terça-feira, 15 de abril de 2014

[0818] Meio século de "ser marítimo" é obra!!!

Praia de Bote tem o enorme prazer de divulgar o documento de quota paga (dez paus, uma data de massa, na altura) pelo marinheiro de cabotagem Artur Manuel Mendes ao Sindicato Nacional dos Inscritos Marítimos da (então) Província de Cabo Verde, faz hoje exactamente 49 anos. Um belo documento, de grandes evocações. Primeiro é que nessa altura aqui o administrador do blogue estava ainda a oito meses de abandonar a ilha de São Vicente. Depois, puxa a brasa à sardinha própria, evocando o seu grande explicador de Matemática na 4.ª classe, Ti Fefa (Alfredo da Silva Brito), que ali dava lições no pátio interior (por onde estavam sempre a passar marinheiros para o primeiro andar, para o qual subiam por escadas que desembocavam numa varanda a toda a volta do dito andar). Por fim, o Mendes recorda decerto os navios em que cavalgou as ondas do Mar de Canal e do Atlântico que são da mesma água, de idênticos perigos e iguais naufrágios. Um braça salgode para ele, deixando aqui o precioso papilim e os três barcos de que nos contou ter sido tripulante, todos registados na praça de São Vicente e todos veleiros com motor auxiliar. Os dados de tonelagem de capacidade de carga devem-se a documento oferecido pelo nosso colaborador Adriano Miranda Lima.


"Ernestina" (antigo "Effie M. Morrissey"), c/ capacidade de carga de 119,65 tons., único sobrevivente dos três, hoje em New Bedford, EUA
"Novas de Alegria", c/ capacidade de carga de 31,15 tons. O seu marinheiro mais famoso foi o já falecido cantor e compositor Manuel Jesus Lopes, conhecido como Manuel de "Novas" (1938, Santo Antão - 2009, Mindelo) por motivo que se percebe.
"Carvalho", c/ capacidade de carga de 25,58 tons., um dos mais queridos e recordados pela população de São Vicente e de Santo Antão, pois realizou centenas ou mesmo milhares de viagens entre as duas ilhas irmãs.

8 comentários:

  1. O "Stula" foi homem de mil aventuras e memórias várias, para alem de ter a curiosidade natural dos amantes do conhecimento...Conheço-o desde criança...De resto, sendo, como é. irmão da Isabel, casada com meu irmão Tuta é, praticamente, da família...Salvé, ó marinheiro dos sete mares!
    Braça,
    Zito

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    1. Ele é daqueles que não só beberam a água de Vascónia como cavalgaram a dos mares das ilhas. Baptizado por Neptuno para sempre, portanto, e marinheiro eternamente.

      Braça com peixes voadores por todo o lado,
      Djack

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    2. Muito obrigado pelo elogio e imerecida deferência...
      Agora, cun ´caí na mar m'tem tem que navegá!
      De quando em vez vai uma aventurinha!
      .....

      Sem querer meter remo na Bote alheio, seria útil que as Exmas Autoridades Marítimas Museológicas, explicassem qual o guião do Museu...

      Ou melhor, como disse o célebre Captain Djack ( em 15 de Abril de 1653 da parte da tarde)
      "Não perguntes o que tens para lá pôr.... mas o que lá podes pôr!

      Saudações de Canal
      Am

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  2. Dos três so do "Novas de Alegra" tenho lembranças pois era o que fazia a ligação Cabo Verde-Dakar. Era dos primeiros a entrar a bordo, não em serviço mas, por deferência. Sempre havia qualquer coisa a comprar e, algumas vezes, a resolver.
    Foi nele que ganhei a amizade dos capitães Alberto e Crisanto e ainda do Manuel de Novas grumete que ainda estava londe de ganhar os galões de comandante de composições.
    Espero (estou certo) que o Captain Djack vai ser de Graaande utilidade ao Museu do Mar.
    Braça d'esperança

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    1. Caro Amigo

      O Novas de Alegria, está intimamente ligado à história da Igreja Nazareno de S. Vicente....

      Foi oferecido à Igreja por um "mercano" de nome (Rochwell). Este filantropo era um grande artista pintor, sendo de sua autoria a pintura que ilustra o altar da Igreja Nazareno em S. Vicente. Trata-se de uma paisagem do Paul (Santo Antão)

      Capt Alberto começou como guarda de iate... ele má sê cachorro pulguento ... Nem por por reza Nazarena ele nos deixava subi na bordo...

      Depois foi vendido... desmanteladas as cabines para fazer porão!!!! Até sal no carrega! Foi um iate de luxo... que acabou na sucata!
      Mais tarde contarei uma viagem a Dakar.

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  3. Mais uma vez tenho de reconhecer, com enorme regozijo, que o AMendes veio trazer colaboração de grande valia a estes dois blogues irmãos, o PdB e o ARROZCATUM. Ainda por cima ele tem os dois predicados que melhor servem o PdB: amante do mar e rato de biblioteca.
    Eu não tenho grande memória das pessoas mais antigas, como outros têm, mas conheci muito bem o Alberto e o seu irmão Crisanto. O Manuel de Novas só viria a conhecê-lo depois da minha saída de Cabo Verde.

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  4. Caro Mendes,
    Tudo certo. Jà agora venho lembrar(nos) de outra pintura (Imponentissima) muito conhecida, e mais exposta, que Mr. Rochwell fez na entrada dos escritôrios na Casa Serradas. Não sei se o "Patria" ou o "Imperio" da Companhia Colonial de Navegação.
    Infelizmente, quando deixei Soncente em 1954 ainda não existia a Igreja de Nazareno. No lugar encontrava-se a hortinha (pomar) de Toi Bintim com sua residência, a oficina (onde fabricava as bombas) e o curral onde o irmão (Jom) guardava o cavalo e a célebre mula.
    Eu ia là brincar pois morei em dois lugares bem perto (Alto de Companhia e Alto de Nho Lelo).
    Quanto ao iate é de lamntar o destino que teve depois dos bons serviços prestados nas viagens para Dakar. Quando ali chegava, e permanecia, era festa sem parar. Cada um aparecia consoante as suas horas livres.
    ... e a Policia do Porto, sabendo que traziam sempre contrabando (bebidas, etc...) não andavam muito longe (sempre ta goità).
    Boas lembranças.

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  5. Quem dera um dia poder voltar e encontrar estes barquinha na baia. ò Sodade.
    Tony Avelino

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