quarta-feira, 2 de outubro de 2013

[0578] 1 de Outubro de 2013. Faleceu o antigo governador de Cabo Verde (1958-1962), general Silvino Silvério Marques

Cada um à sua maneira, os governadores de Cabo Verde marcaram as ilhas com distinta linha administrativa. Não cabe aqui fazer o historial do percurso local de nenhum deles, sabendo-se de antemão que, como é da condição humana, uns se comprometeram vivamente com o desenvolvimento do arquipélago e o apoio às suas gentes e outros nem tanto.

Por ocasião do falecimento do general Silvino Silvério Marques, um dos derradeiros chefes de governo de Cabo Verde, Praia de Bote foi pesquisar nos seus arquivos e disponibiliza agora aos leitores alguns documentos jornalísticos (dentre cerca de uma vintena) relacionados com a acção deste militar (então major) que antecedeu na direcção do território o governador Leão do Sacramento Monteiro (este, nascido em Nelas mas de ascendência cabo-verdiana e falecido em Fevereiro de 2005). Após Silvino Silvério Marques, houve mais seis governadores - o último dos quais, o almirante Almeida d'Eça (21.09.1974 - 05.07.1975) terminou o mandato  não como governador mas como alto comissário do Governo Português.

18.01.1959

20.02.1959
30.03.1959

15.04.1959

03.11.1959

12.07.1960

26.09.1961

17.10.1961

7 comentários:

  1. Jà tinha zarpado quando ele foi Governador de Cabo Verde e não profiro sobre o trabalho dele deixando isso para os que estiveram no seu consulado. Pessoalmente não posso esquecer a ajuda que deu para que viajassem até Dakar os Irmãos Marques aquando da Festa que ali fiz.
    A viagem so foi possivel porque os Governadores de Cabo Verde (Silvério Marques) e da Guiné (Peixoto Correia) facultaram os onerosos transportes. Sem isso não se viveria esse momento fabuloso de divulgação da nossa mùsica..

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  2. Por razões que só a mim são imputáveis, mas apenas circunstanciais, só agora tomo conhecimento da morte deste valoroso oficial e grande cidadão.
    Sinto muito o desaparecimento do “Nosso General”, oficial que eu tenho na mais elevada estima e consideração, quer pela minha condição de militar quer pela de cabo-verdiano, conhecedor que sou da forma a um tempo valiosa, competente e, sobretudo, humanitária, como exerceu o seu cargo de governador em Cabo Verde. Ficou para a História a decisão que ele tomou para minorar o problema das graves carências alimentares em Cabo Verde. Por seu despacho, nomeou uma comissão para elaborar o que ficou conhecido por “Plano de Abastecimento de Cabo Verde em Época de Seca”, 1959-1960, constituída pelo então capitão do Estado-Maior Arménio Nuno Ramires de Oliveira, hoje general reformado, pelo Dr. Júlio Monteiro e pelo Dr. Henrique Teixeira de Sousa. Este último teve, há uns anos, a amabilidade de me oferecer um exemplar desse Plano, em cuja introdução se pode ler: “Trata-se de um minucioso estudo de carácter oficial para o qual o Instituto de Investigação Científica Tropical não concorreu, nem com o seu pessoal, nem sequer com o seu patrocínio. O seu relatório, que é hoje um documento de inegável importância histórica, baseia-se em dados económicos e demográficos, utiliza informadores sobre a circulação de bens e de pessoas, e recorre a todos os índices de interesse para se estabelecer o projecto de combate aos efeitos gravosos das secas cíclicas de Cabo Verde, com as suas consequências desastrosas na população e também, na riqueza pecuária das ilhas. Todavia, para além de caracterizar situações, de pôr em confronto números que as indiciam, o projecto é mais ambicioso, visto propor soluções de emergência e soluções a longo prazo que poderiam, segundo os especialistas encarregados da missão, vir a mitigar os efeitos terríveis das secas”.

    A verdade é que depois disso nunca mais voltaram a acontecer os calamitosos episódios de fome que marcaram tristemente a vida do arquipélago no passado.

    Uma grande sensibilidade aos problemas humanos e o mais completo sentido de missão são os dois vectores principais que orientaram a acção do Governador. Pena é já não haver na actualidade Homens de semelhante envergadura moral. As novas gerações, além de desprovidas de real preparação para o serviço público, parecem desatentas aos grandes exemplos do passado. É uma pena, e o problema é que estamos todos a pagar por este flagrante défice de valor e cidadania, tanto em Portugal como em Cabo Verde.
    Pelos contactos que tenho com cabo-verdianos de boa cepa e gente séria, sei que o Governador deixou as mais gratas memórias em Cabo Verde. É o que ouço de pessoas da minha geração e de gerações mais velhas que têm em boa lembrança a sua acção governativa e o tamanho da sua humanidade. Certamente que as gerações novas não fazem a mínima ideia de quem se trata. E isso acontece em parte porque os que hoje detêm o poder na nossa terra não têm interesse em que a História se faça inteira e verdadeira, pelo que os compêndios escolares e a informação pública não são de molde a realçar e a enaltecer as boas acções que houve durante a administração portuguesa. A tendência é nivelar tudo pelo padrão mais baixo, com pouca atenção às honrosas excepções, e muitas houve.

    “Meu General”, Deus lhe dê o descanso que merece!

    Adriano Miranda Lima

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  3. Eu ia colocar um novo post, mas depois "disto", não tenho coragem para já e aqui ficam estes valiosos depoimentos mais um tempinho para quem os desejar ler logo às primeiras.

    Braça váldica e adriânica,
    Djack

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  4. Já agora... apenas uma nota: sei que ele se deslocou ao velório do escritor Teixeira de Sousa.

    Braça,
    Djack

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  5. Sim, Djack, encontrei-o no velório do Teixeira de Sousa, sendo a última vez que o vi. Antes disso tinha-o visto na Messe de Oficiais de Lagos acompanhado da esposa, em período de férias de Verão, já lá vão para aí uns 15 anos.

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  6. Também esteve no velório do meu pai de quem era amigo (e penso que terá estado no de outros cabo-verdianos). Que descanse em paz.

    João Nobre de Oliveira

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    1. Grande João!!! Fico imensamente contente de te te ver reaparecer.
      Um enorme abraço.
      Djack

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