quinta-feira, 20 de março de 2014

[0782] TROPAS EXPEDICIONÁRIAS PORTUGUESAS A CABO VERDE NO PERÍODO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Convivência entre militares e população civil

Adriano Miranda Lima
Em nove textos publicados, há cerca de um ano, neste blogue, sobre as Tropas Expedicionárias a Cabo Verde, houve ocasião de abordar o tema sob um ângulo estritamente militar, sem, no entanto, deixar de enfocar um ou outro aspecto de maior interesse do ponto de vista humano e social. Os tempos eram de guerra, de reais dificuldades tanto para militares como para civis, e é por isso natural que o relevo tenha sido dado às exigências, rigores e sacrifícios que implicava a prontidão militar para responder a uma hipotética agressão ou simples interferência no território neutral das ilhas atlânticas por qualquer dos dois contendores mais provavelmente interessados, alemães e britânicos.

No entanto, e embora isso, houve tempo para o lazer das tropas e para muitos momentos de convívio fraterno e amigo com a população civil do Mindelo. Tendo pensado na maneira mais adequada para abordar o tema, achei que devia dar a palavra ao “Chico da Concertina”, nome artístico por que ficou conhecido no Mindelo o ex-1º cabo Francisco Lopes, natural de Tomar, pertencente à 3ª Companhia do Batalhão de Infantaria 15. Note-se que o nome “Chico da Concertina” já tinha surgido circunstancialmente num daqueles meus textos publicados e voltaria a aparecer mais tarde figurando num folheto-programa de actividades teatrais no Eden Park daquele tempo, também publicado neste blogue. Tive a oportunidade de conhecer o senhor Francisco Lopes e até de conviver com ele em Tomar, onde exerceu toda a vida a profissão de encarregado de electricidade na fábrica Matrena, situada nos arredores da cidade. De tudo o que lhe ouvi contar, sempre com uma indisfarçável e viva emoção estampada no rosto, convenci-me, portanto, de que ele personificaria o exemplo perfeito da boa convivência que houve entre militares e civis, ao tempo dos acontecimentos. É evidente que estou a falar do universo social que estava mais próximo da classe militar a que ele pertencia, mas será esse talvez o que espelha com mais fidelidade a espontaneidade e a sinceridade do comportamento humano. Sabe-se que a outros níveis relacionais o convívio foi mais restrito a espaços privados, proporcionando namoros e alguns casamentos entre militares graduados e raparigas cabo-verdianas. 

Por conseguinte, elejo o 1º cabo Francisco Lopes como um verdadeiro e natural paradigma das relações humanas entre a tropa e a população do Mindelo, daí ser justo dar-lhe a palavra, transcrevendo o que, para o caso, mais interessa relativamente a um texto que ele escreveu em 2001 para o jornal “Cidade de Tomar” sobre a sua experiência militar e social em S. Vicente, por ocasião da comemoração do 60º aniversário da partida do seu Batalhão para Cabo Verde. O mesmo é dizer que vamos soltar o “Chico da Concertina” nas ruas do Mindelo, após soar o toque de ordem (1) no aquartelamento improvisado da sua companhia nas instalações da antiga Sociedade Luso-Africana, no centro da cidade. A sua palavra será secundada com a ilustração de algumas imagens de fotografias do seu espólio pessoal, que são de notável veemência e expressividade. 

Deixemo-lo então abrir o livro:

“O nosso capitão era uma pessoa muito considerada pela sociedade civil do Mindelo e com frequência era convidado para festas e almoços, e lá ia eu com a minha gaita (acordeão) para tocar as músicas de cá, mas nunca me deixava tocar antes de comer e beber do bom e do melhor.

No que me diz respeito, fui o único que fez parte de orquestras e grupos musicais na ilha de S. Vicente. Passei a ser muito popular e era lá conhecido pelo “Chico da Concertina”.

Sempre que havia festas lá estava eu com o meu acordeão, mas havia lá dois violistas muito bons, o Toque e o Tonzinho, que me acompanhavam muitas vezes.

Não me posso esquecer do amigo Alpercata, do Montijo, bom violista e guitarrista que cantava muito bem, fomos várias vezes actuar no teatro (Eden Park) e em muitas serenatas às tantas da noite; e também não me esqueço dos concertos de acordeão e violino do Sr. Alferes Jacob, outras vezes acompanhado à viola pelo Sr. Alferes Vicente.

Eu tinha lá um grande amigo cabo-verdiano que tocava muito bem o piano, o Naldim Gonçalves. Era quem me convidava para inúmeras festas em que iam os seus familiares. Até me emprestavam um fato a civil para ir às festas.

