terça-feira, 30 de julho de 2013

[0526] Uma banda militar no Mindelo de 1907. Rapazes aprumados, um luxo, na recepção a Sua Alteza Real o Príncipe D. Luís Filipe - COM DESENVOLVIMENTOS A VER

Mindelo: preparativos para a chegada do Príncipe Real D. Luís Filipe
O jovem príncipe D. Luis Filipe pisou solo mindelense em 1907, sim senhor. Portugal queria continuar a afirmar-se em África, onde a sua situação estava tremida devido a influência de outras potências que a cobiçavam e nesse sentido Luis Filipe foi enviado pelo pai em viagem oficial, pouco antes de ambos serem assassinados. No percurso, que decorreu de 1 de Julho a 27 de Setembro, a bordo do navio português... "África", o príncipe visitou São Tomé, Moçambique (e dali foi à África do Sul e Rodésia), Angola e ainda deu um saltinho a São Vicente.

O Príncipe no Mindelo
Contudo, o objectivo deste post não é contar a viagem do príncipe e múltiplos episódios anexos, mas tão só um: em S. Vicente, onde foi muito bem recebido, tocou em sua honra uma banda militar de cerca de 20 elementos, constituida por gente das ilhas (não sabemos se com base na Praia ou no Mindelo). Conhecemos duas fotos da visita de Luís Filipe ao Mindelo mas esta que aqui divulgamos encontrámo-la hoje mesmo, em mais um "passeio de pesquisa" pela net. Está à venda no ebay por... 50 dólares. Isso mesmo, leu bem, 50 green da terra do Tio Sam. Quem se quiser habilitar, é só ir ao ebay o mais depressa possível... 106 anos em cima do pêlo valem bem o gasto, para quem estiver abonado e desejar esta foto rara, de músicos que nas horas vagas dos ensaios e das obrigações do quartel decerto tocariam nos botequins da cidade e sabe-se lá se também na banda municipal.

Repare-se ainda na piada no "z" de alteza, ao contrário...

Seguem algumas fotos da Banda da Armada portuguesa (VER MAIS AQUI) de época próxima desta, ilustrativas do nosso comentário na zona de... comentários.




Foto endireitada, pose dos músicos melhorada



3 comentários:

  1. Estes rapazes da banda de música militar até podiam ser bons artistas, como é natural na nossa terra, mas noto-lhes um ar de pouco aprumo, a avaliar pelos corpos um pouco
    "debangodes", ah-ah-ah....
    Quanto ao príncipe Luís Filipe, reza a história que ele estava bem preparado para ser mais tarde um bom rei, pois dava sinais nesse sentido. Não esquecer que teve como tutor um bravo militar, Mouzinho de Albuquerque.
    Li que na viagem de regresso a Portugal, e pouco depois de o navio largar de Cabo Verde, um passageiro cabo-verdiano atirou-se ao mar, aparentemente por suicídio. O barco parou e durante algum tempo houve buscas no mar. Da amurada do navio, o príncipe assistiu a tudo, intervindo mesmo nas operações. Isto dá uma ideia do seu espírito de serviço.
    No atentado ocorrido no Terreiro do Paço, mesmo depois atingido por um primeiro tiro disparado por um dos regicidas, sacou da pistola e atirou sobre um que se acercou da carruagem (Alfredo Costa), impedindo que ele, provavelmente, matasse a rainha ou o príncipe Manuel. Mas, acto-contínuo, ele foi ferido mortalmente por outro regicida, o Buíça.

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  2. Em defesa dos músicos...

    É provável que o ar "debangóde" de que o Adriano fala (e ele, como bom militar, sabe o que diz) talvez se deva ao facto de a fotografia ter sido tirada na diagonal. Os rapazes não estão propriamente em acção musical, isto é, não se encontram a tocar. Aqui, a acção é apenas fotográfica, o que permite um ar algo mais descontraído.
    A título de exemplo, fui desencantar num blogue não oficial da Banda da Armada portuguesa algumas fotos antigas que mostram isso mesmo.

    Não consegui nenhuma do género mas há fotografias de bandas militares em que alguns dos músicos até estão deitados no chão, para que seja possível ao fotógrafo mostrar todos.

    Defendidos os músicos e aprovado com aplausos tudo o resto que o Adriano conta (desconhecia essa do suicida), resta-nos a despedida.

    Braça com postura tchei d'stil,
    Djack

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  3. Pronto, pronto... estão absolvidos os rapazes. Mas referia-me mais a algumas cabeças tombadas para o lado. E depois a farda daquele tempo não ajudava nada, pelo menos a dos trópicos.
    Quanto ao príncipe, é pena que os (des)caminhos da política tenham ocasionado a morte de um príncipe valente. E foi o povo que veio a pagar se virmos os descaminhos que tomou a I República.

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