segunda-feira, 5 de agosto de 2013

[0533] Docinhos mandados vir para o Mindelo pela firma João Benoliel de Carvalho, Ltd.

A carta foi longe, de São Vicente até Mitcham, Surrey, na Inglaterra, saída da ilha do Monte Cara a 16 de Dezembro de 1950 e vendida em tempos recentes no ebay, por alguém que a ela teve acesso, em eventual desocupação de arquivos mortos. 

No remetente, encontramos afamada organização comercial de Cabo Verde (que ainda existe, no Mindelo, na Praia e em Lisboa, pelo menos), com nome de proprietário (e família) de não menor prestígio. Quanto ao endereço, fomos tentar saber alguma coisa da James Pascall Ltd. e, como quase sempre, lá chegámos. Esta empresa britânica teve influência decisiva, através da investigação que fez, na introdução do ácido láctico na indústria de doçaria, como se pode ler em "A History of Lactic: a Chapter in the History of Acid Making in Biotechnology", de H. Benninga. E produzia materiais altamente gustativos que encantaram gerações de miudagem do Mindelo e não só... Quem não se lembra dos célebres amendoins-drops desta marca?

 
Os "amendoins" Pascall

Aqui deixamos então o envelope (frente e verso) da carta que deve ter levado até à Grã-Bretanha o pedido de mais uma encomenda de docinhos de encantar bocas gulosas, para além de imagens de anúncios e embalagens dos mesmos. Comam, comam, mas não abusem... E se não encontrarem aí ao pé de casa, vão à vendedeira que está à porta do plurim de verdura, à outra que se encontra junto à alfãndega ou àquela encostada à esquina do Eden Park... Perdão, essa transformou-se em gongom, tal como o cinema...









6 comentários:

  1. O prémio das buscas feitas destas lembranças é saber (desconfiar) do que deixa por dentro dos saudosistas e das pessoas que adoram o seu passado.

    A postagem me leva ao tempo da Brithys Royal Mail que escalava o Porto Grande do Mindelo na ida para a América do Sul e na vinda, com um ou dois dias de intervalo.

    De um lado ou do outro havia sempre artigos para a Western Telegraph C° que o meu pai ia buscar.

    Se do Sul eram as carnes, ovos, etc., do Norte eram toffes chocolate Cadbury, Jam, entre outros que muitas vezes eram oferecidos em troca de pequenos serviços como e entrega de jornais ou de correio.

    Graças e isso, fui um privilegiado durante muito tempo. Depois cabà mala real, cabà bundancia de chuclate ma tofê mas ficou a cavala fresc e pirinha-das-ilha.

    E a lembrança que o Praia de Bote traz agora para fazer manha. Dependendo da forma como se vê, isto pode ser considerado saudosismo ou... sadismo.

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  2. A propósito da família Benoliel, há muita informação na Internet. Remetemos apenas para o blogue parceiro "Esquina do Tempo", onde se fala de locais de enterramento de elementos da mesma: http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/289798.html
    e para outro local onde se pode encontrar referência ao famoso fotógrafo Joshua Benoliel, descendente da citada família em http://www.arqnet.pt/portal/biografias/benoliel.html

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  3. Qond mi era mnin um tava gostá de quel drops marel sebim q tinha por dent mancarra. Obrigado Djack por sabermos agora que se chamavam "amendoins" Pascall. Ah Ah AH!

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    1. O verdadeiro nome dos drops era "Pascall Sweet Peanuts". E obviamente eram mais caros que um púcaro (feito a partir de uma lata de leite condensado) cheio de mancarra. Daí que os Pascall fossem para comer. A mancarra, embora também o fosse, tinha ao mesmo tempo outra aplicação mais lúdica: servir de projéctil em direcção às carolas dos cinéfilos das filas da frente, na plateia do cinema do Tuta e no Eden Park...

      Braça com "Aiiiiiiiiii, nha cabéça"
      Djack

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  4. Lembro-me bem dessas mancarras cobertas, que eram uma delícia para o gosto e um veneno para os dentes...Ciril era o meu formecedor habitual, bem com o o Potatoes, ambos na Rua de Lisboa e imediações...
    Braça láctico,
    Zito

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  5. É bom recordar os trâmites que levavam estas coisas que faziam as nossas delícias. Faz parte da história do Mindelo. Mas não me esqueço do castiço Mitchel, que fazia a distribuição pelas ruas do que adquiria a bordo dos navios (drops, chocolates, tabaco, etc).

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