Também fiz parte de um grupo de teatro, fazendo também parte da orquestra, e os componentes do teatro eram na sua maioria do BI 7, juntamente com naturais da ilha, em especial as meninas.

Recordo os piqueniques na quinta da Ribeira de Julião, dos farnéis que levávamos para lá, era farra todo o dia; das deslocações que fazíamos para a quinta do Calhau, dos exercícios da nossa companhia fora de portas, etc.

Da nossa estadia em S. Vicente, não me esqueço das voltinhas que dávamos à noite à volta do Jardim (da Praça Nova), ao som da música do coreto da Banda Municipal, dirigida pelo maestro Jorge Cornetim, em que convivíamos uns com os outros e fazendo a corte às moças de lá (algumas muito giras). No fim tocava o Hino Nacional e toda a gente parava em posição de sentido, militar ou civil. 

Enfim, fui um privilegiado, passei lá os melhores dias da minha vida, cuja lembrança estará sempre viva na minha memória.”

A complementar o conteúdo do seu texto, o senhor Francisco Lopes disse-me que no círculo das suas amizades, além do Jorge Cornetim e os já citados, entrou também o que viria a ser o escritor Nuno Miranda, na altura finalista do liceu, mas que já escrevia textos literários para jornais. Adiantou que, mais tarde, quase todos os anos viriam a encontrar-se na Praia da Conceição, em gozo de férias, e relembrando sempre aqueles tempos bons da sua mocidade. Também referiu-me que teve uma boa relação de amizade com o fotógrafo amador José Vitória, e para o comprovar mostrou-me uma foto de três dos filhos desse amigo, duas raparigas e um rapaz, ainda crianças. Ficou boquiaberto quando lhe disse que uma dessas raparigas viria a ser a esposa de um tio meu. Já se tinha também admirado de eu lhe dizer que o Nuno Miranda é primo direito do meu pai. Essas duas coincidências mais reforçaram a afinidade entre mim e o interlocutor.

Terminou a nossa conversa com estas palavras: “Aquela gente era maravilhosa e amiga do seu amigo, e confesso que nunca esperei ir para a guerra num sítio como a cidade do Mindelo. Claro que a vida era difícil naquele tempo por causa da guerra, havia pobreza e até muita fome, mas as pessoas eram simpáticas e carinhosas”.

Permitamos agora que o antigo expedicionário nos ofereça algumas imagens (fotografias do seu espólio pessoa) que falam mais do que as palavras:

1.º cabo Francisco Lopes
Militares da 3.ª Companhia, no aquartelamento improvisado nas antigas instalações da antiga Sociedade Luso-Africana.
Horas de ócio, na esplanada do Eden Park, talvez a aguardar uma matinée.
No aquartelamento de Chã de Alecrim, de outro batalhão (BI7).
Equipa de futebol da 3.ª Companhia, de que o Chico fazia parte.
Duas equipas militares defrontam-se: a da 3.ª Companhia, contra outra.
Moças de um grupo de Carnaval. Em baixo, lê-se a palavra Fluminense, escrita à mão.
O Chico, sempre com a sua concertina. A rapariga assinalada seria uma saudosa recordação do seu jovem coração? Bonitas moças, não há dúvida. Bem dizia ele... E, baixo lê-se a expressão Sempre Fixes, escrita à mão.
Esta foto foi obtida por ocasião de um baile de Carnaval do Fluminense. É uma imagem que exala ternura, pela sã camaradagem nela patente entre militares e civis.

O Manim Estrela, célebre futebolista, está de cócoras e fato branco ao lado do Chico.
A “tocatina” era uma constante nas suas horas de folga. Sem dúvida que os moços militares desembarcaram na terra certa e, para mais, os contingentes militares levaram bons executantes de vários instrumentos musicais. E não deixavam os seus créditos por mãos alheias, como se depreende da narrativa. O Chico pouca folga dava ao seu acordeão, como ele me confessou e fez questão de frisar no depoimento que escreveu páginas atrás. Nos convívios que realizaram depois do regresso a Portugal, ele levava sempre o seu acordeão, como mostra uma das fotografias mais à frente. E é claro que as “tocatinas” e as festarolas eram a melhor via para conquistar o coração das crioulas, isto numa ilha em que todo o pretexto servia e serve ainda para realizar um bailinho, seja um aniversário, uma despedida, ou um baptizado, e este até mesmo de boneca. A foto é feita dentro do saudoso cinema Eden Park, a avaliar pelos cartazes afixados à parede. E também pela cadeira de verga (da esplanada do cinema) que um dos militares está a utilizar.
Na pracinha do Liceu Gil Eanes.
Na Praça Nova, junto à fonte.
Almoço na Ribeira de Julião.         
O Chico, de visita ao Paul, ilha de S. Antão. Em cima do burro, o seu amigo Jorge Cornetim, e à direita do animal, o anfitrião, José Pedro Afonso, telegrafista do navio Senhor das Areias.
No Paul, o Chico não deixou de tocar para os amigos, junto ao ecrã de um cinema ao ar livre.
Esta foto apresenta-o em dueto com um companheiro à viola, num dos muitos convívios que os expedicionários realizaram depois de desmobilizados. É interessante ver o tempo que medeia entre estas duas fotografias, numa, acima,o jovem 1º cabo na verdura dos seus 22 anos, e aqui, já na maturidade dos seus de cerca de sessenta anos.  

