita

    ResponderEliminar