O senhor Francisco Lopes prestou-me estes testemunhos em 2007, numa esplanada de Tomar, numa altura em que andaria à volta dos seus oitenta e sete anos. Estava ainda rijo de corpo e fresco de memória, sempre irradiando simpatia e boa disposição. Conduzia ainda o seu automóvel, no qual se deslocara ao ponto combinado do nosso encontro. Não é por acaso que refiro este aspecto particular, pois as autoridades viriam a retirar-lhe a carta de condução, creio que por desactualizada em função da idade, não mais voltando a readquiri-la. Terá sido o bastante para ele se reter em casa e entrar em depressão. Depois, viria a sofrer uma afecção respiratória, que se complicou, e foi o suficiente para tempos depois nos deixar. Julgo que aos oitenta e nove anos. Senti muito a morte do senhor Francisco Lopes, porque era um elo precioso de uma memória histórica que muito prezo, por envolver o Regimento da minha vida, o RI 15, e a cidade onde vivo. E também porque ele era um homem de nobres sentimentos, alguém que me considerava e estimava, talvez pela forma como apoiei duas vezes, no aquartelamento do Regimento, os almoços e convívios dos antigos expedicionários do seu Batalhão, o último dos quais em 2001, de cuja comissão organizadora ele era o membro mais entusiasta e interessado. Mas percebi que a atenção para comigo talvez se devesse também ao facto de saber da minha naturalidade cabo-verdiana. Pois é possível que ao olhar para mim revisse as suas andanças juvenis pelas ruas do Mindelo, as festarolas, a morabeza das pessoas, o encanto das crioulas. 

Há poucos dias, fui ao funeral de um antigo militar expedicionário desse Batalhão mobilizado pelo RI 15, não só por aquilo que ele foi, mas também porque sou amigo de uma sua filha. Tinha noventa e três anos e foi polícia em Tomar. Não tenho conhecimento de que haja mais algum sobrevivente desse Batalhão, pelo menos na cidade onde vivo e de onde a força militar partiu para Cabo Verde, há setenta e dois anos. 

As memórias vivas extinguem-se pela lei da natureza, com a passagem inexorável do tempo, implacável e enigmático na modelação das nossas percepções, dúvidas e contingências. Mas o tempo é também prazeroso quando um átomo da sua substância tem a magia de nos incorporar nas recordações de alguém que já não existe, criando-nos a ilusão de um espaço de partilha comum, como um palimpsesto onde tudo se escreve, se apaga e se reescreve continuamente e conforme o viés da nossa corrente de transmissão. Bem dizia Leonid S. Sukhorukov que “a vida não é julgada pelo tempo mas pelas memórias dos momentos especiais.”

                                                       Quarteira, 18 de Março de 2014
Adriano Miranda Lima

(1) “Toque de Ordem” é o toque militar que anuncia nos quartéis o fim da actividade do dia, sendo a partir disso autorizada a saída livre para quem não está de serviço.

12 comentários:

  1. Bela crónica, sim senhor...Eu era novinho, mas posso testemunhar várias cicunstancias dessa convivência e, se outros atractivos não tivessem, as memórias do Chico da Concertina trouxeram-me imagens de dois amigos do peito, o Jorge Cornetim e o José Pedro Afonso, amigo, confidente e padrinho de casamento...Obrigado Adriano, pela saborosa prosa!
    Braça, saudoso
    ZXito

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  2. Sou velho. Assumo orgulhosamente. Sobretudo desde que uma "coroa" ocupou o lugar dos meus cabelos brancos. Sou o decano desta turma, que teima em não virar as cosats ao Praia de Bote e ao Arrozcatum, e não tenho pejo nenhum em falar da minha terra pobre de recursos mas rica de e gente de morabeza que sabe receber os forasteiros, como diz o Chico Concertina de quem não me lembro (bolas, tinha sete anos!!!). Todavia nunca esqueci de outros acontecimentos e pessoas do seu tempo, tanto mais que ele teve de partir e eu fiquei nessa terra que ele tanto amou. Parti mas mais tarde. Portanto, é com imenso agrado que comento a extraordinària publicação de hoje que, de certeza, vai agradar não so os saudosos mas as pessoas que apreciam nossas tradições que são a essência da nossa bela Histôria que resistirà às modernices e, obviamente, aos predadores que preconizam o "tude pa tchom".

    (Continua)

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  3. (Continuação)

    *** Lembro-me de ter ouvido alguns músicos da tropa mas quem guardei na memória foi um exímio tocador de banjo, instrumento que nessa idade ainda não tinha visto nem sequer na folha de um jornal. O que posso afirmar é que a partir dessa altura passaram a fabricar esse instrumento mesmo atrás da minha casa de Chã de Cemitério (onde fui morar mais tarde). Um dos fabricantes era nhô André de Nha Sabina, artesão/guitarreiro, irmão do célebre Hilário (1)violeiro "hors paire" que foi um dos companheiros do B.Leza.

    Outra pessoa que me ficou na memória até hoje era um furriel, optimo cantor de qualquer música, que passou a ser grande também entre os cantadores de mornas o que lhe "obrigava" a participar em todas as serenatas e outras "fnhengas" dos rapazes de borga.

    Na sua exposição o Chico Concertina fala de dois seus acompanhantes: Toco e Tonzinho (2). O Toco era irmão mais novo do Manim Estrela, ambos negociantes de bordo e verdadeiros azes das noites de Mindelo. O Tonzinho de que fala era o Antãozinho de nha Chicha de Marichicha, mulher macho, da Craca, negociante de carnes no Matadouro. Nha Chica comprava rezes que vendia detalhado (3). E dava de viver a todos os seus filhos que não foram poucos. Antãozinho era um deles; moço sempre bem posto, cabelos alisados com a brilhantina da Drogaria de Djandjan, nunca fez senão tocar o violão duranta a semana e... jogar futebol pelo Mindelenseaos domingos. Em uma e outra coisa era mesmo bom; o que equivale a dizer que dele tenho lembranças (a mùsica) e menos agradàveis (fazia sofrer a minha equipa).

    (Continua)

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  4. (Continuação) *** Agora, para o meu amigo Adriano, uma estorinha daquelas que ainda não esqueci e também porque o protagonista se encontrava mais ou menos ligado às parodias desses jovens caboverdianos e da tropa: - O Fernando Dudula (?) que andava sempre na ourela de casa de pasto da Bidjuta (companheira de Tuquim, um aficionado doido do Mindelense). Sabia-se que a mãe o concebeu em Portugal e regressou antes dele nascer; nada mais. O moço foi para tropa nessa altura; era 1° Cabo. A curiosidade é que ele serviu sob as ordens de um Major do Exército, e andava com dois furrieis, irmãos gémios, Eram o pai e os irmãos dele.

    Gosto de dizer "munde ê piqnim".

    1) - Nha Sabina era oriunda da Boa Vista e os seus filhos eram todos músicos sendo Hilário o craque, André o fabricante de instrumentos, o Mano e o Manim dois apreciadores do nectar do Paul, que também arranhavam as cordas quando não estavam em jejum. Não esquecer o outro que instrumentos nada conhecia. O seu forte era (também) parodias (Muuuuitas) e motocicleta.
    Nha Sabina teve (entre outros) dois netos (Djosinha, falecido novo em Dakar e um filho do Hilàrio, falecido em Lisboa) que foram bons executantes e uma neta que abrilhantava as noites de Monte Sussego no seu restaurante: - a célebre Ofélia.

    2) - Mais tarde o Toco foi co-líder de um quarteto (espontâneo) célebre em tocatinas (tardes e serenatas). Eram eles o Toco (violão), o Antãozinho (violão) solistas, o Miguel Patada (violão acompanhante) e um outro colega deles cujo nome não me recordo (cavaquinho). Podiam ser ouvidos todas as tardes na Rua do Matadouro Velho (logo à entrada, à esquerda) rua onde morou B.Leza; mas as reuniões deles eram à porta de outro amigo.

    3) - Verdadeiro exemplo de Mulher-Chefe de Família, Nha Chica geria a sua pequena empresa com mãos de mestre e aproveitava de tudo quando se podia aproveitar. Até as pelas vendia para exportação. À tardinha era um desfilar de gente à sua porta na Rua de Craca (a rua mais suja do Mindelo) As pessoas vinham de todo o lado (muitas vezes enviadas pelas suas patroas) para comprar um acepipe de que ela tinha o segredo: a "botchada", infelizmente proibida em minha casa.

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    1. Nota: -
      a) Desculpem as gralhas. Ao comentar sentia pressa em vos contar coisinhas e tudo não ficou perfeito. P.e.: Eram as "peles" que Nha Chica vendia e não "pelas".
      b) Da Rua do Matadouro o Adriano falou noutra altura ao referir-se a lugar onde morou e onde morou B.Leza e sua Familia.
      c) A Ofélia, falecida hà uns dois anos, mereceu um grande artigo num dos blog's on line (Praia de Bote?)

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    2. Volto para pedir apresentar as minhas desculpas ao meu amigo LUIZ SILVA. Isso porque foi ele quem escreveu, para a "Esquina", (do Brito Semedo) o artigo sobre a Ofélia de Nha Sabina, como era conhecida, que na realidade era a primeira neta de Nha Sabina.
      Um dia fez comomuitos de nôs e escolheu Dakar que deixou quando arranjou alguns "franquinhos CFA". Investiu perto da casa onde foi criada (na Chã do Cemitério) no Monte Sossego.
      Ah se muitos fizessem como ela !!!

      E, para não comentar os comentàrios dos comentàrios, agradeço aqui os amigos que se disponibilizam para ajudar-me num eventual trabalho.
      Quonde Conê bem de Merca !!!
      Se, por duas vezes, senti vontade de fazer isso, apareceram logo razões para não continuar. Pena tenho de não poder reaver os Contos publicados n'O Liberal que fui fazendo cada semana.
      Mas... primeiro: jà pus as baguetes de parte. Depois se verà.

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  5. Valdas é uma enciclopédia viva. A Wikipédia ao pé dele é um pasquim. Obrigado aos persistentes que falam e escrevem e dão assim mais história às histórias esquecidas do Mindelo.

    Braça de rato de biblioteca,
    Djack

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  6. Bem, bem, eu só digo, aliás, reafirmo, que o Val tem de escrever e publicar no PdB, e não só, tudo o que vem pejado na sua memória. É certo que o seu livro "O Teatro é uma Paixão, a Vida é uma Emoção" muita coisa divulgou, e com interesse multifacetado, mas o livro é algo que, pela sua natureza, se sujeita a uma estruturação mais rígida e disciplinada, pelo que não pode encaixar as peças mais soltas e irreverentes da memória. A menos que se disponha a isso mesmo, criando uma lógica interna para o devido encadeamento das lembranças menos formais.
    Tudo isto para dizer que o Val tem de escrever novo livro, para publicar todas estas coisas mofinas e engraçadas que habitam a sua memória. Pessoalmente não conheço mais ninguém com semelhante repertório. Acho que o património imaterial mindelense agradeceria.
    Quanto ao Chico Concertina e os seus companheiros mais próximos, penso que foi extraordinária a forma como se integraram e se identificaram com as gentes do Mindelo. Foi uma integração total, natural e sincera, e mutuamente partilhada, demonstrando que a natureza humana do mandrongue e a do mindelense têm imensos pontos comuns, ou não fosse comum um certo tronco ancestral.

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  7. Mondrongue, mandrongos ou mandrondos (como se queira) e mindelenses têm de facto muito mas muito em comum, embora muitos, de um lado e do outro, nem suspeitem sequer disso. Quanto ao Val, se ele não for preguiçoso e em vez de passar as manhãs a comer baguettes e croissants deliciosos e estaladiços desatar a escrever, eu darei todo o apoio que for necessário e estou certo que o Adriano também. Oui, monsieur Valdêmarrrr?

    Braça com teclas aos saltos,
    Djack

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  8. Ainda não tive tempo de ler isto, mas de antemão dou os meus parabéns ao Adriano. Imagens lindíssimas e de certo um contributo à memória da ilha de S. Vicente de Cabo Verde. Que continuem a nos proporcionar este momentos de satisfação intelectual já que o futuro está ainda muito sombrio lá pelas outras bandas

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  9. Me chamo Maria Alice filha de Maria das Dores e pai Antero Paulo Pinto, nasci em 1965 na cidade da Praia em Cabo, fui batizada como sua afilhada e gostaria muito de entrar em contacto consigo caso seja a pessoa em questão!
    Obrigada

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    1. Cara Maria Alice,
      Veja o post 2728, onde fizemos eco do seu pedido.
      Segue um abraço e a recomendação de que deve e pode continuar a conversar connosco, mesmo que nenhum de nós seja o seu padrinho.
      Braça,
      Djack

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